quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

BENDITO SEJAS


Última oração de Emmanuel de la Roncière, gravada numa cassete encontrada depois da sua morte:.

Pela angústia que me abrasa os olhos e o pensamento,
Bendito sejas, meu Deus, bendito sejas.
Pela maçã que me refresca as entranhas,
Pelo leite que sacia a minha boca,
Bendito sejas mil vezes, Rei de amor.
Pela fria solidão que escurece a minha vida,
Pela insatisfação que me enlaça o ser,
Oh! Como te bendigo, meu doce Cristo!
Pela terra luminosa, banhada de sol
Que eu quereria absorver e possuir completamente,
Bendito sejas de novo, meu Tudo!
Pela minha vida que se consome em amor perdido,
Que se retira lentamente como um longo espinho,
Bendito sejas, louvado sejas, adorado sejas!

Pela angústia, pela ansiedade que me prende os pulmões,
Pelos dias frios e cinzentos,
Pelas pessoas frias e cinzentas,
E pelos contactos humanos frios e cinzentos;
Enfim, pelo mundo frio e cinzento em que choro,
Sê o meu sol e meu perfume,
O meu regato, o meu pássaro.
Sê a minha valsa ligeira,
Sê o meu riso fresco, infinito, multicolor.
Pela ferida de angústia que me faz respirar com mais força
Bendito sejas, louvado sejas, adorados sejas
Meu Tudo, meu Rei, meu Amor.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

UM DEUS QUE NOS SACIA


«A hora já ia muito adiantada [...].
Comeram até ficarem saciados»
cf. Mc 6,34-44

O meu Bem-Amado é como a noite tranquila,
Semelhante ao nascer da aurora,
A silenciosa melodia,
E a solidão sonora,
A ceia retemperadora, que inflama o amor.


Na Sagrada Escritura, o repouso da noite designa a visão de Deus. Tal como a ceia marca a conclusão dos trabalhos do dia e o princípio do repouso da noite, também a alma saboreia, nesta notícia pacífica de que falamos, uma antecipação do fim dos seus males e a garantia dos bens que espera. Também por isto o seu amor a Deus é em muito aumentado. Para a alma, o amor de Deus é realmente «a ceia retemperadora» que lhe anuncia o fim dos seus males, e que «inflama o amor», assegurando-lhe a posse de todos os bens.

Para melhor podermos compreender quão deliciosa é de facto esta ceia para a alma - pois, como o temos dito, a ceia é afinal o próprio Bem-Amado -, recordemos as palavras do Esposo, no Apocalipse: «Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele Comigo» (Ap 3, 20). Já aqui Ele nos dá a entender que traz a ceia consigo, isto é, o sabor e as delícias com que Ele próprio Se alimenta e que comunica à alma ao unir-Se-lhe, para que também esta se alimente do mesmo. É este o sentido das suas palavras: «Cearei com ele, e ele Comigo», e é este o efeito produzido pela união da alma com Deus: os mesmos bens de Deus tornam-se comuns a Ele e à alma Esposa, porque Ele comunica-lhos gratuitamente e com soberana liberalidade. Deus é em Si mesmo esta «ceia retemperadora, que inflama o amor». Ele retempera a Esposa com a sua liberalidade, e inflama-a de amor com a sua benevolência.

S. João da Cruz (1542-1591),
carmelita, Doutor da Igreja,
in Cântico espiritual


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

JEAN THIERRY, tudo por Jesus

Faz, hoje, tão somente 3 anos que faleceu Jean Thierry, jovem carmelita originário dos Camarões. A sua vida foi tão fugaz mas vivida intensamente, na simplicidade e abandono a Jesus que ele tanto amava e queria imitar. Prometeu, antes de morrer, que passaria o seu céu fazendo “chover um dilúvio de vocações para o Carmelo e toda a Igreja”.

POEMA PARA HOJE


São os teus olhos
que enfeitam o jardim bonito.

É o teu gosto de subir
que faz admirável a montanha.

É o teu optimismo
que dá alegria à vida.

É o teu sentido poético
que torna belo o meu poema.

É o teu andar
que dá movimento às coisas.

É o teu coração contente
que faz aquele pássaro encantar.

É a tua paz interior
que dá serenidade ao mar.

