quinta-feira, 13 de agosto de 2009

REZAR COM SÃO DOMINGOS (II)

ORAÇÃO DE INCLINAÇÃO

No início da oração, Domingos inclinava profundamente a cabeça e permanecia humildemente prostrado diante do altar na presença de Deus.

Não se apresenta diante de Deus de cabeça altiva na arrogância de um ultimato: “Senhor, tenho cinco minutos para Ti, não me faças esperar” ou “Se queres a minha fé, mostra-Te…”

Não. Domingos não se apresenta assim diante de Deus.

Pelo contrário, inclina-se profundamente diante d’Ele. Sabe, conscientemente, que não pode alcançar Deus pelas suas próprias forças.

A sua inteligência, os seus pensamentos, a sua imaginação, a sua memória, o seu coração, tudo volta activamente para Deus…

Mas Aquele que ele procura ultrapassa-o infinitamente.

Os seus esforços serão vãos se Deus não o elevar até Ele.

Domingos prostra-se diante de Deus para que Deus se debruce sobre ele…

Então, todo o seu ser revelava o seu amor.

E ensinava os seus irmãos a experimentar o mesmo…

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Fonte: http://valence.cef.fr/

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

KARL LEISNER, o anjo de Dachau

Ao longo deste ano sacerdotal, o Voc Acção dará a conhecer (ou recordar) figuras de sacerdotes que se destacaram na fidelidade da sua missão a Cristo e à Igreja, no serviço dos irmãos e no testemunho da fé. Hoje relembramos Karl Leisner.

"Cristo, tu és minha paixão!"

São palavras escritas num diário de um jovem alemão chamado Karl Leiner, preso num campo de concentração nazi durante a Segunda Guerra Mundial.

É nesse mesmo campo que será ordenado sacerdote por um bispo francês, também ele preso.

Desde a sua juventude, Karl assumiu o testemunho da sua fé como uma missão. Estas suas palavras retratam bem toda a sua vida: “Senhor, com a tua Graça, aceito esta pesada tarefa. Guia-me para a tua Luz, Senhor, Deus todo-poderoso. Prometo-te solenemente, ser teu instrumento. A partir deste dia, toda a minha vida te pertence”.

Em 12 de Agosto de 1945, sela eternamente a sua Aliança de Amor com Deus, ao falecer extenuado. A última anotação no seu diário, "Abençoai, oh Senhor, também os meus inimigos!", diz bem o quanto encarnou o evangelho de Jesus.

Foi beatificado em 23 de Junho de 1996 pelo Papa João Paulo II no estádio Olímpico de Berlim, antigo palco da propaganda nazi. Na cerimónia de beatificação, o papa usou o báculo utilizado na ordenação de Karl e esculpido em madeira por um dos detidos.

Nele está gravada a seguinte inscrição “Victor in vinculis” (Vencedor nas correntes).

Para conheceres melhor a sua história, visita o nosso arquivo clicando abaixo:

http://sdpv.blogspot.com/2008/08/carl-leisner-um-anjo-em-dachau.html

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Santa CLARA de ASSIS, livre e feliz

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É a noite de 28 para 29 de Março de 1211, em Assis.
Uma jovem, de apenas dezoito anos, sai de casa, pela calada da noite. Vai só, pois a empresa é demasiada arriscada para implicar outras pessoas. Era proibido sair para além das muralhas sem autorização expressa.

A jovem chama-se Clara de Favarone de Offreduccio, a mais bela e desejada da nobreza da cidade. Mas o seu desejo é outro. Nessa mesma noite, tornar-se-á para sempre Clara de Assis, a jovem que deixou honras, riqueza e segurança por Cristo Jesus.

Esse dia tinha sido o Domingo de Ramos. Na catedral, durante a celebração, o bispo D. Guido tomara a iniciativa de entregar pessoalmente o ramo de oliveira nas mãos de Clara. Para ela, é o sinal claro: Deus entrega-se-lhe e espera o mesmo dela.

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A nobreza do amor a Deus

No dia seguinte, é o escândalo e a afronta para a família Offreduccio. Clara desapareceu e ninguém lhe sabe o paradeiro. Para onde foi Clara?

