domingo, 6 de dezembro de 2009

PREPARANDO OS CAMINHOS DO SENHOR...

"Preparai os caminhos do Senhor, endireitas as suas veredas.

Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas;

endireitem-se os caminhos tortuosos

e aplannem-se as veredas escarpadas;

e toda a criatura verá a salvação de Deus."

cf. Lc 3, 1-6

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Eu tenho um sonho:
que um dia os filhos dos antigos escravos
e os filhos dos antigos senhores
se poderão sentar à mesma mesa fraterna.


Sonho

que todos os países oprimidos

e transformarão em oásis

de liberdade e justiça.


Sonho

que os meus filhos viverão um dia

num país onde não serão julgados pela cor da sua pele

mas pela sua personalidade.


Sonho

que um dia os vales se erguerão

e as colinas e montanhas serão niveladas.

Tudo o que é desigual será unificado

e tudo o que está caído se erguerá.





Martin Luther King

(1929 – 1968)

sábado, 5 de dezembro de 2009

OLGA BEJANO, voando alto com "asas quebradas"


Há um ano, falecia Olga Bejano.

Durante 22 anos viveu totalmente dependente. Com 23 anos e muitos projectos e sonhos na mente e no coração sofreu uma paralisia da glotis com paragem cardíaca por asfixia. Esteve 6 minutos morta clinicamente a que se seguiu 5 dias de coma. Uma desconhecida patologia provocada pela anestesia durante a cirurgia fez o resto.

Foi o princípio de um rápido processo que paralisou o seu corpo. Em pouco tempo estava numa cadeira de rodas, conectada a um respirador, alimentada por uma sonda e calada para sempre. De um dia para outro, esta jovem cheia de vida tornou-se num ser dependente dos demais, até para ver, pois nem sequer levantar as pálpebras conseguia. “Dei-me conta que não poderia mais; conduzir; apaixonada tinha de romper com a relação.”

Mesmo assim, Olga decidiu agarrar-se à vida, a este mundo e contagiar o máximo possível de pessoas com a sua força de viver. Através do impulso do seu joelho conseguia fazer uns rabiscos que só a sua mãe, sua enfermeira e poucas mais pessoas decifravam. Publicou quatro livros (Voz de Papel; Alma cor de Salmão; Os Rabiscos de Deus) e estava a trabalhar num quarto (“Asas quebradas” entretanto publicado). “Quando a enfermidade truncou a minha vida, decidi criar em vez de chorar”.

Olga podia falar sobre esta situação tão delicada porque, dizia ela, falava desde o centro da praça, com o touro pela frente e não desde as bancadas: “A minha matéria está presa, mas os meus pensamentos e sentimentos são livres. Ninguém pode pensar ou sentir por mim. Nisto sou totalmente livre, há quem pense que eu sou apenas um vegetal e que a minha vida não tem sentido, mas sou um vegetal que pensa e sente, e capaz de escrever e fazer com que os outros pensem e sintam.” Outra imagem: “Ainda que a rama da minha vida esteja quebrada, a minha raiz segue viva e faz com que milagrosamente dê frutos.”

Os seus livros têm sido um desafio à esperança para os seus leitores. Vários testemunharam ter desistido do suicídio através da sua leitura.


Lutadora de fé e esperança

Sempre que, pelos meios de comunicação social, se apercebe de alguém desesperado, prestes a desistir da sua luta, Olga intervém, contacta e expressa a sua opinião para partilhar a sua perspectiva desde a fé.

Por vezes, sente o cansaço e o esgotamento da luta, mas reconhece que o seu sofrimento tornou-se “uma lição constante” de amadurecimento e de desafio a superar-se a si mesma. “O sofrimento e a morte estão incluídos na vida, formam parte dela. Sou partidária de lutar, não de fugir. A eutanásia é uma forma de fuga e, portanto, não deixa de ser uma cobardia. A mim, não me geraram cobarde, por isso, com a ajuda de Deus, lutarei até ao fim. Respeito e entendo aqueles que se dão por vencidos e não crêem em nada, mas eu, quando chegar ao “outro lado”, quero ter a sensação de ter cumprido os meus deveres”.

Olga, na sua situação dramática não era uma pessoa resignada, muito pelo contrário. Dedicou muito das suas energias a reivindicar maiores direitos para as pessoas dependentes: “Lutarei até ao último segundo da minha vida, para que, apesar de ser uma enferma não rentável, me seja proporcionada uma assistência digna, custe o que custar.”


