segunda-feira, 31 de agosto de 2009

ADOPTE UM PADRE!


Estando, uma boa parte de nós, numa de “rentrée” (regresso) e a propósito do Ano Sacerdotal que estamos a comemorar, o ‘Voc-Acção’ faz eco de uma iniciativa original que transcrevemos do Boletim carmelita ‘Mensageiro do Menino Jesus de Praga.

Recordamos que, segundo Bento XVI, esta comemoração “pretende contribuir para fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo” a fim que todos os sacerdotes se tornem, “no mundo actual, mensageiros de esperança, de reconciliação, de paz”.

Com esse intuito, Dom Murilo S. R. Krieger, arcebispo de Florianópolis (Brasil), lança-nos uma forma original de todos se associarem a essa causa: Adopte um padre!

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Dentre os sacerdotes que conhece, escolha um deles, e reze todos os dias pela sua santificação.

Ofereça algum sacrifício para que ele exerça bem o seu ministério. Nunca lhe fale sobre isso, nem faça comentários a esse respeito com outras pessoas. Que seja apenas o Bom Pastor a tomar conhecimento dos pormenores dessa “adopção”. (…)

Deste modo, está a responder ao apelo da Igreja, que nos recorda: «todo o Povo de Deus deve rezar pelas vocações sacerdotais». A sua resposta ao apelo de adoptar um padre tem uma particularidade: não está só a rezar pelo clero em geral, mas por um padre com um nome e um rosto. (…)”

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

JEAN-PAUL HYVERNAT, "Teria querido ser santo..."


Jean-Paul Hyvernat era um padre da diocese de Versailles, França.

Ordenado o dia 23 de Novembro de 1983, foi vítima de um acidental mortal durante uma escalada com jovens, nos Alpes, a 28 de Agosto de 1991 (faz hoje dezoito anos). Tinha então 34 anos. Regressava de Czestochowa, o famoso santuário mariano da Polónia, onde rezou e caminhou ao lado dos jovens que ele tanto amava e aos quais se dedicou plenamente.

Em 12 de Janeiro de 1986, tinha deixado escrito o seu testamento espiritual, quando tinha 29 anos. Neste Ano Sacerdotal, vale a pena ler esse texto. Nele percebe-se o significado do sacerdócio para este jovem padre e a grande paixão que nutri por Cristo. Sem esse amor, não é possível ouvir o apelo de Deus e segui-l’O:

“Peço perdão a todos quantos posso ter magoado ou escandalizado durante a minha terrena. Perdão a todos aqueles que terão visto na minha vida sacerdotal um contra-testemunho: o Sacerdócio é uma realidade tão bela que só podemos traí-la.

Teria querido ser um santo… Teria querido que todos fossem abrasados pelo Amor, teria querido ser um padre dado, comido, teria querido que todos fossem apaixonados por Cristo, quereria ter absolvido todos os pecados de todos os pecadores que encontrei, teria querido que Maria reine em todos para que todos sejam de Cristo, teria querido feito amar o Amor, teria querido que a Eucaristia fosse o centro da minha vida, teria querido… que um outro tomasse o meu lugar e subisse ao Altar e fosse um santo!

E rezai pelo pobre pecador que eu sou, eu que tanto traí o meu Deus, eu que não soube fazer penitência, eu que tanto preciso de Misericórdia.

Que os jovens, e entre eles os escuteiros e guias, sejam sedentos de Absoluto, de pureza, de transparência, de alegria e santidade.

Deus é Amor. A Igreja é bela, porque é sua: guiada por Maria, não me arrependo nada de quanto contemplei nela…

Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo. Louvor e Glória à Estrela da minha vida, Maria toda pura.

Jean-Paul Hyvernat, cristão, escuteiro, padre para a Eternidade.”