O seu sonho brotara há muito em seu coração. No silêncio do recolhimento deixou-se tocar e seduzir pelo mais belo e perene dos príncipes, o único capaz de a amar e encher sem medida os anseios do seu íntimo: Jesus Cristo. O exemplo de outro jovem de Assis, Francisco Bernardone, que deixara as glórias da cavalaria e as riquezas do negócio burguês do pai e agora vivia de esmolas e evangelho, só reforçava nela a convicção que era possível viver a verdadeira felicidade em Deus e para Deus.

Nessa noite de Ramos, Clara sairia e caminharia até onde o Amor a levasse. É Francisco, juntamente com os seus companheiros, outros jovens “loucos” de Assis, que a conduzem no caminho da consagração a Cristo.

Clara viveu na primeira pessoa o que mais tarde escreverá a outra princesa, Inês de Praga, que anseia imitar a sua entrega generosa a Deus:

“Não desanimes no caminho, corre veloz, com passo leve sem tropeçar; que nem a teus pés o pó se apegue; avança segura, alegre e jovial, no caminho da felicidade, não acredites nem confies em quem te tentar desviar deste propósito; ultrapassa todo o obstáculo do caminho… Como virgem pobre, abraça a Cristo pobre.”

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Liberdade e felicidade

Clara foi, autenticamente, uma mulher livre e feliz porque se manteve fiel e atenta aos apelos de Deus e dos irmãos. Não é de admirar que muitas outras jovens lhe tenham seguido os passos, inclusivamente irmãs suas e a própria mãe. Com elas, nasceu a Ordem das Damas Pobres, hoje mais conhecida por Clarissas. A pobreza era, para Clara, um privilégio a defender pois esta permitia uma vida simples, fraterna e livre, condição necessária para imitar de mais perto a Cristo. Para Clara e todas as Clarissas da actualidade, esse caminho é vocação à uma vida feliz e cheia de sentido.

A todas elas, votos de fidelidade e felicidade!

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Hoje, uma jovem professa votos simples temporários na Ordem de Santa Clara. Para leres o seu testemunho, clica aqui:

http://www.clarissasmontereal.com/noticias.htm

Recordando CLARA e FRANCISO de ASSIS

ENCONTRO DE JOVENS


DESCOBERTA ”1” “Quem sou eu?”…

…é o encontro promovido pelo Sector Juvenil do Movimento da Mensagem de Fátima, que terá lugar no Centro Apostólico D. João de Oliveira Matos – Guarda, nos dias 11, 12 e 13 de Setembro de 2009.

Se tens mais de 15 anos e desejas conhecer melhor a pessoa de Jesus Cristo e a Mensagem de Fátima, inscreve-te através dos contactos:

- 969125203 (Graça Afonso)

- 963602535 (Mena)

m_g_afonso@hotmail.com
fbimena@mail.com

Custo: 5:00€

Traz os teus objectos pessoais de higiene e, se tocas algum instrumento musical, trá-lo também.

Programa:

Dia 11

18:00 H - Acolhimento:

· Distribuição de crachats

· Ensaio de cânticos

· Apresentação, (slaides)

· Objectivos

· Entrega do encontro a Maria

20:00 H - Jantar

21:00 H - Quem é Jesus Cristo?

· Testemunho, diálogo, …

· Oração da noite

Dia 12

08:00 H - levantar

· Bom dia a Jesus individualmente

08:45 H - Pequeno-almoço

09:00 H - Oração da manhã: - “ Acolher a vida”

10:00 H - Diaporama – “As Asas”

11:00 H - Tempo de silêncio

11:30 H - Intervalo

11:45 H - “A tua vida, um desafio”

· Diálogo

13:00 H - Almoço

14:30 H - Ensaio de cânticos

15:00 H - Celebração penitencial

16:00 H - Tempo de reconciliação

18:00 H - Que conheces tu da Mensagem de Fátima?

· Diálogo

20:00 H - Jantar

21:00 H - Convívio

Dia 13

08:00 H - levantar

· Bom dia a Jesus individualmente

08:45 H - Pequeno-almoço

09:15 H - Oração da manhã: - “ Acolher a vida”

· Compromissos

10:15 H - Maria Mãe companheira do nosso caminho

12:00 H - Eucaristia

13:00 H - Almoço

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

S. LOURENÇO e o tesouro da Igreja


Apesar de pouco se saber sobre a vida de Lourenço, durante séculos as lendas sobre ele espalharam-se entre os cristãos.

