sexta-feira, 31 de outubro de 2008

DESEJAR O ABSOLUTO


"O vazio enche-se com o amor.
Ainda jovem, senti o vazio.
Gostava de brincar, dançar, ir ao cinema.
Tudo isso nada me deixava.
Habitando em Bruxelas, escapava-me para Londres.
Divertia-me. Regressava.
E depois?
Ia para Paris. Divertia-me. Regressava.
E depois ?
Existia sempre esse vazio. Esse vazio que sugava a minha juventude.
Tentei encher esse vazio.
Cedo, procurei em Deus um amor durável e sem limites, tal como a vida terrena me tinha negado. Para além das minhas lágrimas, procurei o caminho que me permitiria juntar-me a Jesus no reino do amor.
Desejei o absoluto.
Esse absoluto seria o amor de Cristo no meu coração, que eu levaria a milhares de crianças abandonadas por esse mundo."

Sœur Emmanuelle

domingo, 26 de outubro de 2008

DEUS DE TERNURA


Vós nos pedis, Deus de ternura,
para Vos amar de todo o coração.
Vede o nosso amor: ele é frágil.
Purificai-o no fogo do vosso amor
e nós Vos amaremos eternamente.

Vós nos pedis, Deus de ternura,
para Vos amar com toda a nossa alma.
Vede o nosso amor: ele é tão fraco.
Iluminai a nossa alma pelo esplendor da vossa beleza
e nós Vos amaremos eternamente.

Vós nos pedis, Deus de ternura,
para Vos amar com todo o nosso espírito.
Vede o nosso amor: ele é tão instável.
Enraizai-o pela força do vosso Espírito
e nós Vos amaremos eternamente.

Vós nos pedis, Deus de ternura,
para amar o próximo como a nós mesmos.
Vede o nosso amor: ele é tão egoísta.
Transfigurai os nossos sentimentos humanos
pelo esplendor da vossa presença
e nós Vos amaremos eternamente.
Pe. José Vaz, Cssp

sábado, 25 de outubro de 2008

CHASE HILGENBRINCK, do futebol para o seminário


Chama-se Chase Hilgenbrinck. É norte-americano. Jogava futebol profissional na Primeira Liga dos Estados Unidos (MLS) no clube New England Revolution. Até aqui, nada de especial, dir-me-ão.
O que torna diferente este rapaz é a sua opção, também ela diferente: decidiu pôr termo à sua carreira profissional para ingressar no seminário a fim de ser ordenado sacerdote. Nada mais do que isso. É uma simples escolha que tomou, livre e responsavelmente. Contudo, não é muito comum deixar o mundo de alta competição, com tudo o que ela envolve (fama, sucesso, dinheiro…). Quantos não podem prosseguir por causa de lesões graves ou falta de sorte!?
Mas Chase escolheu: “Após anos de ponderação, senti fortemente que Deus me chamou para ser padre na Igreja Católica. Embora vá sentir falta de jogar futebol, sei que estou a avançar para algo muito maior”.

Chase começou a jogar futebol na equipa da universidade, emigrando depois para o Chile onde esteve quatro anos. Regressado aos Estados Unidos passou pelo Colorado Rapids antes de representar o New England Revolution do qual era o capitão.
A sua decisão de abandonar o desporto surpreendeu muita gente a começar pelo presidente do clube e o seu treinador, mas este reconhece que Chase, o seu lateral esquerdo, actuou “de acordo com as suas convicções, e isso com certeza é bom para ele”.
Chase, apenas com 26 anos, confessa que ainda pensou esperar o fim da carreira desportiva para se dedicar integralmente à igreja: "eu pensei nisso. Continuo muito apaixonado pelo desporto, e não o deixaria por nenhum outro emprego. Mas troco o futebol pelo Senhor".
Para tomar esta decisão, foram necessários vários anos de discernimento e oração pessoal. Também a profunda fé de seus pais contribuiu bastante para esta opção. Noutra entrevista, o agora ex-jogador de futebol afirma: “Jogar a nível profissional foi a minha grande paixão durante muito tempo e sinto-me privilegiado por ter vivido intensamente esse sonho. Mas agora a minha paixão é fazer a vontade de Deus, que é querer somente o que Ele quer para mim. (…) Descobri que tinha fome de algo mais: Todos estamos destinados a fazer algo. Sinto que a minha vocação é o sacerdócio”.

