quinta-feira, 31 de julho de 2008

INÁCIO DE LOYOLA, o cavaleiro peregrino


Há espíritos que não se contentam com a mediocridade. Em tudo, querem atingir o máximo. Assim foi Inácio, nobre espanhol e temível guerreiro. É em Loyola, no coração do País Basco, que ele nasce em 1491.
Porém, na heróica defesa de Pamplona, cercada pelos franceses, Iñigo (o seu nome em basco) é gravemente ferido. Foi tal a impressão deixada pela sua coragem que são os próprios inimigos que o levam até casa a fim de se restabelecer.
É no seu leito de convalescença, ao ler a vida de santos e de Jesus Cristo, que ele toma a firme resolução de se tornar soldado de Deus. Embora cristão de formação, nunca se preocupara com as coisas da fé. Tem trinta anos quando se “converte”.
Trocando a espada pelo bastão, parte de casa como peregrino, decidido a conhecer e viver de Deus. Mais tarde, numa gruta em Manresa, iluminado por visões místicas, escreverá os célebres “Exercícios Espirituais”.

É em Paris, com um grupo de amigos, que formará a Companhia de Jesus, também conhecidos por Jesuítas. Alma profundamente militar, quis dotar a Igreja de uma milícia nova, aguerrida e disciplinada, para a defesa da glória de Deus e a conquista das almas. Juntamente com Francisco Xavier e outros, tornam-se numa espécie de exército de Cristo na defesa da verdade, numa Igreja ferida pela reforma protestante.

“Tomai, Senhor,
e recebei toda a minha liberdade,
a minha memória,
o meu entendimento
e toda a minha vontade,
tudo o que tenho e possuo;
Vós mo destes;
a Vós, Senhor, o restituo.
Tudo é vosso,
disponde de tudo,
à vossa inteira vontade.
Dai-me o vosso amor e graça,
que esta me basta”.

Esta oração, que lhe é atribuída, resume bem a entrega da sua vida.
Porque não fazes tuas, estas palavras!?

quarta-feira, 30 de julho de 2008

UM TESOURO ESCONDIDO

«O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo.
cf. Mt 13,44-46

Jesus é um tesouro escondido, um bem inestimável que poucas almas sabem encontrar, porque Se esconde e o mundo ama aquilo que brilha. Ah!, se Jesus tivesse querido mostrar-Se a todas as almas com os Seus dons inefáveis, certamente que não haveria uma só que O desdenhasse; mas Ele não quer que O amemos por causa dos Seus dons, Ele próprio há-de ser a nossa recompensa.

Para encontrar uma coisa que está escondida, a pessoa tem também de se esconder; a nossa vida há-de ser um mistério, havemos de nos parecer com Jesus, com Jesus cujo rosto permanecia oculto (Is 53, 3) [...]. Jesus ama-te com um amor tão grande que, se O visses, cairias num êxtase de amor [...], mas não O vês e sofres com isso. Porém Jesus não tardará a «levantar-se para o julgamento, para salvar os humildes da nação» (Sl 75, 10).

Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897),
carmelita, Doutora da Igreja

terça-feira, 29 de julho de 2008

SANTA MARTA, amiga hospitaleira


Marta é contemporânea de Jesus. Era a irmã de Maria e Lázaro, que Jesus reanimou da morte.
Segundo narra a Bíblia, estes três irmãos mantiveram uma relação íntima com Jesus. Eles eram seus amigos e Jesus demonstrou-o visitando-os em Betânia, povoação próxima de Jerusalém.
Marta era quem mais se atarefava para receber bem a Jesus e servir os discípulos. Maria preferia ouvir as palavras de Jesus. Marta incomodava-se com isso: também ela gostaria de ficar sentada aos pés do Mestre e meditar nas suas palavras. Mas quem faria o trabalho? Lamentando-se disso a Jesus, este fez-lhe ver que embora a sua preocupação fosse bem intencionada, nada do muito que temos a fazer nos deve afastar do essencial: “Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada” (cf. Lc 10, 38-42).
Como dirá Santo Agostinho, mais tarde, “Não adianta correr muito, se corremos fora do caminho”. Deixar orientar a nossa vida, preocupações e opções pela Palavra de Deus ajuda a errar menos e a fazer melhor (em vez de muito).