Nasceu provavelmente em Aragão, na primeira metade do século III e foi educado por Sisto, que em 257 se tornou o Papa Sisto II. Um dos seus primeiros actos como papa foi ordenar Lourenço como diácono, nomeando-o ao serviço da Igreja de Roma.

Como diácono, Lourenço preocupava-se especialmente com os pobres, sendo a caridade uma das características diaconais.

Foi então que o Imperador Valeriano emitiu um decreto contra a Igreja Cristã. Esperando travar a expansão do cristianismo, Valeriano ordenou que todos os bispos, padres e diáconos fossem executados.


O leal diácono

Segundo uma lenda popular, quando Sisto foi levado para a execução em 258, Lourenço foi tomado pelo desgosto e gritou “Pai, onde vais sem o teu filho? Onde ides, Santo Padre, sem o teu diácono?”. Mas Sisto terá respondido: “Não te abandono, meu filho. Um tribunal maior e uma gloriosa vitória te estão reservados… Seguir-me-ás daqui a quatro dias”.


Júbilo em vez de medo
Lourenço não teve medo. Pelo contrário, o seu coração encheu-se de júbilo. Em vez de se esconder, começou a distribuir as possessões da Igreja pelos necessitados e doentes, seguindo as instruções de Sisto. Quando o prefeito romano ordenou que entregasse os tesouros da Igreja, Lourenço apontou para os pobres e os doentes e disse que eram eles a verdadeira riqueza da Igreja. Furioso com a resposta, o prefeito ordenou que Lourenço morresse queimado.

No rasto de Lourenço

Lourenço fez tudo o que pôde para auxiliar os necessitados. No final da II Grande Guerra, vários padres franceses notaram com preocupação a distância entre a Igreja e os trabalhadores. Assim, obtiveram permissão para iniciar uma nova forma de pastoral conhecida por “padres-operários”.

Trabalhando e vivendo entre os pobres em várias cidades francesas, estes padres esperavam partilhar o trabalho e o sofrimento dos operários de forma a que a Igreja compreendesse melhor as suas necessidades. Também espalhavam o Evangelho entre os seus companheiros trabalhadores. Tal como o afirmou o Concílio Vaticano II, na década de 60, “as alegrias e a esperança, o sofrimento e a angústia dos pobres são a alegria e a esperança. O sofrimento e a angústia dos seguidores de Cristo”. Nas palavras do padre Perrin, “a Igreja não deveria existir num mundo religioso marginal”, mas enraizar-se na vida e experiência das massas.



Adaptado de “Vidas Comuns, Pessoas Extraordinárias”

sábado, 8 de agosto de 2009

REZAR COM SÃO DOMINGOS


Hoje, é o dia de São Domingos de Gusmão, ilustre pregador, contemporâneo de Francisco de Assis. Apaixonado pela Sagrada Escritura, dedica-se ao seu estudo e meditação para melhor a comunicar. É o seu maior desejo: que todos conheçam e vivam da Palavra de Deus.

Domingos era, consequentemente, um homem de profunda oração.

A partir de hoje, o “Voc Acção” dá-te a conhecer diversas formas como rezava este homem de Deus para (por que não!?) também tu experimentares.


ORAÇÃO DE IMPLORAÇÃO

Como são Domingos, como uma flecha que atravessa os céus, não tenhamos medo de “forçar” Deus pois “o Espírito socorre a nossa fraqueza”.

Trata-se de uma oração intensa e poderosa que S. Domingos fazia de mãos erguidas e abertas para receber o dom do Espírito Santo. Esse dom, pedia-o para todos os seus irmãos.

Através dessa oração, os irmãos pregadores (assim são também chamados os Dominicanos, que o santo fundou) vivem as bem-aventuranças, na pobreza, no sofrimento, nas perseguições que experimentam na pregação itinerante. Mas tudo isso se torna fonte de felicidade para eles e para todos quantos dedicam a sua vida pelos outros…

É a força do Espírito Consolador habitando o coração de Domingos que o torna consolador dos irmãos que ele acolhe no vasto coração da caridade.

O Espírito Santo que mora no nosso íntimo e que nos impele, igualmente, a rezar e a suplicar… pois “Ele mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis” (Ro 8).

