quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

REZAR COM O CORAÇÃO


«Este povo honra-Me com os lábios,
mas o seu coração está longe de Mim.»

cf. Mc 7,1-13

A oração é um coração a coração com Deus. [...] A oração bem feita toca o coração de Deus, incitando-O a ouvir-nos. Quando rezamos, que todo o nosso ser se volte para Deus: os nossos pensamentos, o nosso coração. [...] O Senhor deixar-Se-á vencer e virá em nosso auxílio. [...]
Reza e espera. Não te agites; a agitação é inútil. Deus é misericórdia e há-de escutar a tua oração. A oração é a nossa melhor arma: é a chave que abre o coração de Deus. Deves dirigir-te a Jesus, menos com os lábios do que com o coração.

S. Pio de Pietrelcina (1887-1968),
Franciscano capuchinho

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

DIA MUNDIAL DO DOENTE 2009


Mensagem Dia Mundial do Doente 2009 do Presidente da Comissão da Pastoral Social
«O doente no centro da comunidade cristã»

Ao escolher como lema “O doente no centro da comunidade cristã” queremos valorizar a necessidade de uma viva consciência comunitária atenta aos doentes. Arriscamo-nos a por de lado o lugar dos doentes e a sensibilizarmonos apenas quando atinge cada indivíduo ou os seus mais chegados. De que modo cada comunidade cristã pode manifestar, como dimensão permanente, o seu cuidado elos seus doentes?
Além do serviço organizado de visitadores de doentes, em casa e nos hospitais, e dos ministros extraordinários da comunhão, é tarefa de cada comunidade cristã a ternura compassiva para com os familiares da pessoa doente, a companhia consoladora no sofrimento, a oração confiante.
O contexto específico da comunidade indicará a melhor integração desse serviço. Pode, no mínimo, ser uma valência de um grupo de acção sócio-caritativa paroquial ou constituir um grupo próprio, no caso de grandes comunidades.
Viver o dia 11 de Fevereiro com responsabilidade implicará rever as formas de presença da comunidade junto das pessoas doentes. Qualquer pequeno passo positivo será sinal efectivo do amor de Deus por quem sofre. Operacionalizar o dom espiritual da consolação é tarefa exigente para todas as comunidades cristãs.
Estarei unido a cada doente na oração e imploro a serenidade de uma bênção de Deus para os que servem a pastoral da saúde.

D. Carlos A. Moreira Azevedo,
Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social

MARIA, VIRGEM DE LOURDES

A 11 de Fevereiro de 1858 a Imaculada Virgem Maria apareceu a Bernadette Soubirous na gruta de Massabielle em Lourdes, França. Por intermédio desta humilde jovem, Maria desafiou-nos à conversão e despertou na Igreja um intenso movimento de oração e caridade, sobretudo em benefício dos doentes e pobres.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

GIOVANNI PALATUCCI, um justo das nações


Giovanni Palatucci nasceu no sul da Itália, em 1909, numa família profundamente cristã. Receberá uma grande influência moral e cultural por parte dos seus tios, um bispo e dois franciscanos conventuais.
Após os estudos secundários cumpre o serviço militar perto de Turim, cidade onde se formará em jurisprudência.
É nomeado para Fiume (actualmente na Croácia) como comissário para o gabinete dos estrangeiros. A sua função põe-no em contacto com pessoas em situação delicadas, particularmente com os judeus. “Tenho a possibilidade de fazer algum bem e os que dele beneficiam são-me muito reconhecidos…” É o que escreve aos seus pais em Dezembro de 1941.

Esse “algum bem” de que fala é, na verdade, é a salvação de centenas de judeus (fala-se em mais de 3000) a preço de muito perigo.
Giovanni Palatucci era um católico animado de uma fé profunda. Se desconhecemos a sua primeira reacção às leis raciais promovidas na altura, tornou-se por demais evidente que ao intensificar-se o cerco aos judeus, Giovanni recusou ser cúmplice da perseguição. Recusa mesmo a mudança de posto para se permitir ajudar os perseguidos. Na verdade, desde 1939 que “salva” judeus. Os primeiros 800 foram “encaminhados” por ele sob a protecção do bispo de Fiume.
Emitiu vistos de permanência a judeus fugidos dos países dominados por Hitler, chegando a opor-se aos seus superiores – o que nos recorda o “nosso” Aristides de Sousa Mendes. Mas a sua “simpatia” pelo povo judeu não se limitava à esfera profissional. Na sua vida pública zelava por preferir a sua companhia defendendo-os e recomendando-os ao seu tio bispo que acolhia foragidos enviados pelo seu sobrinho. Bem depressa associou os seus tios franciscanos que abriram os seus conventos para receber os refugiados judeus.

