sábado, 9 de maio de 2009

SEMANA DA VIDA


10 a 17 de MAIO 2009
A Família, instituição natural fundada nos laços de amor entre o homem e a mulher, é o espaço vital e ideal, com condições únicas para acolher, proteger e cuidar da vida humana, numa entrega quotidiana feita de afecto, dedicação, gratuidade, reconhecimento e testemunho de serviço.
No exercício educativo, só a família está apta a formar permanentemente, desde tenra idade, para os valores que dão à vida um colorido verdadeiramente humano e a abrem ao mistério e sentido dos outros, do mundo e de Deus.
Humanizar pelos valores é fornecer as ferramentas básicas da liberdade mais profunda que leva a pessoa a agir bem e a cair na conta do Belo, do Verdadeiro, do Bom.
A dignidade e a excelência da pessoa humana assentam na interiorização dos valores fundamentais da vida que a impulsionam a fazer bem o que deve ser feito, com amor e com interesse pelo bem comum. Cultivar os valores não é renunciar à felicidade mas antes meter-se nos seus trilhos. Sem valores, a vida perde o horizonte e as referências, e a pessoa fica à mercê do apetecível e, muitas vezes, da força perversa e anárquica de instintos. A conduta pautada por valores tende a ser uma conduta direccionada, habitual, estável e perseverante.
do guião da Semana da Vida 2009

POEMA A MARIA


Um único olhar vosso,
me atingiu para sempre


Apesar de não saber ler nem escrever, ó Maria,
o amor que sinto por vós, numa infinita inspiração,
soletra o vosso nome, docemente, para mim, ó Maria,
como o vento semeia as flores deste lugar.

Eu sou o pássaro ferido que seria curado,
se bebesse em vossos olhos, como se bebe na fonte,
Devo dizer-vos ainda: de vós, tudo aprendi.
Que entre as vossas mãos eu possa pousar meu coração, de amor inflamado.

Minhas armas eu as coloco sobre os vossos joelhos, Maria,
assim, os meus sonhos, desejos e todas as minhas loucuras.
Tão despojado quanto a chama que queima a vela
eu vos amo, mas sei que não valho o preço; tal dom, eu não mereço.

Quando não sentia este ardor por vós, Maria,
eu só havia provocado falsos incêndios.
Um único olhar vosso me atingiu para sempre...
Como um mendigo, corro sob o vento, corro sob a chuva.

Daniel Facérias
Maria

sexta-feira, 8 de maio de 2009

MIRIAM TERESA DEMJANOVICH, o testemunho vivido no silêncio


Teresa nasce a 26 de Março de 1901 em New Jersey, nos Estados Unidos da América. Filha de pais emigrantes eslovacos, chegados 7 anos antes, a família enfrenta grandes dificuldades económicas. Católicos de rito bizantino, são ostracizados pela maioria católica romana irlandesa que controla a vida social, cristã e educativa. Nacionalismos, racismo e preconceitos gangrenam a cristandade americana e Teresa Demjanovich comprová-lo-á toda a sua vida.
Inteligente e apaixonada pela leitura e desporto, Teresa vive a sua escolaridade constantemente humilhada pelas suas companheiras, contando apenas com a amizade de raparigas oriundas de outras minorias étnicas, italiana, alemã ou polaca. Teresa, apesar do seu carácter impetuoso, decidido, voluntário e independente, não responde às provocações. Quem a conhece aprecia a sua prontidão em servir, a sua discrição, boa disposição e humor.
Como contraponto ao ambiente pesado da escola, Teresa felizmente conta com o apoio e amizade do seu irmão Carlos com quem partilha uma cumplicidade espiritual. Carlos decide ser sacerdote, Teresa sonha com o Carmelo. Mas ela tem de permanecer em casa e amparar a mãe até à morte desta, em 1918. Posteriormente, o pai opõe-se à sua vocação carmelita.
Teresa vê-se obrigada a optar por outra via, a do ensino respondendo a uma proposta formulada pelas Irmãs da Caridade. Mas esta experiência não deixa grandes recordações. O seu método de ensino é demasiado inovador, opondo-se ao regime de uniformidade aplicado em detrimento do acompanhamento personalizado defendido por ela: “Afirmai a vossa individualidade. Não procurai imitar os outros. Sede verdadeiramente vós mesmas.”