S. AGOSTINHO - "Tarde Te amei..."

Agostinho nasceu em Tagaste (norte de África), no ano de 354. Filho de pai pagão e de mãe cristã, era de espírito irrequieto, quer intelectualmente quer moralmente. A sua sede de verdade encaminhou-o por diversas correntes filosóficas e seitas, até chegar ao cristianismo, por volta do ano 387.

S. Ambrósio exerceu nele uma grande influência, baptizando-o em Milão. Mas foi sobretudo Santa Mónica, sua mãe, que trabalhou pela sua conversão, rezando e aconselhando desde sempre.

Agostinho decidiu, então, levar uma vida ascética. Eleito bispo de Hipona, durante trinta e quatro anos guiou o seu povo, ensinando-o e combatendo as heresias. Além das "Confissões", escreveu muitas outras obras. Constitui-se, assim, num dos mais profundos pensadores do mundo antigo. É por muitos considerado o pai do existencialismo cristão. Faleceu em Hippo Regius, no dia 28 de Agosto de 430.

Eis aqui um dos seus mais belos textos:

“Tarde Te amei,

beleza antiga e sempre nova,

tarde Te amei!

Tu estavas dentro de mim

e eu estava fora de mim.

Era nesse fora que eu Te procurava;

com o meu espírito deformado,

precipitava-me sobre as coisas formosas que criaste.

Tu estavas comigo,

mas eu não estava contigo…

Retinha-me longe de Ti

aquilo que não existiria se não existisse em Ti.

Chamaste, gritaste

e rompeste a minha surdez.

Brilhaste, resplandeceste

e dissipaste a minha cegueira.

Exalaste sobre mim o Teu perfume:

aspirei-o profundamente e, agora, suspiro por Ti.

Saboreei-Te, e tenho fome e sede de Ti.

Tocaste-me e agora desejo ardentemente a tua paz.

Uma vez unido a Ti com todo o meu ser,

não haverá mais, para mim,

nem dor nem trabalho:

a minha vida será toda cheia de Ti.”







quinta-feira, 27 de agosto de 2009

PASSOS A DAR...

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"Todo o homem tem de dar dois passos:
primeiro, aceitar-se a si mesmo;
segundo, ser exigente para consigo mesmo.
Sem o primeiro,
caminha-se para a amargura;
sem o segundo,
para a mediocridade."
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Martim Descalzo
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

REZAR COM SÃO DOMINGOS (III)


ORAÇÃO DE INTIMIDADE

Domingos sonda a Palavra.

Domingos é sensível às palavras que lê, relê, medita, rumina, memoriza.

A Bíblia, é Deus presente que fala e, assim, molda a sua obra.

É o livro escrito por mão humana mas inspirado por Deus que imprime a sua marca em cada um. Contrariamente a alguns que parecem levar tempo a estabelecer o contacto com o Autor divino, Domingos conecta-se à velocidade das emoções e sentimentos: paz e ternura do diálogo, risos e lágrimas, humildade, desejo, temor filial, gratidão…

Já que o coração é tocado, todo o corpo, todo o ser é envolvido, cumulado, manifestando-se em resposta de amor Àquele que fala.


Domingos toma o tempo de se recolher tal como se faz com um amigo.

O tempo pode correr.

É tão bom estar juntos para conversar…


Fonte: http://valence.cef.fr/

terça-feira, 25 de agosto de 2009

CHAMADOS A COISAS MAIORES...


"É tão fácil ser-se orgulhoso,
duro e egoísta!
É tão fácil!
Mas nós fomos criados
para coisas maiores."

Madre Teresa

domingo, 23 de agosto de 2009

PALAVRAS DE VIDA ETERNA


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«Só Tu tens palavras de vida eterna»

cf. Jo 6,60-69

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Depois de teres escutado a Palavra, medita-a atentamente, examina os seus diferentes elementos, procura a sua significação profunda. Então, ela tornar-se-á clara e luminosa; ela terá o poder de transformar as tuas inclinações naturais em pura elevação do espírito; e o teu coração estará sempre mais intimamente unido ao coração de Cristo.

