domingo, 15 de março de 2009

RELAÇÃO NOVA


Alguns contam
que entre Deus e os homens
existe uma relação de domínio:
Deus no alto, os homens em baixo,
Deus dá ordens, os homens executam.

Outros vendem ideias de comércio
entre Deus e os homens:
Deus sensível aos sacrifícios,
quanto mais difíceis melhor;
e para ser atendido por Ele
é preciso dar-lhe dinheiro ou orações.
Como se Deus pudesse ser comprado!

Outros pregam
que entre Deus e os homens
tudo acontece como no tribunal:
Ele é o Soberano Juiz
e é preferível evitar o mínimo erro!

Deus vem e chama a Deus: Pai!
Tudo o que eles contam,
vendem ou pregam
é atirado para o chão e destruído.
Com Jesus Cristo,
a partir de agora entre Deus e os homens,
para sempre e unicamente,
tudo é questão de amor filial, de aliança,
de ternura e de braços
eternamente abertos!


in Caminhos de Páscoa 1994

sábado, 14 de março de 2009

ORAÇÃO DE OFERENDA


Senhor,
eu Te peço,
que a força ardente e suave do Teu amor
se apodere da minha alma
e a arranque a tudo o que está sob o céu,
a fim de que morra por amor do Teu amor,
como Tu te dignaste morrer
por amor do meu amor.



S. Francisco de Assis

quarta-feira, 11 de março de 2009

LUGARES DE HONRA

“Quem entre vós quiser tornar-se grande
seja o vosso servo
e quem entre vós quiser ser o primeiro
seja o vosso escravo.”

cf. Mt 20, 17-28


O Senhor não perguntará:
«Onde alcançaste êxito,
onde pudeste mostrar o teu poder?»
Mas:
«A quem serviste,
a quem pegaste nos braços
por minha causa?»

O Senhor não perguntará:
«Que viagens fizeste,
que conhecimento adquiriste?»
Mas:
«Que arriscaste tu,
quem libertaste
por minha causa?»

in Caminhos de Páscoa 1993

terça-feira, 10 de março de 2009

CLAUDINE PINHEIRO NA GUARDA


Concerto de Oração
com Claudine Pinheiro

O DPJG, em colaboração com a paróquia da Sé, na Guarda, está a organizar um Concerto de Oração com Claudine Pinheiro.
O concerto vai realizar-se neste sábado 14,
pelas 21.30 horas, na Sé Catedral da Guarda.
Será um Concerto a não perder, quer por jovens, quer por gente que gosta de juntar a música, a fé e a oração. Entrada gratuita.

Para conheceres melhor a Claudine e suas canções:
http://www.myspace.com/claudinepinheiro



segunda-feira, 9 de março de 2009

SER MISERICORDIOSO


“Sede misericordiosos,
como o vosso Pai é misericordioso.”

cf. Lc 2, 36-38

Quatro meios concretos para praticar a misericórdia:
Não julgar: jejuemos nos julgamentos espontâneos que fazemos dos outros. Nunca conheceremos os sentimentos profundos e íntimos que motivam atitudes ou palavras que nos desagradem. Só Deus conhece o segredo de cada um.
Não condenar: condenar é formular um julgamento definitivo; é uma forma de matar a relação com alguém. Jesus julgava actos mas teve sempre a preocupação de salvar as pessoas. Como dizia Tolstoi, “compreender a dificuldade dos outros, é perdoar”.
Perdoar: é condição necessária se queremos ser perdoados por Deus. Um meio para nos ajudar a perdoar é começar a rezar por aqueles que não amamos. O perdoa permite libertarmo-nos de ressentimentos e mágoas, ao mesmo tempo que restabelece os laços quebrados com Deus e os outros.
Dar: dar o que temos é bom, mas dar os que somos é melhor. Para além do nosso tempo, da nossa atenção, dar amor por meio das palavras e gestos concretos. É nessa medida que nos assemelhamos a Deus, revelando a nossa capacidade em amar. “Perdoa-se tanto quanto se ama”, afirmava La Rochefoucauld.

domingo, 8 de março de 2009

ROSTO NOVO


De que me serviria contemplar o rosto de Deus
se não me maravilho ante o dos meus irmãos?
Na verdade, existe à minha volta
a multidão dos rostos de Deus,
rosto de alegria e rosto de sofrimento,
rosto de criança e rosto enrugado,
rosto transparente e rosto de paz,
rosto de tristeza e rosto de esperança.

