terça-feira, 29 de dezembro de 2009

CONDUZIDOS PELO ESPÍRITO



«Deixarás ir em paz o Teu servo»
cf. Lc 2,22-35

Simeão sabia que o único que pode libertar-nos da prisão do corpo, com a esperança da vida futura, é Aquele que ele tinha nos braços. Foi por isso que disse: «Agora, Senhor, segundo a tua palavra, deixarás ir em paz o teu servo, porque enquanto não tive Cristo nos meus braços era como que prisioneiro, estava incapaz de me libertar das cadeias.» E note-se que isto não se aplica somente a Simeão, mas a todos os homens. Se alguém abandona este mundo e quer alcançar o Reino, tome Jesus nos braços, aperte-O ao peito, e poderá chegar com grande alegria aonde deseja ir. [...]
«Todos aqueles que são movidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus» (Rom 8, 14). Assim pois, foi o Espírito Santo que levou Simeão ao Templo. E tu, se desejas ter Jesus nos braços e tornar-te digno de sair dessa prisão, esforça-te por te deixares conduzir pelo Espírito, para chegares ao templo de Deus. Desde já te encontras no templo do Senhor Jesus, ou seja, na Sua Igreja, neste templo de pedras vivas (1P 2, 5). [...]
Assim pois, se vieres ao Templo conduzido pelo Espírito, encontrarás o Menino Jesus, toma-Lo-ás nos teus braços e dirás: «Agora, Senhor, segundo a Tua palavra, deixarás ir em paz o Teu servo». Esta libertação e esta partida têm lugar na paz. [...] Quem morre em paz, senão aquele que tem a paz de Deus, que sobrepuja todo o entendimento e guarda os corações e os pensamentos em Cristo (Fil 4, 7)? Quem se retira em paz deste mundo, senão aquele que compreende que Deus veio, em Cristo, reconciliar-Se com o mundo?

Orígenes (c. 185-253),
presbítero e teólogo,
Homilia 15 sobre São Lucas

domingo, 27 de dezembro de 2009

NATAL para todo aquele que crê


NATAL

Inventámos consoadas

e Meninos em palhinhas;

fizemos árvores, luzinhas,

embrulhos e embrulhadas,

muitas coisas e coisinhas

que não valem mesmo nada;

E do NATAL,

do seu sentido profundo,

dessa LUZ QUE VEIO AO MUNDO,

nem sinal.

NATAL: LABAREDA IMENSA

a iluminar o Caminho,

que o homem teima em não ver.

NATAL: ETERNA PRESENÇA,

VIDA de DEUS entre os homens,

que o homem teima em não querer.

Se todo o crente aceitar

o anúncio que Deus lhe envia,

o ESPÍRITO habita nele

como habitou Maria.

E, em cada instante que passa,

em contínua Incarnação,

vive, por Divina Graça,

um Cristo em cada Cristão.

E, tal como em Nazaré

aconteceu com Maria,

em todo aquele que crê

É NATAL em cada dia.

NATAL: TRANSFUSÃO DE AMOR

ligando a Terra e os Céus.

É NATAL todos os dias

se o Homem vive com Deus.

Luís Santiago

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

NASCEU!



“Mas, a quantos O receberam, aos que n’Ele crêem,
deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.”
cf. Jo, 1-18

Onde mora Deus?
Aí onde há um coração que O acolha!
Podemos fechar-Lhe a porta.
Mas aí acaba a luz. E sem a sua luz, acaba a vida, a alegria, a esperança…
Natal é acolher o Deus que vem ao nosso encontro. Para que Cristo possa viver em ti e tu n’Ele.
Acolher Deus é dar-Lhe espaço na tua vida. Estar disponível para que a sua presença ponha em causa os teus projectos, os teus esquemas.