É a tua vida que
dá sentido à morte.


M. Rito Dias

domingo, 4 de janeiro de 2009

ROSELLA STALTARI, a pequena vida de uma grande alma


Rosella Staltari nasceu em 1951 numa região dura e pobre da Itália. Os seus pais são camponeses modestos, arruinados pelas inundações que ocorreram no Outono em que nasceu a nossa jovem. Com apenas dois anos, perde a mãe e o pai, não podendo sustentá-la entrega-a à avó. Mas também esta, confrontada à miséria, decide confiar Rosella a um orfanato cuidado pelas religiosas Filhas de Nossa Senhora do Calvário.

As feridas da vida
Junto das religiosas, Rosella sofre da ausência de um verdadeiro lar. A assistente social classifica-a de “tímida e introvertida, sofrendo de uma carência e equilíbrio afectivos”. Demasiado numerosas, as meninas não podem usufruir de uma relação personalizada por parte das religiosas.
Rosella ressente-se dessa carência afectiva e relacional. Fecha-se nela própria, até porque os métodos educativos da altura eram rígidos e austeros. No entanto, e tal como ela própria reconhece, “o sofrimento fez-me amadurecer para além da minha idade”.
A todas essas contrariedades, reage com uma força interior baseada numa profunda devoção a Nossa Senhora. Essa confiança irá frutificar em alegria e humildade pouco comuns, juntamente com uma apurada sensibilidade para com a beleza da natureza e uma bondade delicada para com os outros. A sua vida é um paradoxo.

Em busca do amor
Em 1965, o seu pai inscreve-a num instituto dirigido pelas Filhas de Maria Co-redentora, uma jovem congregação fundada a pouco. A adolescente, agora com 14 anos, adapta-se muito bem a esse ambiente mais familiar, simples e caloroso da comunidade. Corresponde dando o melhor de si mesma, atenta a tudo, serviçal, obediente, sensível à arte e ao bem e extremamente reconhecida. Sem pensar em consagração decide tornar-se professora. Mas não será fácil devido a sua dificuldade na comunicação.
A fundadora da congregação sugere-lhe que escreva um diário para vencer a sua inibição. É através dos seus escritos que se revelará a profundidade da sua vida de fé. Aí, interroga-se sobre o mistério do amor: “Desejo que me ajudem a tornar-me boa, porque quero amar Jesus… Tenho um grande desejo de me dar a Ele, mas a minha vontade não está ainda discernido… Esse desejo está em mim, é certo, mas ainda pequeno e inconstante.”
Através dos retiros descobre S. João da Cruz, meditando os seus escritos. Sente-se conquistada pelo absoluto do amor: “Sofrer por Jesus, que tanto sofreu por mim! Ajudai-me a sofrer somente por amor, sem nunca me arrepender… Só tenho medo da minha fraqueza e assusto-me porque a minha formação ainda não está completa.”

O apelo do Amor
Aos 18 anos, obtém o seu diploma para o ensino básico, começando logo a trabalhar.
De forma quase imprevisível, Rosella entrevê e acolhe o chamamento de Cristo para se entregar a Ele. O seu coração caminha a passos largos no amor a Cristo: “Como fazer para conhecer Jesus e acolher verdadeiramente o seu amor? Não posso mais perder tempo, pois já perdi demasiado.”
Devidamente acompanhada pelos fundadores, as suas feridas afectivas curam-se à luz do amor de Deus.
Às dificuldades da vida comunitária responde com generosidade pois já só quer viver o absoluto do amor.
Professa solenemente o dia 2 de Julho de 1973. Aceita uma nova missão noutra comunidade: “Eis-me, ó Jesus, para fazer a tua vontade. Somente de Ti espero graça e fé, amor e força.” Executa todas as coisas, mesmo as mais insignificantes, com uma simplicidade e transparência que tocam os que a rodeiam.
O dia 2 de Janeiro de 1974 arruma cuidadosamente todos os seus afazeres e o 4 de manhã descobrem-na morta, deitada e com um sorriso nos lábios. Ainda não tinha 23 anos.
O seu diário, uma jóia da espiritualidade do séc. XX, confirmará o que pensam as irmãs: morreu de amor, transfigurada pelo abandona à graça de Deus.
A reputação da sua santidade não deixou de crescer e em 2003 foi introduzida a causa da beatificação.
Se quiseres saber mais sobre Rosella:

LUZ PARA TODOS


TESTEMUNHAS DE LUZ
Somos luz.
Luz.
Não que a nossa inteligência ultrapasse a dos outros,
ou que a nossa vida seja mais íntegra que a sua.
Luz porque iluminados!

