domingo, 18 de janeiro de 2009

SEMANA DA UNIDADE (I)


Eles estarão unidos em tua mão

Os cristãos são chamados a ser instrumentos do amor fiel e reconciliador de Deus, num mundo marcado por separações e alienações. Baptizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, professando nossa fé no Cristo crucificado e ressuscitado, nós somos um povo que pertence a Cristo, um povo chamado constituir seu Corpo no e para o mundo. Foi isto que o Senhor pediu, quando orou por seus discípulos: “que eles sejam um, a fim de que o mundo creia”.
As divisões entre os cristãos, no que toca às questões fundamentais da fé e da vida dos discípulos de Cristo, prejudicam gravemente nossa capacidade de testemunho diante do mundo. Em muitos outros países, o Evangelho do Cristo foi anunciado por vozes contraditórias que proclamavam a Boa Nova com formas discordantes. Há quem se sinta tentado a simplesmente resignar-se, considerando tais divisões e os conflitos que lhes são subjacentes como mera e natural herança nossa história. Contudo, trata-se de uma ferida ao interno da comunidade cristã, que contradiz claramente o anúncio de que Deus reconciliou o mundo em Cristo.
A unidade cristã é uma comunhão que se baseia na nossa subscrição à Cristo e a Deus. Convertendo-nos sempre mais a Cristo, nós nos percebemos reconciliados pela potência do Espírito Santo. Rezar pela unidade cristã é reconhecer nossa confiança em Deus; é nos abrir inteiramente ao Espírito. Unida aos demais esforços que empreendemos em prol da unidade dos cristãos – como o diálogo, o testemunho comum e a missão – a oração é um instrumento privilegiado pelo qual o Espírito Santo manifesta ao mundo nossa reconciliação em Cristo, este mundo que ele veio salvar.

Oração
Deus de compaixão, tu nos amaste e perdoaste em Cristo. Tu reconciliaste toda a humanidade em teu amor redentor. Olha com bondade todos aqueles que trabalham e rezam pela unidade das Comunidades cristãs, ainda divididas. Dá-lhes serem irmãos e irmãs em teu amor. Possamos nós ser um, “um em tua mão”. Amém.
Adaptado do Guião para esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos elaborado pelo PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS

sábado, 17 de janeiro de 2009

AMOR CRESCENTE


Quando, logo no início da minha infância, compreendi que Deus existia, sempre fui cautelosa e receosa quanto à minha salvação e quanto à observância no cumprimento rigoroso da vida dedicada a Deus. Mas, quando soube que Ele era o meu criador e juiz de todos os meus actos, eu amei-O profunda e intimamente e a toda hora receio ofendê-l’O com palavras ou com as minhas acções. Mais tarde, quando aprendi que o Senhor nos tinha dado a Lei e os Mandamentos e que tinha realizado tantas maravilhas, com elas, resolvi, firmemente, do mais profundo de minha alma, que eu não amaria a ninguém mais senão a Ele; e as coisas terrenas tornaram-se consideravelmente amargas aos meus olhos.

Após esta constatação, tendo conhecimento de que Deus resgataria o mundo e que nasceria de uma Virgem, senti-me tocada e ferida por um amor tão grande por Ele que não conseguia pensar em nada que não fosse Ele e tudo o que eu desejava era Ele. Afastei-me tanto quanto possível das conversas familiares e da presença de meus parentes e amigos; eu dava aos pobres tudo o que tinha, guardando comigo roupas bem simples e o indispensável para a sobrevivência.

Santa Brígida da Suécia
in Revelações Celestes, livro I, capítulo 10

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009


“O problema não é a bomba atómica,
o problema é o coração dos homens”.

Albert Einstein
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“Onde estiver o teu tesouro,
aí estará também o teu coração.
A lâmpada do corpo são os olhos;
se os teus olhos estiverem sãos,
todo o teu corpo andará iluminado.”

