quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

OLGA BEJANO, viver no limite (II)

Este é o vídeo de apresentação do terceiro livro de Olga Bejano, "Los Garabatos de Dios".

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

IMACULADA CONCEIÇÃO


AVÉ MARIA

Por todos os séculos dos séculos,
És rosa e açucena,
Unes a Terra aos Céus.

Reza por nós os pecadores,
Ó misteriosa e doce
Filha do homem,
Esposa e irmã do homem,
Mãe de Deus!



Américo Durão
Sinal

domingo, 7 de dezembro de 2008

LUZ PARA AVANÇAR (Advento II)


Todos nós fizemos a experiência inquietante
de caminhar na noite escura
sem saber onde pousávamos os pés.
Não seria melhor então parar
e não avançar mais?
A fé, dizem-nos, permite-nos marchar
e não tropeçar em plena escuridão.
É verdade, pois a fé é uma luz!
Contudo não é assim tão simples.
Com efeito, esta luz parece que não é dada
senão à medida que se avança!
É como o sistema de iluminação de uma bicicleta:
o dínamo e os faróis só iluminam o caminho
se o viajante pedala corajosamente!
Se pará, mergulha imediatamente na noite.
“Quem actua na verdade chega à luz”.
Os homens e as mulheres
que na vida caminham no bem,
que amam com todo o ser,
projectam diante de si uma pequena luz
na qual, mais tarde ou mais cedo, se revelará
Aquele que é a Luz.
in Caminhos de Advento 1993

sábado, 6 de dezembro de 2008

VIGÍLIA de ORAÇÃO pelas VOCAÇÕES na Covilhã


Decorreu, ontem à noite, na Igreja de São Francisco, na cidade da Covilhã, uma vigília de oração pelas vocações, por ocasião das próximas ordenações sacerdotal e diaconais do dia 8 de Dezembro.
Com a comunidade reunida, com a presença de dois ordenandos, o Valter e o Hugo, e ainda um grupo do Seminário da Guarda, consciencializámos a necessidade e urgência da missão evangelizadora e da consequente convocatória que a cada um Deus dirige. Confrontados aos nossos medos e hesitações, só em Cristo podemos vencer, pois Ele é a fonte de toda a vocação. Se nos sentimos frágeis e incapazes, acreditamos que Ele capacita os escolhidos. É na confiança n'Ele e na força e beleza do seu Reino que podemos dar o que somos e o que temos, apesar de pobres e pecadores.



A todos, Jesus repete as palavras
"CORAGEM. SOU EU. NÃO TEMAIS!",
"VEM E SEGUE-ME".

ORDENAÇÕES de NOVO SACERDOTE e dois DIÁCONOS


No proximo dia 8 de Dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição, serão ordenados um novo sacerdote e dois diáconos na Sé Catedral, pelas 16 horas.
O actual diácono Valter Duarte, é administrador pastoral de quatro paróquias no arciprestado de Alpedrinha. Natural da Covilhã, fez a sua caminhada vocacional através do Pré-Seminário tendo, posteriormente frequentado o Seminário da Guarda e o Instituto de Teologia, sediado em Viseu.
O Hugo Martins, natural de Celorico, está a realizar o seu estágio pastoral em Loriga e demais paróquias atribuída ao Pe. João Barroso, em plena Serra de Estrela. O Celso Marques, oriundo do Barco (Covilhã), por sua vez, colabora pastoralmente no arciprestado de Celorico com a equipa sacerdotal aí residente.
No mesmo dia, será instituído leitor o Rui Calçada, da freguesia do Marmeleiro.
Por todos eles, pedimos a oração necessária para que sejam fiéis à missão que, livre e responsavelmente, assumem em nome de Cristo Jesus.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008


«O meu coração pressente os Teus dizeres:
'Procurai a Minha Face!' [...]
Não escondais de mim o Vosso Rosto»

(Sl 26, 8)