Felicidade desafiante

Olga colheu da sua condição fisicamente limitada uma oportunidade de crescimento espiritual: “Estou convencida de que sem tanto sofrimento como estou a ter nunca teria chegado a um crescimento pessoal tão importante e uma maturidade espiritual tão impressionante. Apesar do muito que sofri, o que estou a sofrer, e só Deus sabe quanto me resta ainda por sofrer, sinto-me uma pessoa afortunada.”

O segredo da força e coragem desta mulher, naturalmente reside em Deus e na sua relação com Ele: “Quando era um cisne, passava o dia olhando para o meu reflexo, admirando a minha beleza. Ao torna-me patinho feio, deixei de olhar para a minha imagem. Nesse momento, comecei a ver a Cruz, conheci o Senhor e só se ama o que se conhece. Ao amá-l’O, entendi como e quanto me ama a mim.”

E concluía dizendo: “Que sorte tive em nascer!”


Lê também o artigo escrito aquando do seu falecimento:

http://sdpv.blogspot.com/search?q=OLGA+BEJANO

Ou visita o seu blogue que amigos e familiares mantêm activo:

http://olgabejanodominguez.blogspot.com/

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A ROCHA FIRME


"Quem escuta as minhas palavras e as põe em prática
é como um homem sábio que construiu a sua casa sobre a rocha."
cf. Mt 7, 21.24-27

O Advento é como uma obra de engenharia.
É um tempo para avaliar a qualidade do terreno sobre o qual construimos a nossa casa, a nossa vida.
Tens a coragem de escavar mais fundo, à procura da rocha verdadeira que é Cristo?
Ou contentas-te com terrenos frágeis, sempre instáveis e movediços, incapazes de dar solidez e dignidade ao teu futuro?
Escavar em profundidade não é só escutar a Palavra de Deus: é pô-la em prática! Transformá-la em gestos concretos.

Para rezar:
Senhor, bem sei que não te agrada
quem vive de aparências e fingimentos;
sei que preferes quem aceita o teu chamamento.
Tu amas quem é capaz de construir
a vida num fundamento sólido.
Ajuda-me a entender que só poderei encontrar a felicidade
escutando e pondo em prática a tua Palavra

in Rezar o Advento, Ed. Salesianas

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ANUARITE NENGAPETA, “servir e tornar feliz”


No dia 1 de Dezembro de 1978, milhares de pessoas enchem a catedral de Isiro, no antigo Zaire, para se inclinarem diante do caixão de uma jovem religiosa morta catorze anos antes pelos soldados rebeldes Simba. Apesar desse acontecimento trágico é a alegria que predomina entre a multidão, pois a jovem serva de Deus foi reconhecida como venerável. Em 1985, o papa João Paulo II beatificá-la-á na capital, Kinshasa, diante dos seus parentes. Anuarite Nengapeta é a primeira congolesa elevada aos altares.

Anuarite nasceu a 29 de Dezembro de 1939 em Wamba, na República Democrática do Congo (na altura Congo Belga). Era a quarta de uma família de seis crianças. Quando, juntamente com a mãe, recebeu o baptismo aos seis anos de idade, escolheu acrescentar o nome Afonsina.

Vocação

Rapariga sensível, alegre e dinâmica, é muito popular entre as colegas de escola e suficientemente atractiva para os olhares dos rapazes. Mas Afonsina quer ser religiosa. Devido à recusa da mãe, acabará por fugir de casa para ingressar no convento. Tem então quinze anos. Aí estuda e tira um curso de professora. Revela-se zelosa na ajuda ao próximo e sempre disponível para visitar os doentes. Apesar da sua natureza nervosa e de frágil saúde preocupa-se sempre mais com os outros que de si própria.

Afonsina professa os primeiros votos a 5 de Agosto de 1959, assumindo o nome religioso de Irmã Anuarite Maria Clementina. Obediente, não deixa de ser franca educadamente. Trata e estima todos da mesma forma, não olhando a etnias, questão tão sensível nessa região de África.

A sua caridade e abnegação farão dela uma excelente pedagoga nas escolas por onde passou. O ensino é para ela um verdadeiro apostolado e o seu lema profissional consiste em “servir e tornar feliz”. Dos alunos diz que é preciso “cativá-los pela palavra, ensiná-los, apoiando-se em Deus e oferecer sacrifícios” por eles. Tem especial atenção àqueles que têm uma vida difícil.


Martírio

O Congo Belga torna-se independente em 1960, mas as perturbações políticas acrescem com os rebeldes Simba que espalham o terror. Anuarite tem consciência do perigo mas, confiante, escreve: “A nossa vocação é o amor. Servir Deus. O Senhor Jesus, quando nos chamou, pediu-nos o sacrifício das coisas do mundo, o sacrifício do amor humano, o sacrifício da nossa própria pessoa.”