Homem de honra
A entrada da Itália no conflito mundial não impediu Giovanni de exercer toda a sua influência em favor dos perseguidos hebreus. Um deles dirá dele: “Jamais encontrei um cavalheiro tão perfeito e um homem de tanta honra…”
Após a guerra, centenas de testemunhos evocarão a bondade e a delicadeza de Giovanni Palatucci, o seu orgulho em agir de acordo com a sua fé e a sua extraordinária coragem: sabe que corre perigo por estar sob constante vigilância mas nada o detém. Católico praticante professa a sua fé na eucaristia diária e na sua conduta impecável.
Em Julho de 1943 é alvo de inspecção. Cuidadosamente, tinha desaparecido com o rasto de milhares de judeus que ele ajudara a “passar”, alguns embarcados clandestinamente em barco com destino ao sul da Itália. Giovanni prossegue no seu cargo mas sob vigilância mais apertada. Em Novembro do mesmo ano, a situação torna-se crítica. O cônsul da Suíça oferece-lhe asilo, mas Giovanni recusa: “Não tenho direito de abandonar nas mãos dos nazis os italianos e os judeus de Fiume!”

Mártir e Justo das nações
Promovido a um cargo superior não tem mais a mesma liberdade. Porém continua a auxiliar como pode dando dinheiro, socorro e até documentos falsos.
Finalmente é denunciado por espiões. É preso pela Gestapo a 23 de Setembro de 1944. No mês seguinte é transferido para o campo de concentração de Dachau. É aí que morre no dia 10 de Fevereiro de 1945, com 35 anos, esgotado pelos trabalhos aos quais foi submetido, depois de ter sido motivo de admiração dos companheiros de detenção através da sua sernidade, abnegação e caridade para com eles.

Giovanni Palatucci não se considerava um herói nem um santo. Actuou apenas em conformidade com as exigências da sua fé, como cristão convicto. As palavras dirigidas a um amigo, a quem confiava uma refugiada judia, esclarecem a sua única motivação: “Eis a Senhora Schwartz. Trata-a, peço-te, como se fosse a minha irmã. Melhor, como se fosse a tua própria irmã: pois, em Cristo, ela é a tua irmã.”
Anos mais tarde, já estabelecida em Israel, a Senhora Schwartz regressará a Fiume (agora Rijeka) unicamente para depor uma flor à porta do comissariado, em memória do seu daquele que a salvou.
Em 1990, Israel reconheceu Giovanni Palatucci como Justo das nações, título conferido àqueles que se destacaram na defesa de judeus durante o holocausto. Terá salvo cerca de 3000.
A causa da sua beatificação foi já introduzida.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O TESOURO DESCOBERTO E PERDIDO


Há seis anos atrás, neste dia 9 de Fevereiro, uma criança de nove anos encontrou, numa travessa de Montreal, um cofre-forte aberto, surpreendentemente abandonado na via pública. Mas a maior descoberta estava no seu interior: 10 000 dólares em notas de cinquenta. O rapazinho, residente num centro de acolhimento, apressou-se a regressar com a sua mochila bem repleta, com o intuito de maravilhar os seus amigos com tamanha fortuna. Dizem que o dinheiro não tem cheiro nem sabor, mas os responsáveis do centro acabaram por se aperceber do segredo e, com eles, a polícia. O recém-afortunado de palmo e meio bem que fugiu mas sem sucesso. Ainda lhe explicaram que mais tarde, talvez, se ninguém aparecesse a reclamar esse dinheiro este lhe seria devolvido. TALVEZ…
A minha fonte não explica se esse “mais tarde” chegou e se o consequente “talvez” se concretizou. O “nosso” rapaz terá agora quinze anos. Desconheço se ainda acredita em promessas ou se já aprendeu o suficiente para procurar um novo tesouro, um tesouro que não lhe seja confiscado.