Santo [Padre] Pio de Pietrelcina (1887-1968)

capuchinho, Carta 3, 980; GF, 196ss.

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MELHOR VOS CONHECER PARA MELHOR VOS AMAR

crucifixion blanche - Marc Chagall

Jesus, homem justo, Santo de Deus,

Filho do homem, fermento do homem,

apelo de Deus, filho de Deus,

único Mestre, único Senhor,

nosso Pai sobre a terra…

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Ao longo de vinte séculos

e de todas as distâncias que nos separam de Vós,

que vos ocultam aos nossos olhos

neste incognoscível que Vós sois em vós mesmo,

pelo poder da vossa lembrança em nós,

sede revelação de Vós mesmos, a nós próprios,

sede presença activa

que torna as nossas vidas humanas,

sede nosso caminho

para Vós mesmo e para Deus.

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Não nos deixeis na ignorância

daquilo que vós fostes:

fechados na indiferença,

privados de inteligência,

vítimas do cepticismo,

enganados pelo cientismo,

ébrios de belas doutrinas,

distraídos pelo activismo,

paralisados por uma religião de costumes,

enterrados numa piedade sentimental ou cerebral,

seduzidos por uma ideologia social ou política.

Cresça em nós a compreensão

daquilo em que Vos tornastes.

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Marcel Légaut

In “Prières d’homme”

Santa ROSA de LIMA, a beleza do ser

Santa Rosa foi chamada Isabel quando nasceu em Lima, no Peru, em 1586. Porém, por ser uma bebé tão bonita a sua família considerou-a como um tesouro e decidiu alterar-lhe o nome para Rosa.

Durante a infância e a juventude, a sua beleza chamava a atenção de todos. Mas desde a mais tenra idade, Rosa dedicou a sua vida a Deus. Era igualmente obediente aos seus pais em tudo quanto eles lhe pediam, excepto numa coisa: recusou casar-se porque queria entregar-se totalmente a Deus. "O prazer e a felicidade que o mundo pode me oferecer são simplesmente uma sombra em comparação ao que sinto".

Na verdade, Rosa lamentava muito que todos à sua volta só estivessem interessadas na sua aparência exterior. Como resposta, esfregava pimenta na cara até a pele ficar cheia de bolhas, vestia-se com roupas ásperas, e cortou os cabelos para que ninguém fosse tentado por ela e para que ela mesma não sucumbisse à vaidade.

Apesar de apreciar fortemente a oração, Rosa gastava muito tempo em trabalhos de bordados e costura para sustentar a família.

Finalmente, acabou por professar como terciária dominicana, retirando-se para uma pequeno ermitério que construiu no fundo do quintal familiar, onde rezava não se poupando a jejuns e outros sacrifícios. Dizia: “Senhor, a sua cruz é muito mais cruel que a minha!”

Foi extremamente bondosa e caridosa para com todos, especialmente para com os índios e negros, aos quais prestava os serviços mais humildes em caso de doença.

Atormentada ela própria por muitos males, oferecia os seus sofrimentos ao Senhor com alegria, pois não queria que a angústia das dores superasse o seu amor por Deus. "Se os homens soubessem o que é viver em graça, não se assustariam com nenhum sofrimento e padeceriam de bom grado qualquer pena, porque a graça é fruto da paciência".

Pela sua fidelidade, foi recompensada com muitos êxtases de paz e júbilo. Num deles, teve a visão do Menino Jesus que quis repousar em seus braços e a coroou com uma grinalda de rosas.

Faleceu a 24 de Agosto de 1617, com 31 anos de idade. As suas últimas palavras forma “Jesus está comigo!”

Foi a primeira santa canonizada da América Latina, em 1671.

Dela disse o então Cardeal Ratzinger, em 1986 no santuário a ela dedicada em Lima: “De certa forma, essa mulher é uma personificação da Igreja da América Latina: imersa em sofrimentos, desprovida de meios materiais e de um poder significativo, mas tomada pelo íntimo ardor causado pela proximidade de Jesus Cristo”.

