sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

ELISABETH MARIA KITAHARA SATOKO, a Serva da Aldeia das Formigas


Elisabeth Maria Kitahara Satoko morreu de tuberculose aos 29 anos, depois de ter consagrado os seus últimos nove anos (desde o seu baptismo) às crianças e habitantes de Arinomachi, um bairro de lata situado num dos lugares mais sinistrados de Tóquio, após a II Grande Guerra. Juntamente com o médico Paulo Nagai Takashi, é uma das figuras mais representativas do catolicismo japonês do século XX.

Pranto e ruínas
Kithara Satoko nasce a 22 de Agosto de 1929. É a filha mais nova de uma família aristocrata japonesa, descendente dos antigos samurais e de sacerdotes xintoístas. A sua infância passa-se tranquilamente. Mas, em 1940, com a entrada do Japão na Guerra a vida familiar perturba-se. O pai é enviado para a frente de combate, juntamente com um cunhado. O seu irmão mais velho é convocado para trabalhar na fábrica. Ela própria, após concluir os seus estudos secundários, irá lá trabalhar. Numa cidade continuamente bombardeada, o ritmo de vida passa a ser marcado pelas sirenes de alerta. À semelhança de milhões de concidadãos, Kitahara vive com os nervos a flor de pele. Milagrosamente, escapa ilesa de uma bomba que caiu no seu lugar de trabalho, embora profundamente chocada.
O país cai no traumatismo ao saber das bombas atómicas que varreram Hiroshima e Nagazaki e pela consequente e humilhante capitulação. Tóquio tornou-se um campo de ruínas. A população morre à fome, enfrentando dramática condições de sobrevivência. Eis a realidade de Kitahara, jovem adolescente de 16 anos. Por essa altura, o seu irmão, debilitado física e psicologicamente, sucumbe a uma pneumonia.

A busca da verdadeira beleza
A família acolhe uma quinzena de parentes que perderam os seus bens. Este é o maior problema que suporta o Japão no pós-guerra: refugiados, empurrados pelo desemprego, miséria e fome, afluem aos milhares nos grandes centros urbanos.
Por reacção, a jovem rapariga aspira a um ideal de beleza, de serenidade. Decide consagrar-se ao estudo, privilegiando a literatura. Simultaneamente, deseja fazer algo, como o médico Albert Schweitzer por quem tem grande admiração (ver http://sdpv.blogspot.com/2009/01/albert-schweitzer-nasceu-nesta-data-de.html). Como ele, abandona o sonho da música para se dedicar a algo mais essencial. Escolhe a medicina apesar de fazer os seus estudos em condições precárias: edifícios destruídos, materiais e aparelhos inexistentes. Os próprios livros passam a ser um luxo.
No decorrer dos estudos, Satoko recupera a alegria de viver. Procura um sentido para a sua vida, nomeadamente após obter o diploma em 1949. Ao frequentar as Irmãs da Misericórdia, interroga-se sobre o cristianismo. Sente-se atraída pela paz e o silêncio da capela, pela oração. Caminha discretamente. Encontra-se com o capelão, com as religiosas, com leigos católicos. Maravilha-se perante a eucaristia, descobre a Virgem Maria e encontra, finalmente, alegria e paz na oração.
Recebe o baptismo no dia 30 de Outubro de 1949, escolhendo os nomes de Elisabeth e Maria. Kitahara Satoko encontrou o seu porto de beleza à qual aspirava a sua alma.


A Aldeia das Formigas
Em 1950, Satoko conhece o frei Zenão, frade franciscano da missão da Imaculada, instituído por S. Maximiliano Kolbe. Este padre desenvolve um incansável apostolado junto dos marginais e necessitados de Tóquio, particularmente em Arinomachi, conhecido por Aldeia das Formigas por causa da sobrepopulação e da actividade permanente que aí reina. Os seus habitantes sobrevivem pela recolha e venda de materiais atirados ao lixo. Entre eles vivem muitas crianças e jovens.
Ao conhecer esse lugar, Kitahara decide, com a ajuda das Irmãs da Misericórdia, ajudar as crianças a preparar o Natal. É um sucesso. A população local é sensível ao esforço de Satoko por lhes devolver dignidade humana. Os mais novatos prendem-se a ela. Mas nem tudo é fácil. Satoko percebe que Deus quer mais dela.

