quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

CINZAS, a marca dos caminhantes


Cinzas, sinal do que passa,
resíduo do que passou,
irreconhecível agora,
neste pó cinzento.
Eu também sou um caminhante,
não preciso de o disfarçar!
Contudo, sinto o desejo de durar,
de deixar um rasto da minha passagem.
Não terei a sorte
de me erigirem uma estátua.
Mas se, ao menos,
deixasse um pouco de luz
a iluminar os outros,
e de alegria semeada generosamente
neste mundo tão cinzento!
Deixarei marcas nos caminhos
se procurar mais amar
que ser amado.

in Caminhos de Páscoa 1993

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

COMO COMEÇA UMA NOVA AVENTURA...

Foi nesta data de 24 de Fevereiro que, após três anos de busca e caminhada espiritual, o jovem Francisco de Assis encontrou a verdade que orientará o resto da sua vida. Percebeu o sentido dos conselhos que Jesus dava aos seus apóstolos numa vida itinerante e de anúncio, na liberdade do corpo e do espírito, sem nada possuir. Bem depressa numerosos companheiros aderiram a esta nova forma de vida. Recordemos:

Estava já terminando a restauração da última Igrejinha da redondeza, a capelinha de Santa Maria dos Anjos e perguntava-se o que faria depois. O que mais lhe pediria Deus? Não havia entendido ainda que a Igreja que devia restaurar não era a de pedra, mas a própria Igreja de Cristo, enfraquecida na época pelas divisões, heresias e pelo apego dos seus líderes às riquezas e ao poder. Devia ser o ano de 1209. Certo dia, Francisco escutou, durante a missa, a leitura do Evangelho: tratava-se da passagem em que Cristo instruía os seus Apóstolos sobre o modo de ir pelo mundo, "sem túnicas, sem bastão, sem sandálias, sem provisões, sem dinheiro no bolso ..." (Lc 9,3). Tais palavras encontraram eco no seu coração e foram para ele como intensa luz. E exclamou, cheio de alegria: "É isso precisamente o que eu quero! É isso que desejo de todo o coração!" E sem demora começou a viver, como o faria em toda a sua vida, a pura letra do Evangelho. Repetia sempre para si e, mais tarde, também para os seus companheiros: "A nossa regra de vida é viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo"!
Os Primeiros Seguidores
A partir daquele dia, Francisco iniciou a sua vida de pregador itinerante, percorrendo as localidades vizinhas e pregando, em palavras simples, o Evangelho de Cristo. Muitos começaram, enfim, a compreender o sentido dessa vida e manifestaram o desejo de seguí-la. O primeiro foi um homem rico de Assis, Bernardo de Quintaval. Ao perguntar para Francisco: "O que devo fazer para seguir-te?", este decidiu, como em todos os momentos decisivos da sua vida, recorrer ao Evangelho para que o próprio Cristo lhes desse a resposta.
O Caminho Do Evangelho
De manhã, bem cedo, foram ambos à missa. Pelo caminho juntou-se aos dois Pedro de Catânia, doutor em Direito e novo companheiro. Por três vezes abriram o livro do Evangelho, e as três respostas que encontraram foram as seguintes: "Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres. Depois vem e segue-me" (Mt 19,21). "Não leveis nada pelo caminho, nem bastão, nem alforge, nem uma segunda túnica..." (Lc 9,3). "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me" (Mt 16,24). "Isto é o que devemos fazer, e é o que farão todos quantos quiserem vir connosco" - exclamou Francisco, que subitamente viu brilhar uma luz sobre o caminho que ele e seus companheiros deveriam seguir. Finalmente encontrou o que por tanto tempo havia procurado! Isto aconteceu a 24 de Fevereiro de 1208, dando início à fundação da Fraternidade dos Irmãos Menores. No mesmo dia, Bernardo de Quintaval vendeu todos os seus bens e repartiu o dinheiro entre os pobres de Assis.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Uma ROSA BRANCA contra o ódio e a mentira