À força de auscultar o coração de Deus,
esquecemo-nos das palpitações
da nossa humanidade.
Por muito estudar os sinais de Deus
na ciência e na física celeste,
afastamos os nossos olhares
dos rostos de todos os dias.

Existe uma nova maneira
de contemplar o rosto dos outros:
procurar neles a expressão do rosto de Deus.

in Caminhos de Páscoa 1994

A TODAS AS MULHERES...

SER MULHER…
É a possibilidade de dar à luz com lágrimas de amor e ternura
É não ter vergonha de sofrer e chorar por amor
É amar e ser amada
É acreditar e lutar quando ninguém mais o faz
É desvendar o que mais ninguém desvenda
É tudo isto e muito mais

Andreia Silva, in Jornal do Fundão (5 de Março de 2009)

Neste Dia Mundial da Mulher pedimos a Deus a sua bênção para todas vós e que Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, seja vosso amparo e modelo em todos os vossos caminhos!

sábado, 7 de março de 2009

PEDI E DAR-SE-VOS-Á...

«Meu Senhor, meu único rei,
assisti-me no meu desamparo,
porque não tenho outro socorro senão Vós»

cf. Est 14, 3
No Evangelho, Jesus convida-nos à oração: «pedi e dar-se-vos-á; procurai e achareis; batei e abrir-se-vos-á». [...]
Terá Deus o poder de responder às realidades da nossa vida, poderá Deus mudar as nossas situações e entrar na realidade da nossa vida terrestre? [...]

Se Deus não actua, se ele não tem poder sobre os acontecimentos concretos da nossa vida, como é que continua a ser Deus? E se Deus é amor, o amor não encontrará uma possibilidade de responder à esperança daquele que ama? Se Deus é amor, e se Ele não pudesse ajudar-nos na nossa vida concreta, o amor não seria o poder maior deste mundo.

Cardeal Joseph Ratzinger [Papa Bento XVI]
Retiro pregado ao Vaticano, 1983

in evangelhoquotidiano.org

ORAÇÃO A MARIA EM TEMPO DE QUARESMA


Quando chega a hora da decisão
Maria da Anunciação, ajuda-nos a dizer “sim”
Quando chega a hora da partida
Maria do Egipto, acende em nós a Esperança
Quando chega a hora da incompreensão
Maria de Jerusalém, escava em nós a paciência
Quando chega a hora de intervir
Maria de Caná, dá-nos a coragem da palavra humilde
Quando chega a hora do sofrimento
Maria do Gólgota, mantém-nos junto àqueles em quem sofre o teu Filho
Quando chega a hora da espera
Maria do cenáculo, inspira-nos uma oração comum
E cada dia, quando chega a hora feliz do serviço
Maria de Nazaré, Maria dos montes de Judá, põe em nós o teu coração de serva
Até ao dia em que, tomando a tua mão,
Maria da Assunção, adormeceremos,
Na espera do dia da nossa ressurreição.


Jean-Paul Hoch

sexta-feira, 6 de março de 2009

QUEM SOU EU?...

Quem sou eu?
Quem sou eu para os outros?
Quem sou eu para Deus?
Quem sou eu?

Por vezes, a pergunta ocorre-nos, sobretudo em dias chuvosos mais melancólicos, em jornadas marcadas de dor, carregadas de dúvidas, em momentos de sensações inseguras ou, simplesmente, quando nos abandonamos à reflexão, à meditação… Como balanço ou para fazer o “ponto da situação”, quem sou eu?
Quando iniciamos uma nova etapa de vida; quando tudo parece mudar, dentro e fora de nós…
Quando alguém parte sem despedida; quando as promessas que nos foram feitas não são cumpridas…
Quando somos questionados, confrontados por pessoas ou situações; quando os fracassos, mais que os sucessos, nos obrigam a repensar…
Quando somos incompreendidos, dispensados, não tidos em conta… Quando "espantamos" os outros sem saber porquê... Quando a novidade, a “sorte grande” ou as surpresas da vida, boas ou más, nos batem à porta…
Quando fizemos o impensável, realizámos o sonho perseguido, alcançámos o inacessível…
Quem sou eu?