Para rezar:

Ó Deus,

que inspirastes a

Santa Rosa de Lima,

inflamada de amor,

deixar o mundo e vos servir

através de uma vida simples e austera,

concedei-nos, por sua intercessão,

seguir na terra os vossos caminhos e participar,

junto com Sta Rosa e todos os santos,

do vosso convívio no céu.

Por Cristo, nosso Senhor. Amén.






sábado, 22 de agosto de 2009

NOSSA SENHORA RAINHA

A festa de hoje, Virgem Santa Maria Rainha, foi instituída por Pio XII, em 1955. Antecedida pela festa da Assunção de Nossa Senhora, celebramos hoje aquela que é a Mãe de Jesus, Cabeça da Igreja, e nossa Mãe.

Pio XII assim fala de Nossa Senhora Rainha:

"Procurem, pois, acercar-se agora com maior confiança do que antes, todos quantos recorrem ao trono de graça e de misericórdia da Rainha e Mãe Nossa, para implorar auxílio nas adversidades, luz nas trevas, conforto na dor e no pranto... Há, em muitos países da terra, pessoas injustamente perseguidas por causa da sua profissão cristã, e privadas dos direitos humanos e divinos da liberdade... A estes filhos atormentados e inocentes, volva os seus olhos misericordiosos, cuja luz serena as tempestades e dissipa as nuvens, a poderosa Senhora das coisas e dos tempos, que sabe aplacar as violências com o seu pé virginal; e à todos conceda que em breve possam gozar da merecida liberdade... Todo aquele, pois, que honra a Senhora dos celestes e dos mortais, invoque-a como Rainha sempre presente, Medianeira de paz".

cf. www.ecclesia.pt

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

SÊ O MELHOR



Se não puderes ser pinheiro

no topo da colina,

sê um arbusto no vale,

mas sê um arbusto

na margem do regato.

Sê um ramo,

se não puderes árvore.

Se não puderes ser um ramo,

sê um pouco de relva

e dá alegria a algum caminho.

Há algo para todos nós no mundo.

Há coisas grandes

e outras mais pequenas a realizar.


Se não puderes ser estrada,

sê apenas um caminho.

Se não puderes ser sol,

sê uma estrela.

Não é pelo tamanho

que terás êxito ou fracasso…

Mas sê o melhor

no que quer que sejas.


Douglas Malloch

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

CONVIDADOS


“O reino dos Céus pode comparar-se a um rei

que preparou um banquete nupcial para os eu filho.

Mandou os servos chamar os convidados para as bodas…”

cf. Mt 22, 1-14


A parábola do banquete nupcial mostra qual o futuro que Deus preparou para todos os seres humanos, para mim. Convida-me para a sua mesa, para a comunhão jubilosa, íntima e eterna com Ele e com Jesus, o seu Filho. Recusar o convite para o banquete significa recusar a vida de comunhão com Ele. Os convidados da parábola que se recusam a participar no banquete de núpcias representam aqueles que , interpelados, julgam muito mais importantes para eles os afazeres habituais, não querem ser perturbados nos seus projectos, julgam a oferta da comunhão com Deus sem valor e não conveniente.

(…)

Devo acolher seriamente a conclusão de Jesus («Muitos são chamados, mas poucos os escolhidos») que não quer desencorajar-me, mas convidar-me a não falhar o meu futuro, a empenhar a minha liberdade a corresponder plena e definitivamente com Ele e com Jesus.


Sei apreciar esta oferta como tesouro preciso para a minha vida?

Que coisa ainda me impede de reconhecê-la e de lhe corresponder?