A 29 de Novembro, os rebeldes invadem o convento raptando as irmãs. Anuarite é uma das religiosas que os soldados cobiçam para abusarem dela. Mas ela recusa-se repetidamente pois prefere morrer a desonrar as suas convicções e os seus votos. Agredida, a jovem responde: “Perdoo-vos porque não sabeis o que fazeis.” Morre no dia 1 de Dezembro de 1964 com 25 anos.


O povo zairense reconhece em Anuarite uma mártir e imediatamente começa a venerá-la, sendo-lhe atribuídas diversas graças e milagres.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A ALEGRIA...


"Por que procuras a alegria no mundo?
Não sabes que ela nasce apenas no teu coração?"
R. Tagore

SANTO ANDRÉ, evangelizado evangelizador


André viveu durante o século I. Ele era pescador e foi um discípulo de João Baptista até ao dia em que Jesus foi baptizado. De pois de João ter dito a André que Jesus era o verdadeiro Messias, ele seguiu Jesus.

Encantado com tudo o que viu e ouviu, incitou seu irmão Simão (a quem Jesus chamou Pedro) a conhecer Jesus.

André e seu irmão continuaram pescadores até ouvirem o apelo de Jesus: “Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens” (Mc 1, 17). Imediatamente deixaram tudo, pesca, casa, família, para viajar com Jesus, maravilhando-se com as suas lições.

Também eles se ocupavam do grande número de pessoas que seguiam o Mestre na esperança de testemunhar algum milagre. Numa ocasião em que a multidão não tinha que comer, foi André que disse haver ali um rapaz com cinco pães e dois peixes. “Mas que é isto para tantos?” (Jo 6, 9). É com esse “quase nada” que saciará a fome a cinco mil homens.

Depois da ressurreição de Cristo, André tornou-se missionário do Evangelho, estabelecendo-se, segundo a tradição, na Ásia Menor e na Grécia. Jesus avisara os seus apóstolos que criariam inimigos pregando a Boa Nova. Por fim, André foi martirizado, preso numa cruz em forma de X.


No seu rasto

Quando conhecemos pessoas que chamam a nossa atenção, naturalmente gostamos de as apresentar aos nossos amigos. André deve ter sentido esta necessidade quando conheceu Jesus, porque ele passou o resto da sua vida a apresentá-lo às pessoas, a começar pelo seu irmão Pedro.

Apresentar pessoas a Jesus é algo que nós podemos fazer todos os dias simplesmente assegurando-nos que as nossas acções reflictam o amor que nós temos por Ele, rezando por aqueles que não sentem a presença de Jesus nas suas vidas ou ajudá-los a encontrarem-se com Deus pela oração.



Adaptado de “Pessoas Comuns, Vidas extraordinárias”

domingo, 29 de novembro de 2009

ADVENTO


“… que os vossos corações não se tornem pesados…”

cf. Lc 21, 25-28.34-36

Estamos a começar o Advento.
É um tempo para preparar o Natal.
Para aprender a esperar Deus que vem ao nosso encontro.
Mas como se faz para preparar um encontro com Deus?
A Palavra de Jesus é clara. Há que acordar. Há que estar preparados para a mudança.
Acima de tudo, há que despertar o coração.
Às vezes, temos o coração pesado de mais. Preocupações, desilusões, enganos, falsos deuses, valores insignificantes… Há muita coisa a tornar pesado o nosso coração. E vivemos, como que anestesiados. Sem capacidade de reagir com entusiasmo e energia diante de um acontecimento inesperado.
Hoje começas a acordar o coração.
É tempo de te libertares de tudo o que te pesa.

Para rezar:
Vem, Senhor Jesus.
Com a força da tua ternura.
Com a energia poderosa da tua Presença.
Com o fogo da tua novidade.
E muda as nossas existências mesquinhas.
E transforma-nos.
E acorda-nos para o que é realmente importante.

In, “Rezar no Advento”, Ed. Salesianas

TEMPO DE ADVENTO, tempo para nos prepararmos



PREPARAR-SE é acolher em nós

tudo o que pode suceder na nossa vida,

e aceitá-lo não como uma fatalidade,

mas tentando descobrir-lhe o sentido.


PREPARAR-SE é também deixar-se interpelar

pelos apelos que nos vêm dos outros

convidando-nos a mudar de mentalidade

e a repensar o nosso jeito de viver.


PREPARAR-SE é fazer silêncio em nós

para aprender a discernir,

isto é, a deixar o inútil, o supérfluo

e a dar um lugar maior

ao que é verdadeiramente essencial.