Para o Chase, fica a consolação que no seminário poderá continuar a praticar o seu desporto favorito. A sua felicidade é bem notória nesta entrevista concedida a um canal de televisão norte-americano. Nela, chase diz: "Deus dá-nos tanto amor e eu experimentei o seu amor e o seu chamamento. Sinto-me abençoado por ser escolhido para ser seu ministro". Se não perceberem inglês, não faz mal. O seu sorriso diz tudo.
E, já agora, ele pede a vossas orações para continuar a fazer o que Deus quer.


MISSÃO É…

Missão é partir,
Caminhar, deixar tudo, sair de si,
Quebrar a crosta do egoísmo
Que nos fecha no nosso eu.
É parar de dar volta ao redor de nós mesmos
Como se fôssemos o centro do mundo e da vida;
É não se deixar bloquear nos problemas
do pequeno mundo a que pertencemos:
a humanidade é maior.

Missão é sempre partir, mas não devorar quilómetros.
É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos,
Descobri-los e encontrá-los,
E, se para encontrá-los e amá-los
É preciso atravessar os mares e voar lá nos altos céus,
Então, missão é partir aos confins do mundo.


Dom Hélder Câmara

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sœur EMMANUELLE, mendiga por amor


Teria completado 100 anos se tivesse vivido mais um mês. Faleceu este passado dia 20 de Outubro a Sœur (irmã) Emmanuelle. Pouco conhecida entre nós, era uma personalidade de referência em França, Bélgica e mundo árabe, sobretudo no Egipto. Para aqueles que a conheciam era um “ícone da solidariedade e apoio dos pobres e marginalizados.

Nasceu em Bruxelas a 16 de Novembro de 1908 com o nome de Madeleine Cinquin. Filha de pai francês, possui as duas nacionalidades: belga e francesa. Mais tarde, em atenção à obra desenvolvida no Cairo, o presidente Moubarak conceder-lhe-á a nacionalidade egípcia. Cidadã do mundo e advogada dos pobres, a existência de Madeleine começa na comodidade de uma família abastada. Bruxelas, Londres, Paris aconchegam a sua infância. Mas aos 6 anos perde o pai. Esse acontecimento doloroso aproximá-la-á de Deus. É o princípio de uma relação que definirá a sua vocação à vida consagrada.
Em 1929, ingressa na Congregação de Nossa Senhora de Sião. Dois anos mais tarde, ao professar assume aquele que passará a ser o seu novo nome: Irmã Emmanuelle (Deus connosco – em Hebraico). É enviada para Istambul, Turquia, onde ensina filosofia e outras matérias. Mais tarde, a mesma função, na Tunísia e, finalmente, no Egipto.

Porém, essa vida de ensino não corresponde ao seu anseio de se dar aos pobres por amor de Cristo. Em 1971, já com 62 anos, volta-se definitivamente para os bairros onde a miséria reina. Decide partilhar a vida dos mais desprovidos. Como ela dizia, “aquele que deixa Deus viver no seu coração não pode desprezar ninguém”. Parte e instala-se num dos bairros de lata mais pobres do Cairo, onde as pessoas vivem do lixo que recolhem nas descargas públicas. Colaborando com as diversas igrejas locais, consegue estabelecer uma comunidade e lança diversos projectos de saúde, edução e protecção social tendo em vista o melhoramento das condições de vida.


É o princípio de uma obra que não conhecerá fronteiras. A sua acção estende-se a outros bairros, cidades e chega ao Sudão. Começa a ser conhecida e Sœur Emmanuelle aproveita a sua notoriedade para angariar fundos e ajudas. Para ela, contudo, não se trata de mera compaixão pelos pobres. “Não são os ‘meus’ pobres, mas os meus irmãos e minhas irmãs, com os quais tenho a alegria de partilhar uma vida pobre”. Quando em 1993 deixa o Egipto, são cerca de 85% das crianças que ela levou à escolarização, a violência que diminuiu no bairro marginalizados e as bases da liberdade das mulheres que ela deixou como herança, após 22 anos de entrega ao amor pelos 'esquecidos da sociedade'.