Mt 6, 21-22
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

VENCER OS NOSSOS MEDOS

Conta a Narrativa dos três companheiros de São Francisco de Assis o seguinte facto da vida do santo:
Um dia, indo o jovem Francisco a cavalo perto de Assis, veio um leproso ao seu encontro. Tinha habitualmente grande horror aos leprosos, e por isso foi-lhe violento obrigar-se a descer do cavalo, mas fê-lo, e deu-lhe uma moeda de prata, beijando-lhe a mão. Tendo recebido do leproso um beijo de paz, subiu para o cavalo e seguiu o seu caminho. A partir daquele momento, começou a ultrapassar cada vez mais aquela sua limitação, até conseguir a perfeita vitória sobre si próprio, pela graça de Deus.
Alguns dias mais tarde, tendo-se munido com grande quantidade de moedas, dirigiu-se ao hospício dos leprosos e, tendo-os reunidos a todos, deu uma esmola a cada um, beijando-lhes a mão. No regresso, o que dantes lhe parecia tão amargo – quer dizer, ver ou tocar os leprosos – tinha-se verdadeiramente transformado em doçura. Ver leprosos era-lhe, como por vezes dizia, tão penoso, que não só se recusava a vê-los como a aproximar-se da sua habitação; se lhe acontecia vê-los ou passar perto da leprosaria [...], desviava o rosto e apertava o nariz. Mas a graça de Deus tornou-o tão próximo dos leprosos que, como o atesta no testamento, vivia entre eles e servia-os humildemente. A visita aos leprosos tinha-o transformado.

Todos nós temos obstáculos a enfrentar, quotidianos ou ocasionais, previstos ou inesperados. No trabalho, na família, na hora de tomar decisões profissionais ou vocacionais, nas circunstâncias mais diversas da nossa vida. Francisco sentia repulsa pela lepra. Mas sentia que a perfeição que desejava e o seu amor por Deus só seriam autênticos quando vencesse a sua própria fraqueza, o seu medo.
Perante as dificuldades que se nos deparam, experimentamos diversos sentimentos: hesitação, tentação de desistir, de recuar; fingimos, adiamos, procuramos alternativas… Mas nada disso nos traz a paz.

As dificuldades não são entraves ao nosso crescimento, à nossa vida. São antes desafios e degraus a enfrentar, a vencer. Mesmo que lutando não sejamos bem sucedidos, sairemos sempre mais fortes e enriquecidos pelo esforço. Outras “batalhas” se seguirão. A experiência acumulada de quem nunca desistiu, independentemente dos sucessos alcançados, prepará-lo-á para vencer desafios futuros e decisivos.
Naturalmente, contamos com a ajuda de Deus. Porém, não esperemos que Ele nos poupe das tais dificuldades. Tal como Francisco de Assis, Deus deseja ver-nos crescer na perfeição, vencendo os nossos próprios temores e preconceitos, não apenas pelos nossos méritos, mas na confiança n’Ele.
Então, também a nossa vida se transformará e será mais plena.
*

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

ALBERT SCHWEITZER, a felicidade do serviço


Albert Schweitzer nasceu nesta data de 14 Janeiro, no ano de 1875, na Alsácia então território alemão antes de passar para administração francesa. Filho de um pastor luterano, formou-se inicialmente em teologia e filosofia, sendo ainda um dos melhores intérpretes de Bach e uma autoridade na manufactura de órgãos.

Mas é aos 30 anos que a sua vida irá mudar radicalmente. Sendo docente numa das mais notáveis universidades europeias, músico reputado e pastor da sua comunidade, decide deixar tudo para consagrar a vida à humanidade. Nada do que era chegava para saciar a sua alma sempre disponível para o serviço. Aposta na medicina com o objectivo de ajudar as populações africanas necessitadas.
Parte para o Gabão, juntamente com a sua esposa formada em enfermagem. Ao deparar-se com a falta de recursos iniciais, improvisou um consultório num antigo galinheiro. O clima hostil, a falta de higiene, o idioma que não percebia, a carência de remédios e instrumental insuficiente não o impediram de atender os pacientes. Tratava mais de 40 doentes por dia e paralelamente ao serviço médico, ensinava o Evangelho com uma linguagem apropriada, dando exemplos tirados da natureza sobre a necessidade de agirem em benefício do próximo.
Só a I Grande Guerra interrompeu o seu trabalho missionário. Depois disso, realizou uma série de conferências, com o intuito de recolher fundos para reconstruir a sua obra na África, nomeadamente um hospital devidamente equipado. A sua compaixão não se limitava ao homem, mas a toda a natureza e seus seres.
Como reconhecimento pela sua vida e obra recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1952. O seu exemplo motivou muitos outros missionários e médicos.
Faleceu no dia 4 de Setembro de 1965, em Lambaréné, no Gabão.

