terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

CONCEDE-ME, SENHOR...


«Este povo honra-Me com os lábios,

mas o seu coração está longe de Mim»

cf. Mc 7,1-13



Que eu não deseje nada fora de Ti. [...]

Concede-me frequentemente que eleve o meu coração até Ti

e, quando fraquejar, que me arrependa da minha falta com pesar,

com o firme propósito de me corrigir.

Concede-me, Senhor Deus, um coração vigilante

que nenhum pensamento estranho afaste para longe de Ti;

um coração nobre que nenhuma afeição indigna abata;

um coração recto que nenhuma intenção equivoca desvie;

um coração firme que nenhuma adversidade quebre;

um coração livre que nenhuma paixão violenta domine.


Confere-me, Senhor meu Deus, uma inteligência que Te conheça,

um ardor que Te procure, uma sabedoria que Te encontre,

uma vida que Te agrade, uma perseverança que Te espere com confiança

e uma confiança que por fim Te possua.

Confere-me pela penitência ser atribulado com aquilo que Tu suportaste,

usar no caminho da Tua protecção pela graça,

gozar das Tuas alegrias, sobretudo na pátria pela glória.

Ó Tu que, sendo Deus, vives e reinas

por todos os séculos. Ámen.


São Tomás de Aquino (1225-1274),

teólogo dominicano, Doutor da Igreja


domingo, 7 de fevereiro de 2010

ORAÇÃO DE CONSAGRAÇÃO (VI)


Ao longo destes últimos dias, publicámos por partes a oração escolhida para acompanhar a Semana dos Consagrados. Embora chegados ao fim, não deixemos de rezar por todos quantos decidiram consagrar a sua vida a Cristo e ao seu Evangelho e, quem sabe, imitar a sua entrega e confiança em Deus.


«Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco» (Lc 22,15).

«Tudo está consumado» (Jo 19,30).

Amado Pai!

Unido ao santo Sacrifício que continuo a oferecer,

ajoelho-me neste instante

e por Ti pronuncio a palavra que brota do meu coração:

«Sacrifício».

Um sacrifício que aceita a humilhação como glória,

um sacrifício alegre, um sacrifício integral…

Canta a minha esperança e todo o meu amor.

Cardeal François-Xavier Van Thuan,
in Orações de Esperança

sábado, 6 de fevereiro de 2010

ORAÇÃO DE CONSAGRAÇÃO (V)


«Tudo pela missão, tudo pela Igreja!».

Pai, creio firmemente:

confiaste-me uma missão,

marcada pelo teu amor.

Prepara-me o caminho.

Eu não cesso de purificar-me

e de afirmar a minha resolução.

Sim, estou decidido:

tornar-me-ei uma oferta silenciosa,

serei um instrumento nas mãos do Pai.

Consumarei o meu sacrifício, segundo a segundo,

por amor da Igreja:

«Eis-me, estou pronto!».


Cardeal François-Xavier Van Thuan,
in Orações de Esperança

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ORAÇÃO DE CONSAGRAÇÃO (IV)


«Fazei tudo para glória de Deus» (1 Cor 10,31).

«Faça-se a tua vontade» (Mt 6,10).

Pai, creio firmemente e sem hesitar

que tu operas e ages em mim.

Sou objecto do teu amor e da tua ternura.

Tudo o que pode dar-Te ainda mais louvor,

Tu realiza-lo em mim!

Não peço mais do que a tua glória,

isto basta para me satisfazer e fazer feliz.

Esta é a minha aspiração maior,

o desejo mais premente da minha alma.


Cardeal François-Xavier Van Thuan, in Orações de Esperança

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

RETIRO PARA JOVENS


"Travessia do Deserto"

O SDPV (Secretariado Diocesano de Pastoral Vocacional, juntamente com o DPJG (Departamento da Pastoral Juvenil da Guarda), promove um retiro para jovens.
Decorrerá de sexta feira 19 de Fevereiro (com o jantar) até ao dia seguinte, sábado 20 (pela tarde), no Seminário Maior da Guarda. O preço da inscrição, que deve ser efectuada até ao dia 16 de Fevereiro, é de 22,50 € e inclui jantar, dormida, pequeno almoço e almoço.
Os interessados em participar devem levar tudo aquilo que é necessário para um alojamento normal, Bíblia, papel e caneta para apontamentos.