Regressada à França, dedica-se à oração, à escrita de vários livros e à acção de sensibilização de toda a sociedade em favor de um maior compromisso solidário. Funda algumas associações com fins caritativos. Juntamente com o Abbé Pierre, são para os franceses o rosto da caridade, pela radicalidade da entrega e pela franqueza na denúncia das injustiças.
Mas sem sombra de dúvida, foi o seu amor por Jesus que a levou pela mão, pelos caminhos da generosidade e da fé. A Eucaristia era para ela uma fonte onde restaurava as forças: “todas as manhãs eu tinha a impressão de correr para um encontro de amor!

Antes de falecer, deixou uma mensagem: “Toda a minha vida, quis testemunhar que o amor é mais forte que a morte. (…) A vida jamais se interrompe para aqueles que sabem amar".

Como seria bom todos podermos dizer como Sœur Emmanuelle: “Jesus-Amor, sempre foste o meu vencedor, ensinaste-me a viver”.
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A - DEUS Sœur EMMANUELLE

16 de Novembro de 1908
20 de Outubro de 2008
Um século a amar
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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

SENHOR, ENSINA-NOS A AMAR

Senhor,
ensina-nos a não mais nos amarmos somente a nós
a não mais contentarmo-nos de amar os nossos.
Ensina-nos a pensar apenas nos outros
e, antes de tudo, amar aqueles que não são amados.
Magoai-nos com o sofrimento dos outros.

Senhor,
dai-nos a graça de recordar
que em cada minuto da nossa vida,
da nossa vida feliz e por Vós protegida,
há milhões de seres humanos,
vossos filhos, nossos irmãos,
que morrem de fome,
que desfalecem de frio sem o terem merecido.

Senhor,
tende piedade de todos os pobres do mundo.
Perdoai-nos de os ter,
por tanto tempo e por medo vergonhoso,
abandonados.

Senhor,
não permiti mais
que sejamos felizes sozinhos.
Dai-nos a angústia da miséria universal
e libertai-nos de nós mesmos
se tal é a vossa vontade.


Raoul Follereau

domingo, 19 de outubro de 2008

DIA MUNDIAL DAS MISSÕES


“SERVOS E APÓSTOLOS DE JESUS CRISTO”

Por ocasião do Dia Mundial das Missões, Bento XVI endereçou a todos os católicos uma mensagem que nos apela “a reflectir sobre a urgência que subsiste em anunciar o Evangelho, inclusivamente nesta nossa época. O mandato missionário continua a constituir uma prioridade absoluta para todos os baptizados, chamados a ser ‘servos e apóstolos de Jesus Cristo’ neste início de milénio”.
O papa, lembra-nos a identidade da Igreja e, particularmente, S. Paulo, o Apóstolo das nações, neste ano que lhe é dedicado, como referências importantes da missão. A humanidade sofre e espera a verdadeira liberdade, aguarda um mundo diferente, melhor; espera a redenção. E, em última análise, sabe que este novo mundo esperado supõe um homem novo, supõe ‘filhos de Deus’.”
É bom recordar, apesar de todos os esforços de desenvolvimento, as graves preocupações que afligem o homem de hoje: a violência, sob diversas formas, a pobreza, as descriminações raciais, culturais e religiosas… “Quando não tem como finalidade a dignidade e o bem do homem, quando não tem em vista um desenvolvimento solidário, o progresso tecnológico perde a sua potencialidade de factor de esperança…”
Por isso, Bento XVI questiona-nos e procura caminhos de esclarecimento: Existe esperança para o futuro, ou melhor, há futuro para a humanidade? E como será este futuro? A resposta a estas interrogações provém-nos do Evangelho. Cristo é o nosso futuro (…) o seu Evangelho é a comunicação que ‘transforma a vida’, incute a esperança…”
Essa esperança e seu anúncio é tarefa de todo o cristão. Daí, que “a actividade missionária é a resposta ao amor com que Deus nos ama”. Trata-se de uma necessidade, mas também de uma urgência: “Hoje são inúmeros aqueles que esperam o anúncio do Evangelho. Aqueles que se sentem sequiosos de esperança e de amor”.
No final da mensagem, o papa lança um apela a todos: Dai testemunho com a vossa própria vida, do facto de que os cristãos ‘pertencem a uma sociedade nova, rumo à qual caminham e que, na sua peregrinação, é antecipada. Caros irmãos e irmãs, a celebração do Dia Missionário Mundial encoraje todos vós a tomar uma renovada consciência da urgente necessidade de anunciar o Evangelho”.