Chamavam-se Hans, Sophie e Chistoph. Eram estudantes na Universidade de Munique, nesse ano de 1943. A 21 de Fevereiro encontram-se presos na sede da administração penitenciária da Gestapo. O crime? Espalharam panfletos contra Hitler e seu regime. Denunciados, foram submetidos a duros interrogatórios, através dos quais confessaram a culpa mas sem denuncia os seus outros amigos também implicados.
Ao todo são cinco rapazes, uma rapariga e um professor. Nove meses atrás constituíram uma rede de acção contra o nazismo: ‘A Rosa Branca. Hans Scholl, impressionado pelas homilias do Monsenhor von Galen, bispo de Munique (uma das vozes da Igreja alemã mais inconformadas na denúncia de Hitler), teve a iniciativa. Por diversas vezes escreveram slogans nas paredes e espalharam panfletos pela capital da Baviera, estendendo a sua acção a outras cidades. É tal a sua influência que outros grupos farão o mesmo em Freiburg, Ulm, colónia e Berlim.
Os seis pertencem a confissões diferentes, mas todos assumem o Evangelho e os valores cristãos que transparecem nos seus escritos: “Por todo o lado, o homem experimenta, na sua fragilidade imanente, a tentação de renegar a sua dignidade de ser livre. Em todo o lugar e em todas as épocas de extrema miséria, homens se ergueram, santos ou profetas, que defenderam a liberdade, recordaram o caminho para o Deus único e exortaram o povo a recuar nos seus erros. Certamente, o homem é livre, mas sem o socorro do verdadeiro Deus, permanece impotente perante o mal; torna-se como um barco sem leme, abandonado à tempestade.”
Os irmãos Scholl pertencem à Igreja Evangélica, Alex Schmorell é ortodoxo, Willy Graf e o professor Huber são católicos. Cristoph Probst confessa-se agnóstico, mas aceitou o desafio da ‘Rosa Branca’ pela amizade que nutre pelos seus companheiros mas também porque admira o compromisso espiritual que eles conjugam na luta contra o regime nazi. Cristoph (de 23 anos) é o único casado, sendo pai de dois rapazes.

Testemunho final
Na segunda feira 22 de Fevereiro, Sophie, Hans e Cristoph aguardam o veredicto final. De nada valerá o serviço militar dos rapazes, cumprido na frente russa, o serviço de trabalho obrigatório desempenhado pela Sophie, nem sequer a atenção pelo jovem pai de família; todos são condenados à morte.
Durante todo o processo, os três jovens conduziram-se com uma dignidade e serenidade extraordinárias, ao ponto de perturbar as testemunhas mais hostis. Não denunciaram nenhum companheiro.
Após a sentença, Cristoph pede um sacerdote católico: quer receber o baptismo, termo da sua busca interior.
Os guardas prisionais dirão dos três o seguinte: “Portaram-se com uma coragem extraordinária… Foram levados, primeiro a rapariga. Ela caminhou com uma calma absoluta. Não percebíamos que tal fosse possível. O carrasco confessou que nunca vira ninguém morrer assim.”
Morreram como viveram, fiéis a eles mesmos, à suas convicções, à sua fé.

Alguns meses depois, o professor Huber, Alex Schmorell e Willy Graf foram, também eles, executados, pois prosseguiram a missão que tinham iniciado.
“Eram crentes. Não pegaram em armas, não mataram ninguém. A única vida que sacrificaram foi a deles. «Somente creio – dizia Pascal – nas histórias cujas testemunhas são capazes de se sacrificarem.» Perante Hitler, estes seis universitários alemães deram ao mundo uma das lições mas credíveis deste tempo.”

Para saber mais, clica no link seguinte, artigo dedicado à sophie Scholl:
http://sdpv.blogspot.com/search?q=sophie+scholl

domingo, 22 de fevereiro de 2009


“Eu te ordeno: levanta-te, toma a tua enxerga e vai…”
cf. Mc 2, 1-12

Tinha entrado de enxerga.
Melhor, a enxerga levou-o à presença de Jesus. Transportado por outros, está-se mesmo a ver!
Mas agora, depois do encontro, sai pelo próprio pé, levando a enxerga.
Trocaram de lugar.
Admirável!
Espantoso!
É um milagre! Mais um, de Jesus.
Mas o milagre está na cura. Porquê pegar e levar a enxerga? Já não é necessária… Até incomoda para andar. Depois de tantos anos a ser carregado por ela, não se limitará a ser uma recordação amarga do passado?
Mas não: “levanta-te, toma a tua enxerga e vai…” Jesus foi bem claro. O que o transportara até esse dia tinha de ser levado agora por ele.

É bom lembrar que no encontro com Jesus, antes de receber umas ‘pernas novas’, esse paralítico recebeu uma ‘alma nova’: “Filho, os teus pecados estão perdoados.” O confuso é que o homem não fora ali para se confessar! Mas para quê saber andar se temos a alma tolhida!? Jesus bem sabe que a pior paralisia do homem não é a das pernas, mas a do coração.
E na hora de libertar, importa libertar o homem todo.