A fé de Marta
Marta, apesar de “atarefada” amava Jesus e acreditava com todo o coração que ele era o filho de Deus. Quatro dias após a morte do seu irmão Lázaro, Marta mandou chamar Jesus. Quando este chegou, tranquilizou-a dizendo: “Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim, nunca morrerá”. Marta correspondeu afirmando: “eu creio, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo” (cf. Jo 11, 19-27).
Desta forma, Marta revelou que, mesmo num momento difícil, a fé permite-nos procurar e encontrar luz para os nossos caminhos. Essa luz, para ela e para nós, tem um nome: JESUS.

Segundo as lendas ocidentais, depois da ressurreição de Jesus, Marta e Maria foram para o sul de França, onde converteram muitas pessoas ao cristianismo. Além disso, a lenda narra que Marta aí morreu, tendo sido descoberto os seus restos mortais e venerados por volta do século XII.

Um bom dia de Stª Marta a todas as “Martas” de nome, de trabalho e de fé.

domingo, 27 de julho de 2008

O REINO DE DEUS...


«O Reino do Céu é semelhante a um tesouro
escondido num campo, que um homem encontra.
Volta a escondê-lo e, cheio de alegria,
vai, vende tudo o que possui e compra o campo.

cf. Mt 13,44-52


Para quê comprar um campo quando se descobriu o tesouro?
É que não existe tesouro sem campo. O Reino de Deus está escondido nesse campo. A beleza do tesouro está no campo que o esconde, que nos desafia a procurá-lo dentro dele. O tesouro passa a ter a extensão do campo, tal como este é enriquecido por ele. O reino de Deus é o tesouro escondido num campo chamado comunidade eclesial, ou que tem por nome “nossa família”, ou simplesmente a nossa existência, o nosso local de trabalho, de estudo... Não apenas uma parte, mas o seu todo. Querer o tesouro sem comprar o campo é pura ilusão. Afinal, o reino de Deus não se compra. O que se “compra” (escolhe) é o campo que o esconde.



O Reino do Céu é também semelhante
a um negociante que busca boas pérolas.
Tendo encontrado uma pérola de grande valor,
vende tudo quanto possui e compra a pérola.»

cf. Mt 13,44-52

Para quê vender toda a colecção de pérolas por uma só?
O reino de Deus não pode ser “acumulado” a outras coisas. Não se anexa a outras “propriedades nossas”. Não é acessível a quem tudo quer. Só se alcança por opção, por escolha. E quem escolhe, discerna o melhor, esquecendo o resto, eventualmente valioso, mas secundário, inferior… Faz lembrar o ‘jovem rico’ de outra passagem evangélica que não foi capaz de escolher. Queria acumular, não optar.
Optar implica sempre renúncia.
Não é renunciar por renunciar, é renunciar por algo melhor.
Não é renunciar ao mundo, é optar por um mundo melhor.
Não é renunciar a um tipo de vida, é optar por uma vida com mais sentido.
Não renunciar a valores, é optar por valores mais autênticos.
Não basta encontrar o tesouro; é preciso optar por ele.

sábado, 26 de julho de 2008

"O campo é o mundo"
(Mt 13,38)

Dado que o mundo é «o campo» onde Deus coloca os seus filhos como boa semente, os cristãos leigos, em virtude do Baptismo e da Confirmação e corroborados pela Eucaristia, são chamados a viver a novidade radical trazida por Cristo precisamente no meio das condições normais da vida; devem cultivar o desejo de ver a Eucaristia influir cada vez mais profundamente na sua existência quotidiana, levando-os a serem testemunhas reconhecidas como tais no próprio ambiente de trabalho e na sociedade inteira. Dirijo um particular encorajamento às famílias a colherem inspiração e força deste sacramento: o amor entre o homem e a mulher, o acolhimento da vida, a missão educadora aparecem como âmbitos privilegiados onde a Eucaristia pode mostrar a sua capacidade de transformar e encher de significado a existência. Os pastores nunca deixem de apoiar, educar e encorajar os fiéis leigos a viverem plenamente a própria vocação à santidade no meio deste mundo que Deus amou até ao ponto de dar o Filho para sua salvação (Jo 3, 16).

Papa Bento XVI
Sacramentum caritatis, 79

sexta-feira, 25 de julho de 2008

segunda-feira, 21 de julho de 2008

DURANTE AS FÉRIAS...


O Evangelho não tem férias.
O Pai cuida constantemente dos homens, das aves do céu, das flores do campo. Eu devo acompanhar o Seu trabalho com amor, meditando nas Palavras de Jesus.