Luz porque transparentes
Àquele que nos habita,
diáfanos à sua luz em nós
e destruindo o que em nós há de opaco.
Luz porque as nossas qualidades
revelam os seus dons
e as nossas faltas o seu perdão.

Mas a nossa luz não faz sombra aos outros,
pois estes também são luz para nós.
Neles também, secretamente,
misteriosamente, Ele transparece
desde esse dia em que apareceu na nossa noite!

A alegria de Deus consiste em deixar
que a sua Luz brilhe através dos seus filhos.
Então brilha, por Ele, para todos!



in Caminhos do Advento 1993 (adaptado)

sábado, 3 de janeiro de 2009

ELENA SPIRGEVICIUTE, "mais perto de Ti, Senhor"


Elena Spirgeviciute inicia um diário dois meses após a anexação do seu país, a Lituânia, pela U.R.S.S., em Agosto de 1940. Tem o vivo sentimento que a sua vida está a mudar. O seu escrito não descreve apenas os acontecimentos da sua cidade de Kaunas durante esse período, mas revela também a evolução espiritual desta estudante, então com 16 anos. Escreverá até aos 18, altura em que tomará uma opção de vida irreversível.
Desde as primeiras páginas, Elena, abalada pelas circunstâncias que o seu país atravessa, confessa que atravessa uma crise: “Decidi ser uma boa católica, mas é difícil sem o socorro do Senhor, e sinto-me perdida… Deseja ser boa, não quero levar uma existência vazia, mas contribuir em algo de bom, ser útil.”
Ela tem consciência da sua fraqueza, da sua fragilidade devido à sua extrema sensibilidade. Adolescente discreta, é estudiosa e agradável companhia, procurando concretizar o que escreveu como virtudes a praticar: “Honestidade, modéstia e inteligência”. Apesar do contexto opressor no seu país, não deixa de querer viver “bons momentos” divertindo-se e dançando.

Invasão nazi
Em Julho de 1941, a Lituânia é invadida pelas tropas alemãs, consequência da quebra do pacto germano-soviético. O conflito entre nazis e partidários comunistas espalharam um clima de terror na cidade. Em Setembro é a chacina dos judeus locais, chocando toda a população. O diário de Elena deixa transparecer o seu desespero. Esta tragédia leva-a a interrogar-se sobre a sua vocação neste mundo dilacerado. A sua caminhada espiritual acompanha o desenrolar dos acontecimentos. Através de encontros e de partilha aprofunda os seus conhecimentos sobre Deus, a Igreja e a religião. Reflecte, medita, reza. A sua vida prossegue, muito naturalmente.
"Pai, mais perto de Ti"
Apesar de ser uma bela rapariga e de atrair o olhar dos rapazes, não se lhe conhece nenhum namoro. Em Fevereiro de 1942, escreve no seu diário: “O meu coração está cheio de qualquer coisa. Regozijo-me de ter compreendido o que é a felicidade. Mas penso seriamente que poderei encontrar uma paz maior atrás das grades da clausura. Convento. O termo evoca por si a solidão, o silêncio, a paz. Senhor, eis sonhos sérios. Quero-o, seguramente. Quero viver algo. Oh, como gostaria que a guerra acabasse! Terminaria os meus estudos e consagrar-me-ia. Pai, mais perto de Ti! Todas as festas que tanto amei antes não são mais, quando reflicto atentamente, que vaidades e presunção. Somente as evitarei com a tua ajuda, Senhor! E quero-o, não por ser feia, mas porque a beleza é passageira. Envelhecemos, curvamo-nos e a beleza deixa de ser. Ora eu, quero ser bela interiormente.”