Natal, acolher Deus, não é uma questão de um dia.
É um estilo de vida.
Ou é Natal todos os dias ou nunca é Natal.

in “Rezar no Advento”, ed. Salesianas

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

NATAL À ESCOLHA


ALTERNATIVA

:

Natal de 25 de Dezembro de cada Ano,

ou dia intemporal de um Natal perene

?

Festa dos pobres,

ou consoada dos ricos

?

Noite de paz,

ou noite de folclore

?

Natal vivo,

ou presépio de barro

?

Criança de Belém,

ou Velho Pai Natal

?

Estrela que conduz a Belém,

ou estrelinhas de natais intermitentes

?

Natal consumista da minha família,

ou Natal de partilha da família humana

?

Noite feliz para todos os homens,

ou felicidade apenas para alguns

?

Nascimento de Jesus,

ou morte do Natal cristão

?

Onde está o Natal hoje

?

Onde estamos nós

?

Frei Manuel Rito Dias,

in “Poemas para as 24 horas da Bíblia”

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

QUANDO A ALEGRIA NOS FAZ CAMINHAR



«Maria pôs-se a caminho»

cf. Lc 1,39-45

A vivacidade e a alegria eram a força de Nossa Senhora. Foi isso que fez dela a serva apressada de Deus, Seu filho, porque assim que Ele veio até ela, «pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha». Apenas a alegria podia dar-lhe força para partir rapidamente para as montanhas da Judeia, a fim de se tornar serva de sua prima. Acontece o mesmo connosco; tal como ela, devemos ser verdadeiras servas do Senhor e todos os dias, após a sagrada comunhão, apressar-nos a subir as montanhas de dificuldades com que deparamos ao oferecer com todo o coração o nosso serviço aos pobres. Dai Jesus aos pobres enquanto servas do Senhor.


A alegria é a oração, a alegria é a força, a alegria é o amor, é um fio de amor graças ao qual podereis captar as almas. «Deus ama aquele que dá com alegria» (2Cor 9, 7). Aquele que dá com alegria dá mais. Se encontrarmos dificuldades no trabalho e as aceitarmos com alegria, com um grande sorriso, nisto como em muitas outras coisas constatar-se-á que as nossas obras são boas e o Pai será glorificado. A melhor maneira de mostrardes a vossa gratidão a Deus e aos homens é aceitar tudo com alegria. Um coração alegre provém de um coração que arde de amor.



Bem-aventurada Teresa de Calcutá (1910-1997),

fundadora das Missionárias da Caridade,

Jesus, the Word to Be Spoken, cap. 12


sábado, 19 de dezembro de 2009

PALAVRAS PARA GUARDAR


“… não podia falar…”

cf. Lc 1, 5-25

+

Zacarias, depois da revelação de Deus, não podia falar.

É difícil calar uma boa notícia! Não se consegue ter a boca fechada quando temos algo importante a dizer.

Aqui, a questão não está em calar mas em guardar no coração.

Às vezes, somos inundados de palavras vazias. Parece que é obrigatório estar sempre a falar.

As palavras do Evangelho são de uma qualidade diferente. Devem ser guardadas no coração. Para que a Palavra que o Senhor nos comunicou amadureça dentro de nós e se torne vida.

.

Para rezar:

Senhor Jesus, cala-me!

Faz-me passar

das muitas palavras que digo

(na oração ou na conversa com os amigos)

às palavras profundas.

Transforma as minhas palavras,

tão cheias de mim,

em palavras cheias de Ti.

.

in “Rezar no Advento”, Ed. Salesianas

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

DIZER SIM


“Filho, vai trabalhar hoje para a vinha.”

Cf. Mt 21, 28, 32

Dizer sim

para deixar os caminhos batidos

da facilidade.

Dizer sim

para viver o teu projecto, meu Deus,

e o realizar.

Dizer sim

para ir ao encontro dos outros

e te encontrar a Ti.

Dizer sim

para olhar o coração

primeiramente

e o rosto depois,

em segundo lugar.

Dizer sim

para sair de minha casa

e me tornar disponível

para aqueles que têm fome,

frio e solidão.