O tema do retiro será a "Travessia do deserto".
Esse encontro destina-se a todos os os jovens que queiram parar para refelectir e rezar, aproveitando o início da Quaresma para "relançar" a sua caminhada espiritual com Cristo.
As inscrições devem ser enviadas para:

ORAÇÃO DE CONSAGRAÇÃO (III)

«De tudo sou capaz naquele que me dá força» (Fl 4,12).
«Para que seja prestado louvor à glória da sua graça» (Ef 1,6).
Pai, creio firmemente:
nada ultrapassa o poder da tua Providência.
O teu amor é infinito,
e eu quero aceitar tudo com coração alegre.
O louvor e o reconhecimento são eternos.
Unidos à Virgem Maria,
associando as suas vozes às de todas as nações,
S. José e os anjos cantam a glória de Deus
por todos os séculos dos séculos. Ámen.


Cardeal François-Xavier Van Thuan,
in Orações de Esperança

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

ALOIS ANDRITZKY, homem e padre na dignidade


Alois Andritzky nasce no dia 2 de Julho de 1914 na Saxónia alemã, no seio de família profundamente católica. Os quatro rapazes do lar estão destinados ao sacerdócio, mas um deles falece na frente do combate ainda como seminarista. Alois é ordenado em 1939 e, posteriormente, nomeado para a paróquia de Dresden.


Imediatamente, a exemplaridade da sua vida, o seu fervor e a sua piedade mariana chamam a atenção. Dinâmico, empenha-se no apostolado, apesar de saber das implicações: o país está mergulhado na Secunda Guerra Mundial e a perseguição do regime nazi contra os militantes católicos intensifica-se. Mas o martírio não o assusta. Muito pelo contrário.

No natal de 1940 é preso pela Gestapo (polícia política nazi) sob uma acusação caluniosa. Na verdade, a sua acção cristã junto do povo incomoda o poder. É condenado a seis meses de prisão. Mas, no termo da pena, é transferido sem explicação para outra cela. A 11 de Outubro é deportado para o campo de concentração de Dachau, juntamente com outros 12 padres.

Um deles deixou o seguinte testemunho: “Prometemo-nos, uns aos outros, três coisas: jamais nos queixar, jamais perder a nossa dignidade e jamais esquecer que éramos sacerdotes. Alois manteve-se fiel de uma forma heróica… Entre todos era muito estimado pela sua capacidade em permanecer prestável e sereno no meio dos horrores. Sempre que podia, ajudava os companheiros, particularmente os mais idosos e os mais fracos…” Outro disse: “Sempre afável, tinha uma palavra de encorajamento ou uma brincadeira para cada um, e todo aquele que o encontrasse pela manhã estava assegurado de passar um dia sereno.”

Em Janeiro de 1943, contrai a febre tifóide e é transferido para a enfermaria. Aí, reconforta os outros doentes. O seu testemunho de homem ciente da sua dignidade, de padre compenetrado do seu sacerdócio torna-se num apostolado insuportável aos olhos dos seus algozes. No dia 3 de Fevereiro é-lhe administrada uma injecção letal que põe termo a este missionário incómodo.


A causa de beatificação de Alois Andritzky foi introduzida em 1998.

ORAÇÃO DE CONSAGRAÇÃO (II)


«Tudo é graça».
«O vosso Pai celeste sabe do que necessitais»
(Mt 6,8).
Pai, creio firmemente:
ordenaste todas as coisas para nosso maior bem,
desde sempre.
Não cessas de guiar a minha vida.
Acompanhas cada um dos meus passos.
Que poderei temer?
Prostrado, adoro a tua santa vontade.
Entrego-me totalmente nas tuas mãos,
é através de Ti que tudo acontece.
Eu que sou teu filho, creio que tudo é graça.


Cardeal François-Xavier Van Thuan,
in Orações de Esperança

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

ORAÇÃO DE CONSAGRAÇÃO


CONSAGRAÇÃO

Pai de imenso amor e omnipotente,

fonte da minha esperança e da minha alegria.