Fala, coração, abre-te por completo e diz a Deus: «É a Tua face, Senhor, que eu procuro» (Sl 26, 8). E Tu, Senhor meu Deus, ensina ao meu coração onde e como há-de procurar-Te, onde e como há-de encontrar-Te. Senhor, se não estás aqui, se estás ausente, onde Te hei-de procurar? E, se estás presente em toda a parte, por que motivo não consigo ver-Te? É certo que habitas uma luz inacessível. Mas onde está a luz inacessível e como atingirei essa luz inacessível? Quem me conduzirá a ela, quem me mergulhará nela, para que nela Te veja? E em seguida, com base em que sinais e de que lado Te procurarei? Nunca Te vi, Senhor meu Deus, não conheço o Teu rosto. Que pode fazer, Senhor altíssimo, que pode fazer este exilado longe de Ti? Que pode fazer o Teu servo, anseia pelo Teu amor e foi rejeitado para longe da Tua face? Aspira a ver-Te e o Teu rosto esconde-se-lhe por completo. Deseja ir ter conTigo e a Tua morada é-lhe inacessível. Gostaria de Te encontrar e não sabe onde estás. Empreende procurar-Te e ignora o Teu rosto.

Senhor, Tu és o meu Deus, és o meu Senhor, e nunca Te vi. Tu criaste-me e recriaste-me, Tu me proveste de todos os bens que possuo e ainda não Te conheço. Tu me fizeste a fim de que Te visse e ainda não realizei o meu destino. Miserável sorte a do homem que perdeu aquilo para o qual foi criado. [...] Buscar-Te-ei com o meu desejo e desejar-Te-ei na minha busca. Encontrar-Te-ei amando-Te e amar-Te-ei quando Te encontrar.

Santo Anselmo (1033-1109),
monge, bispo, Doutor da Igreja,
in Proslogion 1


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

FAZ-TE AO LARGO!


No ano de 1961, nesta mesma data de 4 de Dezembro, o argentino António Abertondo atravessava a nado o canal da Mancha que separa a Inglaterra da França. A sua “ida e volta” entre os dois países demorou 24 horas e 16 minutos, com um descanso de 4 minutos na praia francesa.
Embora seja demasiada água para o meu cântaro, não deixo de a considerar como uma notável proeza, sobretudo, se tivermos em conta que ninguém o tinha tentado antes dele. Ainda assim, apesar de menos mediáticos, todos temos algo a atravessar nas nossas vidas. Quantos canais, mares, montanhas, desertos… temos de enfrentar e ultrapassar. Momentos dolorosos, provas angustiantes, decisões delicadas, dúvidas que atormentam, situações injustas, saudades de quem partiu, responsabilidade do que resta…
Haverá sempre a tentação da praia, da sua segurança, do seu aconchego. O mar aparece-nos mais belo quando estamos fora dele. Mas será mesmo assim? Não haverá momentos em que teremos de nos lançarmos nele? Enamoramo-nos de o ver, mas não de estar nele. Soa a ilógico. Mas o mar exige respeito, exige ser conhecido. Porém, como conhecê-lo fora dele?
Isto lembra-me a história da “Boneca de Sal” que só se encontrou a si mesma quando entrou no mar, deixando que ele “tomasse posse” dela.

Que nome damos ao nosso mar?
Vida!?
Verdade!?
Amor!?
Deus!?
Cada um saberá.
Enfrentar o nosso mar, “adentrando-o”, nunca será fácil ou evidente. Por vezes, também precisamos, queremos, preferimos descansar na praia… Não que seja legítimo, mas a demora pode levar-nos a esquecer que o mar chama-nos e que a Vida, a Verdade, o Amor, ou Deus… nos espera. E a proeza (nossa) só pode ser patenteada quando concluída.

CORAGEM!
FAZ-TE AO LARGO!

