terça-feira, 13 de novembro de 2007

PROFISSÃO SOLENE NO CARMELO (PARTE 1)

No próximo domingo 23 de Setembro a Ir. Filomena Maria irá professar solenemente no
Carmelo da Santíssima Trindade da Guarda. Oriunda de Viana do Castelo, muito gentilmente acedeu a responder a algumas perguntas.
Eis a primeira parte da entrevista:

- Como tudo aconteceu?
Ir. Filomena Maria: Durante a adolescência, veio o desinteresse pela religião acompanhada de uma certa revolta… Embora o tema “Deus” andasse sempre por perto, por mais voltas que desse, as perguntas eram sempre as mesmas: Quem é Deus? Onde está? Longe? Perto?
Até que um dia, a minha irmã mais velha me emprestou as “Confissões” de Santo Agostinho. Foi a derrocada de tantos preconceitos preestabelecidos. Foi a minha rendição total.
Mais dois anos e o movimento do Caminho Neocatecumenal deu início a catequeses em Viana. Com muita história pelo meio, eu lá fui assistir. Mais uma vez, apanhei “por tabela” no meu orgulho e a minha “cegueira” começou a ser curada.
Nasceu a primeira comunidade e eu iniciei então a minha conversão e aprofundamento do que era ser baptizada, conhecer a Deus como Pai, que Ele é Amor e que me aceita tal como sou, rebelde, pecado e nada.
Maravilhoso… claro que tive sofrimento, mas também momentos lindos.

- Qual o significado da vocação?
Ir. F. M.: Sempre me questionei saber o porquê da minha existência e para quê. Tinha que descobrir e fazer algo mais.
Participei de alguns encontros vocacionais, onde descartei a vida activa, missões, etc…
Queria algo mais íntimo, que me aproximasse do conhecimento pessoal de Deus. Como eu já conhecia a igreja dos padres carmelitas de Viana e era apaixonada pela nossa Mãe Santíssima do Carmo, pensei nas contemplativas. Como não há Cartuxa feminina em Portugal e o mais aproximado é o Carmelo, comecei então a pensar seriamente no assunto. Mas tinha, ou melhor, colocava resistências: muitos “ses” e “mas”…
Até que falei ao meu catequista expondo-lhe o que se passava e mandou-me esperar um pouco. Como persistia a ideia, lá me orientou para o Carmelo da Guarda que ele já visitara.
E cá estou, há cinco anos.

- Que dificuldades implicaram tal decisão?
Ir. F. M.: É claro que custou deixar a família, o emprego, a minha liberdade, o mar…, mas sentia-me atraída por Jesus e sei-me chamada a esta vida “escondida” e “só”. Tem momentos difíceis mas, com calma, tudo se supera. Com confiança, paciência e muito Amor.
Ser de Jesus, ser seu instrumento é tudo quanto desejo.

PARA SEGUIR JESUS...


"Quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo".
Lc 14, 33

Para viver a saborear tudo,
não queiras ter gosto em nada.
Para vir a possuir tudo,
não queiras possuir algo em nada.
Para vir a ser tudo,
não queiras ser algo em nada.

Quando reparas nalguma coisa
deixa de te lançar no TUDO;
Porque para vir de todo ao TUDO,
tens de negar-te de todo em tudo.
E quando de todo o venhas a ter,
tens de o ter sem nada querer;
Porque se quiseres ter algo em tudo,
não tens em Deus o teu tesouro.

S. João da Cruz, 1 Subida, 13,12

PARA OS TEMPOS DE VIAGEM

ACOLHER
Olhar o meu irmão
de estranha cor e admirar:
É a beleza de meu irmão!
Escutar o meu irmão
de palavras estranhas,
escorrendo o desconhecido
e espantar-me:
É o idioma do meu irmão!
Contemplar o meu irmão
de estranha religião
e maravilhar-me:
Então também tu, meu irmão,
tomaste a estrada para Deus!

ACOLHER,
Oferecer-me à novidade dos rostos
e dos corações estendidos,
para destribuir o pão multiplicado do meu amor,
aprendendo os gestos do Nazareno
que pousa a felicidade nas mãos em espera
ao longo dos caminhos.

ACOLHER
Porque somos, todos e em todo o lado,
os filhos múltiplos de Deus Estranho
cujo Nome canta o infinito da ternura
para os viajantes da terra.

ACOLHER
E criar assim um outro planeta
onde a cor e as palavras e a religião
estranhas e diversas
são as primeiras notas da música universal
cantada pela nova terra
onde os irmãos, finalmente, se reconheçam:
“Realmente, somos todos os filhos do Pai!”