Talvez tenhamos todos ‘boas pernas’ para andar. Inconscientemente, o nosso coração vai sofrendo alguns ‘ataques’ à verdadeira liberdade de filhos de Deus.
De vez em quando, deixamo-nos levar por enxergas, macas de mágoas e ressentimento, de orgulho e egoísmo. Acamamo-nos em preconceitos e desprezos. Paralisamos na hora de perdoar, compreender, acolher e abraçar, por isto ou por aquilo… por tudo e por nada…
O pior é que nos acomodamos enquanto o nosso coração vai atrofiando nas nossas relações com os outros, com Deus e connosco.
Basta!
Jesus diz-nos que chega de sermos transportados pelos nossos sentimentos e experiências negativas. É hora de passar a ‘transportadores’, a sermos nós a controlar, dominar e vencer tudo aquilo que nos impede movimentos de liberdade na aproximação generosa aos outros, na entrega confiante a Deus e sublimação renovadora em nós mesmos.

“Levanta-te, toma a tua enxerga e vai…”
É a nós que Jesus, hoje, se dirige. Basta de ser transportado. Encontra-te com Ele, sente que ele te cura interiormente porque te ama e liberta. E, agora vai… Sê tu a levar outros a Cristo, a fim que também eles experimentem a verdadeira libertação dos filhos de Deus.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

CONVÍVIO FRATERNO


Entre o dia 20 (a partir das 20h) e o dia 23 de Fevereiro, irá decorrer mais um Convívio Fraterno para os jovens da diocese. Aconselha-se vivamente, tendo em conta a experiência e o testemunho dos jovens que já participaram.
Trata-se de um encontro que tem em vista promover e fortalecer a caminhada de fé, experimentando e reflectindo o amor em três vertentes: connosco, com Deus e com os outros.
Contacta: cfguarda@gmail.com, 968173430 ou 919943190.

ORAÇÃO A MARIA


Ó Santíssima e Soberana Mãe de Deus
Luz de minha alma em trevas,
tu és minha esperança, meu apoio e consolo,
meu refúgio e minha felicidade.
Tu que deste à luz, a verdadeira luz de imortalidade,
ilumina os olhos do meu coração.
Tu que trouxeste ao mundo a fonte da imortalidade,
dá-me a vida, pois o pecado me traz a morte!

Mãe de Deus misericordioso, tem piedade de mim
e coloca o arrependimento em meu coração,
a humildade em meus pensamentos,
a reflexão em meus raciocínios e no meu entendimento.
Torna-me digno, até o último suspiro,
de ser santificado por estes mistérios,
para a cura do meu corpo e da minha alma.
Dá-me as lágrimas da penitência,
para que eu possa cantar-te e glorificar-te
em cada dia de toda a minha vida,
pois tu és bendita pelos séculos e séculos.


Oração de São Simeão

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

JEAN PLOUSSARD, o encanto do deserto


Em 1964, quando os escritos de Jean Ploussard são publicados, sob o nome de “Carnet de route” (Diário de estrada), estes são imediatamente acolhidos como um acontecimento na história da literatura espiritual do século XX.
A juventude de Jean, nascido em 1928, é marcada pelo escutismo, pela meditação do Evangelho e a atracção pelas missões. Tudo isso levá-lo-á a interrogar-se sobre a vocação. Sente o apelo do matrimónio e de Deus. Namora, mas a sua reflexão leva-o a decidir-se por Deus. Aquela que seria sua noiva, Rose, respeita a sua opção e ser-lhe-á fiel mantendo-se celibatária. Jean, com 19 anos ingressa na congregação dos Redemptoristas.
Na sua caminhada religiosa descobre os escritos de Carlos de Foucauld e de Stª Teresa do Menino Jesus que influenciarão o resto da sua vida. Debate, todavia ainda com muitas dúvidas. Reflecte sobre a graça e as exigências do celibato ao mesmo tempo que se deixa cativar pela vida contemplativa dos monges e da experiência inovadora e ousada dos “padres-operários”. Quereria ser tudo, mas encontra o equilíbrio na fórmula redemptorista: contemplativo em casa e apóstolo no exterior. Compromete-se definitivamente.

