sábado, 11 de abril de 2009
sexta-feira, 10 de abril de 2009
ECCE HOMO

“Pilatos disse-lhes: «Eis o homem!» ”
Jo 19, 5
Tinha dito: É preciso uma outra religião.
Não a da Lei que reprime,
mas a do amor que reconcilia.
Tinha dito: é preciso uma outra justiça.
Não a que castiga,
mas aquela onde todos os que rejeitam a Lei e a moral
encontram a oportunidade de um novo começo.
Tinha dito: É preciso uma outra sociedade.
Não a da concorrência e a do egoísmo,
mas aquela onde todos os deficitários da vida
não são marginalizados, mas respeitados e integrados.
Tinha dito: Não se pode vencer a injustiça e a violência
por outras injustiças e outras violências.
E foi até às últimas consequências.
O que diz incomoda? Matem-no.
É acusado e condenado? Cala-se e deixa fazer.
Formidável poder o do amor,
do amor à verdade e do amor aos outros.
Mataram-no. Mataram o Homem, o único verdadeiro,
o homem mais “elevado” aceita por amor
descer “ao mais baixo”, para a vida do mundo.
in Caminhos de Páscoa 1993
EDITH FERGUSSON, desligada de tudo para ser livre

Foram as palavras de despedia que Edith Fergusson escreveu a Christian Beaulieu, um jovem sacerdote que a acompanhou durante a sua doença.
Edith tem 18 anos e reside no Quebec, Canada. Sabe que vai morrer. A leucemia rouba-lhe a juventude e a vitalidade. Mas ela permanece serena. “Desprendo-me de tudo para ser livre.”
Já são três anos de doença, de luta e dor. Mas também é um percurso de esperança, de confiança, de abandono nas mãos de Deus, graças ao acompanhamento espiritual que recebe do Pe. Beaulieu.
A comunhão diária sustenta-a e ilumina o seu sofrimento, dando um sentido ao seu sacrifício. Ela decide entrar na dinâmica amorosa de Cristo: “A minha vida, ninguém ma tira, mas sou Eu que a ofereço livremente.” (Jo 10,18). Edith decide oferecer a sua jovem existência a Deus como testemunho do amor que ela Lhe tem e que sente para com os outros, de modo especial pelas pessoas com deficiência de quem ela tanto gostava. Sonhara dedicar-lhes o seu futuro imitando a obra de Jean Vanier. A eles deixou as economias que possuía.
Mas esse dom de si não foi fácil. Como aceitar a morte quando se é jovem, dinâmica e totalmente integrada no seu tempo?Foi precisamente a escola da dor que a vai conduzir, aos poucos, não à resignação, mas à paz, à serenidade. As longas secções de quimioterapia, a solidão do hospital, o afastamento progressivo das amigas, a angústia, o medo… tudo isso será preenchido pela confiança e amizade em Deus. Durante todo esse processo não perdeu o seu sentido de humor nem a sua alegria de viver. “Desde que estou doente, apercebo-me do valor que a vida tem”.
A oração é a sua força e a sua autenticidade. “É preciso rezar sempre… Nada de meias-medidas!” Ao perder o cabelo recusa-se a usar peruca, sinal da aceitação e despojamento de si própria; quando as dores se tornam insuportáveis opta por não tomar morfina ou outros calmantes. Quer dar tudo, até a sua fraqueza a Deus por aqueles que ama. Morre serenamente na noite de Sábado Santo, 10 de Abril de 1982, realizando o seu desejo: “Vivi, não existi apenas.”
quinta-feira, 9 de abril de 2009
LAVA, SENHOR, OS MEUS PÉS

Os pés que vieram rezar-te no templo,
mas nem sempre foram ao teu encontro no templo de cada homem.
Os pés que saíram tarde para o emprego
e regressaram demasiado tarde a casa.
Os pés que seguiram caminhos opostos aos do teu Evangelho
ou foram atrás de projectos contrários à dignidade humana.
Os pés sempre prontos para a festa e a dança,
mas cansados para o trabalho e o apostolado.
Os pés que, para chegarem aos seus objectivos,
passaram por cima dos direitos alheios.
Os pés que se contentaram com passos dados
e se negaram aos caminhos novos do teu Espírito.
Os pés sempre dispostos a andar para trás,
mas arredios em andar para a frente.
Os pés mais seguros no barro do Egipto
do que nas areias do deserto.
Lava, Senhor, os meus pés,
para que eu possa, como o teu servo Moisés,
aceder aos lugares onde te revelas
e donde me envias a libertar os meus irmãos.
Lava, Senhor, os meus pés,
para poder usar o calçado novo
do amor, da justiça e da paz
e ir à procura da ovelha perdida,
e percorrer o mundo inteiro
anunciando o Evangelho
e preparando a Humanidade para o dia
em que o teu Espírito fará nova todas as coisas.