Deus espera a nossa oração compassiva, insistente, cheia de fé a fim de derramar sobre nós as graças da Misericórdia, da Paz e da Alegria.



Não são precisas muitas palavras…



Fonte: http://valence.cef.fr/

S. JOÃO MARIA VIANNEY, padroeiro dos sacerdotes (II)


Como prometido, transcrevemos a segunda parte da vida do Santo Cura de Ars. Concretamente, recordamos hoje o seu ministério pastoral.

Desejamos que o testemunho de S. João Maria Vianney ilumine este Ano Sacerdotal, como exemplo a seguir por todos os sacerdotes e melhor percepção do significado e importância desta missão para todos os fiéis.


O ministério de pároco

Desde o início, João Maria Vianney revela-se um homem empreendedor. Do restauro do relógio da igreja à construção de capelas, passando pela aquisição, em 1824, da casa que se chamará «Providência» para aí fazer uma escola gratuita para raparigas, ou ainda a compra de paramentos litúrgicos para «exprimir a beleza de Deus», tudo é feito no sentido de anunciar e pôr em prática o Evangelho.


No seu ministério, o Cura d’Ars saberá sempre pôr em destaque a primazia de Deus na vida humana. Inicialmente caracterizado por um certo rigor moral no anúncio de Cristo, rapidamente se deixará conduzir pela sua própria vida espiritual e anunciará a grandeza do Amor de Deus e a sua Misericórdia infinita pelo homem pecador.

Como a Virgem Maria ocupava um grande lugar na sua vida e na sua fé, manda colocar uma imagem da Santíssima Virgem e consagra a sua paróquia a «Maria concebida sem pecado». Ora, estamos em 1836, quer dizer, dezoito anos antes da promulgação do dogma da Imaculada Conceição!


Uma das originalidades de Ars é que a «peregrinação» começa ainda em vida de João Maria Vianney. Já antes de 1830 muitas pessoas vinham confessar-se ao Cura d’Ars, atingindo dezenas de milhar nos últimos anos da sua vida. Registam-se mesmo mais de cem mil peregrinos em 1858.


O zelo pelas almas

A maior parte do seu dia é passado na igreja, principalmente para as confissões, mas também para a oração, a Eucaristia e a catequese. Apesar da afluência dos peregrinos, mesmo assim não abandona os seus paroquianos, que terão sempre prioridade.

Tornando-se a tarefa do seu ministério cada vez mais pesada, o Cura d’Ars aceita um auxiliar Depois uma equipa de missionários diocesanos e irmãos da Sagrada Família de Belley vêm ajudálo no exercício das suas funções.

Esgotado pelas suas excessivas actividades, o Cura d’Ars fica definitivamente de cama em 30 de Julho. A 4 de Agosto de 1859, às duas horas da manhã, «entra na glória de Deus». Tem setenta e três anos.

A 8 de Janeiro de 1905, João Maria Vianney é beatificado pelo papa Pio X. A 31 de Maio de 1925, o Papa Pio XI canoniza-o. Torna-se então «S. João Maria Vianney». Mas, para as multidões, ele é antes de tudo o «santo Cura d’Ars». A 23 de Abril de 1929 é nomeado padroeiro de todos os párocos.


PARA REZAR:

V. Rogai por nós, bem-aventurado S. João Maria Vianney.

R. Para que sejamos fiéis como Cristo foi fiel.

Oremos: Deus omnipotente e misericordioso, que fizestes de São João Maria Vianney um sacerdote admirável no zelo pastoral, concedei-nos, que, imitando o seu exemplo, ganhemos para Vós no amor de Cristo os nossos irmãos e com eles alcancemos a glória eterna. Por Nosso Senhor…


sexta-feira, 7 de agosto de 2009

PERDER PARA GANHAR


«Quem perder a sua vida por Minha causa, há-de encontrá-la»

cf. Mt 16,24-28


«Quis perder-me e assim fui ganha»

Aquele que está abrasado do amor de Deus não ambiciona outra coisa, não procura ganho nem recompensa, não aspira senão a tudo perder e a perder-se a si mesmo, no que se refere à vontade, por amor do seu Deus. A seus olhos, está aí o verdadeiro ganho. De facto assim é, de acordo com a palavra de São Paulo: «morrer é uma vantagem» (Fil 1, 21), isto é, a minha morte por Cristo é o meu ganho; morrer espiritualmente para todas as coisas e para mim mesmo é o meu ganho. É por esse motivo que, neste verso do poema, a alma se serve daquela expressão: «Fui ganha». Com efeito, o que não sabe perder-se não se ganha; perde-se, de acordo com esta palavra de nosso Senhor no Evangelho: «Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la».


