sexta-feira, 15 de maio de 2009

AMAI-VOS UNS AOS OUTROS


«Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei»
cf. Jo 15,12-17

A grandeza da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indivíduo como para a sociedade. Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir, mediante a com-paixão, para fazer com que o sofrimento seja compartilhado e assumido, mesmo interiormente é uma sociedade cruel e desumana. [...] A palavra latina «con-solatio», consolação, exprime isto de forma muito bela, sugerindo um estar-com solidão, que então deixa de ser solidão. Mas a capacidade de aceitar o sofrimento por amor do bem, da verdade e da justiça é também constitutiva da grandeza da humanidade, porque se, em definitivo, o meu bem-estar, a minha incolumidade é mais importante que a verdade e a justiça, então vigora o domínio do mais forte; então reinam a violência e a mentira. [...]
Sofrer com o outro, pelos outros; sofrer por amor da verdade e da justiça, sofrer por causa do amor e para vir a ser uma pessoa que ama verdadeiramente: estes são elementos fundamentais de humanidade; o seu abandono destruiria o próprio ser humano. Entretanto, levanta-se uma vez mais a questão: somos capazes disto? [...] Na história da humanidade, cabe à fé cristã precisamente o mérito de ter suscitado no ser humano, de maneira nova e com uma nova profundidade, a capacidade dos referidos modos de sofrer que são decisivos para a sua humanidade. A fé cristã mostrou-nos que verdade, justiça, amor não são simplesmente ideais, mas realidades de imensa densidade. Com efeito, mostrou-nos que Deus - a Verdade e o Amor em pessoa - quis sofrer por nós e connosco.

Papa Bento XVI,
Encíclica «Spe salvi» §§ 38-39

in www.evangelhoquotidiano.org

SEMANA DA VIDA (VI)

6º dia – Sexta-feira, 15 de Maio
Família, escola onde se aprende o valor da “justiça”

Para reflectir
“Dai a cada um o que lhe é devido...” (Rm 13,7).
A justiça é tão importante que a Bíblia atribui a Deus o qualificativo de Justo. É justa a pessoa que sabe dar a cada um o que lhe é devido, mas é melhor que, além de cumprir, consiga viver o espírito da lei. A generosidade, essa, pauta-se pelo amor. Ser generoso é dar mais que o que é obrigatório. O
Mandamento do Senhor é amar como Ele amou… até dar a própria vida.
A justiça sem amor pode ser tirana. Por outro lado, há leis injustas que atentam contra a vida (aborto, eutanásia…) ou não respeitam outros princípios fundamentais, atingindo deste modo a dignidade e a consciência das pessoas.
A família educa para a justiça na atenção e consideração permanentes das diferenças e especificidades de cada um, superando tentações legalistas com a união crescente da justiça com o amor, aperfeiçoando a generosidade e a gratuidade do serviço mútuo, reconhecendo os erros e pedindo e dando perdão.
Educar para a justiça, na família, é ainda estender a todos os homens o respeito, a atenção e a consideração, nomeadamente, combatendo discriminações e favoritismos, pagando salários justos e satisfazendo dívidas, sendo solidários com os injustiçados e generosos com os mais necessitados, repudiando situações e leis injustas, e completando cada vez mais a justiça com a caridade.

Para rezar
– “Ser justo é dar a cada um o devido”. Dialogando, perguntemos: pratica-se a justiça na nossa família, no que nos devemos em respeito, gratidão, ajuda e amor… e no que devemos aos outros e às outras famílias, nomeadamente em partilha e ajuda aos mais necessitados?
– Rezemos pelos governantes dos países ricos, para que partilhem com os mais pobres, não permitindo que milhões de pessoas continuem a não ter o mínimo para viver dignamente.
– Rezemos pelos que ‘atropelam’ os outros com a injustiça. Que Deus torne os seus corações sensíveis ao valor da justiça.
Ponto de esforço: Por todos, procuremos se há uma família que não tenha o necessário e vejamos como partilhar com ela, de forma generosa e discreta. Essa partilha pode resultar da renúncia de todos a algo de supérfluo.
Rezar tês vezes: “Senhor ensina-nos a ser justos para com todos”.
Ao Senhor a última palavra: “Se sabeis que Ele é justo, sabei também que quem pratica a justiça nasceu d’Ele” (1 Jo 2,29).
Bendigamos ao Senhor. R: Graças a Deus!