Lava, Senhor, também as minhas mãos.
As mãos que eu não soube
erguer para rezar,
abrir para dar,
estender para acolher e abraçar.
Lava, Senhor, estas mãos
que não se empenharam na transformação do mundo
nem na instauração do teu Reino.
…
Lava, Senhor, estas mãos,
que não foram prolongamento das tuas,
a fim de que, novamente enxertadas
no Corpo vivo da tua Igreja,
possam, como Tu, passar fazendo o bem
e realizar a tarefa que lhes confiastes
de cultivar a terra e promover o homem.
in “Marcos, este Homem era Deus”
(adaptado)
TRÍDUO PASCAL

e apesar disso Pão da Vida,
Tu, Sofrimento
e apesar disso remédio para os nossos males,
Tu, o Vivente
o Morto
o Ressuscitado,
vem dar um sentido
às nossas misérias humanas,
às nossas sedes de infinito.
Vem, Cristo da última Ceia,
Cristo da Cruz ignominiosa,
Cristo da Aurora única!
Vem atear o Fogo
nos quatro cantos do mundo,
porque Tu és, para sempre,
LUZ!
em “Triduum Pascal”
terça-feira, 7 de abril de 2009
O QUE VALE UMA VIDA HUMANA?
Não existe nenhum índice de valor capaz de “cotar” em bolsa ou em qualquer mercado uma vida humana, porque nada pode estar acima desse incomparável dom.
Porém, atrevo-me a repetir a questão: O QUE VALE UMA VIDA HUMANA?
Uma triste efeméride desta data, 7 de Abril, é o início da imensurável tragédia ocorrida no Ruanda, no ano de 1994. Em somente 3 meses, num conflito étnico, 800 000 Tutsis (cerca de 8000 por dia), crianças, mulheres, velhos, foram massacrados a golpes de catana por milícias hutus. Um genocídio visivelmente bem planeado e cujas imagens deram a volta ao mundo, mas que a comunidade internacional não foi capaz de impedir.
Em 13 semanas, perto de 75% da população tutsi foi aniquilada.
Os 250 soldados das Nações Unidas presentes viram-se obrigados a ser testemunhas impotentes de tal carnificina. Segundo Romeo Dallaire, general dos “capacetes azuis”, uma comissão de burocratas ocidentais esteve no local para avaliar a situação ainda no seu início e eis a conclusão: “Recomendamos ao nosso governo de não intervir, pois os riscos são elevados e, aqui, somente existem seres humanos.”
O QUE VALE UMA VIDA HUMANA?
Estamos na Semana Santa, através da qual os cristãos relembram a entrega de Cristo na cruz. Tal como o recorda o Evangelho, Ele já dissera antes: “Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos seus amigos” (Jo 15,13) ou ainda, “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
Para Jesus, TODA A VIDA HUMANA VALE… UMA VIDA DIVINA, a SUA.
Quanto vale para ti?
*
MARIA MARCHETTA, uma vida pela unidade dos cristãos