Dizer sim ao teu Evangelho

e trabalhar contigo

para que cada um receba a sua parte,

com toda a justiça.

Senhor, digo SIM!

in “Caminhos de Advento 1994”

domingo, 13 de dezembro de 2009

ANUNCIADORES DA BOA NOVA


“E, com estas palavras e muitas outras exortações,

anunciava a Boa Nova ao povo.”

Cf. Lc 3, 10-18

.

Estamos inundados de notícias.

Telemóveis, internet, televisões, blogues, jornais, avisos do patrão, fofocas de vizinhos…

Mas a maior parte destas notícias sabe a pouco. São notícias que amanhã já estarão velhas, esquecidas.

O evangelho é diferente.

É uma notícia mesmo boa. Que enche a vida com um sabor especial, com uma qualidade ímpar. E há tantos séculos que dura e ainda não se gastou: continua a ser notícia. Continua a ser capaz de nos comover e alegrar o coração.

+

Para rezar:

Obrigado, Senhor,

por João Baptista e por todos os profetas

que puseste na minha vida.

Gente fiel que vive o Evangelho

e que com a sua coerência

me mostra a beleza da tua Boa Nova.

Obrigado, Senhor,

por mos teres enviado.

Dá-me hoje a força de ser

testemunha alegre e coerente do teu Evangelho.

Para que a minha vida

possa ser anúncio de esperança

para aqueles que vou encontrar.

.

in “Rezar no Advento”, Ed. Salesianas

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

S. JOÃO DIEGO, vidente da Virgem de Guadalupe

S. Juan Diego nasceu em 1474 em Cuauhtitlán, México, conquistado pelo chefe Asteca Axayacatl em 1467. Quando nasceu recebeu o nome de Cuauhtlatoatzin, que quer dizer "que fala como águia" ou "águia que fala". Juan Diego pertenceu à mais numerosa e baixa classe do Império Asteca, sem chegar a ser escravo. Dedicou-se a trabalhar a terra e plantava árvores que logo vendia. Possuía um terreno onde construiu uma pequena moradia. Casou-se com uma nativa, e não tiveram filhos.

Entre 1524 e 1525 converteu-se ao cristianismo e foi baptizado juntamente com a sua esposa, recebendo o nome de Juan Diego e ela, o de Maria Luzia.

Antes da sua conversão Juan Diego já era um homem piedoso e religioso. Era muito reservado e de carácter místico, gostava do silêncio e estava acostumado a caminhar desde o seu povoado até o Tenochtitlán, a 20 quilómetros de distância, para receber instrução religiosa. Sua alma esposa, Maria Luzia faleceu em 1529. Nesse momento Juan Diego foi viver com um tio em Tolpetlac, a 14 km da igreja de Tlatilolco, Tenochtitlán. Durante uma das suas caminhadas para Tenochtitlán, que costumavam durar três horas através de montanhas e povoados, ocorreu a primeira aparição de Nossa Senhora, no lugar agora conhecido como "Capela do Cerrito", onde a Virgem Maria lhe falou no seu idioma, o náhuatl. Essas aparições ficaram conhecidas sob o nome de Guadalupe.

Juan Diego tinha 57 anos no momento das aparições, certamente uma idade avançada num lugar e época onde a expectativa de vida masculina pouco ultrapassava os 40 anos. Após o milagre de Guadalupe, Juan Diego foi viver num pequeno quarto junto à capela que alojava a Santa imagem, depois de deixar todos os seus haveres para seu tio Juan Bernardino. Passou o resto de sua vida dedicado à difusão do relato das aparições entre as pessoas do seu povo.