DIA DIOCESANO DA FAMÍLIA


Hoje é o dia da família, em plena Semana da Vida.
Para melhor reflectir e viver os desafios e valores da família, o Secretariado de Pastoral Familiar da Diocese da Guarda promove o Dia da Família, no próximo sábado em Trancoso.
Todas as famílias estão convidadas a participar nesse evento, independentemente de fazer parte ou não de qualquer movimento familiar.

Eis o programa:
14h30 – Acolhimento
15h – Palestra: “A visão da família e da mulher em S. Paulo”
15h30 – Concerto pelo grupo coral da Santa Casa da Misericórdia de Trancoso
16h – Eucaristia com bênção para os casais a celebrarem 25 ou 50 anos de matrimónio
17h – Convívio e lanche partilhado (devem trazer um pequeno farnel)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

SEMANA DA VIDA (V)

5º dia – Quinta-feira, 14 de Maio
Família, escola onde se aprende o valor da “verdade.”


Para reflectir
“Tudo é permitido, mas nem tudo convém”
(1 Cor 10,23).
Muitos afirmam que não há verdades absolutas mas tantas quantas as formas de pensar. Esta posição conduz a uma vida amoral, sem regras, que abre espaço à anarquia e à prepotência dos poderosos sobre os fracos e desvaloriza o respeito mútuo.
A verdade existe independentemente da opinião de cada um. Ela tem o seu fundamento nos valores universais, também presentes na consciência humana e, para os crentes, em Deus, que é a suma verdade revelada em seu Filho Jesus: “Eu sou a verdade...” (Jo 14,6).
A família educa na verdade se pautar a sua vida e as suas relações familiares e conjugais pelo verdadeiro amor; se fundamentar a sua praxis educativa nos valores universais da justiça, da paz, da solidariedade, da partilha, da fidelidade, da honestidade, do bem comum, do serviço desinteressado, da fidelidade e do respeito a cada pessoa. A procura da verdade é um serviço que a família presta às jovens gerações, que encontrarão nos verdadeiros valores o sentido das suas vidas.

Para rezar
– Se possível, identifiquemos não verdades nos media, na publicidade e em algumas promessas.
Dialoguemos sobre a importância de um espírito crítico e sobre o perigo de relativizar toda a verdade (relativismo).
– Peçamos ao Senhor a coragem e a humildade para procurarmos e reconhecermos a verdade, e sermos verdadeiros connosco próprios e com os outros.
– Peçamos perdão a Deus por todas as pessoas que fundamentam a sua vida e acção na mentira, prejudicando-se a si e aos outros. Que Jesus, que é a Verdade, abra os seus corações.
Ponto de esforço: Com serenidade e coragem, verifiquemos se a vida e as relações familiares estão a ser fundadas na verdade. Se não, com caridade e firmeza, tomemos algumas resoluções.
Rezar juntos (três vezes): “Senhor Jesus, Tu que és a Verdade, faz nascer em nós um grande amor à verdade”.
Ao Senhor a última palavra: “Vós, porém, tendes uma unção recebida do Santo e todos estais instruídos. Não vos escrevi por não saberdes a verdade, mas porque a sabeis, e também que da verdade não vem nenhuma mentira” (1 Jo 2,20).
Bendigamos ao Senhor. R: Graças a Deus!