Mas a partir de Setembro de 1950, Maria ressente-se de dores nas pernas reforçadas por vertigens e náuseas. Tem apenas onze anos. Os médicos diagnosticam-lhe paraplegia flácida, patologia de evolução lenta que a tornará inválida e para a qual não se conhece cura.
Com doze anos, Maria encontra-se acamada a maior parte do dia. Em 1956 não deixará mais o leito. Ao longo de quinze anos, a sua cama será o seu único lugar geográfico e espiritual.
Nos primeiros tempos, Maria reage naturalmente mal: revolta-se, expressa medo e desespero. Maldiz a injustiça da sua sorte, recusa aceitar a sua condição de doente incurável, rebela-se contra Deus e a religião.
Porém, pouco a pouco, uma tia da qual muito gostava leva-a a resignar-se. Posteriormente, com esta “mãe espiritual”, conseguirá encarar a sua doença com o sorriso, acolhendo o mistério da cruz na sua vida.
Em 1954, a Acção Católica celebra o ano da generosidade, ocasião para Maria de participar com fervor e abnegação num programa de oração e de sacrifícios oferecidos elaborado pela Juventude feminina do movimento. Maria comunga diariamente, apoiada pelo sacramento da reconciliação e pela direcção espiritual, esforça-se com pureza de coração em colaborar na obra de Deus.
Aconselhada, oferece a sua vida e sofrimento em favor da unidade dos cristãos. De tal maneira se compromete nessa missão que em Lourdes, onde participa em três peregrinações, nem sequer pede a cura para si.
Não cessa de sorrir pois, como ela mesma afirma, “não me sinto capacitada para a tristeza!” Este testemunho de felicidade inalterável atrai à sua cabeceira cada vez mais visitantes que procuram junto dela consolação, força e coragem…Mantém-se informada sobre a vida eclesial e mundial escutando Rádio Vaticano, nomeadamente o desenrolar do concílio que decorre desde 1962.
É assim, com 27 anos e totalmente oferecida a Deus e à Igreja, que Maria Marchetta falece a 7 de Abril de 1966, numa quinta-feira Santa, dia em que Jesus instituiu a eucaristia, sinal da sua própria entrega.
Em 1997, a causa de beatificação foi introduzida.
domingo, 5 de abril de 2009
NAS TUAS MÃOS

eu me abandono.
Vira e revira esta argila,
como o barro
na mão do oleiro.
Dá-lhe forma
e depois, se quiseres,
esmigalha-a,
como se esmigalhou
a vida de John, meu irmão.
Manda, ordena.
“Que queres que eu faça?”
Elogiado e humilhado,
perseguido, incompreendido e caluniado,
consolado, sofredor,
inútil para tudo,
não me resta senão dizer
a exemplo de tua mãe:
“Faça-se em mim
segundo a tua palavra”.
Dá-me o Amor por excelência,
o amor da Cruz;
não o da cruz heróica
que poderia nutrir o amor próprio;
mas o da cruz vulgar,
que carrego com repugnância,
daquela que se encontra cada dia
na contradição, no esquecimento,
no insucesso, nos falsos juízos, na frieza,
nas recusas e nos desprezos dos outros,
no mal-estar e nos defeitos do corpo,
nas trevas da mente e na aridez,
no silêncio do coração.
Então somente Tu saberás
que Te amo
embora eu mesmo
nada saiba.
MAS ISTO BASTA.
sábado, 4 de abril de 2009
EMIGRADOS

sempre de partida
à procura de felicidade.
Nós somos todos emigrantes,
frágeis e fracos,
que vêm junto de Ti, Senhor,
para serem por Ti reconhecidos,
serem assinalados com o nome
de filhos da tua família
e receberem de Ti a nossa parte de herança.
Nós somos todos emigrantes
sempre à procura de amor,
porque se nos falta a ternura quotidiana
quem poderá subsistir?
Despojados e ansiosos
vimos uns junto dos outros
a fim de nos tornarmos parceiros
fundados na confiança
para poder amar e ser amados.
Nós somos todos emigrantes,
desamparados e cheios de esperança
para tomar lugar na assembleia humana,
para exercer as nossas capacidades
e ser reconhecidos como seres humanos.
Porquê, Senhor, a nossa desconfiança
ante os emigrantes?
Teremos nós esquecido
a nossa condição de origem?
quinta-feira, 2 de abril de 2009
SAUDOSO JOÃO PAULO II
Recorda aqui a história deste Peregrino do Amor:
http://sdpv.blogspot.com/2007/11/joo-paulo-ii.html
*
quarta-feira, 1 de abril de 2009
CLAIRE-ASTRID MUAMBULE, o “sim” a Deus