Uma vocação atribulada mas perseverante
A 11 de Fevereiro de 1925, depois da morte do pai, Teresa entra como postulante para as Irmãs da Caridade, oferecendo a Deus o sacrifício do seu sonho carmelita. De imediato, ganha a hostilidade da sua mestra de noviças que não compreende a sua “veia” mística. Nessa época, as congregações religiosas na América não entendiam a necessidade de conciliar acção e contemplação. O próprio capelão, padre Bradley, amigo e conselheiro de Teresa, luta em vão contra essa estreiteza de espírito.
Apesar das incompreensões e vexações que sofre, Teresa, agora Irmã Miriam Teresa, revela-se uma noviça exemplar, humilde, discreta. Adapta-se a tudo, apoiada pelo seu director espiritual e pela convicção que Deus a quer naquele lugar. Enriquecida espiritualmente por Deus, é ela que prepara e escreve as reflexões e retiros pregados pelo padre Bradley à comunidade, a pedido do próprio. Só após a morte da jovem religiosa se saberá desta verdade, pois é considerada por todas como insignificante. Miriam Teresa aceita o anonimato e o desprezo das suas irmãs como uma missão: “Nosso Senhor pediu-me para sacrificar a minha vida pela conversão da comunidade.”
A vida da Ir. Miriam Teresa prova-nos que a união da alma a Deus na contemplação é a fonte de todo o apostolado autêntico, que a oração não está reservada a pessoas de elite mas é uma necessidade de todo o cristão na fidelidade ao seu baptismo.

No final de 1926, Miriam Teresa é hospitalizada, esgotada e com diversas complicações de saúde. Durante seis meses, sofre em silêncio, confortada pelas visitas do seu irmão Carlos, já sacerdote e pelo Pe. Bradley. Falece no dia 8 de Maio de 1927, com 26 anos e apenas 2 de vida religiosa. A causa de beatificação foi introduzida em 1980.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O AMOR QUE REDIME


«Não vim para condenar o mundo, mas sim para o salvar»
cf. Jo 12,44-50

Não é a ciência que redime o homem. O homem é redimido pelo amor. Isto vale já no âmbito do mundo humano. Quando alguém experimenta um grande amor na sua vida, trata-se de um momento de «redenção» que lhe dá um sentido novo à vida. Mas, muito rapidamente, dar-se-á conta também de que o amor que lhe foi dado não resolve, por si só, o problema da sua vida. É um amor que permanece frágil; pode ser destruído pela morte. O ser humano necessita do amor incondicional. Precisa daquela certeza que o faz dizer: «Nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura nem o abismo, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus, Senhor nosso» (Rom 8, 38-39). Se este amor absoluto existe, com absoluta certeza, então – e somente então – o homem está «redimido», independentemente do que lhe possa acontecer em dada circunstância.
É o que isto significa, quando dizemos: Jesus Cristo «redimiu-nos». Através d'Ele tornamo-nos seguros de Deus – de um Deus que não constitui uma remota «causa primeira» do mundo - porque o seu Filho unigénito fez-Se homem e d'Ele pode cada um dizer: «Vivo na fé do Filho de Deus que me amou e Se entregou por mim» (Gal 2, 20).
Papa Bento XVI,
Encíclica «Spe Salvi», § 26
in
www.evangelhoquotidiano.org

quarta-feira, 6 de maio de 2009

ASSEMBLEIA VOCACIONAL


Institutos de Vida Consagrada reuniram na Guarda
Assembleia Vocacional na Semana das Vocações

Realizou-se no passado sábado, 2 de Maio, no Centro Apostólico D. João de Oliveira Matos, na Guarda, a primeira Assembleia Vocacional promovida pelo Secretariado Diocesano de Pastoral Vocacional da Diocese da Guarda.
Era destinada a todos os Institutos de Vida Consagrada da Diocese, quer femininos quer masculinos, e contou a presença de nove Institutos: Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, Filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo, Instituto de Sta. Doroteia, Irmãs de S. João Baptista e de Maria Rainha, Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora das Vitórias, Religiosas do Sagrado Coração de Maria, Servas de Nossa Senhora de Fátima e Liga dos Servos de Jesus.
Iniciou-se a manhã com uma oração vocacional. Depois, o Padre Hélder Lopes, responsável pelo SDPV da Guarda, explicou, fundamentado nas “Bases da Pastoral Vocacional” elaboradas pela Conferência Episcopal Portuguesa, o que é Pastoral Vocacional e para que servem estruturas paroquiais, diocesanas e nacionais de Pastoral Vocacional, como por exemplo, o Secretariado Diocesano de Pastoral Vocacional.
Depois de feita uma reflexão conjunta, os presentes iniciaram o processo para uma publicação com a identificação de cada Instituto de Vida Consagrada presente na Diocese, e acordaram formas de promover uma programação e calendarização de actividades vocacionais conjuntas, assim como, formas de divulgação das actividades que cada um promove a nível diocesano ou a nível nacional.
A avaliação final global foi positiva e, por isso, decidiu-se continuar este tipo de iniciativa, na Diocese. A próxima Assembleia Vocacional realizar-se-á no final de Setembro.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