ESCUTAR... PARA AGIR


«Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor’ entrará no Reino do Céu,
mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu.»

cf. Mt 7,21.24-27

O Pai celeste disse uma única palavra: é o Seu Filho. Disse-a eternamente e num eterno silêncio. É no silêncio da alma que Ele se faz ouvir.
Falai pouco e não vos metais em assuntos sobre os quais não fostes interrogados.
Não vos queixeis de ninguém; não façais perguntas ou, se for absolutamente necessário, que seja com poucas palavras.
Procurai não contradizer ninguém e não vos permitais uma palavra que não seja pura.
Quando falardes, que seja de modo a não ofender ninguém e não digais senão coisas que possais dizer sem receio diante de toda a gente.
Tende sempre paz interior assim como uma atenção amorosa para com Deus e, quando for necessário falar, que seja com a mesma calma e a mesma paz.
Guardai para vós o que Deus vos diz e lembrai-vos desta palavra da Escritura: "O meu segredo é meu" (Is 24,16)...

Para avançar na virtude, é importante calar-se e agir, porque falando as pessoas distraem-se, ao passo que, guardando o silêncio e trabalhando, as pessoas recolhem-se.
A partir do momento em que aprendemos com alguém o que é preciso para o avanço espiritual, não é preciso pedir-lhe que diga mais nem que continue a falar, mas pôr mãos às obras, com seriedade e em silêncio, com zelo e humildade, com caridade e desprezo de si mesmo.
Antes de todas as coisas, é necessário e conveniente servir a Deus no silêncio das tendências desordenadas, bem como da língua, a fim de só ouvir palavras de amor.

S. João da Cruz (1524-1591),
carmelita, doutor da Igreja
in Conselhos e Máximas

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

S. FRANCISCO XAVIER, o zelo da missão


Hoje, comemoramos S. Francisco Xavier, padroeiro das Missões, juntamente com a jovem carmelita S. Teresa do Menino Jesus. Francisco, natural de Navarra, norte da actual Espanha, notabilizou-se pelo zelo missionário em terras do Oriente, em nome da Companhia de Jesus à qual, juntamente com S. Inacio de Loyola, deram início. O trecho seguinte, tirado de uma das suas cartas bem o demostram. Oxalá, possamos também nós, cada um na sua medida, ser um pouco missionário onde está, junto daqueles que nos cruzam.

“Os cristãos destes lugares, por não terem quem os instrua na nossa fé, somente sabem dizer que são cristãos. Não têm quem lhes diga a missa e, ainda menos, quem lhes ensine o Credo, o Pai-Nosso, a Avé Maria e os Mandamentos. (…) Ao entrar nos povoados, as crianças não me deixavam rezar o Ofício Divino, nem comer, nem dormir, e só queriam que lhes ensinasse algumas orações. Comecei então a saber por que é deles o reino dos Céus. (…) Descobri neles grande inteligência. Se houvesse quem os instruísse na fé, tenho por certo que seriam bons cristãos.
Muitos deixam de se fazer cristãos nestas terras, por não haver quem se ocupe de tão santas obras. Muitas vezes me vem ao pensamento ir aos colégios da Europa. Levantando a voz como homem que perdeu o juízo e, principalmente, à Universidade de Paris, falando na Sorbonne aos que têm mais letras que vontade para se disporem a frutificar com elas. (…) E, se assim como vão estudando as letras, estudassem a conta que Deus nosso Senhor lhes pedirá delas e do talento que lhes deu, muitos se moveriam a procurar, por meio de exercícios espirituais, conhecer e sentir dentro de suas almas a vontade divina, conformando-se mais com ela do que com suas próprias afeições, dizendo: «Senhor, eis-me aqui; que quereis que eu faça?»

Eis uma preciosidade da música sacra ortodoxa, na belíssima voz de Divna Ljubojevic - ♫ Bogorodice Djevo ♫ ("Alegra-te, Virgem Maria").