Se quisermos compreender este verso de maneira mais espiritual [...], diremos isto: quando uma alma chegou, no seu caminho espiritual, ao ponto de perder todas as vias e todas as formas naturais de lidar com Deus; quando já não O procura pelas reflexões ou pelas imagens, nem pelo sentimento, nem por qualquer meio derivado dos sentidos e das coisas criadas; mas, ultrapassando tudo isso, deixando toda a maneira pessoal e toda a mediação, seja ela qual for, se relaciona com Deus e Dele goza pela fé e pelo amor, pode dizer-se então que encontrou verdadeiramente a Deus, porque na verdade perdeu tudo o que não é Deus e ela própria se perdeu verdadeiramente.



São João da Cruz (1542-1591),

carmelita, Doutor da Igreja,

Cântico Espiritual, 20


fonte: http://www.evangelhoquotidiano.org/




segunda-feira, 3 de agosto de 2009

S. JOÃO MARIA VIANNEY, padroeiro dos sacerdotes (I)


Por opção de Bento XVI, João Maria Vianney, mais conhecido como «santo Cura d’Ars», é o modelo proposto para este Ano Sacerdotal. Sendo o dia 4 de Agosto a festa comemorativa deste santo, transcrevemos (em duas partes) o texto referente à sua vida e contido num guião elaborado para a Jornada Mundial de oração pela Santificação dos sacerdotes. Hoje, debruçamo-nos sobre o início da sua vida.

Infância e juventude

Nascido a 8 de Maio de 1786, em Dardilly, a norte de Lyon, João Maria Vianney é o quarto de uma família de seis filhos. Os seus pais cultivam treze hectares de terra. É uma família que pratica o Evangelho a partir da oração em conjunto e do acolhimento aos mais pobres.

Embora sendo muito pequeno, a sua mãe educa-o, pela oração, no amor de Deus e da Virgem Maria. João Maria tem apenas três anos quando rebenta a Revolução Francesa, e sete anos quando as perseguições atingem a sua região. É assim mergulhado, desde muito jovem, no drama de uma Igreja dilacerada e de uma sociedade dividida.

É na clandestinidade que João Maria Vianney, em 1797, faz a sua primeira confissão. É aqui, sem dúvida, que ele – que virá a ser o «homem da reconciliação» –, descobre a importância deste sacramento porque o padre a quem ele se confessa arriscou a vida para o fazer. Espera dois anos para poder fazer a sua primeira comunhão, ainda clandestinamente (é descarregado feno diante da casa onde a missa é celebrada, para desviar as atenções). Espera depois mais dois anos para comungar pela segunda vez. Como não compreender a consciência que tinha da grandeza da Eucaristia e da Reconciliação, quando ele viu padres arriscar a própria vida para lhe permitir encontrar Deus nos sacramentos?

João Maria Vianney vai muito tarde para a escola, sobretudo porque na sua aldeia não havia professor. E só aos dezassete anos é que aprende a escrever. Desde muito cedo quis ser padre, mas foi apenas aos vinte anos que começou os estudos. O pai não estava de acordo, e os estudos ficavam muito caros. Para evitar os gastos é o Pároco de Écully que o ensina. Será este, verdadeiramente, o seu mestre espiritual.


Napoleão, que entretanto subiu ao poder começa a guerra. Tem necessidade de soldados. João Maria é chamado para o serviço militar em 1809, mas fica doente na viagem de partida. Antes de integrar o seu batalhão do exército, deserta, encorajado por um recruta que o guia para a aldeia de Noës, nos montes de Forez. Considerado como desertor, é o seu irmão que parte na sua vez, e não voltará mais a Dardilly. João Maria Vianney guardará para sempre esta ferida do desaparecimento do irmão, sem no entanto lamentar o que fez.