UMA PORTA QUE SALVA


«Se alguém entrar por Mim estará salvo.»
cf. Jo 10,1-10

«Eu sou o bom pastor». É evidente que o título de pastor convém a Cristo. Porque, assim como um pastor leva o seu rebanho a pastar, assim também Cristo restaura os fiéis através do alimento espiritual, que é o Seu corpo e o Seu sangue. [...] Por outro lado, Cristo afirmou que o pastor entra pela porta e que Ele próprio é essa porta; temos de compreender, pois, que é Ele que entra, e que entra por Si mesmo. E é bem verdade: é por Si mesmo que Ele entra; manifesta-Se a Si mesmo e mostra que conhece o Pai por Si mesmo, enquanto que nós entramos por Ele e é Ele que nos dá a felicidade perfeita.
Mais ninguém é a porta, porque mais ninguém é «a luz verdadeira que a todo o homem ilumina» (Jo 1, 9). [...] É por isso que nenhum homem afirma ser a porta; Cristo reservou para Si este nome, como pertencendo-Lhe com propriedade. O título de pastor, porém, comunicou-o a outros, deu-o a alguns dos Seus membros. Com efeito, também Pedro o foi (Jo 21, 15) e os outros apóstolos, e todos os bispos. «Dar-vos-ei pastores segundo o Meu coração», diz a Escritura (Jer 3, 15). [...] Nenhum pastor é bom se não estiver unido a Cristo pela caridade, tornando-se assim membro do verdadeiro pastor.
Porque o serviço do Bom Pastor é a caridade. É por isso que Jesus afirma que dá a vida pelas Suas ovelhas (Jo 10, 11). [...] Cristo deu-nos o exemplo: «Ele deu a Sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1Jo 3, 16).

São Tomás de Aquino (1225-1274),
teólogo dominicano, Doutor da Igreja,
Comentário ao Evangelho de João 10, 3

domingo, 3 de maio de 2009

JESUS BOM PASTOR


Bem o sabemos, Tu e eu, Senhor:
Ontem perdi-me; hoje encontraste-me,
Meu único e Bom Pastor!

Padecerei sempre de vertigens
Assim é, pelo meu pecado e por teu amor.
Sob o teu olhar, passarei de um para o outro.
Toma-me em teus ombros e leva-me,
Oferece-me a protecção segura do teu cajado.
Rumo a Ti, seguindo a tua voz, não vacilarei jamais.
.

sábado, 2 de maio de 2009

SEMANA DAS VOCAÇÕES (VII)


Dai-nos rostos claros

Pai,
Senhor do Universo e da História,
nós sabemos que as vocações
são um dom do vosso amor,
fruto da vossa iniciativa,
chamamento que fazeis a cada um,
para viver uma existência
plena de amor e liberdade.
Escutai hoje esta oração
que vos pede especialmente
aqueles operários que se dediquem
às grandes messes da humanidade inquieta,
que façam ouvir o Evangelho
aos que não se sentem amados,
que andam perdidos e desorientados.
Mandai-nos apóstolos de coração puro,
testemunhos santos.
Rostos claros de pessoas felizes
porque escolhem o máximo,
arriscam tudo e recebem cem vezes mais.
Não Vos importa
que nos faltem mestres de caridade e paciência?
Apóstolos que digam aos jovens
que há uma beleza indestrutível no mais fundo de si,
misteriosa e luminosa,
que nada nem ninguém pode ofuscar?
Operários que os ajudem a sintonizar
a voz bela e verdadeira do Bom Pastor
que os chama porque os ama?
Que os vossos operários
transmitam confiança e serenidade,
sejam sinais de esperança, do Reino que virá.
Escutai com bondade, ó Pai,
estes pedidos que Vos fazemos com fé,
cumprindo as indicações de Jesus,
Vosso Filho e nosso Irmão.
Ámen