SEMANA DA VIDA (IV)

4º dia – Quarta-feira, 13 de Maio
Família, escola onde se aprende o valor da “responsabilidade”


Para reflectir
“Ninguém procure o seu próprio interesse, mas o dos outros” (1 Cor 10,24).
Responsável é a pessoa que responde pelos compromissos assumidos, lhes é fiel e os vive motivada, sem pressões exteriores. Responsável é uma pessoa livre, que sabe usar a sua capacidade de escolha.
Eleger a responsabilidade como valor e critério é escolher a satisfação, o bem-estar e a felicidade das pessoas, a fidelidade e o bem comum.
A pessoa responsável é consciente e realiza as suas responsabilidades movido por um nobre sentimento de interesse por si mesmo e pelo outro. O exercício da responsabilidade gera satisfação, bem-estar, a felicidade das pessoas amadas, e exercita a perseverança e a fidelidade.
A família é escola de responsabilidade sempre que procura viver com fidelidade, encanto e empenho as exigências inerentes à vida familiar: conjugalidade, parentalidade, educação, profissão, a fé; se é exigente e firme nos propósitos e ideais; se ensina aos filhos o cuidado e o arrumo dos jogos, da roupa e dos bens comuns; se os envolve na construção de um bom clima familiar e na preocupação pela felicidade dos outros; se os ajuda a cumprir os compromissos escolares, sociais, religiosos e profissionais.

Para rezar
– Em clima de confiança e abertura, nunca de acusação, pais e filhos conversem sobre os aspectos familiares em que deveria haver maior participação e responsabilidade de cada um.
– Agradeçamos a Deus o dom dos pais, que, numa dedicação generosa e sem limites, assumiram a responsabilidade de cuidar de seus filhos e tudo fazem para que nada lhes falte.
– Rezemos pelas Famílias cristãs, para que, tal como Maria cuidou de Jesus, exerçam a graça e a responsabilidade de gerarem e educarem os seus filhos na fé e no amor de Deus.
Ponto de esforço: Aproveitemos esta semana para treinar um maior envolvimento de todos no bom andamento da vida familiar.
Avé Maria...
Ao Senhor a última palavra: “Quanto a vós, procurai que em vós permaneça o que ouvistes desde o princípio. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também vós permanecereis no Filho e no Pai. Esta é a promessa que Ele nos fez: a vida eterna” (1 Jo 2,24-25).
Bendigamos ao Senhor. R: Graças a Deus!

Fonte: http://www.leigos.pt/semanadavida/2009/index.html

terça-feira, 12 de maio de 2009

TERESA de JESUS FERNANDEZ SOLAR, a santa com coração de fogo


Teresa dos Andes, tal como ficou conhecida, é a primeira santa que viveu no século XX a ser canonizada. Nascida em 1900, morre antes de completar os 20 anos, com apenas onze meses de vida religiosa.
Por ocasião da sua canonização, a 21 de Março de 1993, João Paulo II declarou: “A uma sociedade secularizada que vive de costas voltadas para Deus, apresento com viva alegria como modelo de eterna juventude da Igreja esta carmelita chilena. Ela dá-nos o testemunho límpido de uma existência que proclama aos homens e às mulheres de hoje que é no amor, na adoração e serviço a Deus que reside a grandeza e a alegria, a liberdade e plena realização da criatura humana.”

