

Olga contraiu em 1987 (tinha 23 anos) uma enfermidade neuromuscular que deixou paralisado a quase totalidade do seu corpo: durante mais de 20 anos não pôde falar, nem ver, respirava artificialmente e alimentava-se através de uma sonda.
No entanto, encontrou um método para comunicar com o mundo: fazendo uns rabiscos aparentemente incompreensíveis com os impulsos do seu joelho, e que as suas enfermeiras aprenderam a traduzir lentamente em abecedário. Graças a este original sistema, Olga publicou com grande êxito três livros: "Voz de Papel", "Alma de cor salmão" e "Os Rabiscos de Deus. O seu último livro, precisamente, era una lúcida reflexão sobre a grandeza e os limites do ser humano e, especialmente, sobre a capacidade de superação das pessoas. Actualmente encontrava-se a escrever o seu quarto livro, intitulado "Asas Quebradas".

Olga Bejano começou a ser mais conhecida quando o filme “Mar Adentro”, protagonizada por Javier Bardem no papel do tetraplégico Ramón Sampedro, consagrou a eutanásia como forma de acabar com o sofrimento querendo eleva-la à categoria de "direito humano". Olga e Ramón mantiveram uma breve correspondência. No seu segundo livro, "Alma de cor salmão". Olga relatava: "Ramón disse-me que não podia entender como é que, nessas condições, eu queria continuar a viver; respondi-lhe que tinha tanta vontade ou mais que ele de desistir. Mas, ao contrário dele, eu era crente e queria que Deus decidisse qual era o meu dia e minha hora; entretanto lutaria por conseguir a assistência que necessito. Propus-lhe, que em vez de lutar para morrer, que lutasse para viver. Porque não lutas por conseguir uma vida independente, técnicos que cuidem de ti, uma cadeira eléctrica que te leve a passear, um computador que possas usar com a voz? Eu nunca direi sim ou não à eutanásia, darei testemunho com a minha vida, pois só os factos contam".

Quando, um dia lhe perguntaram – Que te faz viver, Olga? –, uma resposta simples: “Deus. Tudo o que sou, recebi-o d’Ele”. Ou ainda: Olga, és feliz? Categoricamente respondia: “Claro que sou feliz!”
Mais palavras, para quê?
Para saber+
http://olgabejanodominguez.blogspot.com/

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