Franco Manenti

in “Dá-me vida segundo a tua Palavra”


quarta-feira, 19 de agosto de 2009

S. JOÃO EUDES, apóstolo do Coração de Jesus



São João Eudes, nasceu em França, no ano de 1601. Ordenado sacerdote, dedicou-se à pregação. Quando a epidemia da peste se propagou na Normandia João prontificou-se para prestar assistência aos doentes, não temendo ser contaminado.
O Século XVII, marcado pelo jansenismo e novas filosofias torna-se uma época de muita desconfiança, de esquecimento e de desprezo no que se refere à espiritualidade cristã. No entanto, como reacção, promovem-se uma grande renovação da piedade e da devoção. João Eudes foi um autêntico apóstolo do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado coração de Maria.

No ano de 1643, João Eudes fundou a Congregação de Jesus e Maria, cuja finalidade principal era a preparação espiritual dos candidatos ao sacerdócio e a pregação das missões ao povo. Paralelamente a esta, surgiu a congregação feminina chamada Refúgio de Nossa Senhora da Caridade, da qual derivará, mais tarde, a Congregação do Bom Pastor.


São João Eudes faleceu no dia 19 de Agosto do ano 1680, com setenta e nove anos de idade, sendo canonizado em 1925.



Vale a pena ler e meditar este texto por ele escrito e referente à estreita relação de devemos manter com Cristo:

“Tudo o que é d’Ele é teu: o espírito, o coração, o corpo, a alma, e todas as faculdades. Deves usar de todas elas como se fossem realmente tuas, para servir, louvar, amar e glorificar a Deus. Tu és para Ele como um membro em relação à cabeça; e por isso também Ele deseja ardentemente servir-Se de todas as tuas faculdades como se fossem suas, para servir e glorificar o Pai.

Cristo não somente é para ti, mas quer também estar em ti, viver e dominar em ti, como a cabeça vive e reina nos seus membros. Quer que tudo quanto n’Ele existe viva e reina em ti: o seu espírito no teu espírito, o seu coração no teu coração, todas as faculdades da sua lama nas faculdades da tua alma, de modo que se realizem em ti aquelas palavras: Glorificai e trazei a Deus no vosso corpo, e a vida de Jesus se manifeste em vós… Fora d’Ele não encontrarás a vida verdadeira, porque Ele é a única fonte de vida verdadeira…”

RODERICK FLORES, quinze anos plenos


O 18 de Agosto de 1984 era um belo dia. Os escuteiros do Instituto Dom Bosco de Mandaluyong, nas Filipinas, aproveitam as férias da Assunção para passar três dias junto ao mar. Mas, de repente, a tragédia: duas crianças são arrastadas pela corrente marítima. Roderick (Erick, para os amigos) por ser dos mais velhos (tinha 15 anos) atira-se à água por duas vezes. Consegue salvar os dois rapazes mas, esgotado, é vencido por uma onda que o afasta da praia. O seu corpo será reencontrado somente no dia 25.

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Tal acto é qualificado de heróico, porém no seu funeral, muitos falam em santidade. Na homilia, o padre Panfilo, futuro bispo na Papua-Nova-Guiné, declara: “Honestamente, posso dizer que nos oito anos do meu reitorado, ninguém superou a generosidade e bondade de Roderick Flores.”

Ninguém o contradiz, pois o adolescente é estimado de todos.

Já criança, Roderick distingue-se pelo gosto da solidão: ama retirar-se para ler – a sua paixão – ou para pensar, como dizia. Partilha de bom grado tudo quanto tem com as outras crianças, nomeadamente as mais pobres. É um jovem do seu tempo, bem consigo próprio e com os outros. Prossegue os estudos em electrónica; admirado pelos colegas é frequentemente escolhido pelos colegas como seu representante. Aluno aplicado é, também, um desportista apaixonado por diversas modalidades, sendo um exímio nadador.

Se gosta de solidão, isso não o impede de ser muito social. Com os amigos realiza diversas caminhadas; comprometido no escutismo, faz igualmente parte de um grupo de jovens denominado 430 SLC, tal como o modelo de luxo da altura da Mercedes: querem estar sempre no topo em tudo. Isso corresponde plenamente ao seu anseio de excelência.