A guerra, a miséria de tantos povos levou-o a reflectir sobre a humanidade, iluminado pela sua fé. Eis alguns dos seus pensamentos:
“O mundo tornou-se perigoso, porque os homens aprenderam a dominar a natureza antes de se dominarem a si mesmos.”
“A nossa civilização está condenada porque se desenvolveu com mais vigor materialmente do que espiritualmente. O seu equilíbrio foi destruído.”
“Só são verdadeiramente felizes aqueles que procuram ser úteis aos outros.”
“Não há heróis da acção; só heróis da renúncia e do sofrimento.”
“Os anos enrugam a pele, mas renunciar ao entusiasmo faz enrugar a alma.”
“Não devemos contentar-nos em falar do amor para com o próximo, mas praticá-lo.”
“Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única.”
“A tragédia do homem é o que morre dentro dele enquanto ele ainda está vivo.”
“Não sei qual será o seu destino, mas uma coisa eu sei: os únicos entre vós que serão realmente felizes são os que procurarem e encontrarem um meio de Servir.”

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIMO...


«Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo»
cf. Mc 1,14-20

O homem actual está a caminho de um desenvolvimento mais pleno da própria personalidade e de uma maior descoberta e afirmação dos próprios direitos. Tendo a Igreja, por sua parte, a missão de manifestar o mistério de Deus, último fim do homem, descobre ao mesmo tempo ao homem o sentido da sua existência, a verdade profunda acerca dele mesmo.

A Igreja sabe muito bem que só Deus, a Quem serve, pode responder às aspirações mais profundas do coração humano, que nunca se satisfaz plenamente com os alimentos terrestres. Sabe também que o homem, solicitado pelo Espírito de Deus, nunca será totalmente indiferente ao problema religioso, como confirmam, não só a experiência dos tempos passados, mas também inúmeros testemunhos do presente.

Com efeito, o homem sempre desejará saber, ao menos confusamente, qual é o significado da sua vida, da sua actividade e da sua morte. E a própria presença da Igreja lhe traz à mente estes problemas. Mas só Deus, que criou o homem à Sua imagem e o remiu, dá plena resposta a estas perguntas, pela revelação em Cristo, Seu Filho, feito homem. Aquele que segue Cristo, o Homem perfeito, torna-se mais homem. [...]

Com efeito, o próprio Verbo de Deus, por Quem tudo foi feito, fez-Se homem para, Homem perfeito, a todos salvar e tudo recapitular. O Senhor é o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização, o centro do género humano, a alegria de todos os corações e a plenitude das suas aspirações.

Concílio Vaticano II
Constituição Dogmática «Gaudium et Spes»,
sobre a Igreja no mundo contemporâneo, §§ 41, 45

in evangelhoquotidiano.org

domingo, 11 de janeiro de 2009

PARA AGRADECER O NOSSO BAPTISMO


Nós Vos louvamos e damos graças
porque nos criastes para sermos felizes
e nos entregastes um mundo para transformar
com o nosso esforço e trabalho.

Nós Vos louvamos e damos graças
porque pelo Baptismo nos destes uma vida nova
e fizestes de nós vosso filhos muito amados.

Nós Vos louvamos e damos graças
porque pelo Baptismo fizestes de nós um Povo
com uma só fé, um único Senhor, uma única esperança:
somos a Vossa Igreja!