Morreu a 30 de Maio de 1548, aos 74 anos de idade. Juan Diego foi beatificado em Abril de 1990 pelo Papa João Paulo II, que igualmente o canonizou em 2002.


in grandessantosriodedeus

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

GIANNA JESSEN, a voz que não cala o milagre da vida

Gianna Jessen tem 32 anos de idade.
Mas nem sequer devia existir.
Não desejada - odiada, diz ela - sobreviveu a um aborto. Diagnosticada com paralisia cerebral, ultrapassou todos os prognósticos. Cantora, escritora, atleta, militante incansável pró-vida, espalha pelo mundo a vitória da vida sobre a indústria de morte que é o aborto. Sente-se como um milagre de Deus e não tem vergonha (porquê tê-la!?) de o afirmar bem alto.
É impossível ficar indiferente ao seu testemunho.
Vê por ti próprio.
Vale mesmo a pena.
Parte 1:

Parte 2:

Podes consultar o sítio da Gianna Jessen (em inglês): http://giannajessen.com/

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

VINDE A MIM...


“O meu jugo é suave e a minha carga é leve...”

Cf. Mt 11, 28-30

Tanta gente foge de Deus com medo que Ele nos oprima ou roube a liberdade.

Mas o Evangelho mostra um Deus diferente. quando te encontras com Ele (“Vinde a Mim”), a sua imitação (“aprendei de Mim”) faz-te experimentar toda a sua doçura e a sua paz.

Jesus propõe. Não impõe. Faz-te uma oferta que podes acolher livremente.

Com Jesus, as relações deixam de ser controlo, manipulação ou domínio. Em Deus só há liberdade e amor.

Para rezar:

Meu Deus,

segura a minha mão

e eu tentarei ser confiante.

Desde que estejas ao meu lado

não terei medo

nem fugirei dos desafios que a vida me traz.

E onde a vida me levar

tentarei irradiar

um pouco daquele amor verdadeiro

que Tu me deste

e que trago dentro de mim.

in “Rezar no Advento”, edições Salesianas

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

AVÉ IMACULADA CONCEIÇÃO

REJUBILAR DE ALEGRIA NO SENHOR


Deus nosso Pai,

da tua mão, recebemos:

o céu e aterra,

a existência e a vida.

Guarda-nos da amargura

que ameaça invadir-nos

quando nos esquecemos da tua graça.

Desperta-nos,

abre os nossos olhos

e descobriremos

tudo quanto nos deste até este dia.

Coloca nos nossos lábios

as palavras do profeta

que a Igreja agora

põe nos lábios de Maria:

Rejubilo de alegria no Senhor,

e o meu espírito exulta no meu Deus,

porque me revestiu com as vestes da salvação

e me envolveu num manto de triunfo,

como uma noiva que se adorna com as suas jóias

(cf. Is 61, 10).

Tu, nosso Deus, arranca-nos da tristeza

recordando-nos à memória as tuas obras

e viveremos na alegria,

todos os dias

e pelos séculos sem fim. Amen.



Card. G. Danneels

ORDENAÇÕES DIACONAIS


Esta tarde, na Sé Catedral da Guarda serão ordenados diáconos dois jovens da nossa Diocese:
o Luís Nobre, residente de Vilar Formoso e com actividade pastoral no arciprestado de Alpedrinha e o Luís Freire, natural de Cantar Galo (Covilhã) e a colaboral pastoralmente na arciprestado de Gouveia.
Outro jovem, ainda seminarista, o André Roque, natural do Louriçal do Campo, será instituído leitor.

A celebração será presidida pelo nosso bispo, D. Mamuel da Rocha Felício e terá início às 15h30.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O QUE DEUS FAZ EM NÓS...


"Na oração o que conta não é o que fazemos
mas o Deus faz em nós durante esse tempo."

Olga Bejano

domingo, 6 de dezembro de 2009

COMO ELE NOS AMA...

PREPARANDO OS CAMINHOS DO SENHOR...

"Preparai os caminhos do Senhor, endireitas as suas veredas.

Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas;

endireitem-se os caminhos tortuosos

e aplannem-se as veredas escarpadas;

e toda a criatura verá a salvação de Deus."

cf. Lc 3, 1-6

+

.