João Maria Vianney retoma os estudos eclesiásticos, com dificuldade. É mandado embora do Seminário Maior de Lyon em 1813, não por falta de inteligência mas por manifesta falta de bases: aprender Teologia em latim e evoluir intelectualmente quando só se começou a ler e a escrever aos dezassete anos, não é fácil! João Maria Vianney é um homem inteligente e esperto, com uma intuição invulgar para as coisas de Deus. Embora tendo dificuldade em estudar passa razoavelmente bem no exame de Francês, em Écully, onde o abade Balley continua a assegurar a sua formação. Depois do exame, o Vigário Geral terá dito: «O senhor sabe tanto ou mais que a maior parte dos nossos padres da província».

Em 13 de Agosto de 1815 é ordenado padre em Grenoble, porque em Lyon o cardeal Fesch, tio de Napoleão, acaba de deixar a sua diocese, por razões de segurança (a batalha de Waterloo tinha sido em 18 de Junho). É imediatamente nomeado vigário de Écully, ao lado de Mons. Balley, que morreu em 1817.

A 11 de Fevereiro de 1818, é nomeado para Ars, pequena aldeia em Dombes, no Departamento do Ain, instalando-se dois dias depois. Ficará lá 41 anos, até à sua morte no dia 4 de Agosto de 1859.

Inicialmente paróquia da diocese de Lyon, Ars passa para a diocese de Belley em 1823, aquando da sua fundação por Mons. Devie.

O seu ministério desenrola-se num contexto de inconstância política: império, monarquia, república e de novo império. A França tem dificuldade em estabelecer a paz. Três revoluções, dois golpes de Estado e dois períodos de terror marcaram a sua história entre 1786 e 1859. No plano religioso, o anticlericalismo manifesta-se nalguns períodos, particularmente em 1830.

domingo, 2 de agosto de 2009

A FOME QUE NOS MOVE


Podes roubar-me o pão!

A fome, não.

A boca, sim: come, ou não come.

Porém, como roubar a inextinguível Fome?

Inextinguível, porque pede

Um pão que nos excede:

Um pão que ninguém dá

Nem tirará.


José Régio,

in A Chaga do Lado

DÁ-NOS SEMPRE DESSE PÃO


«Dá-nos sempre desse pão»

cf. Jo 6,24-35

O pão da alma é Cristo, «o pão vivo que desceu do céu» (Jo 6, 51) e que alimenta os Seus, agora pela fé, no mundo futuro pela visão. Pois Cristo habita em ti pela fé e a fé em Cristo é Cristo no teu coração (Ef 3, 17). É na medida em que crês em Cristo que O possuis.


E Cristo é, na verdade, um só pão «pois há um único Senhor, uma única fé» (Ef 4, 5) para todos os crentes, se bem que uns recebam mais e outros menos do dom dessa mesma fé. [...] Como a verdade é única, uma única fé na verdade única guia e alimenta todos os crentes, e «um mesmo e único Espírito, que distribui a cada um os Seus dons conforme entende» (1Cor, 12, 11).


Vivemos todos do mesmo pão e cada um de nós recebe a sua porção; e no entanto Cristo é todo para nós, excepto para aqueles que destroem a unidade. [...] Neste dom que recebi, possuo totalmente Cristo e Cristo possui-me totalmente, tal como o membro que pertence a todo o corpo também o possui por inteiro. Assim, esta porção de fé que recebeste é como o pequeno pedaço que pão que está na tua boca. Mas, se não meditares frequente e piedosamente naquilo em que crês, se não o mastigares, por assim dizer, triturando-o e voltando-o com os dentes, isto é, com os sentidos do teu espírito, ele não te franqueará a garganta, ou seja, não chegará até à tua inteligência. Com efeito, como poderias compreender algo em que meditas raramente e com negligência, sobretudo quando se trata de uma coisa ténue e invisível? [...] Que, pela meditação, «a lei do Senhor esteja sempre na tua boca» (Ex 13, 9) para que nasça em ti a boa inteligência. Através da boa compreensão, o alimento passa para o teu coração, para que não negligencies aquilo que compreendeste, mas antes o recolhas com amor.

Guiges, o Cartuxo (?-1188),

Prior da Grande Cartuxa,

Meditação 10

fonte: www.evangelhoquotidiano.org