Um amor chamado Jesus
Juana Fernandez Solar, assim era o seu nome de baptismo, nasce no dia 13 de Julho de 1900 em Santiago do Chile, no seio de uma família de tradição católica, uma das mais ricas do país, tendo beneficiado de uma infância privilegiada. Tímida e engraçada, é acarinhada por todos. Mas os mimos estragam e torna-se caprichosa. Preguiçosa, rebelde e de carácter orgulhoso, custa-lhe obedecer. Mas nem tudo são defeitos: esforça-se por melhorar o seu feitio enquanto a sua sensibilidade e generosidade aproximam-na dos pobres.
Partilha com os seus irmãos os tempos livres mas não se coíbe de apreciar e procurar a solidão e o silêncio. Na verdade, Juana, após cada comunhão, entretém-se longamente com Jesus, que ela descobre presente no seu íntimo, ao ponto de exasperar os familiares que aguardam por ela. Mas é com Ele que ela se sente bem. Jesus responde às suas questões, guia-a, ilumina-a. De tudo isso, ela tem a certeza. Jesus é o seu noivo, muito rico e muito belo, pois Ele é o Senhor do universo. Passa horas junto ao sacrário, em oração. É o seu primeiro e único amor da sua vida. Jesus fá-la perceber que a quer como carmelita.
Juana cresce. Jovem adolescente, a sua formosura e posição social atrai a atenção de muitos jovens pretendentes. Mas ela apenas se preocupa em assistir os mais necessitados e amparar os da sua casa. É que a sua família, por má gestão, arruína-se. Os pais separam-se, o irmão mais velho, Lucho, seduzido pela modernidade afasta-se de Deus enquanto outro irmão, Miguel, poeta dotado, cai na dependência do álcool. A todos, Juana tenta ajudar, aconselhando uns e procurando curar os ressentimentos de outros. É um ano difícil, gasto em favor dos outros, separada da sua amiga e confidente Rebeca, é na oração que ela encontra força. Confrontada às diversas solicitações que o mundo propõe, abandona-se à vontade de Deus. Já nada a pode separar de Deus. É hora de se consagrar definitivamente a Ele, no carmelo.
Tendo obtido o consentimento do seu pai, transpõe a porta do pequeno convento “Los Andes” no dia 7 de Maio de 1919. Tem dezanove anos.

Uma vida doada
A separação da família foi, naturalmente, difícil para Juana e os seus. Porém, a nova postulante – agora chamada Teresa de Jesus – não olha para trás. Está à escuta daquilo que Deus espera dela, numa oferta incondicional pela salvação da humanidade.
“Por eles totalmente me entrego, para que também eles fiquem a ser teus inteiramente, por meio da Verdade” (Jo 17, 19). Teresa faz suas estas palavras de Jesus. Nunca, como agora, ela se sentiu tão próxima da sua família, dos seus amigos, de todos. Torna-se a sua advogada junto de Deus, colhendo os frutos da sua doação: a mãe serena, perdoando ao marido, associando-se à Ordem Terceitra Carmelita; Lucho recupera a paz e Rebeca far-se-á, também ela, carmelita.
Teresa é uma autêntica torrente de fogo, impetuosidade e fervor no amor que tem por Deus. As religiosas apercebem-se que a jovem caminha a passos largos, adaptando-se à vida da comunidade, aos trabalhos e costumes da Ordem, aceitando tudo com alegria e serenidade, por amor a Jesus: “Procuro renunciar a tudo para possuir Aquele que é Tudo”.
A sua solicitude por todos não conhece limites, não fazendo acepção de pessoas, nem olhando a sacrifícios: “Sobre a Cruz está o amor, e amando somos felizes.”

Na Sexta feira Santa de 1920, Teresa consume-se em febre. Os médicos não dão qualquer esperança. Adormece amorosamente em Deus no dia 12 de Abril do mesmo ano.

SEMANA DA VIDA (III)

3º dia – Terça-feira, 12 de Maio
Família, escola onde se aprende o valor da “honestidade”


Para reflectir
“Que o vosso amor seja sincero. Detestai o mal e apegai-vos ao bem” (Rm 12, 9).
Num contexto social actual que promove e premeia a desonestidade, ser honesto é um acto de coragem, é um remar contra a corrente, e reclama coerência entre o que se diz e o que se faz, é ser fiel a si mesmo. Ser honesto é nunca proceder contra os princípios morais mesmo renunciando a grandes vantagens.
Na perspectiva cristã, a honestidade consiste numa conduta em sintonia com a lei moral condensada nos dez mandamentos, mais concretamente, na maravilhosa Lei de Cristo, de amor e verdade. A honestidade implica provações, mas gera confiança, credibilidade e até prestígio moral, relações sadias e grandes amizades.
Para ser escola de honestidade, a família terá que a viver, antes de mais, entre os seus membros. Só vivendo e agindo honestamente teremos autoridade moral para exigirmos condutas honestas.