Charles Singer

SÊ UM VIGIA

(a propósito do evangelho do XIX domingo comum - Lc 12, 32-48)
Foste baptizado na Páscoa de Cristo.
Escuta os murmúrios do seu Espírito, que habita o teu coração. É Ele a tua luz, a tua vigilância interior, que faz de ti um vigia na noite.

Escuta o Espírito de Deus e sê um vigia: acolherás as fontes da vida, da paz e da alegria; descobrirás a face escondida e luminosa, dos seres e das coisas.

Escuta o Espírito de Deus e sê um vigia: ouvirás, no jardim silencioso do teu coração, os passos discretos do Senhor que te procura; e poderás entrar na sua Aliança de amor, desde a aurora de cada manhã.

Escuta o Espírito de Deus e sê um vigia: saberás desconfiar das mentiras do mundo; evitar as forças do mal; e descobrirás, cada dia, no pão partilhado, o rosto daquele que vem ao teu encontro.

Escuta o Espírito de Deus e sê um vigia: terás a coragem de recusar a injustiça e o ódio; e saberás lutar contra o absurdo da vida, com a confiança d’Aquele que se não deixou seduzir pela
fascinação do pecado, nem pela astúcia do tentador.

Escuta o Espírito de Deus e sê um vigia:
examinarás os sinais dos tempos, no meio do povo da esperança; e cultivarás, no teu coração vigilante, os germes do crescimento do reino, para apressares a última vinda do teu Senhor.

Pe. José Martins Vaz, Cssp

EDITH STEIN - A Testemunha da Verdade

09 de Agosto
Santa Teresa Benedicta da Cruz Edith Stein nasceu em Breslau, actualmente Wroclaw, capital da Silésia, na Alemanha (cidade que, depois da Segunda Guerra Mundial, passou a pertencer à Polónia), no dia 12 de Outubro de 1891, quando se celebrava a grande festa judaica do Yom Kippur, o Dia da Reconciliação.
Seus pais, Sigefredo e Augusta, eram comerciantes judeus. Edith foi a última de onze filhos. O pai faleceu em 1893. A mãe encarregou-se dos negócios da família e da educação dos filhos.
A pequena Edith, segundo o seu próprio testemunho, foi muito dinâmica, sensível, nervosa e irascível. Aos sete anos, começou a possuir um temperamento mais reflexivo.

Em 1913, ingressou na Universidade de Gottingen e dedicou-se ao estudo da Fenomenologia. Aí encontrou a sua verdadeira vida: livros, companheiros e, sobretudo, o célebre professor E. Husserl. Durante este tempo chega a um ateísmo quase total.
Em 1914, explode a Primeira Guerra Mundial. Edith vai trabalhar num hospital com quatro mil camas. Entrega-se a este trabalho de corpo e alma.

Estuda com seriedade a Fenomenologia, até se encontrar com a doutrina católica. Encontra definitivamente a sua nova fé em 1921, quando lê a autobiografia de Santa Teresa de Jesus. O amor a Deus, o Absoluto, toma conta de sua alma: “Cristo elevou-se radiante ante meus olhos: Cristo no mistério da Cruz”. Sob a direção do Padre jesuíta Erich Przywara, começa a estudar a teologia de São Tomás de Aquino.
Baptiza-se no dia 1 de Janeiro de 1922, recebendo o nome de Teresa Edwig. Desde então sente-se evangelizadora: "Sou apenas um instrumento do Senhor. Quem vem a mim, quero levá-lo até Ele”. "Deus não chama ninguém a não ser unicamente para Si mesmo”.

Aos 42 anos, no dia 15 de Abril de 1934, festa do Bom Pastor, veste o hábito carmelita no Convento de Colónia.
Sua conversão, que não a impede de continuar a sentir-se filha de Israel, enamorada de sua santa progenitura, separa-a, contudo, de sua família e de sua amada mãe: “Minha mãe opõe-se com todas as suas forças à minha decisão. É difícil ter que assistir à dor e ao conflito de consciência de uma mãe, sem poder ajudá-la com meios humanos”. (26-01-1934).
No dia 21 de Abril de 1935, domingo de Páscoa, faz seus votos religiosos e três anos depois, no mesmo dia, seus votos perpétuos. Sua vida será uma “Cruz” transformada em “Páscoa”.

Na Alemanha, os nazis começam a semear o ódio ao povo judeu. Ela pressagia o destino que a aguarda. Tentam salvá-la, fazendo-a fugir para a Holanda, para o Carmelo de Echt. Membros das SS não tardam a invadir o convento e prendem Irmã Benedicta e sua irmã Rosa, também convertida ao catolicismo.
Três dias antes de sua morte, Edith dirá: “Aconteça o que acontecer, estou preparada. Jesus está aqui conosco”. (06-08-1942).
Após vários tormentos, no dia 9 de Agosto de 1942, na câmara de gás do “inferno de Auschwitz", morria a mártir da Cruz, Irmã Teresa Benedicta. Foi beatificada no dia 1º. de Maio de 1987, em Colônia, e canonizada em 1999 pelo papa João Paulo II.
O mesmo Papa declarou-a, com Santa Catarina de Sena e Santa Brígida da Suécia, padroeira da Europa.

cf.geocities.yahoo.com.br/monjascarmelitas

EM VIDA, IRMÃO, EM VIDA…

Não esperes pela sepultura
Das pessoas para as amar
E dar-lhes a sentir a tua ternura
Fá-lo em vida, Irmão, em vida…

Ser venturoso mereces
Se aprenderes a fazer felizes
A todos os que conheces
Em vida, Irmão, em vida…

Nuca visites panteões
Nem enchas tumbas de flores
Enche de amor corações
Em vida, Irmão, em vida…

Se queres feliz fazer
Alguém a quem queiras muito…
Diz-lhe, hoje, o teu querer
Fá-lo em vida, Irmão, em vida…

Se desejas dar uma flor,
Não esperes que ela murche
Manda-lha, hoje, com amor…
Fá-lo em vida, Irmão, em vida…

Se desejas dizer “gosto de ti”
À gente da tua casa, que te é querida,
Ao amigo perto ou longe,
Fá-lo em vida, Irmão, em vida…

"MISSÃOBIQUE"


Duas jovens da nossa Diocese embarcaram no domingo 29 de Julho para Moçambique. Apoiadas pelo Guard'África, esperam realizar o que ficou denominado por "Missãobique".
O Voc Acção quis ouví-las, conhecer as suas motivações antes da partida e partilhar contigo as suas mensagens.

Vera Mónica Pragana Cairrão
1. Porquê ir em missão?
R. - Ir em missão… a ideia, quando surgiu, não foi bem com esta conotação. Primeiro, e já hà algum tempo, surgiu a vontade de ir para África. África sempre me despoletou um ímpeto de partir e de conhecer aquela terra, aquela gente. A ideia original foi a de descoberta e a de partilha de uma outra cultura. A ideia de “missão” foi-se construindo a partir desta vontade, deste sentimento, e agora, concretiza-se. Vou estar em África num espírito de partilha e de envolvimento.

2. Que expectativas tens?
R. - As expectativas que tenho centram-se apenas no estar, escutar, dialogar com o outro, com aqueles que me aguardam, os quais estou ansiosa por conhecer e por descobrir.

3. O que representa para ti esta missão? Qual o seu sentido?
R. – Esta missão significa a concretização de uma cumplicidade muito desejada e que se pretende livre e sincera. Esta missão representa, acima de tudo, o início de uma caminhada de aprendizagem do amar e, essencialmente, de amar o outro em liberdade. A missão tem para mim um significado de reflexão, de abertura a outras perspectivas do “estar” na vida, do “estar” com o outro.

Ana Cristina Gonçalves Quadrado
1. Porquê ir em missão?
R. - Esta missão representa o início de mais uma caminhada acompanhada, passo a passo, com o Amor que Deus Pai “depositou” em nós…

2. Que expectativas tens?
R. - As expectativas de me envolver com o “próximo”, de amar, acarinhar, compreender, aprender, crescer,…

3. O que representa para ti esta missão? Qual o seu sentido?
R. – Trata-se de uma “semente” que germinou no meu coração desde muito cedo, de uma vontade que só o coração entende. Agora nasceu a primeira flor deste jardim interior e está carregado de “sementinhas” para o encher de flores…
A ambas o Voc Acção deseja uma boa missão.
Estaremos atentos ao seu regresso.

A VIDA!

A vida é dom de quem tanto amou
E só a ganha aquele que a “perder”.
Deus Seu próprio Filho entregou
Para o “homem novo” renascer.

A vida é um dom do Criador
Com uma só missão que é servir.
É sempre um projecto de amor
Do amor que está em nós para unir!

A vida é a voz de Alguém que chama
Alguém que me olhou, escolheu e quis.
A vida é a resposta de quem ama
Ao Deus que me sonhou fazer feliz.

A vida é o alento do Amigo
A vida é uma aventura de irmãos.
A vida é o próprio Deus que está comigo
E cada dia vem às minhas mãos.


IMAC

ACEITA-ME, SENHOR!

Aceita-me, Senhor!
Aceita-me neste breve momento.
Deixa no esquecimento os dias órfãos
que passei sem Ti.
Alonga este meu pequeno momento,
em teu peito, descansadamente, e segura-o
debaixo da Tua luz.
Vagueei por muitos caminhos,
perseguindo vozes que me atraíam,
e elas não me levaram a nenhum lugar.
Agora, deixa-me sentar, em paz,
para ouvir as Tuas Palavras
no silêncio do meu coração.
Não afastes o Teu rosto
dos obscuros segredos do meu coração.
Não, acende-os, até que ardem
com o Teu fogo!

R. Tagore

ORDENAÇÃO SACERDOTAL

Este domingo 1 de Julho, vai ser ordenado sacerdote o jovem Rui Miguel Manique Nogueira, natural de Aldeia de Joanes, Fundão, e que trabalha pastoralmente no arciprestado de Pinhel, coadjudando o Pe. Henrique. Para todos, ele quis deixar uma mensagem sobre o significado deste passo que vai mudar a sua vida e enriquecer a daqueles que benficiarem da sua entrega a Cristo:
Ser Padre…
Vou ser padre porque Deus me escolheu.
Porque Deus serviu-se da minha simplicidade, das minhas mãos vazias para me dizer “Preciso de ti… preciso do teu SIM”. Precisa das minhas mãos, dos meus pés, da minha boca para continuar a sua grande missão: amar sem medida.
É uma grande aventura. Um enorme desafio. Sei que vou transportar um grande tesouro em vasos de barro. Não tenho medo, sei que o Espírito Santo me sustentará e a luz de Deus será o meu farol no meio da tempestade… o abraço no meio da solidão…“O Senhor é a minha rocha, fortaleza e protecção”.
No próximo domingo vou voltar a dizer a Deus “Senhor, te ofereço o meu Amor… te ofereço o meu sim”, e quero fazê-lo todos os dias da minha vida. Não é que Deus precise… mas Deus merece.

Rui Manique

Será, na mesma celebração, ordenado diácono o Giberto Antunes, natural de Rochas de baixo, Almaceda, e que tem colaborado nas paróquias confiadas à comunidade pastoral de Celorico.
A ambos, desejamos as maiores bênçãos de Deus e felicidades no desempenho das suas novas missões.

NOVO ACÓLITO

Por coincidência, ou não, vai dar-se a minha instituição de Acólito na altura em que termino o Curso de Teologia e consequentemente a etapa da vida em Seminário.É um misto de sensações que me invade... alegria, pela caminhada já realizada; entusiasmo, por dentro em breve ser enviado de forma mais permanente a alguma(s) comunidade(s) da diocese, para junto delas poder trabalhar de forma mais intensa; receio, de não estar a altura da missão que me será confiada... receio de não corresponder às expectativas que poderão recair sobre mim; esperança no futuro e um grande sentimento de dedicação à Igreja.No entanto, e apesar de todos os receios, uma certeza me anima: a proximidade e o amor de Jesus Cristo, que quero seguir com toda fé, com toda a esperança e com toda a caridade.A instituição de Acólito, aproxima-nos de forma especial com a Eucaristia, fonte e alimento de toda a vida cristã, alimento esse que nos dá a força espiritual para enfrentar as dificuldades no dia-a-dia. É nessa fonte que eu quero beber todos os dias e encontrar a Luz que ilumina verdadeiramente para que todo o meu agir possa ser "por Cristo, com Cristo e em Cristo".

Valter Duarte

NOVOS LEITORES

No próximo domingo, dia 1 de Julho na Sé Catedral da Guarda, serão ordenados um novo sacerdote e um diácono. Juntamente com eles receberão a instituição de leitor e de acólito três jovens. Propomos-te conhecê-los nestes dias que antecede a grande festa de toda a Igreja diocesana.


Muitas são as etapas de uma caminhada. No caminho ao sacerdócio o leitorado é uma delas. Num mundo, em que a palavra é tantas vezes polissémica, importa anunciar aquele que é PALAVRA.Que Deus me ilumine e que escutando, meditando e rezando a Palavra seja semente Desta no mundo.


Hugo


Receber o ministério de leitor é o reassumir de um compromisso…

É a renovação de um sim dado a Jesus Cristo numa responsabilidade de ler, meditar e transmitir aos outros essa Palavra de alegra, a mesma que sinto por assumir este ministério na Igreja a que quero pertencer de modo mais comprometido.

Luis Freire