1. Faz um plano de férias, ainda no seu início. Com tempo para o descanso, leitura, estudo, jogo, oração e algum trabalho. Ao meio das férias revê o plano, a ver se não precisará de ser ajustado.

2. Continua a reunir com o teu grupo (de jovens, de amigos…) se estiveres por perto. Se não, arranjar colegas que queiram reunir contigo para ler o Evangelho, pensar, rezar, debater e fazer actividades.

3. Faz um diário das tuas férias, escrevendo num caderno aquilo que fores fazendo e observando ou o que te for acontecendo de mais importante cada dia. Mais tarde, gostarás de ler. E até poderás, depois, mostrar ao teu grupo.

4. Leva os Evangelhos e vai lendo, porque tens agora mais tempo. Medita algumas passagens e confronta-as com a tua vida e com aquilo que passarás a viver.

5. Faz uma recolha de coisas que achares interessante (recortes de revistas e jornais, cânticos, jograis, celebrações, poemas, orações…) para partilhares com os outros.

6. Mas, acima de tudo:
- Continua a falar com Deus, de manhã, à noite… e durante o dia.
- Não deixes de participar na eucaristia todos os domingos (a tua fé não pode entrar de férias).
- Convive com todos e comunica o Evangelho de Jesus através da tua vida. Ajuda os teus pais e faz aos outros o bem que te for possível.
SANTAS FÉRIAS (para quem as tem)!
adaptado de "Mateus, reino, igreja, comunidades" de Lopes Morgado

domingo, 20 de julho de 2008

ESPECIALIZA-TE...

“Quando o trigo cresceu e começou a espigar,
apareceu também o joio.”
cf. Mt 13, 24-30


Especializa-te
em tentar descobrir
em toda e qualquer criatura
o lado bom que ela possui
– ninguém é maldade concentrada.

Especializa-te
em tentar descobrir
em toda e qualquer ideologia
a alma de verdade
que ela carrega no seio
– a inteligência é incapaz
de aderir ao erro total…

D. Hélder Câmara,
in “O deserto é fértil”

sábado, 19 de julho de 2008

SERVAS de Nª Srª de FÁTIMA, ao serviço da Igreja (II)

Comunidade presente na Guarda
Aqui temos a continuação da partilha que a Ir. Perpétua fez sobre a história e carisma da sua família religiosa, a Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima.
Presença actual da Congregação.
Actualmente, a Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima está presente nos seguintes países: Angola, Brasil, Bélgica, Guiné-Bissau, Luxemburgo, Moçambique e Portugal.
Europa
Em Bruxelas e no Luxemburgo, existem duas comunidades ao serviço da Igreja local, para acompanhar particularmente os emigrantes portugueses.
Em Portugal, cada comunidade assume uma missão específica no local onde se encontra, de acordo com os seus objectivos: colaboração pastoral, educação, serviço social ou acolhimento.
A Casa Mãe, em Santarém, acolhe as Irmãs mais idosas e doentes. Aí se encontra o túmulo de Luiza Andaluz e uma sala de exposição sobre a História da Congregação.
A sede da Congregação é a casa de São Mamede, em Lisboa, onde reside a Superiora Geral e uma comunidade de apoio a toda a Congregação, presente nos vários países.
Para além da Europa
Chegada à Guiné-Bissau em Julho de 2007, a Congregação está a dar os primeiros passos num projecto educativo, em colaboração com o Bispo de Bissau.
No Brasil, desde 2002, a Congregação tem três comunidades: duas no Estado de Minas Gerais (Três Pontas e Três Corações) e uma no Estado do Espírito Santo (S. Gabriel da Palha). O serviço pastoral paroquial e diocesano, o acolhimento numa casa de retiros da diocese e a colaboração em projectos sociais é o que constitui a missão das Irmãs neste país.
Em Angola, desde 1997, as Irmãs assumem a educação como área prioritária da sua missão, pois esta é uma das maiores urgências deste país. Também colaboram na pastoral paroquial, nomeadamente na catequese.
Desde 1972, a Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima está presente em Moçambique. Actualmente, tem quatro comunidades, em: Mavila, Inhambane; Maputo; Mecubúri e Nampula. As Irmãs dedicam-se preferencialmente à educação e ao serviço pastoral. Além do trabalho docente em escolas públicas, as Irmãs têm dois lares de meninas estudantes, para proporcionar às jovens das províncias a continuação dos estudos.