Já Jesus no-lo avisara no Evangelho de Mateus (6, 19-20): «Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam Jesus justificava-se acrescentando: «Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.» (21) O verdadeiro tesouro, do qual depende a autêntica felicidade está no nosso coração. Se este se prende áquilo que se perde, corrompe ou possa ser “roubado” então é o próprio coração que se perde. Cristo propõe-nos uma liberdade maior, uma independência de tudo quanto nos faça sentir dependentes de coisas que valem menos que a nossa vida. Aqui está a nossa maior incoerência: dar mais valor às riquezas, títulos ou fama que à nossa liberdade e felicidade.
Evidentemente que os “tesouros no céu”, de que nos fala Jesus, levam mais tempo a acumular. Mas como dizia o famoso escritor Fedor Mikhaïlovitch Dostoïevski, falecido nesta data no ano de 1881, “Podem ter a certeza de que não foi quando descobriu a América, mas sim quando estava a descobri-la, que Colombo se sentiu feliz.”
Temos a tendência de gastar a vida a perseguir tesouros para edificar a nossa felicidade quando, afinal, a vida é o tesouro que deve construir a felicidade quotidiana. E esta não depende do “mais tarde” nem do “talvez” com que iludiram o rapazinho de Montreal.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

S. JOSEFINA BAKHITA, de escrava a "Santa Morena"


Bakhita, a escrava
Bakhita nasceu no Sudão, África, em 1869. Este nome, que significa "afortunada", não o recebeu dos seus pais ao nascer, mas foi-lhe imposto pelos seus raptores. Esta flor africana conheceu as humilhações, os sofrimentos físicos e morais da escravidão, sendo vendida e comprada várias vezes. A terrível experiência e o susto, provado naquele dia, causaram profundos danos na sua memória, inclusive o esquecimento do próprio nome.
Na capital do Sudão, Bakhita foi finalmente comprada por um cônsul italiano, que depois a levou consigo para a Itália. Durante a viagem, este entregou-a à família de um amigo, que residia em Veneza, e cuja esposa se lhe tinha afeiçoado. Depois, com o nascimento da filha do casal, Bakhita tornou-se a sua ama e amiga.
Os negócios desta família, na África, exigiam que retornassem. Mas, aconselhado pelo administrador, o casal confiou as duas às irmãs da congregação de Santa Madalena de Canossa, em Schio, também em Veneza. Ali, Bakhita, conheceu o Evangelho.

Bakhita, filha de Deus
No ano de 1890, tendo ela vinte e um anos, foi baptizada, recebendo o nome de Josefina.
Após algum tempo, quando vieram buscá-las, Bakhita preferiu permanecer. Queria tornar-se irmã canossiana, para servir a Deus que lhe havia dado tantas provas do seu amor. Depois de sentir com muita clareza o chamamento para a vida religiosa, em 1896, Josefina Bakhita consagrou-se para sempre a Deus, a quem ela chamava com carinho "o meu Patrão!". Durante mais de cinquenta anos, esta humilde Filha da Caridade, dedicou-se às diversas ocupações na congregação, sendo chamada por todos de "Irmã Morena". Ela foi cozinheira, responsável do guarda-roupa, bordadeira, sacristã e porteira. As irmãs estimavam-na pela generosidade, bondade e pelo seu profundo desejo de tornar Jesus conhecido. "Sede boas, amem a Deus, rezai por aqueles que não O conhecem. Se soubésseis que grande graça é conhecer a Deus!".
A sua humildade, a sua simplicidade e o seu constante sorriso, conquistaram o coração de toda população. Com a idade, chegou a doença longa e dolorosa. Ela continuou a oferecer o seu testemunho de fé, expressando com estas simples palavras, escondidas detrás de um sorriso, a odisseia da sua vida: "Vou devagar, passo a passo, porque levo duas grandes malas: numa vão os meus pecados, e na outra, muito mais pesada, os méritos infinitos de Jesus. Quando chegar ao céu abrirei as malas e direi a Deus: Pai eterno, agora podes julgar. E a São Pedro: Fecha a porta, porque fico".
Na agonia reviveu os terríveis anos de escravidão e foi a Santa Virgem que a libertou dos sofrimentos. As suas últimas palavras foram: "Nossa Senhora!".
Irmã Josefina Bakhita faleceu no dia 8 de Fevereiro de 1947, na congregação em Schio, Itália. Muitos foram os milagres alcançados por sua intercessão. Em 1992, foi beatificada pelo Papa João Paulo II e elevada à honra dos altares em 2000, pelo mesmo Sumo Pontífice. O dia para o culto de "Santa Irmã Morena" foi determinado o mesmo de sua morte.