Até ao dom extremo de si
Kitahara opta por viver como aquela gente. Ajuda na recolha e venda de materiais, organiza uma sala de estudo, um refeitório. Sustentada pela oração e uma confiante devoção a Nossa Senhora, dá-se com uma abnegação extraordinária neste apostolado. Mas a doença interrompe a sua entrega. Após uma longa convalescença, quando regressa encontra já outra jovem mulher a realizar o seu trabalho. Esta obra, já conhecida em todo o Japão beneficia de ajudas. Sente que já não é necessária. Humanamente parece ter fracassado em tudo. A sua saúde degrada-se, é agora inútil, não tendo realizado os belos sonhos a que aspirava. É a purificação íntima, com as tentações das dúvidas.
Com os conselhos de frei Zenão, pela confiança a Maria e pela oração, Kitaha mantém-se firme. Toma uma derradeira decisão: deixa os seus, o conforto da sua casa e instala-se na Aldeia das Formigas, despojada da sua própria vontade para entrar no “Querer de Deus “. Como Maria, assume-se como simples serva de Deus. Reza, oferece o seu sofrimento, a sua vida pela Aldeia. Pelo exemplo do seu despojamento, converte ao cristianismo muitas personalidades.
A sua missão foi cumprida. Kitahara Satoko morre a 23 de Janeiro de 1958, antes de completar 29 anos.

O modelo da Aldeia das Formigas, lugar de comunidade comprometida na dignidade do ser humano será imitado em diversos lugares em todo o Japão, depois, na Coreia. Em 1970, associam-se à Obra de Emaús do Abbé Pierre.
Em 1981 os católicos do Japão, apoiados pelos franciscanos conventuais introduzem a causa de beatificação de Elisabeth Maria Kitahara Satoko.

SEMANA DA UNIDADE (VI)


6º dia - Os cristãos diante da doença e do sofrimento
Quantas vezes Jesus encontrou os doentes e quis curá-los! Todas as nossas Igrejas, ainda que divididas, têm uma clara consciência da compaixão do Senhor pelos que sofrem. No que toca às doenças, os cristãos sempre procuraram seguir o exemplo do Mestre, cuidando dos enfermos, construindo hospitais e dispensários, não se preocupando apenas com “a alma”, mas também com os corpos dos pequeninos de Deus.
Contudo, isto nem sempre é tão evidente assim. As pessoas saudáveis tendem a considerar a saúde como uma conquista sua, e esquecem aqueles que não podem participar plenamente da comunidade por causa da sua enfermidade ou limitação. Quanto aos enfermos, muitos deles sentem-se esquecidos por Deus; distantes de sua presença, da sua graça e da sua força salvadora.
Se nossa relação com Deus é sincera, profunda, e se diz com palavras de fé e reconhecimento, ela poderá também expressar na oração, a nossa aflição, a nossa dor e até mesmo a nossa ira, quando esta última for necessária.
Os doentes não são apenas objecto de cuidados. Ao contrário, são sujeitos de viva experiência de fé, como descobriram os discípulos de Jesus certa vez (Mc 10, 46-52). Aconteceu que os discípulos queriam fazer seu próprio caminho ao seguir Jesus, ignorando o homem doente marginalizado pela multidão. Quando Jesus os interpela, Ele desvia-os dos seus objectivos individualistas. Connosco pode acontecer algo parecido: estamos dispostos a cuidar dos doentes, desde que eles não reclamem e nos perturbem. Os discípulos que antes queriam impedir o cego de se aproximar de Jesus são interpelados pelo mesmo Jesus a levarem-lhe a sua mensagem de cura; uma mensagem de amor que soa completamente nova: “Coragem! Levanta-te, ele te chama”.
Somente quando os discípulos conduzem o doente até Jesus é que eles finalmente entendem o que quer o Senhor: dedicar o tempo para encontrar-se com o doente, para lhe falar e ouvir, perguntando-lhe o que deseja e do que necessita. Uma comunidade de reconciliação só pode florescer quando os enfermos experimentam a presença de Deus nas suas relações com os irmãos e as irmãs em Cristo.