Eu tenho um sonho:
que um dia os filhos dos antigos escravos
e os filhos dos antigos senhores
se poderão sentar à mesma mesa fraterna.


Sonho

que todos os países oprimidos

e transformarão em oásis

de liberdade e justiça.


Sonho

que os meus filhos viverão um dia

num país onde não serão julgados pela cor da sua pele

mas pela sua personalidade.


Sonho

que um dia os vales se erguerão

e as colinas e montanhas serão niveladas.

Tudo o que é desigual será unificado

e tudo o que está caído se erguerá.





Martin Luther King

(1929 – 1968)

sábado, 5 de dezembro de 2009

OLGA BEJANO, voando alto com "asas quebradas"


Há um ano, falecia Olga Bejano.

Durante 22 anos viveu totalmente dependente. Com 23 anos e muitos projectos e sonhos na mente e no coração sofreu uma paralisia da glotis com paragem cardíaca por asfixia. Esteve 6 minutos morta clinicamente a que se seguiu 5 dias de coma. Uma desconhecida patologia provocada pela anestesia durante a cirurgia fez o resto.

Foi o princípio de um rápido processo que paralisou o seu corpo. Em pouco tempo estava numa cadeira de rodas, conectada a um respirador, alimentada por uma sonda e calada para sempre. De um dia para outro, esta jovem cheia de vida tornou-se num ser dependente dos demais, até para ver, pois nem sequer levantar as pálpebras conseguia. “Dei-me conta que não poderia mais; conduzir; apaixonada tinha de romper com a relação.”

Mesmo assim, Olga decidiu agarrar-se à vida, a este mundo e contagiar o máximo possível de pessoas com a sua força de viver. Através do impulso do seu joelho conseguia fazer uns rabiscos que só a sua mãe, sua enfermeira e poucas mais pessoas decifravam. Publicou quatro livros (Voz de Papel; Alma cor de Salmão; Os Rabiscos de Deus) e estava a trabalhar num quarto (“Asas quebradas” entretanto publicado). “Quando a enfermidade truncou a minha vida, decidi criar em vez de chorar”.

Olga podia falar sobre esta situação tão delicada porque, dizia ela, falava desde o centro da praça, com o touro pela frente e não desde as bancadas: “A minha matéria está presa, mas os meus pensamentos e sentimentos são livres. Ninguém pode pensar ou sentir por mim. Nisto sou totalmente livre, há quem pense que eu sou apenas um vegetal e que a minha vida não tem sentido, mas sou um vegetal que pensa e sente, e capaz de escrever e fazer com que os outros pensem e sintam.” Outra imagem: “Ainda que a rama da minha vida esteja quebrada, a minha raiz segue viva e faz com que milagrosamente dê frutos.”

Os seus livros têm sido um desafio à esperança para os seus leitores. Vários testemunharam ter desistido do suicídio através da sua leitura.


Lutadora de fé e esperança

Sempre que, pelos meios de comunicação social, se apercebe de alguém desesperado, prestes a desistir da sua luta, Olga intervém, contacta e expressa a sua opinião para partilhar a sua perspectiva desde a fé.

Por vezes, sente o cansaço e o esgotamento da luta, mas reconhece que o seu sofrimento tornou-se “uma lição constante” de amadurecimento e de desafio a superar-se a si mesma. “O sofrimento e a morte estão incluídos na vida, formam parte dela. Sou partidária de lutar, não de fugir. A eutanásia é uma forma de fuga e, portanto, não deixa de ser uma cobardia. A mim, não me geraram cobarde, por isso, com a ajuda de Deus, lutarei até ao fim. Respeito e entendo aqueles que se dão por vencidos e não crêem em nada, mas eu, quando chegar ao “outro lado”, quero ter a sensação de ter cumprido os meus deveres”.