Como emana uma autoridade natural, uma palavra sua basta para restabelecer a ordem nos grupos de que faz parte, sejam escolares, lúdicos ou desportivos. Todos vêem nele um artesão de paz.

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Essas qualidades bastam para fazer um santo?

Na verdade, toda a existência de Roderick alimenta-se de uma vida sacramental intensa. Comunga diariamente e, com frequência aproxima-se do sacramento da reconciliação: “Quero aperfeiçoar-me entre cada confissão. Ser melhor que na anterior. A confissão não uma lavagem, uma limpeza da alma; é uma escada de perfeição”. Como o jovem santo Domingos Sávio, tinha adquirido uma maturidade espiritual. E como dizia Dom Bosco, o santo fundador da obra salesiana: “Dai-me um rapaz que se confesse e comungue regularmente e farei dele um santo.”

Rezar e agir. Para alem das diversas actividades já referidas, inscreve-se no clube de Acção social, juntamente com a sua amiga Marcisa Suclan. Juntos, visitam as pessoas idosas e os doentes.

Por isso, no dizer do Pe. Panfilo, “o acto heróico de se atirar à água para salvar os seus amigos foi apenas o ponto culminante de uma sucessão de inumeráveis gestos de altruísmo cumpridos quotidianamente. É um herói porque se impôs a disciplina de servir, amar, ser generoso.” E, como conclusão, disse o padre, que também era seu formador e confessor: “Viveu apenas 15 anos, mas viveu plenamente a sua vida. Não foi para Deus com as mãos vazias; aproximou-O com a pureza do seu coração, as mãos transbordantes de amor, a alma agradável ao Senhor. Deus amava-o porque era bom, porque era generoso e puro…”

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O túmulo de Roderick é visitado por numerosos fiéis que recorrem à sua intercessão. Um monumento em sua memória foi erguido no Instituto Dom Bosco.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

RECEBER CEM VEZES MAIS


«Receberá cem vezes mais agora, no tempo presente»
(Mc 10, 30)

Temos de viver desligados das coisas que possuímos e da nossa própria vontade, se quisermos seguir Aquele que não tinha «onde reclinar a cabeça» (Lc 9, 58), que veio, não para fazer a Sua vontade, mas, como disse, «a vontade d'Aquele que Me enviou» (Jo 6, 38). [...]. Conheceremos assim por experiência própria o que a Vontade promete a todo aquele que tudo abandona e que caminha seguindo os Seus passos: «Receberá cem vezes mais agora [...] e no tempo futuro, a vida eterna» (Mc 10, 30). De facto, o dom do cêntuplo é grande conforto para a nossa caminhada, e a posse da vida eterna será a felicidade infinita na pátria celeste.
Mas o que é este cêntuplo? É, simplesmente, o consolo do Espírito doce como mel, as visitas que nos faz e os seus primeiros frutos. É o testemunho da nossa consciência, é a feliz e muito alegre espera dos justos, é a memória da bondade generosa de Deus, é também, na verdade, a imensidão da sua doçura. Os que experienciaram estes dons não precisam que deles lhes falemos; mas como descrevê-los, por simples palavras, a quem por eles não passou?

São Pedro Damião (1007-1072)
Eremita, bispo,Doutor da Igreja,
Sermão 9; PL 1, 54-553

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

S. MAXIMILIANO KOLBE, mártir da caridade


“Basta um segundo para fazer um herói;

é preciso uma vida para fazer uma pessoa de bem.”

Este pensamento ilustra bem a figura e a vida de Maximiliano Kolbe, padre franciscano polaco, morto em Auschwitz. Nesse campo de concentração, tudo estava planeado para matar, incluindo o desejo de viver.