Oração
Senhor, escuta o teu povo quando este grita por Ti, aflito pela doença e pela dor. Que aqueles que são saudáveis se façam dom pelo bem-estar dos outros; que eles possam servir os que sofrem com coração generoso e mãos abertas. Senhor, dá-nos viver na tua graça e pela tua providência, tornando-nos uma comunidade de reconciliação onde todos te louvem unidos.
Ámen.
Adaptado do Guião para esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos elaborado pelo PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

CLAIRE de CASTELBAJAC, testemunha da vocação à felicidade


“Continuo a viver na paz e alegria interiores. Amo toda a gente e tenho ânsia de os tornar felizes: deve ser isto a felicidade dos filhos de Deus… Há tanto tempo que busco isto mesmo!...” Assim se expressa Claire de Castelbajac, em Julho de 1974, o último verão da sua vida. Tinha então 21 anos. Não precisou de mais tempo para alcançar, experimentar e testemunhar a Felicidade.
Esta jovem francesa prova-nos que, afinal, Deus a todos chama para uma só realidade: ser feliz!
Nesta data, aniversário da sua morte (22 de Janeiro de 1975), vale a pena conhecer esta jovem, tão próxima de nós, nas expectativas e desafios, tentações e qualidades partilhadas pelos jovens de hoje. Claire relembra-nos que nada nos deve afastar de Deus. Antes, é por meio d’Ele que nos realizamos plenamente.

A santidade não é, de modo algum, uma meta inatingível. Três anos antes de falecer, escreveu: “A santidade é o Amor de viver as coisas pequenas por Deus e para Deus, com a sua graça e a sua força. (…) No fundo, o Amor é o único sentimento digno de Deus. Converter todas as coisas em Amor supõe já uma grande dose de santidade…”

Claire conseguiu experimentar a felicidade em Deus. Porque não tu!?
Para conhecer melhor Claire, clica nos endereços electrónicos seguintes:
Sua história:
http://www.boulaur.org/fp/POR-Vie.htm
Algumas citações:
http://www.boulaur.org/fp/POR-paroles.htm

A SABEDORIA DA ORAÇÃO

“Às vezes, eu invejo aqueles que têm a felicidade de se aprofundar, de conhecer bem a teologia! Mas a oração, que é a divina contemplação, não ultrapassa, sobremaneira, os estudos mais eficazes e competentes, em conhecimento, amor e poder? A experiência é mais profunda, mais esclarecedora e mais fecunda que a ciência. Para mim, toda a minha teologia, toda a minha ciência, toda a minha sabedoria, tudo isso é o amor, é a união da minha alma a Deus, por Jesus Cristo, com a Santíssima Virgem! Nem mais nem menos!”

Marta Robin, 22 de janeiro de 1930
Referido no livro Prends ma vie Seigneur (Toma a minha vida, Senhor)


SEMANA DA UNIDADE (V)