Olga, na sua situação dramática não era uma pessoa resignada, muito pelo contrário. Dedicou muito das suas energias a reivindicar maiores direitos para as pessoas dependentes: “Lutarei até ao último segundo da minha vida, para que, apesar de ser uma enferma não rentável, me seja proporcionada uma assistência digna, custe o que custar.”


Felicidade desafiante

Olga colheu da sua condição fisicamente limitada uma oportunidade de crescimento espiritual: “Estou convencida de que sem tanto sofrimento como estou a ter nunca teria chegado a um crescimento pessoal tão importante e uma maturidade espiritual tão impressionante. Apesar do muito que sofri, o que estou a sofrer, e só Deus sabe quanto me resta ainda por sofrer, sinto-me uma pessoa afortunada.”

O segredo da força e coragem desta mulher, naturalmente reside em Deus e na sua relação com Ele: “Quando era um cisne, passava o dia olhando para o meu reflexo, admirando a minha beleza. Ao torna-me patinho feio, deixei de olhar para a minha imagem. Nesse momento, comecei a ver a Cruz, conheci o Senhor e só se ama o que se conhece. Ao amá-l’O, entendi como e quanto me ama a mim.”

E concluía dizendo: “Que sorte tive em nascer!”


Lê também o artigo escrito aquando do seu falecimento:

http://sdpv.blogspot.com/search?q=OLGA+BEJANO

Ou visita o seu blogue que amigos e familiares mantêm activo:

http://olgabejanodominguez.blogspot.com/

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A ROCHA FIRME


"Quem escuta as minhas palavras e as põe em prática
é como um homem sábio que construiu a sua casa sobre a rocha."
cf. Mt 7, 21.24-27

O Advento é como uma obra de engenharia.
É um tempo para avaliar a qualidade do terreno sobre o qual construimos a nossa casa, a nossa vida.
Tens a coragem de escavar mais fundo, à procura da rocha verdadeira que é Cristo?
Ou contentas-te com terrenos frágeis, sempre instáveis e movediços, incapazes de dar solidez e dignidade ao teu futuro?
Escavar em profundidade não é só escutar a Palavra de Deus: é pô-la em prática! Transformá-la em gestos concretos.

Para rezar:
Senhor, bem sei que não te agrada
quem vive de aparências e fingimentos;
sei que preferes quem aceita o teu chamamento.
Tu amas quem é capaz de construir
a vida num fundamento sólido.
Ajuda-me a entender que só poderei encontrar a felicidade
escutando e pondo em prática a tua Palavra

in Rezar o Advento, Ed. Salesianas

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ANUARITE NENGAPETA, “servir e tornar feliz”


No dia 1 de Dezembro de 1978, milhares de pessoas enchem a catedral de Isiro, no antigo Zaire, para se inclinarem diante do caixão de uma jovem religiosa morta catorze anos antes pelos soldados rebeldes Simba. Apesar desse acontecimento trágico é a alegria que predomina entre a multidão, pois a jovem serva de Deus foi reconhecida como venerável. Em 1985, o papa João Paulo II beatificá-la-á na capital, Kinshasa, diante dos seus parentes. Anuarite Nengapeta é a primeira congolesa elevada aos altares.

Anuarite nasceu a 29 de Dezembro de 1939 em Wamba, na República Democrática do Congo (na altura Congo Belga). Era a quarta de uma família de seis crianças. Quando, juntamente com a mãe, recebeu o baptismo aos seis anos de idade, escolheu acrescentar o nome Afonsina.

Vocação

Rapariga sensível, alegre e dinâmica, é muito popular entre as colegas de escola e suficientemente atractiva para os olhares dos rapazes. Mas Afonsina quer ser religiosa. Devido à recusa da mãe, acabará por fugir de casa para ingressar no convento. Tem então quinze anos. Aí estuda e tira um curso de professora. Revela-se zelosa na ajuda ao próximo e sempre disponível para visitar os doentes. Apesar da sua natureza nervosa e de frágil saúde preocupa-se sempre mais com os outros que de si própria.