Neste dia de S. Francisco Xavier, dedicamos este momento a todos quantos procuram o caminho, a verdade e a vida de Deus, para que O encontrem. E encontrando, se tornem, por sua vez, suas testemunhas no mundo, na alegria como Maria.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

ETTY HILLESUM, poema de Deus (parte II)


Etty Hillesum, uma jovem judia holandesa, confronta-se com o fim dos seus sonhos e projectos pessoais. A guerra, a invasão do seu país pelas tropas nazis e a consequente perseguição e humilhação à sua raça, não permitem muitas ilusões. Num tal cenário, tornam-se compreensíveis o pessimismo, o rancor e até a perda de fé.
Porém, Etty recusa-se a cair numa lógica de ódio que ela pressente nos seus compatriotas judeus revoltados e cansados de serem humilhados pelo regime nazi. Encontro a vida bela e sinto-me livre… Creio em Deus e creio no homem, ouso dizê-lo sem falsa vergonha… Se a paz se instala um dia, ela somente será autêntica se cada indivíduo fizer, antes de mais, a paz consigo mesmo…” “Não tenho medo. Porém, não sou corajosa, mas guardo o sentimento de sempre lidar com pessoas e a vontade de compreender, tanto quanto puder, o comportamento de cada um… Apesar de todos os sofrimentos infligidos e de todas as injustiças cometidas, não consigo odiar os homens.”
Em pleno inferno da guerra exclama: “O céu existe. Porque não vivemos nele? Mas, na prática, é antes o contrário: é o céu que vive em mim… Das tuas mãos, meu Deus, aceito tudo, tal como vier.”
Ao rezar, Etty não se descompromete da sorte dos seus contemporâneos. Muito pelo contrário: “Quero partilhar a sorte do meu povo.” “Quereria tornar-me presente em todos os campos… em todas as frentes.” “Toda a força, todo o amor, toda a confiança em Deus que possuímos, devem ser reservados para aqueles que cruzarmos no caminhos e deles necessitarem.” “Trata-se de sustentar a esperança, onde eu puder e onde Deus me puser.”

A sua força encontra-a numa relação íntima e intensa com Deus: “Existe agora em mim uma espécie de confiança natural e ilimitada em Deus, que me dá o sentimento de poder enfrentar qualquer situação.”
Se amo as pessoas com tanto ardor, é porque em cada um deles amo uma parcela de Ti, meu Deus. E procuro chamar-Te à luz no coração dos outros, meu Deus.”
“Em verdade, só deveríamos escrever cartas de amor a Deus.”

Numa das suas últimas páginas do diário, podemos ler o seguinte: “Tu que tanto me enriqueceste, meu Deus, permite-me também a mim de dar às mãos cheias. (…) Quando, deitada sobre a minha cama, me recolho em Ti, meu Deus, lágrimas de gratidão inundam-me, por vezes, o rosto, e tornam-se a minha oração. (…) Não luto contigo, meu Deus. A minha vida é somente um longo diálogo contigo.

“Também eu quereria ser como uma melodia que brote da mão de Deus.”
Que bom seria podermos formar, juntos com Etty, a sinfonia de Deus…

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

LUZ PARA VELAR (Advento I)


A demasiada escuridão mata a esperança.
Na escuridão da guerra e dos ódios,
da fome, do desprezo e da rejeição,
como esperar que nascerá o dia
de um mundo humano e fraterno?

Necessitamos de uma luz
que transforme estas noites em dia
e nos mantenha acordados, erguidos,
para levar a reconciliação
onde os ódios e as guerras criam a divisão;
para saciar de pão e de amor
aqueles que têm fome da justiça;
para oferecer a amizade e o respeito
aos que são rejeitados e desprezados;
para acender nas noites do desespero
a luz da esperança e do triunfo da vida.

Cristo Jesus, que veio e que vem,
é a luz que nos impede de adormecer;
ilumina os caminhos a abrir na escuridão,
e ergue os nossos corações e corpos fatigados.


in Caminhos de Advento 1993