quarta-feira, 1 de abril de 2009

CLAIRE-ASTRID MUAMBULE, o “sim” a Deus


Faz hoje 25 anos (1 de Abril de 1984) que faleceu Claire-Astrid Muambule, Irmã Clara da Eucaristia como ficou conhecida na vida religiosa. Em 24 anos, esta jovem nascida no Zaire (actual Rep. Dem. Do Congo) irradiou a sua felicidade e alegria em Deus, apesar de enfrentar um cancro na face que a deformou e crivou de sofrimento o final da sua vida.
No mesmo dia em que se baptizou com 12 anos, a 7000 quilómetros de distância, celebrou-se a cerimónia de envio de um grupo de religiosas clarissas que fundariam uma comunidade em Cabinda. Astrid Muambule não sabe ainda que esta viria a ser a sua futura família. Adolescente, deixa-se fascinar por Jesus Cristo, seu evangelho e sua imagem no crucifixo. Sente que Ele está abandonado e que a chama. Sem resistência, ela cede: poderá encontrar algo melhor do que ser amada pelo Amor em Pessoa?
O exemplo de S. Franciso reforça nela a convicção da sua vocação. É assim que a 18 de Agosto de 1979, reveste o hábito das irmãs clarissas. “Jesus e eu somos um. E sou a sua pequena esposa!”

A transfiguração
Mas não basta professar religiosamente. Claire reúne diversos defeitos que tornam difícil a sua entrega a Deus: receosa, preguiçosa, orgulhosa, desobediente, teimosa e pouco amiga do silêncio.
É a 22 de Outubro de 1983 que acontece uma verdadeira transformação nela. No hospital, onde fora internada, descobre-se a terrível verdade do cancro que não lhe deixa hipótese de salvação. Mas Claire oferece-se a Deus: “Na mesa de operações, disse SIM ao Senhor, foi nesse momento que compreendi o significado da cruz que o Senhor me pedia para levar! Eu disse: «Sim, ofereço-Te a minha vida para que os homens que Te renegaram voltem para Ti!» Ele quer que todos os homens regressem à sua Casa, na alegria e no amor! Não posso explicar-te a alegria que se apoderou do meu coração nesse instante, não, não consigo exprimi-la… Com Deus sou como uma criancinha com a face encostada à face d’Ele.”
Toda a comunidade testemunha que nos seus últimos meses, Claire permanece em oração e no louvor a Deus. Acreditar no Amor imenso de Deus por ela e a sua vontade férrea em nunca desistir de uma decisão tomada transfiguraram-na totalmente. Foram 5 meses de sofrimento sem queixume, de rosto inchado, perdendo a visão e a boca transformada em chaga purulenta.
“Fico contente com tudo, pois foi o Senhor quem o permitiu. Não vos inquieteis com nada, porque o Senhor está comigo. Estou na sua mão. Nada acontece sem que Ele saiba. Dou-Lhe graças pelo seu Amor, que é forte, pelo seu Amor que tudo transforma, pelo seu Amor que me chama a cada instante!”

A entrega total
Fez da sua existência uma autêntica eucaristia através da qual se encontrava com o seu Jesus e pela qual oferecia o seu próprio sacrifício em favor dos outros, nomeadamente pela santificação dos sacerdotes. “Procuro a sua vontade, Ele manifesta-se em mim, e isso enche-me de prazer! Estou contente por ir para Ele, vivo a alegria desse encontro. Ele já está presente, vem até nós antes de irmos até Ele.”
Claire recebe muitas visitas de sacerdotes, religiosos, grupos de jovens… Interessa-se por todos, nunca falando de si ou da sua doença, mas da alegria de Deus. Convida todos à oração e a cantar. Aos jovens vai repetindo: “Procurais a alegria passageira, eu caminho para aquela que não tem fim!”
As suas últimas palavras foram o Magnificat que rezou juntamente com as suas irmãs clarissas, após ter comungado. Como Clara de Assis, a sua vida foi um louvor de gratidão a Deus.
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