sexta-feira, 1 de maio de 2009

ASSEMBLEIA VOCACIONAL

Institutos de Vida Consagrada da Diocese reúnem na Guarda
Neste próximo sábado, dia 2 de Maio, vão reunir-se no Centro Apostólico D. João de Oliveira Matos, os representantes de cada Instituto de Vida Religiosa da Diocese Guarda, na primeira Assembleia Vocacional promovida pela equipa do Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional. O início dos trabalhos está marcado para as 9h30 e o termo para as 13h00.
Na carta enviada aos Institutos, o SDPV refere que se pretende com esta Assembleia Vocacional reflectir: “o que é a Pastoral Vocacional; para que serve um Secretariado Diocesano das Vocações; encetar esforços para um trabalho em comum entre todos os Institutos presentes na Diocese; dar a conhecer e tentar coordenar as diversas actividades pastorais desenvolvidas por cada um”.
Além disso pode ler-se também que se espera “poder aqui iniciar o processo para uma publicação actualizada com a identificação de cada Instituto de Vida Consagrada e de cada Congregação Religiosa masculina e feminina, e também um pequeno calendário com a programação das principais actividades vocacionais desenvolvidas na Diocese”.
Esta é mais uma forma de celebrar a 46ª Semana das Vocações que na nossa Diocese conta também com as propostas e subsídios nacionais promovidos pela Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios.
Estamos certos de que é apenas um primeiro passo numa nova etapa desta equipa renovada que trabalhará em sintonia com a equipa do Departamento da Pastoral Juvenil da Guarda e que procurará realizar um trabalho coordenado e conjunto com os movimentos e associações juvenis e todos os Institutos de Vida Consagrada da Diocese.

MÊS DE MAIO, MÊS DE MARIA


Consagração do mês de Maio a Maria
Já no século XIII, Afonso, o Sábio, rei de Castela, havia associado a beleza de Maria à beleza do mês de Maio, em um dos seus cantos poéticos. No século seguinte, o bem-aventurado dominicano Henri Suso, por ocasião da festa das flores, no primeiro dia de Maio, costumava trançar, com belas e viçosas flores, delicadas coroas para a Virgem Maria.

Em 1549, o beneditino, de nome Seidl, publicou um livro intitulado “O mês de Maio espiritual”. São Filipe Neri já exortava os jovens a manifestar um culto particular a Maria, durante o mês de Maio, reunindo crianças em torno do altar da Santa Virgem para oferecer-lhe as flores da primavera. No correr do tempo, os jesuítas recomendavam que, na véspera do dia primeiro de Maio, as pessoas deveriam erguer em seus lares, um altar a Maria, ornamentado com flores e luzes e, a cada dia do mês, a família deveria se reunir para fazer algumas orações em honra da Santíssima Virgem, antes de fazer um sorteio que indicaria, a cada um, a virtude que deveria praticar no dia seguinte.Esta devoção mariana perpetuou-se, mundo afora, até os nossos dias.

SEMANA DAS VOCAÇÕES (VI)

Confiar
Quem pode considerar-se digno de ingressar no ministério sacerdotal? Quem pode abraçar a vida consagrada contando apenas com os seus recursos humanos? Mais uma vez convém reafirmar que a resposta da pessoa à vocação divina – sempre que se esteja consciente de que é Deus a tomar a iniciativa e é Ele também a levar a bom termo o seu projecto salvífico – não se reveste jamais do cálculo medroso do servo preguiçoso, que por medo escondeu na terra o talento que lhe fora confiado (cf. Mt 25, 14-30), mas exprime-se numa pronta adesão ao convite do Senhor, como fez Pedro quando, apesar de ter trabalhado toda a noite sem nada apanhar, não hesitou em lançar novamente as redes confiando na palavra d’Ele (cf. Lc 5, 5). Sem abdicar de forma alguma da responsabilidade pessoal, a resposta livre do homem a Deus torna-se assim «corresponsabilidade», responsabilidade em e com Cristo, em virtude da acção do seu Santo Espírito; faz-se comunhão com Aquele que nos torna capazes de dar muito fruto (cf. Jo 15, 5).


da mensagem de Bento XVI
para o 46º Dia Mundial de Oração pelas Vocações