Apesar a sua inquietação vocacional, Elena sabe bem que tem ainda de se aperfeiçoar nos seus sentimentos e hábitos. Por isso, não precipita nada. Esforça-se na simplicidade e na oração. Após os estudos secundários, inscreve-se na faculdade de medicina pois gostaria de ser pediatra e religiosa enfermeira. Mas a universidade de Kaunas é encerrada pelos nazis. Passa ao estudo do francês e do alemão. Recusa mesmo um lugar de professor numa povoação vizinha pois, perante insegurança geral, não quer deixar os seus pais sozinhos.
Martírio
No dia 3 de Janeiro de 1944, pelas 22h30, quatro homens armados e embriagados irrompem pela casa. Declaram-se partidários soviéticos. Tentam assediar Elena que se lhes opõe. Ameaçam-na de morte. Não cede: “prefiro morrer”. Traça, então um grande sinal de cruz sobre os seus pais, dizendo: “Vou morrer, mas vos vivereis.” Resiste à violência dos seus agressores antes de ser baleada. Tinha 20 anos.
Os lituanos consideram-na um símbolo da resistência nacional mas reconhecem-na, sobretudo, como mártir. Sobre o seu túmulo, edificaram um monumento. A causa da beatificação foi introduzida em 1999.

GUARDAR, AGUARDAR & ACREDITAR

“Maria guardava todos estes acontecimentos,
meditando-os em seu coração”.

Lc 2, 19

É belo contemplar o presépio, a ternura que esse cenário emana: um menino sorridente, Maria contemplando o seu filho, José atento e cuidadoso para com eles. Até o burro e a vaca ajudam ao aconchego da cena. Depois são as figuras dos pastores, homens rudes habituados à dureza da vida, derretendo de admiração. Finalmente os reis magos, vindos de longe, prostrados diante do Menino Salvador.

Mas o nosso enternecimento é possível porque sabemos o final da história. É fácil contemplar quando descodificamos o mistério. Porém, para Maria nada fazia sentido.
Desde a anunciação que a sua vida deixou de ter sossego. Nada decorria normalmente. Não é todos os dias que se recebe a visita de um anjo! A gravidez excepcional, a incerteza quanto à reacção de José, a obrigação do recenseamento com a viagem inerente e incómoda naquelas circunstâncias, a falta de hospedagem digna, o nascimento sem assistência… Nada que se parecesse com a vinda do enviado de Deus.
Depois são os pastores os primeiros a conhecer o Filho de Deus. Não os grandes dignitários e legítimos representantes do povo, mas esses homens do campo com fama de violentos e poucos sociáveis. E que dizer desses desconhecidos magos vindos não se sabe de onde!?
Mais tarde, será o velho Simeão com as palavras enigmáticas e duras quanto ao futuro doloroso de Maria.

Guardar tudo no coração, significa não perceber nada do que está a acontecer. Mas também significa que confia, que acredita. Mania nossa de querer tudo entender para crer! Maria confia: não entende, mas sabe quem conduz a sua vida – Deus.
Basta-lhe saber que está nas mãos do Senhor…

Guarda no coração, aguarda que se faça luz e acredita que deve avançar… confiando.

Também tu, guarda, aguarda e acredita! A obra de Deus realizar-se-á também em ti.

*

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

COMBATER A POBREZA, CONSTRUIR A PAZ

Na mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, o Papa exortou o mundo a combater a pobreza que ofende a dignidade do homem através da sobriedade e da solidariedade, seguindo a pobreza evangélica que Jesus escolheu. Assim, "Combater a pobreza, construir a paz" é o tema da mensagem.
Na sua intervenção, explicou que existe uma distinção entre a pobreza evangélica e a pobreza que Deus não deseja, e lançou o desafio a todos de combater a segunda através da primeira.

Mas o que se entende por pobreza evangélica?
O Papa explicou que Jesus, ao fazer-se homem quis ser também pobre. Porém, existe a pobreza, a indigência, que Deus não quer e que deve ser combatida; «uma pobreza que impede as pessoas e as famílias de viverem segundo sua dignidade; uma pobreza que ofende a justiça e a igualdade e que, como tal, ameaça a convivência pacífica».
Esta pobreza, centro da mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, não só é material, revelou, mas subentendem-se também «as formas de pobreza não material que se reencontram justamente nas sociedades ricas e desenvolvidas: marginalização, miséria relacional, moral e espiritual».
Esta pobreza em grande escala, que se reflecte nas «epidemias, na pobreza das crianças e na crise alimentar», e que o pontífice relacionou com o fenómeno da globalização, requer que as nações «mantenham alto o nível da solidariedade».