5º dia - Os cristãos diante das discriminações e dos preconceitos sociais
No início do mundo, os seres humanos criados à imagem de Deus constituíam uma só humanidade “unidos na tua mão”.
No entanto, o pecado interferiu no coração do homem... Desde então, não cessamos de construir categorias discriminatórias. Neste mundo, muitas escolhas são feitas com base na raça ou etnia; há casos em que a identidade sexual ou o simples facto de ser homem ou mulher alimenta preconceitos; noutros lugares, ainda, o obstáculo é a religião, usada como causa de exclusão. Todas estas discriminações são desumanas. Elas são fontes de conflito e de grande sofrimento.
No seu ministério terrestre, Jesus mostrou-se particularmente sensível à humanidade comum, a todos os homens e mulheres. Ele denunciou sem cessar as discriminações de toda espécie e as vantagens que alguns podiam tirar disso. Jesus mostra que nem sempre os “justos” são aqueles que parecem sê-lo, e alerta que o desprezo não tem lugar no coração dos verdadeiros crentes.
Como os benefícios do óleo precioso ou do orvalho do Hermon, o Salmo 133 canta a felicidade da vida fraternalmente partilhada. Quão agradável e alegre é viver juntos como irmãos e irmãs: é esta a graça que saboreamos no fundo do coração nos nossos encontros ecuménicos, quando renunciamos às discriminações confessionais.
Restaurar a unidade da família humana é missão comum de todos os cristãos. Importa agirmos unidos contra toda a forma de discriminação. Esta é a esperança que partilhamos: não há judeu, nem grego; nem escravo, nem livre; nem homem, nem mulher, pois todos somos “um” em Cristo Jesus.

Oração
Senhor, faz-nos perceber as discriminações e exclusões que marcam a nossa sociedade. Conduz o nosso olhar e ajuda-nos a reconhecer os preconceitos que habitam em nós. Ensina-nos a expulsar todo o desprezo do nosso coração, para apreciarmos a alegria de viver juntos em unidade. Ámen.

Adaptado do Guião para esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos elaborado pelo PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

ALFIE LAMBE, 'el corderito' de Deus


Alfie Lambe nasce em 1932 na Irlanda. Alfie (diminutivo de Alphonsus) é o oitavo filho de uma família de camponeses. Ama o campo, a caça, futebol e a vida ao ar livre. Aos 16 anos convence o pai a deixá-lo entrar para a vida religiosa. “Queria fazer algo por Deus”.
Mas o noviciado em Dublin revela-se difícil para ele. Tímido e diferente dos outros, vive isolado refugiando-se apenas nos livros, todos eles versando sobre Nossa Senhora. Pela sua saúde precária, juntamente os seus problemas de identidade dificultando o relacionamento com outros, é julgado inapto para ser religioso. É reenviado para casa.

A Legião de Maria
Regressado, Alfie vive deprimido pela sua experiência não consequente. Porém, pouco depois, conhece o movimento da Legião de Maria: apostolado humilde e exigente, profundamente mariano, e espírito de fraternidade. Inserido, sente-se rapidamente à vontade, renovado de entusiasmo e generosidade. Em poucas semanas, realiza que encontrou o seu caminho.

América Latina
A Legião está em plena expansão. O exemplo de Edel Quinn (ver http://sdpv.blogspot.com/2008/05/edel-quinn-uma-vida-pela-frica.html), falecida cinco antes em África (1944), galvaniza os seus membros. O fundador, Franck Duff, decide iniciar uma nova missão na América Latina. Envia Seamus Grace, acompanhado por Alfie.
Aterram em Bogotá, capital da Colômbia. Aí começa o apostolado porta a porta, mas também trabalha com jovens raparigas de um colégio reservado à classe alta. Com elas irá evangelizar outras moças caídas na prostituição. Se as primeiras descobrem a precariedade de vida e pobreza espiritual e afectiva de jovens da mesma idade, estas últimas são tocadas pela atenção e preocupação que lhe devolvem dignidade e esperança, a consolação de não se sentirem desprezadas por todos.
Alfie possui um verdadeiro carisma de escuta e de compaixão e percebe que, para servir Deus nos mais humildes, é-lhe preciso esquecer-se de si mesmo.