Um projecto chamado Família Andaluz
A Família Andaluz é um projecto de vivência partilhada do carisma, entre Irmãs e Leigos (solteiros, casados...).
O carisma que Deus suscitou na Igreja, através da serva de Deus, Luiza Andaluz, está aberto a todas as pessoas que se sentirem chamadas a participar dele, para o enriquecer com novas expressões, hoje, no mundo sedento de Deus.
A Congregação está a implementar o Plano Geral da Família Andaluz. Acompanha a formação de alguns grupos nos diferentes países onde se encontra. Cada grupo, no contexto em que está, atento às necessidades do meio, vai procurando aprofundar o carisma e encontrar a sua missão concreta.
Cada pessoa e cada família tem um papel importante na transmissão da Boa Nova da paz, na promoção da justiça e do respeito pela criação, na defesa da vida e da dignidade de toda a pessoa humana.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

CARLOS DE DIOS MURIAS, o espírito das Bem-aventuranças


Carlos de Dios Murias nasceu a 10 de Outubro de 1945 em Córdoba (Argentina), no seio de uma família apegada aos valores religiosos e morais. É por essa altura que sobe ao poder Juan Peron, apoiado pela popularidade da sua esposa, a célebre Evita Peron.
Em 1955, Peron é afastado do poder por uma Junta Militar e Carlos, ao longo de quase toda a sua existência acaba por não conhecer outra coisa senão a instabilidade e a crise na qual a ditadura militar mergulha o país até 1973. A sua irmã Maria Cristina descreve-o como um adolescente idealista, piedoso e sensível à condição dos oprimidos. Opta pela vida religiosa. É admitido entre os franciscanos conventuais, estabelecidos a pouco tempo na Argentina. Deixou-se cativar pelo carisma de S. Francisco de Assis, pela pobreza e pelo empenhamento apostólico dos frades.
Após a sua ordenação sacerdotal, é encarregue da paróquia de El Salavdor de La Rioja e colabora com o Enrique Angelelli, seu bispo que Carlos admira muito particularmente. Angelelli revela-se entusiasta no apostolado e comprometido na evangelização e defesa dos direitos dos oprimidos. Posteriormente, Carlos torna-se colaborador da paróquia de Chamical juntamente com Gabriel Longueville, padre francês, delegado do episcopado de França para a América Latina. Os dois homens entendem-se perfeitamente e gastam-se sem contar em favor da população empobrecida da sua comunidade, explorada em condições humilhantes pelos ricos proprietários. Longe de qualquer actividade política, exercem o seu ministério em plena comunhão com o seu bispo, cuja linha de conduta eles seguem: fidelidade às orientações do Concílio Vaticano II e directrizes da Conferência de Medelin para a América Latina.
Carlos é apreciado pela sua abnegação, o seu bom humor e a sua coragem. Próximo dos humildes, não hesita nunca em ajudá-los, até materialmente. Mantém igualmente um bom relacionamento com os militares de uma base aérea próxima e que ele contacta semanalmente. Todos concordam em ver nele um homem de Deus, profundamente espiritual e cuja vida está em concordância com o Evangelho de Jesus.

D. Enrique Angelelli, Pe. Gabriel Longueville e Wenceslau Pedernera


Porém, na noite de 17 de Julho de 1976, os dois sacerdotes são levados de força por homens armados. Três dias depois, são encontrados os seus corpos a mais de cem quilómetros. Os cadáveres estão crivados de balas e apresentam sinais de tortura atrozes. Carlos tinha 30 anos.

Cinco dias depois é a vez de um catequista, Wenceslau Pedernera, colaborador pastoral dos dois padres. É morto diante da sua esposa e seus filhos. No mês seguinte é o próprio bispo, Enrique Angelelli, no regresso de uma visita à comunidade que ficara sem seus pastores, que é vítima deste terrorismo de estado. Na verdade, era o regime estabelecido que mandatara a morte de homens incómodos da ordem estabelecida, somente porque reivindicavam os direitos dos mais pobres.

A reputação de santidade destes mártires aumentou de tal modo que foi aberto o processo diocesano, tendo em vista a canonização do bispo e seus colaboradores.

REZAR COM MARIA

Também se reza com os sentidos, nomeadamente através do que vemos. A oração contemplativa pode começar por aquilo que se vê... para chegar ao que não se vê.