Nós Vos louvamos e damos graças
porque o Baptismo deu sentido à nossa vida.
Por ele caminhamos na certeza
de ir ao encontro de uma Vida em plenitude.

Nós vos louvamos e damos graças
porque um dia fareis novas todas as coisas
e surgirão uns novos céus e uma nova terra
sem lágrimas, nem morte, nem luto, nem dor.

in “Marcos - este homem era Deus” de Lopes Morgado

sábado, 10 de janeiro de 2009

REZANDO PELA PAZ NA PALESTINA

Presumo que percebam tanto árabe quanto eu.
Então, porquê este vídeo com cântico árabe?
Simplesmente, porque o Natal de Jesus é universal e muitos irmãos de língua árabe são cristãos, nomeadamente na Palestina. Todos acompanhamos, pelos meios de comunicação social, o drama que sucede na faixa de Gaza. Diz-se que Natal é tempo de paz. Porém, de longa data, não o tem sido na terra de Jesus.
Independentemente da simpatia por qualquer um dos lados implicados, importa pedir a Deus que a Paz vença progressivamente, em cada coração humano, as razões que levam ao ódio e à vingança.

Propõe-se que acompanhemos as imagens do vídeo e a melodia do cântico rezando em favor do entendimento desses povos, ambos descendentes de Abraão. Que Judeus, muçulmanos e cristãos possam um dia perceber que o único Deus, criador e redentor de todos, espera de nós que antecipemos o céu na terra, comprometendo-nos na Paz como homens de boa vontade.

Ao despedirmo-nos deste tempo de Natal, fique gravado em nós esse compromisso pela Paz ao longo deste 2009.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

SENHOR, SE QUISERES, PODES CURAR-ME!


"Sim, quero. Fica curado!"
cf. Mc 1, 40-45

Senhor, se quiseres podes curar-me!
Eu creio!
Toca-me, Senhor!

Cura-me da minha lepra:
Quero amar-Te só a Ti
mas todo o meu ser é-Te infiel.
Cura-me da minha cegueira:
Quero descobrir-Te ao meu redor
e só me encontro a mim.
Cura-me da minha surdez:
Quero ouvir o eco da Tua Palavra
mas são outras as vozes a povoarem o meu silêncio.
Cura-me da minha mudez:
Quero responder ao Teu chamamento
mas esqueço que esperas o meu “sim” cada dia.
Cura-me da minha paralisia:
Quero seguir os Teus caminhos
mas confundo-me em falsos cruzamentos.
Cura-me da minha hipocrisia:
Quero ser só Teu
e resisto em dar-me todo a Ti.
Cura-me do meu vazio:
Quero estar repleto da Tua presença
mas, por vezes, não te deixo entrar.

Senhor, se quiseres, podes curar-me!
Eu creio!
Toca-me, Senhor!
Cura-me!
Quero sentir a Tua mão tocar-me.
Quero ouvir a Tua voz dizer-me:
“Sim, quero. Fica curado!”

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

JESUS, NOSSO NORTE


«Tende confiança, sou Eu. Não temais!»
cf. Mc 6,45-52

Todas as embarcações têm uma bússola marítima, cuja agulha magnética aponta sempre a direcção da estrela polar e, ainda que a barca parta do sul, a sua bússola nunca deixa de indicar o norte.

Que, do mesmo modo, o fino ponteiro do espírito indique sempre a direcção de Deus, que é o seu norte [...]. Ides para o mar alto deste mundo; para tal não mudeis de mestre, nem de mastro, nem de vela, âncora ou vento. Tende sempre a Jesus Cristo por mestre, a sua cruz por árvore, nela pondo as vossas resoluções, como quem as estende numa vela; que a vossa âncora seja uma profunda confiança n'Ele, e ide, sim, em boa hora. Queira o vento propício das inspirações celestes enfunar as velas do vosso barco, mantendo-as sempre pandas, e fazer-vos chegar, em felicidade, ao porto da santa eternidade [...].

Que no meio do desnorte tudo encontre o sentido certo, não o digo apenas relativamente ao que está ao redor de nós, mas ao que está mesmo em nós, isto é, quer a nossa alma esteja triste ou alegre, em tranquilidade ou em amargura, em serenidade ou em tribulação, na claridade ou nas trevas, em tentação ou em repouso, em alegria ou em desgosto, em tibieza ou em ternura, quer o sol a queime, quer o orvalho a refresque, ah, é preciso porém que o ponteiro deste nosso coração, do nosso espírito, da nossa superior vontade, que é a nossa bússola, vele sempre, e se guie, incessante e perpetuamente, pelo amor de Deus.

São Francisco de Sales (1567-1622),
Bispo de Genebra e Doutor da Igreja


quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

EMMANUEL de la RONCIÈRE, alcançar a felicidade pela santidade


“O futuro incomoda-me. Tenho um temperamento inquieto, instável, a minha adolescência prolonga-se. Irá terminar aos 40 anos? Desejo que sim, para estar sempre insatisfeito (pois isso é um privilégio).
Encaro a hipótese de ser artista, poeta, monge, filósofo, médico… O meu sonho era atingir a felicidade pela santidade.”
O rapaz que sonha com a santidade chama-se Emmanuel de la Roncière. Nasceu a 25 de Março de 1954, em França e faleceu no dia 7 de Janeiro de 1975. É um jovem cheio de vida, turbulento, brincalhão, mas, no dizer dos seus pais, “adopta cedo os valores mais fundamentais: sinceridade, pureza, renúncia à vulgaridade, ao tédio, sentido de generosidade e de oração”.
“A adolescência será para ele uma prova, trazendo à luz a sua insatisfação, as suas aspirações fervorosas ao amor total, a uma amizade perfeita. Sentir-se-á tentado pela droga, pelo movimento «hippie» (muito em voga na época), pelo «psicadelismo» (tem 15 anos pouco depois de 68). Esses movimentos atraem-no pela sua recusa do conformismo, pela procura de novos modelos de vida, de amor, de expressão artística. Mas é demasiado sensível e íntegro para não se aperceber dos excessos e perigos que contêm.”
Porém, Emmanuel cresce, reflecte, confronta-se com a vida e a realidade que o rodeiam. Uma prima dirá dele: “Tive a graça de conhecer Emmanuel este verão (1972)… e de admirar a sua maturidade de reflexão, uma sabedoria feita, já então, de renúncia de amor pelos outros, de Deus e, sobretudo, de esquecimento de si próprio. Como se tivesse já compreendido que o essencial não é existirmos para nós mesmos, mas para um imenso Universo… Penso que ele estava mais perto da Verdade que a maior parte de nós.”
Viver para o Essencial
Para além da sua paixão pela vida, quem o conheceu destaca a sua fé, hesitante no início mas que se aprofunda no final da sua vida, centrando-se em Deus como o seu Essencial. Aproxima-se dos sacramentos, nomeadamente da eucaristia e da comunhão. “A sua alma contemplativa chega a Deus através da beleza – das paisagens, do mar, do céu -, mas também por uma relação directa, uma experiência íntima e pessoal… A sua experiência espiritual não o leva a esquecer a vida sobre a Terra, com os seus problemas, os seus sofrimentos e também as suas alegrias, nas quais se detém brevemente, mas com entusiasmo”.
Quando lhe perguntam que virtude escolheria se tivesse possibilidade disso, responde: “Penso que escolheria a perfeita atenção aos outros… Creio que é uma forma de santidade”.

É no final de uma última e longa viagem solitária de bicicleta que será colhido por um carro.
Por fim, um último testemunho, o de uma amiga, agora consagrada: “Nada na Terra satisfazia a sua sede de absoluto. Deus, que o atraía misteriosamente, levava-o a queimar as etapas, para o conduzir mais depressa à plenitude da Vida…
Com quanta força e segurança atingiu ele o seu alvo! Como é belo passar, num instante, sem angústia, sem agonia, do desejo à posse, da sede à saciedade, das sombras da fé à luz da contemplação… Que deslumbramento!”