SENHOR, torna-me corajoso


Senhor,
torna-me corajoso
para anunciar a tua Palavra
à minha volta.

Ajuda-me a comprometer-me
no teu caminho
que é o do amor,
de paz, de alegria.

Ajuda-me a suportar
os fracassos, os obstáculos,
Tu que me perdoas
sempre.

Enche-me da tua alegria:
que eu possa comunicá-la
a todos os que me rodeiam.

Faz crescer em mim a tua chama:
que a minha confiança esteja em Ti;
que eu Te dê o meu coração.

Permite-me
que eu seja teu discípulo,
um obreiro da paz,
um construtor de amor.

Tu me chamas, Senhor,
a vir a Ti.
Com Maria,
ajuda-me a dizer SIM.

Oração de um jovem

sábado, 7 de fevereiro de 2009

FLORENCE NIGHTINGALE, uma vida como resposta a Deus


Estamos a 7 de Fevereiro de 1837. Florence Nightingale tem 17 anos e sente que Deus espera dela algo especial: decide formar-se em enfermagem.
Tornou-se famosa por ser pioneira no tratamento a feridos de guerra, durante a Guerra de Crimeia.
Florence, nascida a 12 de Maior de 1820, é filha de uma família rica residente em Florença, na Itália, daí advindo o seu nome. Ficou particularmente preocupada com as condições de tratamento médico dos mais pobres e indigentes. Como resposta e convencida de ser a vontade de Deus, optou por ser enfermeira provocando um verdadeiro escândalo familiar e social, pois esse caminho não correspondia aos parâmetros aceites para pessoas da sua condição.
Em Outubro de 1854, Florence e uma equipe de 38 enfermeiras voluntárias preparadas por ela, partem para os Campos de Scurati localizados na Criméia a fim de prestar tratamento físico e moral aos enfermos.

Dizia ela: "A Enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte, requer uma devoção tão exclusiva, uma preparação tão rigorosa, como a obra de qualquer pintor ou escultor; Pois o que é o tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus? É uma das artes; poder-se-ia dizer, a mais bela das artes."

Florence faleceu a 13 de Agosto de 1910, deixando um legado de persistência, competência, compaixão e dedicação ao próximo, estabelecendo as directrizes e caminho para uma enfermagem moderna.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

AKIANE, a menina prodígio inspirada por Deus

Chama-se Akiane Kramarik e tem pouco mais de 14 anos. Aparentemente, uma adolescente como tantas outras e com jeito para pintar e escrever poesia. A diferença é que os seus quadros são vendidos por milhares de dólares. O admirável é que a jovem Akiane atribui a Deus os seus talentos.

A sua arte
Nascida a 9 de Julho de 1994, é filha de uma Lituana ateia e de um chefe de cozinha americano. Desde os 4 anos que se dedica ao desenho e à pintura. É com essa mesma idade que ela diz manter uma experiência espiritual insomum que tem conduzido a sua família à aproximação de Deus. "Todas as manhãs e todas as noites, converso com Deus. É como se fosse uma voz na minha mente que conversa comigo".
Através da sua arte, pretende comunicar às pessoas conforto e esperança, querendo ainda inspirá-las a exercer os dons dados por Deus. O seu maior desejo é "que todos amem a Deus e os outros". Assim o faz revertendo parte do benefício pela venda das suas obras a favor de instituições de caridade.



A nossa arte
Nem todos temos as capacidades da Akiane. Contudo, Deus concedeu-nos talentos e qualidades suficientes para fazer da nossa vida uma bela “obra de arte”. Não interessa “vender” o que fazemos mas enriquecer os outros com o que vivemos. E isso não tem preço! As nossas mais belas poesias serão as palavras que consolarão e encorajarão aqueles que delas precisarem. As nossas mais belas pinturas serão os gestos e opções que tomaremos para o bem de outros. Ainda que a obra não esteja ainda visível e acabada, ela começa hoje onde te encontras com a pincelada e o verso de cada dia.