Em particular, o Papa denunciou a corrida armamentista que tem acontecido nos últimos anos, que definiu como «inaceitável» e «contrária aos Direitos Humanos».
Diante dessa situação, afirma que a actual crise económica supõe «um banco de provas: estamos prontos para lê-la, em sua complexidade, como desafio para o futuro e não só como uma emergência a qual dar resposta a curto prazo? Estamos dispostos a fazermos juntos uma revisão profunda do modelo de desenvolvimento dominante, para corrigi-lo de modo certo e a longo prazo?»

Luta contra a pobreza e solidariedade global
À crise financeira, ao estado de saúde ecológica do planeta e, sobretudo, a crise cultural e moral, o papa propõe uma resposta através de um «círculo virtuoso» entre a pobreza que se deve escolher, e a pobreza que deve ser combatida: «para combater a pobreza iníqua, que oprime tantos homens e mulheres e ameaça a paz de todos, ocorre redescobrir a sobriedade e a solidariedade, como valores evangélicos e, ao mesmo tempo, universais». «Não se pode combater eficazmente a miséria, se não se faz aquilo que escreve São Paulo aos Coríntios, isto é, se não se busca a ‘igualdade’, reduzindo o desnível entre quem gasta o supérfluo e quem falta do necessário».
Esta pobreza evangélica recorda a todos «a exigência do desapego dos bens materiais e a primazia das riquezas do espírito», explicou o pontífice. «A pobreza do nascimento de Cristo em Belém, além de objecto de adoração para os cristãos, é também escola de vida para cada homem. Esta nos ensina que para combater a miséria, tanto material quanto espiritual, o caminho a percorrer é o da solidariedade, que levou Jesus a partilhar a nossa condição humana».
Por fim, o Papa explicou que o mundo novo trazido por Cristo consiste numa revolução pacífica, não ideológica, mas espiritual, não utópica, mas real, e por isso «necessita de infinita paciência, de tempos, muitas vezes, muito longos, evitando qualquer atalho e percorrendo a via mais difícil: a via do amadurecimento das responsabilidades nas consciências».
«Esta é a via evangélica para a paz».


BASÍLIO MAGNO & GREGÓRIO de NAZIANZO, a amizade que conduz a Deus













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S. Basílio Magno e S. Gregório de Nazianzo viveram no século IV.
Basílio foi o autor dos primeiros escritos sobre o Espírito Santo e pioneiro na vida monástica no Oriente. Escreveu duas Regras que são seguidas ainda hoje pelos monges da Igreja do Oriente.
Em 370 foi nomeado bispo de Cesaréia da Capadócia, num período da história marcado por diversos cismas e heresias que ameaçavam à fé cristã. Mas foi firme e um grande defensor da Igreja e, por isso, tem o nome de Magno. Foi o criador de uma imensa obra a serviço dos pobres, fundando hospitais, asilos, casas de repouso, escolas de artesanato, etc.
Gregório foi ao mesmo tempo homem de acção e de contemplação; filósofo e poeta; vivendo entre a vida activa e a vida ascética, entre a pregação e a meditação. Também ele foi um firme defensor da fé.

Amigos em Deus
Algo mais os destacam: eram grandes amigos. Para além de terem muito em comum, decidiram retirar-se para a solidão e meditação. Através da amizade, foram capazes de caminhar para Deus, conhecendo-O e amando-O cada vez mais e melhor.

A verdadeira amizade serve para dar o melhor ao amigo: o melhor do nosso tempo, da nossa vida, o melhor do que somos e temos, partilhando o segredo dos nossos sorrisos e lágrimas. Tudo isso acontece quando, directa ou indirectamente, damos Deus ao outro.

Com Basílio e Gregório aprendamos a ser os melhores amigos, dando espaço a Deus entre nós.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

LOJZE GRODZE, santo ou nada!