.

«Tudo o que é meu é teu» (Lc 15,31).

«Pedi e ser-vos-á dado» (Mt 7,7).

Pai, acredito firmemente:

o teu amor ultrapassa-nos até ao infinito.

Como pode o amor dos teus filhos competir com o teu?

Oh! A imensidade do teu amor paterno!

Tudo o que é teu é meu.

Aconselhaste-me a rezar com sinceridade.

Então confio-me a Ti, Pai pleno

de bondade.

.

Cardeal François-Xavier Van Thuan,

in Orações de Esperança

SEMANA DO CONSAGRADO



A CIRP (Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal), juntamente com a

FNIS (Federação Nacional dos Institutos Seculares) e a CEVM (Comissão Episcopal Vocações e Ministérios), propõem à Igreja a Semana do Consagrado, que decorre de 31 de Janeiro a 7 de Fevereiro. Neste dia da festa da Apresentação do Senhor – Dia do Consagrado - apresentamos partes da Mensagem escrita para esta ocasião:



«Vida consagrada, solidária na esperança»

Charles Péguy, escritor e poeta católico francês, dizia que “a esperança é a fé preferida de Deus”.

Outro pensador francês, o filósofo e teólogo Teilhard de Chardin, afirmava que o futuro do mundo pertencerá àqueles que lhe derem razões de esperança.

(…)

A vida consagrada revela-nos que só uma esperança activa se faz compromisso e vigilância. Sabemos em Quem acreditamos.

A alegria, o encanto, a beleza, a capacidade de entrega, o testemunho de felicidade, a audácia da missão, a valentia da generosidade e a heroicidade de vidas dadas no silêncio da contemplação ou na vanguarda da missão, desenham o rosto da consagração do nosso tempo.

Os consagrados(as) não vivem alheios à realidade nem são insensíveis aos problemas, nem tão pouco se sentem intocáveis diante da fragilidade humana ou imunes perante o pecado.

Sabem-se, isso sim, chamados por Cristo e enviados pelo Espírito para a missão. E isso lhes basta. Pedem diariamente a Deus que nada turbe a limpidez da entrega nem ensombre a alegria da fidelidade e reconhecem que transportam em si um tesouro em vaso frágil.

(…)

Surgem continuamente novos desafios e diferentes espaços a urgir o anúncio do Reino e o convite à conversão e à esperança.

Os consagrados(as) são chamados para esta linha da frente na resposta às novas pobrezas, no acompanhamento solícito junto de quem procura Deus, no serviço exigente da educação, no diálogo lúcido com o mundo da cultura e na atenção fraterna dada aos que vivem afastados da fé ou apenas guiados pela razão e pela ciência.

(…)

Os sinais dos tempos iluminados pelas bem-aventuranças do Evangelho são referência essencial da vida consagrada entendida como mensageira de esperança e de alegria.

Na raíz da vida consagrada estão os valores evangélicos da pobreza, da castidade e da obediência onde se funda o sentido do dom e da fidelidade de quem tudo dá porque dá a vida toda e para sempre.

A experiência da oração e a vida comunitária consolidam e fazem crescer estes valores assumidos e testemunhados e vão delineando o rosto de vidas felizes, dadas a Deus para servir os irmãos.

(…)

Neste Ano Sacerdotal tem primordial sentido voltarmo-nos para a vida e ministério dos sacerdotes, dos presbitérios diocesanos ou dos institutos religiosos, e neles descobrirmos o testemunho feliz e belo da fidelidade do padre radicada na fidelidade de Cristo.

(…)

Que Maria, a Senhora da Apresentação e Estrela da Esperança, nos ilumine e fortaleça para que a vida consagrada seja sempre na Igreja e no mundo mensageira da esperança e da alegria.


+ António Francisco dos Santos

Bispo de Aveiro e Presidente da CEVM

NELLIE ORGAN, amar a Deus não requer idade



Faleceu com 4 anos e 5 meses. A sua curta vida foi marcada pela precoce devoção ao Santíssimo Sacramento que ela chamava de seu “Deus Santo”. Nascida numa região profundamente católica da Irlanda (Cork), perdeu muito cedo a sua mãe. O pai decidiu, então, confiar a sua educação às Irmãs do Bom Pastor, suas vizinhas. Esse novo ambiente favorecerá a vivência da sua fé.

Porém, depois de uma queda, Nellie ficou gravemente doente, tornando-se o mal irreversível.


Impressionava as irmãs e restante comunidade pelo seu misterioso instinto que a atraía para o Santíssimo exposto e pela paixão de Cristo. Possuía uma inteligência de fé incomum na sua idade.

Nos 9 meses em que esteve na instituição, o seu desejo de receber a sagrada comunhão foi crescendo. Ora esta era raramente concedida a crianças com menos de 12/13 anos. Um sacerdote, tocado pelo seu amor à eucaristia deu o seu parecer favorável, para a grande felicidade de Nellie. A comunhão frequente tornou-se para ela fonte de coragem e aceitação para enfrentar o sofrimento crescente, ficando mergulhada em acção de graças durante várias horas.


Esta criança prodígio viria a falecer a 2 de Fevereiro de 1908.

O seu exemplo sensibilizou decisivamente o papa Pio X que, meses depois, decretou a possibilidade das crianças comungarem.

sábado, 30 de janeiro de 2010

PASSEMOS PARA A OUTRA MARGEM


“Passemos para a outra margem…”

Cf. Mc 4, 35-41

Foi o convite que Jeus lançou aos seus discípulos.

Cristo está sempre em movimento, sempre de passagem. E quem o quiser seguir terá de se “pôr a mexer”, pois parar é morrer. Passar para a outra margem, seja ela a próxima ou a definitiva. O crente está sempre a caminho. É peregrino, missionário, enviado, empelido pela força e fé que o habitam.

Mas, para alcançar a outra margem, na travessia da procura e da descoberta, enfrentamos sempre tempestades, pequenas ou grandes. Os nossos mares nem sempre são calmos e os ventos frequentemente contrários.

Ainda assim, o convinte permanece: “Passemos para a outra margem.”


“Levantou-se, então, uma grande tempestade…”

A história humana é marcada por inúmeras tempestades. Curiosamente, hoje, algumas efemérides confirman-no:

- 30 de Janeiro de 1917 – partia para a França a 1ª Brigada do Corpo Expedicionário Português, sob o comando do então coronel Gomes da Costa. Pouco mais de um anós depois, enfrentaria a tempestade que ficou conhecida como “batalaha de La Lys” onde a nossa tropa foi dizimada.

- 30 de Janeiro de 1933 – Hitler, depois de conquistar as eleições, é nomeado chanceler da Alemanha. Anos depois, rebentaria a tempestade mundial de mais uma Grande Guerra.

- 30 de Janeiro de 1948 – Mohandas Gandhi é assassinado, mergulhando a Índia numa prolongada tempestade de instabilidade política, assolada por conflitos étnico-religiosos.

As tempestades da nossa história particular serão menos dramáticas. No entanto, quando nos vemos nelas, bem que nos afligimos. Têm a sua quota parte de dor, medo e insegurança.

O que mais nos aborrece é, como na passagem evangélica, parecer-nos que Deus “adormeceu”. Será sempre preciso acordá-l’O? Não conhece Ele a nossa aflição e a necessidade que temos do seu socorro?


“Porque temeis? Ainda não tendes fé?”

O evangelho diz-nos que Cristo lá resolveu o problema da tempestade no mar. Mas tem o cuidado de focar outra tempestade: a do coração dos seus discípulos. “Porque temeis? Ainda não tendes fé?”

Tempestades nos nossos mares sempre as teremos. Não poderemos estar sempre dependentes do “Deus-bombeiro”. Mas quanto à tempestade que os nossos medos e inseguranças despertam e nós, paralisando-nos perante os obstáculos, certamente termos algo a fazer. Ao denunciar a nossa falta de fé, Jesus recorda-nos que o adormecido não é Ele, mas nós. Esmorecendo a nossa confiança n’Ele, as tempestades apavoram-nos quando, afinal, são desafios à maturidade do nosso amor por Ele e n’Ele.

Vá lá, coragem!

“Passemos à outra margem.”