PREPARAR-SE é ter o coração desperto

à espreita de tudo o que nos pode converter

em profundidade, para além das emoções e dos frémitos,

esses precisamente que vivem ou se dizem superficialmente

sem nada em nós mudar em profundidade.


PREPARAR-SE é arriscar em Deus

com tudo o que significa de surpresa,

de novidade, de mudança de vida,

o Deus revelado por Jesus Cristo.


Carlo Maria Martini

sábado, 28 de novembro de 2009

ORAÇÃO À SENHORA DA PALAVRA



Senhora da Palavra

anunciada e escutada,

Palavra meditada,

guardada e encarnada no coração!

Tu ouviste, acolheste e meditaste, com alegria,

as Palavras que o anjo te dirigiu,

sabendo que eram de Deus

e traziam o Verbo.

Ajuda-nos a estar atentos como tu à Palavra,

a conservá-la, com alegria, no coração

e a deixarmos que ela nos revele a vontade do Pai.

Ajuda-nos a anunciá-la com alegria,

para que se torne Palavra viva

para toda a humanidade,

e deixando que as maravilhas do Senhor se manifestem.

Ajuda-nos a ser, hoje, agentes da Nova Evangelização!

Ámen! Aleluia!


D. Ilídio Leandro

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

JOÃO BERCHMANS, seminarista santo


Vivemos, há pouco, a Semana dos Seminários. Neste 26 de Novembro comemora-se um jovem santo seminarista que vos damos a conhecer.


João Berchmans nasceu em Diest (Bélgica), em 1599. De família muito humilde, viu-se obrigado a trabalhar como criado para pagar os seus estudos.

Não pôde realizar outra coisa na sua vida do que ser estudante, caso insólito dentro da tipologia da santidade medieval e da sua concepção de santidade “heróica”. Contudo, viveu toda a vida sob o desejo da santidade.

Cada um dos seus actos era realizado como numa competição consigo mesmo. Foi chamado o mestre do detalhe na santidade, “Maximus in minimus” era seu lema. Assim, em Berchmans o heróico ganhou um novo sentido, ou como ele mesmo escrevia: “Minha penitência, a vida diária”.

Entrou para a Companhia de Jesus em 1616 e fazia a filosofia quando adoeceu e morreu em 1621. Amorosamente fiel às regras, humilde, colega sempre alegre e gentil, estudante esforçado, tornou-se padroeiro da juventude e modelo de obediência e amor à Companhia.

Foi canonizado por Leão XIII em 1888.


(texto adaptado) www.puc-rio.br

JORNADA DA FAMÍLIA


V JORNADA DA FAMÍLIA
DIOCESE DA GUARDA
28 de Novembro 2009

"Família, formadora de valores humanos e cristãos"

No próximo sábado, no Centro Apostólico da Guarda, realizar-se-á uma Jornada da Família, organizada pela Pastoral Diocesana da Família com o seguinte programa:

9h30 - Acolhimento
10h - Oração da Manhã
10h30 - "Valores morais da Família em mudança"
11h30 - Intervalo para café
12h - "Questões novas às Famílias cristãs de hoje"
13h - Almoço
14h30 - Reflexão e Trabalho de Grupos
15h30 - Plenário
16h - Eucaristia

As conferências são proferidas pelo Con. Jorge Cunha, professor na Universidade Católica.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

VIVE FELIZ

Não te inquietes com as dificuldades da Vida, com os seus altos e baixos, com as suas decepções, com o seu futuro mais ou menos sombrio.

Que queiras tu o que Deus quer.

Oferece no meio das inquietações e dificuldades o sacrifício da tua alma simples que, apesar de tudo, aceita os desígnios da providência.

Pouco importa que te consideres um frustrado se Deus te considera plenamente realizado ao Seu modo.

Perde-te confiado cegamente nesse Deus que te quer para Si, e que chegará até ti, ainda que nunca O vejas.

Pensa que estás nas suas mãos tanto mais fortemente seguro quanto mais decaído e triste te sintas.

Vive feliz. Suplico-te.

Vive em paz, que nada te altere, que nada seja capaz de tirar-te a paz, nem a fadiga mental nem as falhas morais.

Faz com que brote, e conserve sempre no teu rosto, um sorriso doce, reflexo daquele que o Senhor continuamente te dirige.

E no fundo da tua alma coloca, primeiro que tudo, como fonte de energia e critério de verdade, tudo aquilo que te encha de paz de Deus.

Lembra-te, tudo o que oprime e te inquieta é falso: asseguro-te em nome das leis da Vida e das promessas de Deus.

Por isso, quando te sintas abatido e triste, adora e confia.

Teilhard de Chardin