Para rezar
– Se não fomos honestos uns com os outros, em família, ao longo do dia, a nível pessoal ou em conjunto, vamos repor a verdade.
– Rezemos: Senhor Jesus, perdoa-nos se não fomos honestos connosco ou com os outros. Dá-nos
força, sabedoria e coragem para sermos pessoas honestas, vivendo em amor sincero, detestando o mal e apegados ao bem, como recomendou o Apóstolo S. Paulo.
Ponto de esforço: Procurar ser honestos connosco mesmo e com os outros, mesmo que isso exija, perdas, vergonha, risos...
Cântico/oração: “Dá-nos um coração grande para amar, dá-nos um coração forte para lutar”.
Ao Senhor a última palavra: “Sabemos que O conhecemos por isto: se guardamos os seus mandamentos. Quem diz: «Eu conheço-O», mas não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele” (1 Jo 2, 3-4).
Bendigamos ao Senhor. R: Graças a Deus!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

GUY DE LARIGAUDIE, o aventureiro de Deus


Guilherme Boulle de Larigaudie, conhecido por Guy, nasceu em Paris no dia 18 de Janeiro de 1908, tendo falecido no campo de batalha durante os confrontos da Segunda Guerra Mundial, a 11 de Maio de 1940, com 32 anos.
Dele podemos dizer que foi escuteiro, escritor, explorador aventureiro e jornalista.
Profundamente amante da vida e da natureza, bem cedo procurou um sentido para a sua vida, questionando-se sobre a sua vocação. Missionário? Entrou no seminário, mas a falta dos “grandes espaços” obrigou-o a sair e recompor a sua saúde frágil na montanha. O escutismo e o contacto com a natureza farão dele um homem novo. Já como jornalista, começa a viajar pelo mundo, publicando reportagens e romances. É um apaixonado pela escrita. Tudo é, para ele, motivo de encanto, admiração e, sobretudo, de contemplação. Esta confiança maravilhada encontra a sua fonte na confiança em Deus. O que ele vê, ouve e vive contribui a, no seu dizer, “fazer da sua vida uma conversação com Deus”: “É terrível ter tantos sonhos na cabeça e sentir, em suma, nas suas mãos a capacidade de os realizar e, ao mesmo tempo, ter o desejo de me apagar, de doar-me a Deus, o que não consigo precisar mas que, pelo menos, sei que Ele me guarda na existência que levo… Que a vontade de Deus se realize em mim e que Ele me dê a luz!”

Deus por companheiro
Na verdade, não podemos evocar a vida de Guy de Larigaudie sem falar da sua relação com Deus em todas as circunstâncias da sua vida. A sua correspondência assim o testemunha, tal como esta carta escrita a uma amiga, em Dezembro de 1938: “Creio que Deus me conduz pela mão pelos caminhos que são os seus e que me levarão para onde Ele quer. Somente duas coisas contam: amar Deus do fundo do coração, com um amor de criança, um amor infantil e total e procurar apenas a sua vontade e nada mais. Com isto, Deus não espera; conduz.”
Porém, a sua vida não é apenas feita de encantos. Existe também luta. Na sua reflexão e busca vocacional, conciliar vontade de Deus e impulso humano nem sempre é fácil, nomeadamente na questão da castidade: “Parece-me difícil passar toda uma vida sem ter perto de si a ternura de uma presença feminina. Só o conseguiremos procurando substituir a necessidade de amor humano por um profundo amor de Deus, fazendo verdadeiramente de Deus o companheiro de cada hora.”
“A castidade é um desafio impossível e ridículo se apenas tiver como argumento preceitos negativos. Torna-se possível, bela e enriquecedora se ela se apoiar numa base positiva: o amor de Deus, vivo, total, único capaz de contentar a imensa necessidade de amor que enche o nosso coração humano.”