BEATIFICAÇÃO DOS PAIS DE Stª TERESA DE LISIEUX


Muitos milhares de católicos estarão hoje presentes em Lisieux para a beatificação de Zélie e Louis Martin, pais de Sta. Teresinha.

A cura de um bebé de uma malformação pulmonar em 2002 acelerou o processo aberto em 1957. Até agora, um só casal, os italianos Luigi e Maria Beltrame Quatrocchi, tinha sido beatificado junto. A celebração será presidida pelo “nosso” cardeal Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a causa dos santos no Vaticano (é originário de Gagos, concelho da Guarda).

« O Bom Deus deu-me um pai e uma mãe mais dignos do céu que da terra ». Assim falava Sta. Teresa do Menino Jesus acerca dos seus pais, numa carta escrita em Julho de 1897. A santidade, muitas vezes, nasce do testemunho de fé do lar materno. Como disse Jesus, “a árvore reconhece-se pelos seus frutos”. Para este casal, Deus foi sempre considerado como o primeiro a ser servido. Teresa será profundamente marcada pela fé profunda e o fervor religioso da sua família.

Louis Martin (1823-94) e Zélie Martin (1831-77), têm 50 e 42 anos quando nasce Teresa (1873). Zélie acaba por morrer quatro anos depois. A santidade do casal, naturalmente, não começa com este nascimento.

Zélie, esposa e mulher empreendedora
Zélie será conhecida através da correspondência familiar. Nela se percebe uma rica personalidade, impregnada de humor e de compaixão. Durante a ocupação prussiana socorrerá um soldado prussiano desamparado. É uma mulher empreendedora: dará início a uma confeição de renda especializada dando trabalho a 18 mulheres a quem estima como família. As suas cartas trocadas com Louis, seu futuro esposo, revelam a profunda afeição que os une. Como casal, dedicarão tempo quotidiano à oração. Terá 9 filhos (só 5 filhas sobreviverão) sem deixar a ocupação profissional. Sente e vive a fundo a sua vocação materna. Como família, estarão atentos às necessidades alheias, socorrendo-as. O final da sua vida será marcado pela dura luta contra o cancro que a levará com 46 anos.

Louis, pai atento
Louis era relojoeiro-joalheiro em Alençon. Posteriormente, deixará essa actividade para ajudar a esposa na condução da empresa. Viúvo aos 54 anos, revelar-se-á um pai atento a cada uma das suas filhas, pronto a consentir e apoiar os seus projectos de vida religiosa (todas serão consagradas). Após a entrada de Teresa no Carmelo de Lisieux, com os seus 65 anos começa a prova da doença (perturbações neuro-psiquiátricas). Durante as suas melhoras, é ele que se ocupa dos doentes que o rodeiam.

Através da sua vida conjugal, familiar e profissional, Louis e Zélie fizeram da sua vida quotidiana algo de heróico e do heroísmo algo de quotidiano. São, pois, um exemplo para cada lar cristão.

A santidade, afinal, não é exclusivo dos religiosos; os casais são também convidados a viver e transmitir a sua fé, no amor e fidelidade a Cristo.
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

DIA DA IRRADICAÇÃO DA POBREZA

Neste dia em que se apela à Irradicação da Pobreza, aquifica este poema em jeito de desafio e oração...
Apenas o Pão
que tivermos partilhado
nos poderá alimentar.

Apenas a Água
que tivermos dado a beber
nos poderá saciar.

Apenas o Estrangeiro
que tivermos acolhido
nos poderá receber.
Apenas o Pobre
que tivermos vestido
nos poderá abrigar.

Apenas o Doente
que tivermos tratado
nos poderá curar.

Apenas o Prisioneiro
que tivermos visitado
nos poderá libertar.