Se alguém parecia não ser talhado para a santidade, era mesmo o esloveno Lojze que acumulou, no princípio da sua vida, todos os requisitos contrários ao de um rapaz bem comportado e admirado de todos. Filho ilegítimo acaba por ser criado por uma tia, pois a sua mãe decidiu refazer a sua vida, sem ele. Deixado à margem, por lembrar a vergonha da família, carece de afecto. Magoado, isola-se, rebela-se e transforma-se num verdadeiro selvagem. Indesejado por todos, lamenta-se mesmo que não tenha perecido por ocasião de um acidente. Por única consolação refugia-se na solidão dos bosques.
Mas quando vai à escola pela primeira vez, é a sua libertação. Superando o seu complexo de inferioridade, torna-se um excelente aluno. Descobre a leitura que se tornará a sua paixão. Embora de feitio difícil, Lojze é piedoso.
Finalmente, a sorte bate-lhe à porta. Uma benfeitora permite que prossiga os seus estudos num colégio da capital. Estamos no ano de 1935, ano do congresso eucarístico. As celebrações religiosas impressionam-no mas também experimenta o desprezo dos seus colegas que só vêem nele um pobre camponês mal vestido e pretensioso. Lojze reage com violência a essa descriminação, mas também com o brio de ser o melhor estudante, com a perseverança de muito trabalho e vontade. Sem amigos, tanto na sua aldeia como na cidade, refugia-se no estudo, na poesia (para qual tinha um real talento) e no álcool. Tem apenas quinze anos!
Porém, qualidades não lhe faltam. Predispõe-se a dar explicações gratuitas aos seus colegas, incentivando-os. Continua piedoso mas cede à tentações fáceis da vida, perdendo-se por caminhos moralmente condenáveis.

Conversão
É então que, levados por amigos, integra a Acção Católica. Lentamente, inicia-se nele uma luta que o levará a uma conversão radical. Fixa-se um programa de oração, aceita responsabilidades, nomeadamente a de redactor do jornal do movimento. Percebe que os estudos não são apenas um meio de promoção social mas também um instrumento de apostolado. Torna-se um dos melhores dirigentes da Acção Católica, pregando não só com a palavra mas sobretudo pelo exemplo. A sua vida transformou-se, nos seus hábitos e nas virtudes da pureza, mansidão, humildade e paciência: é um verdadeiro apóstolo, testemunha de Cristo. Reza, comunga diariamente, faz retiros espirituais. Inimigo da mediocridade, deseja a radicalidade: santo ou nada!

Perseguição comunista
Entretanto a situação política da Jugoslávia altera-se. Depois do conflito mundial da II Grande Guerra é o surgimento do comunismo promovido por Tito e a consequente perseguição à fé católica. Dirigentes da Acção Católica e sacerdotes são abatidos só porque ousaram denunciar o perigo do marxismo. Lojze Grodze tem consciência que é um alvo fácil da perseguição. Confia o sacrifício da sua vida a Cristo.
Pelo Natal, decide visitar os seus familiares na aldeia. No dia 1 de Janeiro de 1943 é preso e acusado de propaganda anti-comunista. Durante toda a noite é torturado até à morte, fazendo desaparecer o seu corpo. O cadáver só será encontrado em 23 de Fevereiro. Preservado, o corpo revela ainda os rastos do seu suplício. A fama da sua santidade tem crescido desde então, sendo considerado um autêntico mártir na Eslovénia.
A causa da sua beatificação foi introduzida em 1992.

VOTOS DE LUZ


Amigas, amigos,
desejo-vos a luz que vem da ternura dada e recebida:
que faz recuar as fronteiras de todos as noites!

Desejo-vos a luz
que vem da presença de Cristo.
Se avançais com Ele, recebendo o seu pão e a sua palavra,
a noite jamais se apoderará de vós!

Desejo-vos a luz que vem da alegria
quando acontece partilha.
Se os irmãos e as irmãs são elevados na sua humanidade,
a noite perde o seu poder na terra!

Desejo-vos a luz
que vem do diálogo reatado,
pois quando os separados se reencontram
o dia começa a dançar sobre a noite!

Amigas, amigos,
se de uma forma ou de outra,
humildemente, fielmente, com perseverança
alguns fragmentos de luz
brotarem das vossas mãos e das vossas palavras,
a terra terá certamente um ano de grande claridade!


(adaptado de Caminhos de Advento 1993)


BOM
&
SANTO
2009
para todos vós!

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