Herança espiritual
Muito mais que a sua obra romanesca e jornalística, é essencialmente a mensagem espiritual que Guy deixou aos seus contemporâneos e às gerações seguintes que marca, como podemos ver através de algumas citações: “Sempre tive, no fundo de mim mesmo, saudades do céu, mais ainda agora que conheço melhor a beleza do mundo. O Céu será o cúmulo de toda essa beleza, a vida para aí nos conduz através de um caminho cujo cumprimento ignoramos, mas para quê entristecer-me de antemão sobre esta estrada se a luz se encontra no seu fim?”
“Toda a minha vida foi uma busca de Deus. Em todo o lugar e a toda a hora, procurei o seu rasto ou a sua presença.”
“Tudo se vive na plenitude do amor de Deus. Pouco importa que sejamos monge ou casado, aventureiro ou pasteleiro, só o amor de Deus conta!”

SEMANA DA VIDA (II)

2º dia – Segunda-feira, 11 de Maio
Família, escola onde se aprende o valor do “bem”


Para reflectir
“Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 2,21).
É necessário discernir. O bem não é sempre aquilo que convém, de que se gosta, que se sente ou não, que todos fazem. Não obedece ao capricho momentâneo de indivíduos ou grupos. Mas há um bem imutável, independente de conveniências e egoísmos, que tem o seu fundamento na lei divina inscrita no coração humano.
Na perspectiva cristã, o caminho do bem encontra-se em três princípios básicos vividos e deixados por Jesus Cristo: “Amarás a Deus e ao próximo como a ti mesmo”. Amor a Deus, amor pessoal e amor aos outros são o caminho cristão da escolha do bem, que traz consigo uma recompensa que é eterna, a construção do Reino, mas também temporal: paz, benevolência, alegria, maturidade humana, respeito e dedicação.
A Família é escola onde se aprende o bem sempre que os pais educam para um compromisso efectivo com o bem, pela palavra e pelo exemplo; sempre que são capazes de perdoar; sempre que dizem não à vingança; sempre que lutam pela verdade. Educar para o bem reclama educar para a liberdade. A verdadeira liberdade expressa-se no compromisso efectivo com o bem, independentemente das circunstâncias.

Para rezar
– Lembremos as pessoas que fazem o bem à nossa família (nomear os que nos prestam serviços: avós, vizinhos, professores, os que nos preparam os alimentos, entidade patronal…)
– Depois de evocar os nomes, rezar: “Obrigado, Senhor, pelo bem que todos nos fazem”.
Ponto de esforço: Cada membro da família dirige-se ao outro e diz: “obrigado por todo o bem que me tens feito”. (Se os avós, ou algum outro membro não estão presentes, pode ser feito um telefonema, em presença).
Rezar juntos: “Bendito sejas, Senhor, por despertares em nosso coração o desejo de fazer o bem.
Intensifica, Senhor este desejo
”.
Ao Senhor a última palavra: “Deus é luz e n’Ele não há nenhuma espécie de trevas, se dizemos que temos comunhão com Ele, mas caminhamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Pelo contrário, se caminhamos na luz, então temos comunhão uns com os outros” (1 Jo 5-7).
Bendigamos ao Senhor. R: Graças a Deus!