A atitude notável de Maximiliano em querer tomar o lugar de um pai de família, condenado à morte pela fome, é muito mais do que um simples acto heróico. Num contexto tão desumanizante como um campo de extermínio, este homem provou que o amor, por si só, pode quebrar toda a engrenagem de morte, que o instinto de sobrevivência pode ser sublimado pela caridade.

São esses mesmos sentimentos que o animará e reavivará o grupo de condenados, privados de luz, comida e água, expostos às condições degradantes. Pela oração e pelos cânticos, transformarão o calaboiço numa cripta de Igreja, até sucumbirem. Espantosamente só Maximiliano, minado por tuberculose há longa data e com apenas um pulmão a funcionar, resistiu para além de quinze dias. Tiveram de acabar com ele injectando-lhe ácido.

Quem testemunhou, não esqueceu jamais que o amor mantém e eleva a dignidade humana.


Para conheceres melhor a história de S. Maximiliano Kolbe, clica abaixo:

http://sdpv.blogspot.com/2008/08/s-maximiliano-kolbe-mrtir-da-caridade.html

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

REZAR COM SÃO DOMINGOS (II)

ORAÇÃO DE INCLINAÇÃO

No início da oração, Domingos inclinava profundamente a cabeça e permanecia humildemente prostrado diante do altar na presença de Deus.

Não se apresenta diante de Deus de cabeça altiva na arrogância de um ultimato: “Senhor, tenho cinco minutos para Ti, não me faças esperar” ou “Se queres a minha fé, mostra-Te…

Não. Domingos não se apresenta assim diante de Deus.

Pelo contrário, inclina-se profundamente diante d’Ele. Sabe, conscientemente, que não pode alcançar Deus pelas suas próprias forças.

A sua inteligência, os seus pensamentos, a sua imaginação, a sua memória, o seu coração, tudo volta activamente para Deus…

Mas Aquele que ele procura ultrapassa-o infinitamente.

Os seus esforços serão vãos se Deus não o elevar até Ele.

Domingos prostra-se diante de Deus para que Deus se debruce sobre ele…

Então, todo o seu ser revelava o seu amor.

E ensinava os seus irmãos a experimentar o mesmo…

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Fonte: http://valence.cef.fr/

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

KARL LEISNER, o anjo de Dachau

Ao longo deste ano sacerdotal, o Voc Acção dará a conhecer (ou recordar) figuras de sacerdotes que se destacaram na fidelidade da sua missão a Cristo e à Igreja, no serviço dos irmãos e no testemunho da fé. Hoje relembramos Karl Leisner.

"Cristo, tu és minha paixão!"

São palavras escritas num diário de um jovem alemão chamado Karl Leiner, preso num campo de concentração nazi durante a Segunda Guerra Mundial.

É nesse mesmo campo que será ordenado sacerdote por um bispo francês, também ele preso.

Desde a sua juventude, Karl assumiu o testemunho da sua fé como uma missão. Estas suas palavras retratam bem toda a sua vida: “Senhor, com a tua Graça, aceito esta pesada tarefa. Guia-me para a tua Luz, Senhor, Deus todo-poderoso. Prometo-te solenemente, ser teu instrumento. A partir deste dia, toda a minha vida te pertence”.

Em 12 de Agosto de 1945, sela eternamente a sua Aliança de Amor com Deus, ao falecer extenuado. A última anotação no seu diário, "Abençoai, oh Senhor, também os meus inimigos!", diz bem o quanto encarnou o evangelho de Jesus.

Foi beatificado em 23 de Junho de 1996 pelo Papa João Paulo II no estádio Olímpico de Berlim, antigo palco da propaganda nazi. Na cerimónia de beatificação, o papa usou o báculo utilizado na ordenação de Karl e esculpido em madeira por um dos detidos.

Nele está gravada a seguinte inscrição “Victor in vinculis” (Vencedor nas correntes).

Para conheceres melhor a sua história, visita o nosso arquivo clicando abaixo:

http://sdpv.blogspot.com/2008/08/carl-leisner-um-anjo-em-dachau.html