No mesmo dia em que se baptizou com 12 anos, a 7000 quilómetros de distância, celebrou-se a cerimónia de envio de um grupo de religiosas clarissas que fundariam uma comunidade em Cabinda. Astrid Muambule não sabe ainda que esta viria a ser a sua futura família. Adolescente, deixa-se fascinar por Jesus Cristo, seu evangelho e sua imagem no crucifixo. Sente que Ele está abandonado e que a chama. Sem resistência, ela cede: poderá encontrar algo melhor do que ser amada pelo Amor em Pessoa?
O exemplo de S. Franciso reforça nela a convicção da sua vocação. É assim que a 18 de Agosto de 1979, reveste o hábito das irmãs clarissas. “Jesus e eu somos um. E sou a sua pequena esposa!”
A transfiguração
Mas não basta professar religiosamente. Claire reúne diversos defeitos que tornam difícil a sua entrega a Deus: receosa, preguiçosa, orgulhosa, desobediente, teimosa e pouco amiga do silêncio.
É a 22 de Outubro de 1983 que acontece uma verdadeira transformação nela. No hospital, onde fora internada, descobre-se a terrível verdade do cancro que não lhe deixa hipótese de salvação. Mas Claire oferece-se a Deus: “Na mesa de operações, disse SIM ao Senhor, foi nesse momento que compreendi o significado da cruz que o Senhor me pedia para levar! Eu disse: «Sim, ofereço-Te a minha vida para que os homens que Te renegaram voltem para Ti!» Ele quer que todos os homens regressem à sua Casa, na alegria e no amor! Não posso explicar-te a alegria que se apoderou do meu coração nesse instante, não, não consigo exprimi-la… Com Deus sou como uma criancinha com a face encostada à face d’Ele.”
Toda a comunidade testemunha que nos seus últimos meses, Claire permanece em oração e no louvor a Deus. Acreditar no Amor imenso de Deus por ela e a sua vontade férrea em nunca desistir de uma decisão tomada transfiguraram-na totalmente. Foram 5 meses de sofrimento sem queixume, de rosto inchado, perdendo a visão e a boca transformada em chaga purulenta.“Fico contente com tudo, pois foi o Senhor quem o permitiu. Não vos inquieteis com nada, porque o Senhor está comigo. Estou na sua mão. Nada acontece sem que Ele saiba. Dou-Lhe graças pelo seu Amor, que é forte, pelo seu Amor que tudo transforma, pelo seu Amor que me chama a cada instante!”
A entrega total
Fez da sua existência uma autêntica eucaristia através da qual se encontrava com o seu Jesus e pela qual oferecia o seu próprio sacrifício em favor dos outros, nomeadamente pela santificação dos sacerdotes. “Procuro a sua vontade, Ele manifesta-se em mim, e isso enche-me de prazer! Estou contente por ir para Ele, vivo a alegria desse encontro. Ele já está presente, vem até nós antes de irmos até Ele.”
Claire recebe muitas visitas de sacerdotes, religiosos, grupos de jovens… Interessa-se por todos, nunca falando de si ou da sua doença, mas da alegria de Deus. Convida todos à oração e a cantar. Aos jovens vai repetindo: “Procurais a alegria passageira, eu caminho para aquela que não tem fim!”
As suas últimas palavras foram o Magnificat que rezou juntamente com as suas irmãs clarissas, após ter comungado. Como Clara de Assis, a sua vida foi um louvor de gratidão a Deus.
DIA DAS MENTIRAS... OU DA VERDADE!?

Oxalá fosse verdade!
Seria sinal que nos outros dias, não haveria espaço para mais mentiras.
Mas essa, é a maior mentira de todas.
É verdade que já não se fala em mentiras. Seria muito feio! Somente são proferidas inverdades ou meias verdades. Mentiras cosmeticamente retocadas, maquilhadas com pó que se atira aos olhos… aos ouvidos… dos outros. Nem o progenitor da mentira acredita nela, mas vai passando essa falsa verdade.
Tanto assim é que quando, finalmente, a Verdade é revelada ninguém a reconhece ou aceita.
Seria bom recordar as sábias palavras de Gandhi: “O erro não se torna verdade pelo facto de se difundir e multiplicar facilmente. Nem a verdade se torna erro pelo facto de ninguém a ver.”
«Se permanecerdes fiéis à minha mensagem [...], a verdade vos tornará livres» (Jo 8, 31)
A liberdade, mais do que um direito adquirido, conquista-se e merece-se à custa de esforço e coerência. A verdadeira liberdade não está tanto em fazer o que se quer mas em querer o que se faz. E isso exige, de verdade, Liberdade.
Ninguém melhor que Jesus o poderia afirmar: a verdade da sua mensagem liberta-nos da escravidão das mentiras camufladas que subjugam a nossa existência. René Voillaume, discípulo de Carlos de Foucauld e fundador dos Irmãozinhos de Jesus, dizia que “nada é mais inútil do que meditar sobre verdades, sem concretizá-las nos actos da própria vida”.
Vida de mentira ou Vida de Verdade!?
Se, de verdade, és livre saberás escolher.