domingo, 10 de maio de 2009

BONO, o profeta cantante


Nasceu Paul David Hewson a 10 de Maio de 1960 (há 49 anos) em Dublin, Irlanda. Mas quase ninguém o conhece sob outro nome que não seja Bono, nome que assumiu quando, na remota década de 70, juntamente com outros três jovens adolescentes decidiram criar uma banda de rock. É assim que surgiram os U2, hoje mundialmente conhecidos.
Bono é a figura de proa incontornável do grupo, não apenas pelo seu carisma artístico mas também pela faceta, menos mediática mas não menos importante de activista pelos direitos humanos. Filho de pai católico e de mãe protestante, o jovem Paul cresceu com uma forte fé religiosa que a morte da sua mãe, quando tinha apenas catorze anos, só reforçou. Apesar de ser um ícone do pop/rock mundial, Bono nunca abandonou as suas raízes cristãs. Em toda sua carreira como líder do U2, Bono sempre escreveu canções que reflectissem os ideais cristãos. No princípio da década de 80 chegou a ponderar, juntamente com The Edge, o guitarrista, deixar a música para se dedicar à religião. Desse período brotará o álbum “October”, o mais cristão da já longa carreira dos U2.

Uma fé que guia
Casado com Ali, seu amor de adolescência, desde 1982, (estabilidade rara entre os famosos) e pai de 4 filhos, Bono preservou uma grande sensibilidade espiritual. Já em 1985, juntamente com a esposa, passou vários meses na Etiópia como voluntário em campos de refugiados. Essa experiência marcou-o definitivamente tornando-se hoje um símbolo na luta contra a pobreza no continente africano.
Sem dúvida, a fé ajuda a explicar as opções que tem tomado perante os diversos dramas humanos, na defesa pelos direitos Humanos, no apoio à Green Peace, na luta contra a SIDA, em favor do povo bósnio durante a Guerra dos balcãs, no apoio a Nelson Mandela contra o apartheid e ultimamente pelo perdão das dívidas dos países de 3º mundo. A sua estratégia é encontrar-se com políticos e levá-los a comprometer-se nessas causas. Foi embaixador da campanha Jubileu 2000 ‘Drop the Debt’ prolongando esse fim através da DATA – Debt, Aids, Trade, Africa. O objectivo é convencer as nações mais ricas a perdoar as dívidas dos países mais pobres, de forma a que esse dinheiro possa ser usado na educação e na saúde. Make Poverty History e The One Campaign são outras campanhas apoiadas por Bono. Segundo ele, “6.500 crianças a morrer cada dia por falta de alimento ou falta de medicamentos baratos não é mais uma causa... mas uma questão de justiça. É uma emergência que certamente não teria lugar na Europa ou na América.” Em 2005 com Bob Geldof, ajudou a organizar um evento musical à escala mundial, o Live 8, com o objectivo de pressionar o G8 a apoiar África. Para ele é claro que “é sempre a mesma atitude que faz ganhar o dia: a vitória da esperança sobre o medo… Na questão de África, nós não podemos perder, porque estamos a entrar numa porta que Deus todo-poderoso já abriu. Carregamos connosco o peso moral de um argumento.”
Todo esse empenho já lhe valeu várias distinções internacionais e uma nomeação para o prémio Nobel da Paz.
“Nunca importou de onde vens, a questão sempre foi para onde vais”, afirma ele em jeito de lema de vida. “E isto, claro, está no coração da redenção: começar de novo… Eu desejo começar de novo diariamente. Nascer de novo todos os dias é algo que tento fazer.”

Apelo à Graça
Em Bono, Deus e a fé ocupam cada vez mais lugar na sua reflexão. Vale a pena ler um excerto de resposta dada numa longa entrevista concedida ao jornalista francês, Mischka Assayas:
“É um conceito alucinante de que o Deus que criou o Universo pudesse andar à procura de companhia, uma verdadeira relação com pessoas, mas a coisa que me mantém ajoelhado é a diferença entre Graça e Karma… No centro das religiões há a ideia do Karma. Vê bem, aquilo que fazes volta para ti: olho por olho, dente por dente…e então aparece o conceito da Graça para dar volta a isto tudo… A Graça desafia a razão e a lógica. O amor interrompe, se quiseres, as consequências das tuas acções, o que no meu caso é, na verdade, muito bom, porque eu fiz muitas coisas estúpidas… Eu estaria em muitos maus lençóis se o Karma fosse o meu juiz final… Isto não desculpa os meus erros, mas estou a apelar à Graça. Estou a apelar para que Jesus tenha levado os meus pecados para a Cruz… O sentido da morte de Cristo é que Ele levou os pecados do mundo, para que aquilo que nós aprontássemos não voltasse para nós, e para que a natureza pecadora não nos faça colher a morte óbvia. É esse o sentido. Isto deve manter-nos humildes… Não é o nosso próprio bem que nos faz passar os portões do Céu.”
Se em 1987 Bono cantava que “ainda não encontrei o que procuro” (I still haven’t found what I’m looking for), referindo-se ao Espírito Santo, parece que hoje já não estará longe, pois clama “Justificados até morrermos, tu e eu glorificaremos o Magnífico” no último título editado (“Magnificent”).