Confiança em Maria
A Colômbia é apenas o ponto de partida de um longo périplo que o levará da Venezuela ao Perú, da Bolívia ao Paraguai, passando pelo Uruguai e, finalmente, à Argentina. Aprende as línguas locais, manda traduzir um livro com orações, visita leprosarias, prisões, funda novos grupos da Legião, converte livres-pensadores e comunistas notáveis. Alfie é incansável ao ponto de ser chamado de “jovem conquistador”. A sua disponibilidade, espírito de serviço e sorriso maravilham a todos. Modestamente, responde que o sorriso é inato a todos os irlandeses. Quanto ao resto, traçou 3 linhas de conduta: vida orante alimentada pela eucaristia e oração pessoal, abandono confiante na Virgem Maria e obediência incondicional à Igreja.
Todos os que o conheceram dirão dele: “Ele era o que fazia e fazia o que dizia.”
Como Maria, Alfie viveu o seu lema “Eis o servo do Senhor!”

No início de Janeiro de 1959, sente-se cansado e sofrendo náuseas. Descobrem-lhe um tumor no estômago. Seguem-se dez dias de grande sofrimento sem por isso se lamentar nem desanimar. Falece com 28 anos no dia 21 de Janeiro, dia de Stª Inês – que significa cordeiro, tal como o seu apelido de família, Lamb, em inglês.
Em 1987 iniciou-se o processo da causa pela sua beatificação.
*

SEMANA DA UNIDADE (IV)


4º dia - Os cristãos diante da crise ecológica
Deus criou o nosso mundo com sabedoria e amor; quando Ele terminou a obra da criação, viu que tudo era bom. Mas hoje, o mundo enfrenta uma grave crise ecológica. O nossa planeta sofre com o aquecimento climático, devido ao nosso consumo excessivo de energia. A superfície das florestas à face da Terra diminuiu 50% nos últimos quarenta anos, enquanto que a desertificação cresce sempre mais. A fauna marítima está a diminuir de uma forma drástica. Diariamente, são mais dezenas espécies vivas que se extinguem! Esta perda de biodiversidade é uma ameaça para a própria humanidade.
Não encubramos o rosto! Nós, humanos, carregamos uma grande responsabilidade nesta destruição do meio ambiente. A ganância atrai a sombra da morte sobre o conjunto da criação.
Juntos, nós cristãos, temos o dever de envolver-nos eficazmente na salvaguarda da criação. Esta imensa tarefa não permite que nós, baptizados, trabalhemos sozinhos. Precisamos conjugar os nossos esforços: actuando juntos, ser-nos-á possível proteger a obra do Criador.
No Evangelho, observamos o lugar central que os elementos da natureza ocupam nas parábolas e no ensino de Jesus. Ele valoriza até mesmo a menor de todas as sementes: o grãozinho de mostarda. Cristo manifesta grande consideração pelas criaturas. Com base na visão bíblica da Criação, nós cristãos podemos oferecer um contributo válido à reflexão e acção hodiernas pelo futuro do planeta.

Oração
Deus Criador, formaste o mundo pela tua Palavra e viste que tudo era bom. Mas hoje danificamos a criação com obras de morte e provocamos irremediavelmente a degradação do meio ambiente. Dá-nos o arrependimento da nossa ganância; ensina-nos a cuidar das tuas criaturas. Juntos, queremos proteger a criação. Ámen.

Adaptado do Guião para esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos elaborado pelo PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

SEBASTIÃO, a fé partilhada e testemunhada


Segundo a tradição, Sebastião nasceu no século III. Durante a sua juventude terá frequentado uma escola em Milão. Preocupado com a perseguição a que eram submetidos os cristãos, decidiu ingressar no exército romano. Dessa forma poderia aproximar-se e encorajar os cristãos. Mantendo a sua pertença à Igreja perante os oficiais, Sebastião converteu discretamente muitos compatriotas assim como apoiava e fortalecia a fé dos cristãos vacilantes.
Finalmente descoberto, o imperador Diocleciano condenou-o à morte. Atado a uma árvore foi trespassado por setas e deixado como morto. Porém, Sebastião sobreviveu graças ao cuidados de uma viúva cristã que pretendia sepultar o seu corpo.
Uma vez restabelecido, em vez de se manter escondido, enfrentou o imperador denunciando as suas atrocidades contra os cristãos. Enfurecido pela sua coragem e frontalidade, Diocleciano mandou-o espancar até à morte.