No Níger
A sua missão foi definida: é enviado ao Níger, onde chega no natal de 1955.
Aí encontra muito campo de trabalho, tanto na cidade como nas missões dos arredores. Mas a adaptação é difícil. Num país maioritariamente muçulmano e profundamente africano, Jean experimenta a solidão. Sem querer ser infiel à sua vocação sacerdotal é tentado pelo casamento com uma jovem mãe celibatária: desposar a África, desposando uma africana. Essa crise será longa e difícil.
Um problema de saúde obriga-o a um regresso à França onde recupera física e espiritualmente. Vence, definitivamente, as suas dúvidas. A fidelidade não se revela na ausência de tentações ou dificuldades mas na forma como estas se ultrapassam.
De volta ao Níger, tem plena consciência das exigências da sua vocação: equilíbrio entre contemplação e missão. Na paz e na alegria, transforma-se. Nesse contexto, aceita uma nova missão que lhe é proposta: assegurar uma presença cristã entre os tuaregues do norte. É para aí que vai em Dezembro de 1960, encontrando uma centena de cristãos, mas nenhum deles é nigeriano. “Vim por vós… para ficar convosco… Não estou aqui por alguns anos, mas par aqui viver. E, sobretudo, para aqui morrer. Venho aqui para todo o sempre... Doravante, sou tuaregue.”

Tuaregue entre os tuaregues
Jean toma um novo nome: Yakhia ag Rissa (João de Jesus, no idioma local). Veste-se de azul, como os homens e cobre-se com um véu ao jeito tuaregue. Sobre o peito, uma simples cruz de madeira. Convicto, segue o exemplo de Carlos de Foucauld. Aprende a língua desse povo nómada e adopta os seus costumes e modo de vida.
Pastoralmente, funda uma pequena escola, escava poços semeia hortas. De pé todas as manhãs às 4h30, faz uma hora de adoração, celebrando depois a eucaristia antes de se lançar à evangelização, pelo exemplo. Por respeito, os tuaregues chamam-no aneslem (o crente) e já não koufour (pagão) como tratam os brancos.
Vive a alegria perfeita quando vive o seu último retiro, em Dezembro de 1961. Toma a firme resolução de não mais pecar, nem uma só vez…
No dia 7 de Fevereiro seguinte, após a adoração e a eucaristia, dirige-se para a horta. Dá-se conta que uma veia rebentou. Regressa para a capela… mas cai à sua entrada, na areia, vomitando sangue, tal como o tinha escrito no seu diário, oito anos antes:
“Meu Deus… Amo-Te
E quero morrer de amor por Ti,
Morrer, morrer, morrer.
Último jorrar de sangue na boca,
Último espasmo na areia
ou sobre a rocha,
Morrer de amor.”


Transportado de urgência para a capital, morrer a 18 de Fevereiro sem ter retomado consciência. É a consternação geral entre os tuaregues e a jovem comunidade cristã põe ele assistida. Seis meses depois, um sacerdote dará continuidade à obra de Jean, Yakhia ag Rissa.

NADA TE PERTURBE...


Nada te perturbe, nada te espante.
Tudo passa. Deus não muda.
A paciência tudo alcança.
Quem a Deus tem, nada lhe falta.

S. Teresa de Jesus

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

MARIA MADALENA NO SÉC.XXI (parte II)


Shelley Lubben é uma ex-actriz porno que conseguiu libertar-se da indústria do sexo e dos seus traumas à custa de uma longa luta e confiança em Deus. Como resultado da sua experiência e do seu encontro com Cristo, decidiu criar a Pink Cross Fundation a fim de denunciar a mentira e abusos relacionados com a pornografia e ajudar aqueles que caíram nas suas malhas.
Shelley nasceu a 18 de Maio de 1968, na Califórnia. Durante os primeiros oito anos, a sua família frequentava uma igreja evangélica. Numa entrevista, recorda: “Quando era miúda, conheci e amava muito a Jesus.” Porém, quando fez nove anos as coisas mudaram muito. Mudaram de residência e tudo o que Shelley tinha conhecido e amado desapareceu: “Os meus pais deixaram de ir à igreja e a nossa família afastou-se de Deus”.
O ambiente familiar deteriorou-se e as más companhias fizeram o resto. Iniciou a vida sexual muito cedo: “O sexo tornou-se para mim confuso. O sexo para mim significava ‘amor’, pois sentia-me bem ao receber atenção, mas ao mesmo tempo sentia-me suja.” Com o sexo, veio o álcool e o uso de drogas tendo apenas 16 anos. Com o acumular de situações conflituosas, os pais obrigaram Shelley a sair de casa ao 18 anos.
Shelley acabou por ir parar a San Francisco Valley, sem dinheiro nem comida. A prostituição foi a solução encontrada para sobreviver. A partir daí, a vida de Shelley entrou numa espiral descontrolada. “No princípio pareceu sensacional, mas esta vida depressa se converteu em escravatura... O meu estilo de vida estava a tornar-se cada vez pior, e sentia-me como não tendo para onde me voltar. Jesus continuava a bater à porta do meu coração, mas eu ignorava-o.”
Aos 20 anos engravidou, tendo a sua primeira filha. Shelley começou a beber exageradamente tendo desenvolvido uma terrível dependência de álcool e de drogas. “Eu comecei então a ver-me como um completo fracasso.”
Mais tarde, entrou na indústria de filmes para adultos. Shelley relembra: “Comecei a fazer muitos filmes hardcore, e só as drogas e o álcool me permitiam fazê-los. Era como se eu tivesse algo para provar ao mundo e a todos os que me tinham magoado.” Mas o preço foi alto: “Eu vendi o meu coração, a minha mente e feminilidade à indústria porno, e a mulher e pessoa em mim morreram na pornografia.”
Por sorte, não contraíu o vírus da SIDA. Contudo foi infectada com herpes, uma doença incurável sexualmente transmissível. “Fiquei totalmente de rastos e quis pôr termo à minha vida.”
Mas Deus tinha um plano para a sua vida.