Vale a pena ouví-lo sobre o que podemos fazer pela África (em inglês): http://www.youtube.com/watch?v=1VOlXwhp00Y&eurl=http%3A%2F%2Fwww%2Esquidoo%2Ecom%2Fbono%2Dsuperhero&feature=player_embedded

Já agora, por ser dia de aniversário: Parabéns, Bono, pela vida e por aquilo que deixas a Deus fazer através dela!
*

SEMANA DA VIDA (I)

1º dia – Domingo, 10 de Maio
Família, escola onde se aprende o valor da “dignidade”

Para reflectir
“Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós?” (1 Cor 6,19)
Toda a pessoa é digna de respeito. A grandeza da sua dignidade advém da sua condição humana e não de outros adereços. Esta condição é o fundamento da igualdade e dignidade de todo o ser humano, que merece igual respeito, independentemente de quem for: homem ou mulher, criança ou jovem, adulto ou idoso, rico ou pobre, conhecido ou estrangeiro, branco ou negro, doente ou com saúde, amigo ou inimigo!
A fé cristã ensina que todo o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, donde se
depreende que todo o ser humano é irmão em Jesus Cristo, o Filho de Deus que Se fez homem.
Reconhecer a dignidade dos outros faz-nos crescer na própria dignidade e torna-nos mais humanos.
A Família é escola de dignidade sempre que pais e filhos se tratam com respeito mútuo, no reconhecimento, no valor e na importância devidos a cada um, e dão a todos um trato amável e respeitoso. No fim de contas, o sentido da dignidade humana é mais bebido com o leite materno do que uma aquisição pessoal.

Para rezar
– Peçamos perdão a Deus pelas vezes que olhámos com indiferença ou com desdém as pessoas mais pobres ou marginais.
– Rezemos pelas pessoas que vivem movidas pelo ódio, pelo desejo de vingança e agressão, e, por isso, tratam as outras como se fossem coisas. Que Deus, Pai de misericórdia, torne os seus corações sensíveis à dignidade humana.
Ponto de esforço: tentar olhar todas as pessoas a partir da sua dignidade, especialmente aquelas de quem menos gostamos. Se encontrarmos um marginal, tentemos sorrir para ele, embora com prudência.

Pai Nosso (saboreando a ternura do Pai e a nossa filiação).

Ao Senhor a última palavra: “Vede com que amor o Pai nos amou, ao querer que fôssemos chamados filhos de Deus. E, de facto, somo-lo!” (1 Jo 3,1).

SARMENTOS FRUTUOSOS


“Quem permanece em Mim
e Eu nele dá muito fruto”

cf. Jo 15, 1-8

Pai,
faz que nos tornemos todos
um Sarmento genuíno e frutuoso
da videira de Jesus,
aceitando-O na nossa vida como lhe agrada vir:
como a verdade – que temos de dizer;
como a vida – que temos de viver;
como a luz – que temos de acender;
como o amor – que temos de amar;
como o caminho – que temos de percorrer;
como a alegria – que temos de dar;
como a paz – que temos de difundir;
como o sacrifício – que temos de oferecer
nas nossas famílias e nos nossos vizinhos.

Madre Teresa de Calcutá
“Sorrir a Deus”