Sebastião hoje
Sebastião é um dos santos mais populares e ao qual são dedicadas muitas festas e arraiais.
Para além disso, este santo, afastado de nós no tempo e nas circunstâncias, não deixa de desafiar a nossa fé:
1 - Como ele, é importante verificar se as nossas opções vocacionais, profissionais ou quotidianas têm em vista o bem dos outros e a edificação de um mundo melhor, mais justo e humano.
2 – A fé, para ser autêntica, tem de ser vivida, testemunhada. Em vez de nos envergonhar da nossa relação com Cristo, importa ter a coragem de enfrentar as diversas situações da vida na coerência entre aquilo que dizemos, pensamos e fazemos.

Tal como no-lo ensina o Evangelho, Sebastião prova-nos que a existência vivida na verdade torna-nos verdadeiramente livres.
*

SEMANA DA UNIDADE (III)


Os cristãos diante da injustiça económica e da pobreza
Nós pedimos que o Reino de Deus venha; somos desejosos de um mundo em que as pessoas, principalmente os mais pobres, não morram prematuramente. Todavia, a ordem económica do mundo actual agrava a situação dos pobres e acentua as desigualdades sociais.
A comunidade mundial, hoje, confronta-se com a precariedade crescente do trabalho humano e as suas consequências. A idolatria do mercado e o amor ao dinheiro, conforme a 1ª Carta a Timóteo, revela-se como “a raiz de todos os males”.
Que podem e devem fazer as Igrejas Cristãs neste contexto? Juntos, voltemo-nos para o tema bíblico do jubileu, que Jesus evoca para explicar seu ministério.
O Jubileu implicava uma ética comunitária: a libertação dos escravos e o regresso às suas casas, a restauração dos direitos territoriais, o perdão das dívidas. Para quem fosse vítima das estruturas sociais injustas, o Jubileu significava o restabelecimento do direito e a restituição dos seus meios de subsistência.
O fim de um mundo que considera “ter mais dinheiro” o valor e o alvo absoluto da vida só poderá ser a morte. Em Igreja, ao contrário, somos chamados a viver no espírito do Jubileu e, a exemplo de Cristo, anunciar juntos esta boa nova. Tendo experimentado a cura de sua própria divisão, os cristãos tornar-se-iam mais sensíveis às outras divisões, promovendo a cura da humanidade e toda a criação.

Oração
Deus de Justiça, no nosso mundo há lugares em que sobeja alimentos; mas noutros não se tem o suficiente, com inúmeros doentes e famintos.
Deus da Paz, no nosso mundo há pessoas que enriquecem pela violência pela guerra, enquanto outros, por causa da guerra e da violência, são obrigados a abandonar os seus lares e encontrar refúgio em terra estranha.
Deus de Compaixão concede-nos compreender que não podemos viver apenas dos bens materiais, mas que necessitamos da tua Palavra. Ajuda-nos a compreender que não podemos chegar à vida e à prosperidade verdadeira senão amando-Te, na obediência à tua vontade e aos teus ensinamentos.
Nós te pedimos em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amen.

Adaptado do Guião para esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos elaborado pelo PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

ORAÇÃO PELA UNIDADE


Deus eterno e misericordioso, a ti,
que és um Deus de paz, de amor e de unidade,
nós te pedimos, Pai, e te suplicamos,
que reúnas pelo teu Espírito Santo
tudo o que está disperso,
reúnas e reconstituas tudo o que está dividido.