Nova vida em Deus
Já casada e mãe de uma segunda filha, Shelley e o marido reaproximaram-se de Deus: “Descobri que havia permanentemente em mim um Campeão,” disse Shelley. “Aprendi que podia vencer tudo, porque com Deus tudo é possível. Com Deus, tive verdadeiro perdão de todos os meus pecados e oportunidade de me transformar numa pessoa completamente nova sem ser perfeita primeiro. Isso foi um alívio! Também aprendi que Deus tinha um propósito para a minha vida. Deus tinha um propósito para a minha vida? Isso era como alguém acender-me a luz.”
Em Novembro de 1999, Shelley deu à luz outra filha. “Após o parto, Deus respondeu finalmente às minhas orações e libertou-me completamente do álcool,” disse Shelley. “No dia 9 de Abril de 2000 foi quando me libertei totalmente, tendo constituído um acontecimento muito importante na minha vida. Comecei a ler livros sobre como ser uma melhor mãe e esposa. Aprendi a cozinhar e a cuidar do meu lar e a viver uma vida ‘normal’. Passei a praticar os princípios de Deus em tudo o que faço, e comecei a experimentar verdadeira alegria pela primeira vez em 13 anos."
Shelley afirma que o seu futuro é glorioso. “Deus agora envia-me a proclamar ao mundo a realidade do Seu tremendo amor, dizendo como Ele fez cada um de nós à Sua imagem, e somos completamente amados e aceites por Ele.”
Ela acrescentou, “Gosto de mostrar ao mundo que se Deus pode mudar uma estrela porno e uma prostituta numa Campeã, Ele pode mudar qualquer pessoa. Porém Deus só muda as vidas daqueles que O escolheram.”
Com a sua fundação, Shelley ajudou várias mulheres e homens a libertarem-se e a encontrarem Deus. A Crissy e a Patrice são apenas duas de muitas. Esta última, no dia 1 de Fevereiro recebeu o baptismo tendo a Shelley por madrinha.
Os sorrisos dizem tudo: Deus liberta mesmo!













Crissy, Patrice e Shelley
INFORMAÇÕES EM INGLÊS:
A Fundação de Shelley: http://www.thepinkcross.org/
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domingo, 15 de fevereiro de 2009

A ÚNICA VERDADE É AMAR

"Senhor, se quiseres, podes curar-me!"
cf. Mc 1, 40-45

Senhor,
ensina-nos a não nos amarmos a nós mesmos,
a não amar só aqueles que nos amam.
Ensina-nos a pensar nos outros,
a amar em primeiro lugar aqueles que ninguém ama.
Senhor faz-nos sofrer com o sofrimento dos outros.
Dá-nos a graça de compreender que em cada instante,
enquanto nós vivemos uma vida demasiado feliz,
protegida por Ti,
há milhões de seres humanos,
que também são teus filhos e nossos irmãos,
que morrem de fome,
sem terem merecido morrer de fome,
que morrem de frio,
sem terem merecido morrer de frio.
Senhor, tem piedade dos leprosos,
a quem Tu tantas vezes sorriste
quando andavas nesta terra;
piedade dos milhões de leprosos,
que estendem para a Tua misericórdia
as mãos sem dedos, os braços sem mãos.
E perdoa-nos por os termos, com medo irracional,
abandonado.
Não permitas jamais, Senhor,
que vivamos felizes sozinhos.
Faz-nos sentir a angústia da miséria universal,
e liberta-nos de nós mesmos.
Ámen.
Raoul Follereau
A única verdade é amar