A pergunta ecoa em nós como nos outros, mas cada um procura a sua resposta. Mas encontrar-se-á esta apenas em nós!? E se os outros pudessem responder? E se fosse Deus a responder? E se Ele próprio fosse a resposta?
Como repete a canção, “não por causa do que sou, mas por causa do que tens feito; não por causa do que tenho feito mas por causa de quem és…”
E se fosse Ele a dizer quem somos…

E se eu, para Ele, fosse resposta, mais que pergunta:
“EU SOU TEU”
Pode não parecer uma resposta ao "quem sou eu?" mas é, seguramente, caminho para ela.

quarta-feira, 4 de março de 2009

QUARESMA, tempo para a caridade


«Vinde, benditos de meu Pai,
recebei em herança o reino
que vos está preparado»

cf. Mt 25,31-46

Se prestarmos bem atenção, irmãos, o facto de Cristo sentir a fome dos pobres é-nos favorável. [...] Olhai: de um lado, é uma moeda, do outro é o Reino. Qual a comparação? Tu dás uma moeda ao pobre e de Cristo recebes o Reino; tu dás um pedaço de pão e de Cristo recebes a vida eterna; tu dás abrigo e de Cristo recebes a remissão teus pecados.
Então, não desprezemos os pobres, mas desejemo-los e sobretudo apressemo-nos a tomar-lhes a dianteira, porque a miséria dos pobres é o medicamento dos ricos, como disse o próprio Senhor: «Antes, dai de esmola o que está dentro, e para vós tudo ficará limpo», e ainda: «Vendei os vossos bens e dai-os de esmola» (Lc 11, 41; 12, 33). E o Espírito Santo proclama através profeta: «A água apaga o fogo ardente, e a esmola expia o pecado» (Sir 3,30). [...] Tenhamos pois misericórdia, irmãos, e com a ajuda de Cristo, seguremos o vínculo da Sua garantia, sobretudo daquela que vos recordei, quando Ele diz: «Dai e dar-se-vos-á» (Lc 6, 38); e ainda: «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5,7).
Que cada um se aplique, de acordo com os seus meios, em não vir à igreja de mãos vazias: aquele que deseja receber deve efectivamente oferecer alguma coisa. Aquele que pode cubra o pobre com uma veste nova; aquele que não pode ofereça ao menos uma velha. Quanto àquele que julga não ter o suficiente, que ofereça um pedaço de pão, que acolha um viajante, que prepare um leito, que lhe lave os pés, para merecer ouvir Cristo dizer-lhe: «Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino; tive fome e destes-Me de comer; era peregrino e recolhestes-Me». Ninguém, irmãos muito queridos, poderá desculpar-se de não dar esmola, quando Cristo prometeu dar uma recompensa em troca de um copo de água fresca (Mt 10, 42).

São César de Arles (470-543),
monge e bispo
Sermão 25


terça-feira, 3 de março de 2009


«Tome a sua cruz, dia após dia, e siga-Me»
cf. Lc 9, 22-25

Senhor, que a tua crucifixão e ressurreição nos ensinem a enfrentar as lutas da vida quotidiana e a sofrer aí a angústia da morte, para que vivamos em maior e mais criativa plenitude. Com humildade e paciência aceitaste os reveses da vida humana, como os sofrimentos da tua crucifixão. Ajuda-nos a aceitar as dificuldades e as lutas de cada dia como ocasiões para crescermos e para nos tornarmos semelhantes a Ti. Torna-nos capazes de as enfrentar com paciência e coragem, com plena confiança na Tua protecção. Faz-nos compreender que só chegaremos à plenitude da vida pela contínua aniquilação de nós próprios e dos nossos desejos egoístas, porque só morrendo conTigo podemos conTigo ressuscitar.

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997),
fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade

in Something Beautiful for God