Digna-te conceder-nos também
que nos convertamos à tua unidade,
procuremos a tua única e eterna verdade,
nos abstenhamos de toda a dissensão.

Assim, não termos senão um só coração,
uma só vontade, uma só ciência,
um só espírito, uma só razão.

E voltando-nos totalmente para Jesus Cristo
nosso Senhor, podermos, Pai,
louvar-te com uma só voz e dar-te graças
por nosso Senhor Jesus Cristo no Espírito Santo.

Martinho Lutero

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

SEMANA DA UNIDADE (II)


Os cristãos diante da guerra e da violência

A guerra e a violência erguem os maiores obstáculos à unidade que Deus concede aos cristãos. A guerra e a violência procedem, em última análise, da divisão que existe no interior de nós mesmos – que ainda não foi curada – e da arrogância humana que é incapaz de voltar ao fundamento verdadeiro da nossa existência.
Nas situações de violência e de injustiça mais brutais, Jesus revela-nos a força capaz de pôr fim ao ciclo vicioso da guerra e da violência: aos discípulos que pretendiam reagir à violência e ao furor conforme a lógica do mundo, Ele promove, de modo paradoxal, a renúncia a toda violência (Mateus 26,51-52).
Jesus revela a verdade da violência humana; fiel ao Pai, ele morreu na cruz para nos salvar do pecado e da morte. A cruz revela o paradoxo e o conflito inerente à natureza humana. A morte violenta de Jesus marca a instauração de uma nova criação, carregando sobre a cruz os pecados dos humanos, a violência e a guerra.
Jesus Cristo não propõe uma não-violência baseada apenas no humanismo. Ele propõe a restauração da Criação de Deus e por Deus, confirmando a nossa esperança e a nossa fé na manifestação vindoura dos novos céus e da nova terra. A esperança fundada sobre a vitória definitiva de Jesus Cristo sobre a cruz nos permite perseverar na busca da unidade dos cristãos e na luta contra toda forma de guerra e violência.

Oração
Senhor, tu que te entregaste na cruz pela unidade do género humano, nós te oferecemos a nossa humanidade ferida pelo egoísmo, arrogância, vaidade e ira. Senhor, não abandones o teu povo oprimido sofrendo toda a forma de violência, de ira e de ódio, vítima de falsas crenças e de divergências ideológicas.Senhor, concede que nós, cristãos, trabalhemos juntos para que se cumpra a tua justiça, mais que a nossa.Dá-nos coragem de ajudar os outros a levar a sua cruz, em vez de colocar a nossa sobre os seus ombros.Senhor, ensina-nos a sabedoria de tratar os nossos inimigos com amor em vez de odiá-los. Ámen.
Adaptado do Guião para esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos elaborado pelo PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

domingo, 18 de janeiro de 2009

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS


“Sereis um só povo”

Iniciamos hoje, dia 18 de Janeiro, o Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos. Terminaremos esta semana especial com a festa da Conversão de São Paulo, no próximo domingo, dia 25 de Janeiro.
Infelizmente vicissitudes históricas, culturais, sociais, políticas e religiosas “separaram” os cristãos ao longo da “história da Igreja”, que é também “história da humanidade”…
Mas baseando-nos nos sentimentos e palavras de Jesus Cristo sentimos profunda tristeza por esta realidade de separação. Por isso, os cristãos sentem necessidade de rezar pela sua unidade.
É interessante verificar que a riqueza da língua nos leva a pensar não apenas na unidade de cristãos católicos, protestantes e ortodoxos, mas nos próprios cristãos das nossas comunidades. É nelas que começam as separações que nos enfraquecem! E terá de ser nelas que começam também os laços de amizade e perdão que nos levarão a viver com fortaleza de espírito e entusiasmo crescente a Verdadeira Unidade.
É o próprio Cristo que nos ensina a rezar pela unidade: “Pai Santo, rogo-te… para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em Nós…” Jo 17, 21
Pe. Hélder Lopes
Director do SDPV - Guarda