Pedrosa Ferreira

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

REZAR COM S. TERESA DE JESUS


Em tua companhia, Senhor,
que dificuldade pode haver?
Que coisa não posso empreender por Ti
quando estás tão perto?
Já que vens a mim, Senhor,
posso crer que sou capaz
de grandes coisas em teu serviço.
Por isso, Senhor, desde este momento,
quero esquecer-me de mim e só pensar
naquilo em que poderei servir-te.
De agora em diante, não quero ter
outra vontade senão a tua.


Eu sou tua porque me criaste,
tua porque me remiste,
tua porque me sustentaste.
Eu sou tua porque me chamaste,
tua porque me esperaste,
tua porque não me perdi.
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S. TERESA DE JESUS, mística apaixonada


Teresa Sanchez Cepeda Davila y Ahumada nasceu em Ávila, Castela, em 28 de Março de 1515. Após a morte da sua mãe, quando tinha 14 anos, durante algum tempo, permaneceu em companhia de seu pai e de outros parentes. De família nobre, bela e inteligente, Teresa decidiu optar pela vida religiosa, vendo nesta uma resposta ao desejo de escolher um caminho seguro. Foi difícil convencer o seu pai mas, por fim, em 1535, entra no Convento Carmelita de Ávila, que então contava 140 freiras. Tinha Teresa 20 anos.
No ano seguinte à sua profissão religiosa ela ficou gravemente doente. Passou por tratamentos muito precários que, embora a restabelecessem parcialmente, fragilizaram para sempre a sua saúde.
No convento
Entretanto, Teresa percebendo os seus defeitos e o ambiente superficial e pouco exigente vivido no convento, lutou contra as suas contradições internas, contra as mentiras e hipocrisias de uma vida espiritual vazia. Foi uma luta longa mas pela qual encontrou o seu maior tesouro: Deus.
Neste período, Deus começou a visitá-la em visões, manifestações nas quais os sentidos exteriores não são afectados, pois as coisas vistas e ouvidas são impressas directamente na mente. Nessas conversas, Ele deu a Teresa força, corrigiu a sua falta de fé e consolou-a nas tribulações. Incapaz de conciliar essas graças com suas imperfeições, que ela encarava como faltas graves, recorreu aos melhores confessores da época. Muitos não entenderam que ela exagerava no peso de seus pecados, e acreditavam que essas manifestações eram fruto do demónio. Quanto mais empenho ela demonstrava em resistir aos pecados, mais fortemente Deus trabalhava em sua alma. Toda a cidade de Ávila tomou conhecimentos das suas visões. Felizmente, S. Francisco Bórgia e S. Pedro de Alcântara, assim como outros padres foram capazes de discernir o trabalho de Deus e guiaram-na em um caminho seguro.
Santa Teresa ocupa um lugar especial dentro da mística cristã; é considerada um dos grandes mestres espirituais que a história da Igreja já conheceu. O "Livro da Vida", “Caminho de perfeição” e "Castelo Interior" formam uma das mais extraordinárias biografias espirituais, comparáveis apenas à "Confissões" de Santo Agostinho.
A reforma do Carmelo
Depois de muitas dificuldades e oposições, em 24 de Agosto de 1562, ela funda o convento das Carmelitas Descalças da Regra Primitiva de São José em Ávila e, seis meses mais tarde, consegue permissão para se mudar para lá. Mais tarde, ela recebe a aprovação do convento como ainda garantiu a fundação de outros conventos de frades e de freiras.
Em toda parte ela encontrava almas generosas para abraçar as austeridades da regra primitiva do Carmelo. Contou com a preciosa ajuda de S. João da Cruz, que promoveu a mesma reforma entre os frades. Teresa e João da Cruz teriam ainda se sofrer muitas incompreensões e enfrentar muitos obstáculos.
As dificuldades, finalmente, passaram e a província das Carmelitas Descalças, com o apoio de Felipe II, foi aprovada canonicamente. Santa Teresa, apesar de idosa e doente, fez mais algumas fundações. Numa das suas viagens, chegou a Alba de Torres, sofrendo intensamente. Ficou acamada e faleceu em 4 de Outubro de 1542 (por causa das reformas no calendário, considera-se a data de sua morte 15 de Outubro).
Foi canonizada em 1622 por Gregório XV. Em 27 de Setembro de 1970, foi proclamada Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II, pela profundidade mística da sua espiritualidade.