Para saber mais sobre Akiane:
http://akianepintora.blogspot.com/

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

VEJO A TUA LUZ


Hoje, procurei forças na Tua casa.
Pedi socorro, rezei.
Procuro em Ti a Paz,
procuro em Ti a Luz,
procuro em Ti o Caminho,
e Tu mostras-me Jesus.

Vem, meu Pai, abençoa a minha casa,
vem, meu Pai, abençoa a minha vida.
Concede-me felicidade, paz, harmonia.
Tanta paz experimento em Ti.
Tanta luz vejo em Ti surgir.

Deus, dá-me a tua força,
retira-me esta angústia.
Sei que em Ti encontro ajuda,
cerro os olhos e sinto a tua presença.
Calo-me para conversar contigo
nos meus momentos de aflição.

Abençoa-me, meu Pai, abençoa-me.
Cura a minha dor, o meu sofrimento.
Experimento a tua presença a cada instante.
Abençoa-me, meu Pai, abençoa-me!

Luiz Carlos, Brasil
(CCFD)

in Prier Jan/Fev 09

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

DIA DA VIDA CONSAGRADA






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Mensagem para o Dia do Consagrado
“PARA MIM, VIVER É CRISTO” (Fil 1, 21)
"Na génese e no coração de vidas oferecidas e dadas a Deus está sempre a consagração nas suas mais diversas formas. Também aqui a iniciativa divina tem sempre o seu lugar primordial.
Lembremos o que nos diz João Paulo II: “Na tradição da Igreja a vida consagrada é considerada como um singular e fecundo aprofundamento da consagração baptismal, visto que nela a união íntima com Cristo, já inaugurada no Baptismo, evolui para o dom de uma conformação expressa e realizada mais perfeitamente” … e é o Espírito “que forma e plasma o espírito dos que são chamados, configurando-os a Cristo”. Como Jesus, o consagrado(a) não tem outro bem além do Reino, outra família além da de Deus, outro projecto que não seja o do Pai. (cf. Ex. Ap. Vida Consagrada, n.ºs 19 e 30).
Quem, melhor do que Paulo, discípulo chamado por Cristo e seduzido pelo Reino, conseguirá dizer com esta verdade e clareza: “para mim, viver é Cristo”?
Quem, melhor do que os consagrados(as) entregues a Deus para servir humanidade, afirmará diariamente com igual coerência e com a mesma autenticidade: “para mim, viver é Cristo”?
Que melhor escola de vocação, de perseverança e de santidade encontraremos do que esta em que Cristo é o nosso mestre e modelo?
O consagrado encontra, ao jeito dos discípulos de Jesus na escola do mestre, no silêncio contemplativo, na escuta atenta e orante da Palavra e na experiência intensa da missão a sua razão de ser e de viver.
Por outro lado, continua sempre um permanente inquieto na busca do mistério eterno de Deus que o ama e o escolheu desde sempre e para sempre.
O Ano Paulino convida-nos a ir ao coração deste mistério inesgotável de Deus, fonte de vocação, de consagração e de fidelidade e lugar de bênção e de graça donde nascem e florescem as novas vocações.
Sem esta dimensão contemplativa do mistério santo de Deus e da escuta atenta da Sua Palavra, origem do conhecimento e da vida em Cristo, força mobilizadora para a missão e dinamismo inspirador do amor à Igreja, como poderemos nós traduzir o Evangelho nas novas linguagens da cultura com “novo ardor, novo entusiasmo e novos métodos”?
Ao mergulhar no mistério de Deus, o consagrado(a) reencontra e refaz diariamente na sua vida e missão este amor original de Deus que o escolheu. Daí emerge igualmente no(a) consagrado(a) em cada manhã a liberdade, a disponibilidade e a abertura para a compreensão dos caminhos que urge percorrer para que “o Evangelho seja colocado na vanguarda do tempo” e na universalidade das culturas, como tão bem o soube fazer S. Paulo.
Que S. Paulo nos ajude a perceber e a viver nesta certeza de fé a alegria e a generosidade de consagrados(as) e a descobrir o sentido permanente de vidas dadas por amor onde o rosto da Igreja se faz mais belo e se torna mais eficaz a sua missão."
D. António Francisco dos Santos
Bispo de Aveiro e Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios