segunda-feira, 25 de maio de 2009

PAZ DE DEUS EM NÓS


«No mundo tereis tribulações;
mas tende confiança:
Eu já venci o mundo!»

cf. Jo 16,29-33

Tende atenção em conservar o vosso coração na paz; que nenhum acontecimento deste mundo o perturbe; pensai que tudo acaba aqui em baixo. Em todos os acontecimentos, por muito deploráveis que sejam, devemos regozijar-nos em vez de ficarmos tristes, para não perdermos um bem mais precioso, a paz e a tranquilidade da alma.
Mesmo que aqui em baixo tudo se desmoronasse e que todos os acontecimentos nos fossem adversos, seria inútil perturbarmo-nos, pois a perturbação causar-nos-ia mais danos do que proveito.
Suportar tudo com a mesma disposição e na paz é, não apenas ajudar a alma a adquirir grandes bens, mas também predispô-la a melhor avaliar as adversidades em que se encontra e a aplicar-lhes o remédio adequado. O céu é estável e não está sujeito às mudanças. Do mesmo modo, as almas, por terem uma natureza celestial, são estáveis; não estão sujeitas a tendências desordenadas nem a nada desse género; de certo modo, assemelham-se a Deus, que é imutável.
São João da Cruz (1542-1591),
frade carmelita, Doutor da Igreja
in Conselhos e máximas

domingo, 24 de maio de 2009

ASCENSÃO DO SENHOR


Jesus, nossa redenção,
Nosso amor, nossa esperança,
Deus criador do universo,
Feito homem verdadeiro.

Por tua grande bondade,
Lavaste nossos pecados,
Sofreste morte cruel
Para nos livrar da morte.

Desceste ao reino das trevas
A libertar os cativos
E hoje sobes glorioso
À direita de Deus Pai.

E mandastes aos que ficavam
De olhos cravados no céu
Que, vivendo santamente,
Fossem tuas testemunhas.

Tua clemência nos leve
A superar nossos males,
A abraçar a cruz da vida
À luz pura do teu rosto.

Tu és a nossa alegria,
Serás o prémio no céu,
Na glória da tua glória,
Pelos séculos sem fim.


Da Liturgia das Horas

sábado, 23 de maio de 2009

EMIL JOSEPH KAPAUN, padre e herói de guerra amando…


É ao seu pároco que Emil Joseph Kapaun deve a oportunidade de ter sido ordenado padre, tal como sempre desejara. Os seus pais, modestos camponeses de origem checa estabelecidos no Kansas - Estados Unidos, não tinham meios para financiar os seus estudos. Todavia, o jovem Emil recebeu deles uma fé profunda.
Ainda criança, Emil “brincava” à missa, imitando o Pe. Sklenar. Este, não duvidando da vocação do jovem rapaz, compromete-se junto dos pais em subsidiar-lhe os estudos. O adolescente, de forte carácter, generoso e atento aos outros, alcança a admiração unânime de todos, professores e companheiros, não apenas pelos seus excelentes resultados como também pela sua rectidão, exemplaridade e alegria espontânea. O Pe. Sklenar convence o bispo a acolhê-lo no Seminário de Teologia.
Emil é ordenado sacerdote em Junho de 1940, com 24 anos. Nomeado vigário do seu próprio pároco, recebe também a capelania militar da base aérea de Herington. Em 1944, o Pe. Kapaun é transferido para outra base militar onde assiste 19 mil soldados, homens e mulheres, numa altura particularmente delicada: os Estados Unidos estão na fase mais probante da guerra.

Em guerra
Em Abril de 1945, o Pe.Kapaun é enviado para a frente de combate no pacífico, onde as tropas americanas enfrentam os últimos confrontos contra o Japão. De jeep ou de avião, percorre mais de dois mil quilómetros sob tiro inimigo para assegurar a celebração da eucaristia junto dos soldados mobilizados nas diversas frentes. Tem, no entanto, a alegria de contactar os missionários presentes naquela região, admirando a sua abnegação e fé. Junto deles aprofunda a sua intimidade com Deus. Kapaun decide ajudá-los no serviço aos pobres, partilhando com eles o seu soldo, e associando os seus homens na construção de uma igreja e de uma escola.
Desmobilizado em Maio de 1946, regressa ao Kansas. Após uma breve estadia na universidade católica de Washington para formação de ensino é, novamente, chamado pelo exército. A situação na Ásia tornou-se instável. Assim, em 1950, Kapaun é afectado à 1ª divisão do 8º regimento de cavalaria estacionada na Coreia do Sul para resistir à ameaça do vizinho do norte. Durante cinco meses encontra-se em plena frente de combate, distinguindo-se pela sua bravura e incansável apoio aos seus homens. Consola e reconforta os feridos, assiste os moribundos. A todos leva a eucaristia, a reconciliação e, por vezes, o baptismo. Desprezando o perigo, arrisca frequentemente a vida para resgatar soldados imobilizados pelas feridas. A sua heróica coragem permite-lhe ser condecorado com a Estrela de bronze.
Mas em Novembro, ao tentar salvar o sargento Miller é preso pelo inimigo. Os prisioneiros são então obrigados a caminhar até ao campo de Pyotkong, em plena Coreia do Norte. Este será o seu último campo de apostolado.

“Irmão Dimas”
Pyotkong reúne mais de 4 mil prisioneiros de guerra, vivendo em condições deploráveis: subalimentados, despojados de tudo, sujeitos às humilhações dos seus algozes, os homens perdem todas as referências humanas e morais.
No meio deste inferno, Emil Kapaun assume como prioridade devolver alguma dignidade aos seus companheiros de infortúnio. Começa por partilhar parte da sua magra ração com os mais fracos. Não hesita em passar por baixo da vedação de arame farpado para roubar algumas batatas nos campos vizinhos ou sacos de arroz. Primeiro surpresos e impressionados pela sua coragem, os prisioneiros passam a admirar o seu colega sacerdote. Chamam-no de “Irmão Dimas”, nome dado ao bom ladrão crucificado com Jesus. Em algumas semanas, consegue resolver o problema da alimentação. Passa a lavar a sua própria roupa incentivando os companheiros a fazer o mesmo, cuidando da sua aparência e dignidade. O Pe. Kapaun torna-se depressa muito popular. Era o seu herói e muitos soldados, pelo seu exemplo tornaram-se bons católicos.
Mas Kapaun não esquece que é padre. No início da detenção reunia alguns crentes, rezando e cantando com eles. Confessa os que o desejam. Depois, junto a um crucifixo que ele esculpiu, celebra umas discretas paraliturgias (contra a proibição decretada), rezando o rosário ou a Via Sacra. Pouco a pouco, a vida espiritual renasce no campo. As rixas rareiam. Todos os respeitam por terem a sensação de estar perante um homem excepcional. Ninguém, porém suspeita que Emil se encontra exausto, permanecendo de pé a grande custo. A marcha forçada até ao campo e as noites sem dormir minaram irremediavelmente a sua saúde.
Na Páscoa de 1951, o Pe. Kapaun organiza uma liturgia festiva num canto discreto do campo. Todos ficam perturbados com o seu esforço e coragem. No domingo seguinte já não consegue falar, arrasta-se… e cai desfalecido. Morre serenamente no dia 23 de Maio de 1951, com 35 anos de idade. O seu organismo desfeito sucumbiu a uma pneumonia.

Após a guerra, um dos companheiros rendeu-lhe a seguinte homenagem: “Em certo sentido, todos somos beneficiário da vida do padre Kapaun. Ele deixou-nos um perturbador exemplo de dedicação, conforme ao nosso dever. Transmitiu-nos um espírito de tolerância e compreensão. Partilhou connosco a sua intrépida bravura, mistura de coragem física e grandeza de alma… Mostrou-nos que o maior inimigo da nossa pátria é a indiferença para com Deus e a nossa impiedade…”
Numerosos testemunhos atestarão a sua profunda humildade, a sua oração contínua e a sua abnegação. Em 2001, na sua cidade natal, um monumento foi erigido em sua honra, um dos mais heróicos e condecorados capelães militares americanos. A causa da sua beatificação foi introduzida recentemente.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

RITA de CÁSSIA, santa no matrimónio, na viuvez e na consagração


Rita - diminutivo de Margherita - nasceu em 1377, na Úmbria, região do centro da Itália. Seus pais, de vida exemplar, já não eram jovens quando foram, finalmente, abençoados pelo nascimento de Rita. Desde cedo que desejava abraçar a vida religiosa, mas os pais arranjaram o seu casamento aos 12 anos. Paolo di Ferdinando Mancini, o homem com quem casou, era violento e abusador. Durante os 18 anos que durou o seu matrimónio, Rita suportou o seu feitio brutal e viu os seus dois filhos gémeos tentarem imitar o pai.
Contudo, a mansidão, a docilidade e prudência de Rita suavizaram a rude impetuosidade de Paolo. Este não resistiu a tanta abnegação e mudou completamente de vida.
Infelizmente, o seu marido foi ferido de morte numa rixa, e os 2 filhos decidiram vingar a sua morte. Rita rezou para que tal fosse evitado através do perdão. Os rapazes adoeceram e, graças às preces da mãe, perdoaram aos seus inimigos antes de falecerem cerca de um ano após a morte do marido. Rita depositou os corpos de seus filhos ao lado de seu marido e ficou só no mundo; só, mas com seu Deus

Vida nova, sonho antigo
Rita passou, então, a dedicar-se com afinco à prática das virtudes, às obras de caridade e à oração. A sua atenção para com o próximo era inesgotável. Mas isso não bastava para ela.
Recordada do seu antigo desejo, Rita quis entrar num convento; porém, devido à sua condição de viúva, teve de insistir por três vezes junto do convento agostinho de Cássia antes de lhe ser permitido receber o hábito.
Como religiosa, Rita levou uma vida de austeridade, oração e caridade. Em resposta às suas orações, em que pedia para sofrer com Cristo, Rita recebeu na fronte uma ferida como que resultante de um espinho da coroa de Cristo crucificado. Esta ferida só se curou quando lhe foi concedido visitar Roma para o Jubileu de 1450, reaparecendo após o regresso.
Rita adoeceu com tuberculose e acabou por ficar acamada. Próxima da morte, pediu uma rosa do jardim da família, apesar de não ser época desta flor. No entanto, foi encontrada uma única rosa e colocada no seu leito de morte. Na sua despedida, disse às irmãs da sua comunidade: "Amai a Deus, minhas irmãs, sobre todas as coisas, porque a sua bondade e formosura são inigualáveis e só Ele deve merecer o vosso amor.”
Com 76 anos de idade e 40 de vida religiosa, faleceu Rita no dia 22 de Maio de 1457.

Na arte, Rita é, com frequência, representada com uma rosa, e, em certos lugares, as rosas são tradicionalmente abençoadas no dia da sua festividade. Rita é a padroeira das situações difíceis, em especial das crises matrimoniais e advogada das causas desesperadas.
Foi beatificada em 1626 após lhe terem sido atribuídas curas milagrosas e canonizada em 1900.

A NOSSA ÂNCORA, no rasto de Rita de Cássia


A perda de seu marido e dos dois filhos deixou Rita de Cássia em grande tristeza mas também a lançou no caminho de uma vida diferente. A perda de um filho é uma das experiências mais penosas e traumatizantes que uma família pode viver. Pais e irmãos ficam marcados para o resto da vida e necessitam de todo o apoio para conseguirem ultrapassar uma experiência tão difícil.

“A Nossa Âncora” – Apoio a Pais em Luto - é uma organização portuguesa que presta aparam às famílias e particularmente aos pais que perderam filhos. Proporciona auxílio psicológico, sociológico, médico, psiquiátrico, religioso e jurídico e promove iniciativas que possam concorrer para a plena realização do seu objectivo. Nesta organização é possível aos pais em luto trocarem experiências com outras pessoas na mesma situação.
Mais informações em: http://www.anossaancora.org/.
Nos momentos de profundo sofrimento, o apoio dos outros pode ser importante. A oração e a comunhão com Deus são fundamentais.
Em “Pessoas comuns, Vidas extraordinárias”

quinta-feira, 21 de maio de 2009

CONSTRUIR A UNIDADE COM A DIVERSIDADE


Hoje, comemora-se o Dia Mundial da diversidade cultural para o diálogo e desenvolvimento. Desde 2001 que a UNESCO adoptou a Declaração universal sobre a diversidade cultural. Essa declaração reconhece, pela primeira vez, a diversidade cultural como “herança ética da humanidade”, considerando a sua salvaguarda como um imperativo concreto e moral inseparável do respeito da dignidade humana.
Este Dia mundial tem como objectivo proporcionar-nos uma oportunidade para melhor reconhecer e apreciar o que devemos às outras culturas, suscitando em cada um de nós um maior sentimento de complementaridade e solidariedade. Conhecer as nossas diferenças e respeitá-las é a melhor forma de encarar e construir um futuro menos conflituoso, aprendendo a viver juntos.
Pelo seu passado histórico, Portugal foi lugar de cruzamento de diversos povos e culturas. Ser português é, podemos dizê-lo, levar no sangue marcas celtas, gregas, latinas, moçárabes, judias, francesas e britâncias… Depois de termos levado o nosso marco luso pelo mundo, é esse mundo que retorna a nós pela imigração. Brasileiros, eslavos, europeus de leste, africanos das antigas colónias, asiáticos… Até os nossos emigrantes regressados trazem a diferença de uma experiência estrangeira.
Se o nosso passado foi feito de partilha, por que razão fechar o nosso presente a essa riqueza? Desafiante e exigente, o nosso futuro depende da forma como construímos o dia de hoje. Acolhimento ou exclusão semeiam as cearas que colheremos amanhã.
S. Paulo falava em corpo formado por diversos membros para ilustrar a comunidade dos crentes, tendo Cristo como cabeça. Afinal, é na diversidade que formamos a verdadeira unidade. Cristo, nossa cabeça, teve sempre a capacidade de acolher a todos.

Até nós próprios, na nossa individualidade, somos feitos de diversidade. Segundo consta, nesta data de 21 de Maio, ocorre a curiosa efeméride do primeiro fabrico de sapatos diferenciados, direito e esquerdo, em 1310. Até aí existia apenas um modelo uniforme para ambos os pés. Digam lá os nossos membros do “rés-do-chão” se não foi uma grande evolução serem tratados na sua especificidade!?
Serão o nosso coração e a nossa mente mais “estreitos” que os nossos pés na aceitação da diferença como meio de optimizar o são convívio deste corpo que é a nossa sociedade?

quarta-feira, 20 de maio de 2009


"Rezar é deixar que Deus se faça Deus em nós."

L. Evely

terça-feira, 19 de maio de 2009

GIUSEPPINA SURIANO, vocação contrariada mas não vencida


Giuseppina Suriano nasceu em 1915, em Itália, no seio de uma família modesta.
Atenta, entusiasta, Pina (diminutivo pelo qual era conhecida) conquistava todos pela sua bondade e alegria. Porém, desde cedo, só tem uma ideia na cabeça: agradar a Jesus. Para isso, todos os meios eram bons: ajudar a mãe, ocupar-se dos irmãozinhos, ser prestável com as companheiras de escola, obediente com as religiosas do seu colégio, ser amável com as raparigas mais pobres que ela… e rezar. Ela adora rezar e fazer rezar. É como se fizesse parte dela.
Com apenas dez anos, Pina ingressa no grupo da Acção Católica da sua paróquia. Orientada pela dirigente do grupo, Maria Addamo, a jovem adolescente vai progredir na oração e na meditação. Juntamente com outras jovens, vão fundar um projecto de Instituto secular, consagrado ao Sagrado Coração de Jesus, cujos membros se comprometerão a propagar a mensagem do Evangelho no seu quotidiano segundo a sua condição de vida. É o Cenáculo.
Fortalecida pela oração, Pina segue o programa do grupo visitando os pobres, os idosos e auxiliam na catequese e diversos serviços paroquiais. “Quantos mais dias passam, mais me sinto unida ao meu Jesus e à Companhia do seu Sagrado Coração. Sinto arder em mim, cada vez mais intensamente, a chama do amor e do apostolado”.
A leitura de “História de uma alma”, de Santa Teresa do Menino Jesus, entusiasma-a no amor no coração da Igreja: “Ressinto uma necessidade extrema de perfeição… Mas como estou longe, e como sofro por me sentir a última de todas! Sofro e este sofrimento é um suplício de amor, pois quereria amar loucamente Jesus e sentir em mim todos os batimentos do seu coração, abandonando-me totalmente a Ele…” Aos quinze anos, esta adolescente está apaixonado pelo Absoluto.

Vocação contrariada
Os pais de Pina, no início consolados de a verem caminhar rectamente, começam a preocupar-se com a seriedade do seu empenhamento. Sendo filha única, para eles está fora de questão qualquer possibilidade de vida religiosa para a filha.
No entanto, a 29 de Abril de 1932 durante um retiro promovido pelo Cenáculo, Pina consagra-se, de forma privada, a Deus. Só o pároco está ao corrente. Aos 17 anos, a jovem opta por viver a virgindade e total abandono à vontade de Deus: “Jesus ama-me, tenho a certeza. Também eu O amo, acima de tudo, e o meu maior prazer será fazer em tudo a sua vontade e alegrando-me com o que Deus quiser.”
Todavia, os pais de Pina opõem-se a essa escolha. Proíbem-na de participar nas reuniões da Acção Católica e de todas as actividades da paróquia, com a desculpa que precisam dela. Sempre obediente, Pina acata.
Simultaneamente, os rapazes vão aparecendo, seduzidos pela sua beleza física e interior. Vários deles testemunharão, posteriormente, o quanto o exemplo de fé e integridade da jovem rapariga exerceu neles uma sã influência e motivação para, também eles, se aperfeiçoarem na vida cristã e espiritual. Todos perceberam que não eram dignos dela, afastando-se e, por vezes mesmo, recriminando a atitude dos pais .
Mas Pina, apesar de sofrer interiormente com a incompreensão dos pais, perdoa-os.

Vida apostólica
Finalmente, a vigilância dos pais cede um pouco. Ao participar noutro retiro, Pina aceita do desafio de colaborar numa nova paróquia criada na sua povoação.
Durante doze anos, a jovem vai dedicar-se inteiramente a essa nova missão. Torna-se a alma da nova comunidade, encaminhando, reconfortando, exortando e encorajando. A todos se revelou a força da sua vida interior.
Porém, intimamente, Pina sonhava com uma vida diferente: desejava ter-se consagrado a Deus. A resistência dos pais e a sua condição económica não o permitiram. No dia 30 de Março de 1948, faz um acto de oferta de si mesma a Deus, em favor dos sacerdotes: “O objecto constante dos meus esforços será a santificação dos sacerdotes (…), de modo especial por aqueles que caíram e aqueles que se encontram em perigo (…) para que sejam santos e santifiquem o Teu povo…”
Assim viverá Pina os últimos dois anos da sua vida até falecer na manhã do dia 19 de Maio de 1950, com 35 anos, com um ataque cardíaco, levando os habitantes de Partinico a considerar terem perdido a “sua santa”.
Giuseppina Suriano foi beatificada a 5 de Setembro de 2004, sendo uma das figuras mais luminosas da Acção Católica Italiana.

domingo, 17 de maio de 2009


Amor, que por amor te dispuseste
A restaurar o mundo errado e triste;
Amor, que por amor do céu desceste;
Amor, que por amor à cruz subiste;
Amor, que por amor a vida deste;
Amor, que por amor a glória abriste.

Luís de Camões

SEMANA DA VIDA (VIII)

8º dia – Domingo, 17 de Maio
Família, escola onde se aprende o valor da “bondade”


Para reflectir
“Aproveitai todas as ocasiões para serdes hospitaleiros” (Rm 12,13).
A bondade, que conduz o ser humano na construção da felicidade sua e dos outros, aprende-se sobretudo com os bons exemplos, quase sem necessidade de palavras. Mas não deixa de exigir esforço e até abnegação e auto-renúncia pela felicidade dos outros.
A bondade pura só existe em Deus. “Só Deus é bom”, dizia Jesus ao jovem rico que lhe chamou Bom
Mestre (Lc 18,19). A bondade supõe o amor e a gratuidade, aliás, é a sua expressão natural. É bondosa a pessoa que olha com amor não só os seus irmãos como toda a realidade criada. Todo o ser humano tem em si algo de bom, inculcado por Deus, que o criou à sua imagem e semelhança. Mas, seguindo essa lei natural, precisa ainda de crescer no conhecimento e caminho do bem.
A família educa para a bondade sempre que escuta com atenção, dá e ama na gratuidade, saúda com carinho, ampara um idoso; sempre que em família se ama e presta serviço de forma desinteressada e gratuita, aprende-se a ceder o lugar nos transportes públicos, a repartir com os mais pobres, a empenhar-se em obras sociais, a assumir-se como cidadão na sociedade civil.

Para rezar
– Um desafio ao exame de consciência: em silêncio, cada um identifique três acções pessoais boas e uma má; depois procure perceber como reagiu nas duas situações; por fim, tente tirar lições.
– Rezemos pelos pais que são menos bons para os seus filhos e os matam antes de nascer, os abandonam ou abusam deles. Que o Deus da vida e da infinita bondade converta os seus corações à vida.
– Rezemos pelas pessoas que são vítimas da violência doméstica, mas também pelos agressores. Que Deus transforme o seu coração agressivo num coração bondoso, sensível ao bem e à harmonia.
Ponto de esforço: Comprometer-se a realizar uma boa acção ao longo do dia.
Rezar, repetindo três vezes: “Dai-me Senhor um coração puro, criai em mim um espírito novo”.
Ao Senhor a última palavra: “Caríssimo, não imites o mal, mas sim o bem. Quem faz o bem é de Deus; quem faz o mal não viu a Deus” (3 Jo 1,11).
Bendigamos ao Senhor. R: Graças a Deus!

Fonte: http://www.leigos.pt/semanadavida/2009/index.html

sábado, 16 de maio de 2009

PARA TI, MARIA

SEMANA DA VIDA (VII)

7º dia – Sábado, 16 de Maio
Família, escola onde se aprende o valor da “paciência”


Para reflectir
“A tribulação produz a paciência, a paciência a firmeza e a firmeza a esperança” (Rm 5,3-4).
A paciência é a virtude de quem sabe sofrer de forma calma e serena porque não perdeu toda a esperança. Na ausência da paciência/esperança irrompem lamentações, revoltas, fatalismos, desilusões.
Só a Esperança pode gerar paciência, conformidade, alegria e optimismo, mesmo em situações difíceis.
Mas o vazio de Deus produz cansaço e desilusão. Não é, pois, de estranhar que, nas sociedades materialistas, cresça a impaciência e a solidão.
A família é escola de paciência sempre que não perde a calma face às más notícias e aos acontecimentos dolorosos; sempre que não oculta aos filhos a dureza da vida e os abre para a realidade, positiva e negativa; sempre que exige fidelidade aos compromissos, ainda que corram mal; sempre que ensina a controlar impulsos e rebeldias.
A família também é escola de paciência na convivência diária com os irmãos, com as crianças, com os parentes e amigos. Esta convivência ensina ainda que existe a morte, a enfermidade, a velhice, a pobreza, a injustiça... Viver estas situações com normalidade e realismo ensina a confiar em si mesmo e a abraçar os problemas normais da vida.

Para rezar
– Agradeçamos a imensa paciência de Deus para connosco, sempre disposto a perdoar e a dar uma nova oportunidade.
– Rezemos pelas pessoas que, provadas por doenças e outros males graves, estão sem paciência para acolher e suportar o sofrimento. Que Deus lhes dê força e aceitação.
– Rezemos pelos esposos sem capacidade para se acolherem e perdoarem mutuamente. Deus Pai lhes dê a graça de reconstruírem a sua relação na redescoberta do amor que os uniu.
Ponto de esforço: Ao longo do dia, exercitemos a paciência connosco próprios e com as pessoas que encontrarmos: familiares, colegas, idosos, vizinhos…
Pai Nosso (dando as mãos e valorizando o “perdoai-nos as nossa ofensas”).
Ao Senhor a última palavra: “Filhinhos meus, escrevo-vos estas coisas para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos junto do Pai um advogado, Jesus Cristo, o Justo, pois Ele é a vítima que expia os nossos pecados, e não somente os nossos, mas também os de todo o mundo” (1 Jo 2,1-2).
Bendigamos ao Senhor. R: Graças a Deus!