Afonsina professa os primeiros votos a 5 de Agosto de 1959, assumindo o nome religioso de Irmã Anuarite Maria Clementina. Obediente, não deixa de ser franca educadamente. Trata e estima todos da mesma forma, não olhando a etnias, questão tão sensível nessa região de África.

A sua caridade e abnegação farão dela uma excelente pedagoga nas escolas por onde passou. O ensino é para ela um verdadeiro apostolado e o seu lema profissional consiste em “servir e tornar feliz”. Dos alunos diz que é preciso “cativá-los pela palavra, ensiná-los, apoiando-se em Deus e oferecer sacrifícios” por eles. Tem especial atenção àqueles que têm uma vida difícil.


Martírio

O Congo Belga torna-se independente em 1960, mas as perturbações políticas acrescem com os rebeldes Simba que espalham o terror. Anuarite tem consciência do perigo mas, confiante, escreve: “A nossa vocação é o amor. Servir Deus. O Senhor Jesus, quando nos chamou, pediu-nos o sacrifício das coisas do mundo, o sacrifício do amor humano, o sacrifício da nossa própria pessoa.”

A 29 de Novembro, os rebeldes invadem o convento raptando as irmãs. Anuarite é uma das religiosas que os soldados cobiçam para abusarem dela. Mas ela recusa-se repetidamente pois prefere morrer a desonrar as suas convicções e os seus votos. Agredida, a jovem responde: “Perdoo-vos porque não sabeis o que fazeis.” Morre no dia 1 de Dezembro de 1964 com 25 anos.


O povo zairense reconhece em Anuarite uma mártir e imediatamente começa a venerá-la, sendo-lhe atribuídas diversas graças e milagres.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A ALEGRIA...


"Por que procuras a alegria no mundo?
Não sabes que ela nasce apenas no teu coração?"
R. Tagore

SANTO ANDRÉ, evangelizado evangelizador


André viveu durante o século I. Ele era pescador e foi um discípulo de João Baptista até ao dia em que Jesus foi baptizado. De pois de João ter dito a André que Jesus era o verdadeiro Messias, ele seguiu Jesus.

Encantado com tudo o que viu e ouviu, incitou seu irmão Simão (a quem Jesus chamou Pedro) a conhecer Jesus.

André e seu irmão continuaram pescadores até ouvirem o apelo de Jesus: “Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens” (Mc 1, 17). Imediatamente deixaram tudo, pesca, casa, família, para viajar com Jesus, maravilhando-se com as suas lições.

Também eles se ocupavam do grande número de pessoas que seguiam o Mestre na esperança de testemunhar algum milagre. Numa ocasião em que a multidão não tinha que comer, foi André que disse haver ali um rapaz com cinco pães e dois peixes. “Mas que é isto para tantos?” (Jo 6, 9). É com esse “quase nada” que saciará a fome a cinco mil homens.

Depois da ressurreição de Cristo, André tornou-se missionário do Evangelho, estabelecendo-se, segundo a tradição, na Ásia Menor e na Grécia. Jesus avisara os seus apóstolos que criariam inimigos pregando a Boa Nova. Por fim, André foi martirizado, preso numa cruz em forma de X.


No seu rasto

Quando conhecemos pessoas que chamam a nossa atenção, naturalmente gostamos de as apresentar aos nossos amigos. André deve ter sentido esta necessidade quando conheceu Jesus, porque ele passou o resto da sua vida a apresentá-lo às pessoas, a começar pelo seu irmão Pedro.

Apresentar pessoas a Jesus é algo que nós podemos fazer todos os dias simplesmente assegurando-nos que as nossas acções reflictam o amor que nós temos por Ele, rezando por aqueles que não sentem a presença de Jesus nas suas vidas ou ajudá-los a encontrarem-se com Deus pela oração.



Adaptado de “Pessoas Comuns, Vidas extraordinárias”