Aqui te deixamos esta sugestão de oração, partindo da contemplação dos mistérios gozosos do Rosário.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

VANIA MOïSSEIEFF, o soldado mártir




A 16 de Julho de 1972, Vania (também chamado Ivan) Moïsseief, um jovem de 20 anos, é torturado até à morte pelos seus chefes militares. Assina com o seu sangue o seu amor por Jesus. O corpo é entregue aos seus pais coma justificação do óbito: asfixia por afogamento. Mas a autópsia exigida pela família revela outra realidade: a morte sucedeu a uma série de violências.
Vânia nasceu em 1952, na actual Moldávia, na altura pertença da Roménia. Essa região, depois de anexada à URSS foi submetida à desnacionalização e à descristianização. Filho de uma família evangélica baptista, Vânia é chamado a cumprir o serviço militar em 1970 ao serviço da União Soviética.
Nessa época, prega o evangelho com alegria, na igreja. O seu impacto é grande junto dos outros jovens. Decide continuar com o seu testemunho no seio do exército. Mas a hostilidade à religião do ambiente militar é grande. Porém, ele não se assusta. Todas as manhãs reza durante duas horas, chegando mesmo a atrasar-se para o pequeno-almoço, pois não olha para o relógio…
“E chegou o dia em que a minha fidelidade ao Senhor foi posta à prova”. Quiseram obrigá-lo a renunciar às suas convicções cristãs, punindo-o. “Aceitava tudo e regozijava-me… Era Deus que eu ouvia sempre, não os homens…” Era obrigado a trabalhar de noite, ficou sem alimento durante cinco dias, pensando que ficaria doente. “Mas não adoeci, porque rezava.” Mais tarde, durante o inverno de 30 graus negativos, era punido ficando de pé, na rua, em roupa de verão, durante várias noites. “Mas eu não sentia frio… Eu rezava o tempo todo.”

A vitória do mais fraco
O seu exemplo converte alguns companheiros, o que enfurece os seus superiores. Consciente do perigo que corre, grava numa cassete tudo quanto tem de enfrentar para que a verdade seja conhecida. É enviado para um campo especial onde é encarcerado em sucessivas celas de tortura, com água fria a cair continuamente do tecto, ou onde as paredes congelavam ou ainda num fato especial de borracha que enchiam de ar para comprimir o corpo com a pressão. Ao fim de doze dias desistiram… porque ele não desistiu.

Nas suas últimas cartas à família, escreve: “O Senhor mostrou-me o caminho e eu devo segui-l’O… Mas ignoro se poderei regressar vivo, pois o combate actual é mais duro… Terei de manter uma luta muito mais áspera que a anterior, sem ter medo: Jesus caminha à minha frente. É porque amo Jesus mais do que a mim mesmo que lhe obedeço… Não me guiarei pela minha vontade, mas pela do Senhor.”

“Sendo soldado, trabalho para o Senhor. Mas passo por dificuldades e provações. Jesus Cristo mandou que pregássemos a Palavra da Vida onde quer que nos encontrássemos, ao regimento, aos oficiais, aos soldados.”

“Estou triste por vos deixar, mas lembro-me de uma coisa: parto para cumprir a ordem de Cristo.”

“Devemos mostrar como deve viver e ser um cristão.”


O ódio das autoridades militares calaram a voz de Vania torturando-o até à morte, mas não conseguiram abafar a força do seu testemunho. Assim o comprova as palavras dos seus pais, amigos e companheiros soldados após o seu assassínio:
“O nosso filho participou no número dos que foram mortos por causa da Palavra de Deus… Durante a sua vida, amou Jesus mais que tudo no mundo, e provou-o… Que esta flor viva, que ofereceu o perfume da sua juventude em holocausto na cruz, sirva de exemplo a toda a juventude cristã. Que esta ame Cristo como o nosso filho Vania O amou…”

“Após o enterro do irmão Vania, voltámos para casa com o desejo de servir a Deus com mais fervor e, como Vania, de Lhe permanecer-mos fiéis até à morte.”

“Honramos a memória do nosso querido amigo e soldado Vania… O inimigo tentou causar a perda da sua alma… Mas Deus foi em sua defesa… O inimigo pensava calar, assim, a boca de Vania, mas não percebeu que centenas de outras bocas se abririam. Sim, nós continuamos a anunciar a Boa Nova da Salvação … A persistência na oração, que dava força a Vania, não está abandonada. Deus inflamou os nossos corações e, velando com a Sua ajuda, levaremos a oração ao seio do exército…”