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quarta-feira, 18 de junho de 2008

SAMUEL CLEAR, peregrino universal

Chama-se Samuel Clear. Tem 29 anos e é australiano.
Até aqui, nada de especial.
A particularidade é que ele anda por aí. Literalmente. Na verdade, empreendeu uma viagem dando volta ao mundo caminhando a pé e rezando pela unidade dos cristãos.
Engenheiro mecânico de formação, Samuel pouco exerceu profissionalmente já que optou dar do seu tempo aos outros. Comprometeu-se como missionário na Austrália. Foi ao longo dos cinco anos de missão que começou a ver muita divisão entre as diversas igrejas cristãs. Comprovou-o pessoalmente, sendo agredido, não por ser cristão, mas simplesmente porque era católico.

Sam testemunha-nos o seguinte: “O que realmente me abalou foi quando um pentecostal e um evangélico se converteram ao catolicismo e os dois perderam a sua família e os amigos porque se terem convertido. Todos acreditaram que desonrava Cristo desta forma.
Nesse momento, creio, houve uma sensação de dor de Cristo pela Igreja dividida (…) e por muito que tentasse esquecer, não pude, até o ponto em que decidi fazer algo. Mas dei-me conta que pouco podia fazer, nada podia resolver. Como engenheiro mecânico gosto de resolver problemas, mas neste caso não podia. Porém, um dia, estando ajoelhado na missa a rezei: «Senhor, gostaria muito de ajudar-te, mas sinto muito, amigo, estás por tua conta. Não posso ajudar-te». E uma vez que me calei, ficando em silêncio, senti que o Senhor dizia: «Sabes, Samuel, tens razão. Não podes resolver nada, mas Eu posso. Preciso que rezes».
A partir daí, essa foi a missão, rezar: rezar pela unidade e convidar a rezar pela unidade. Até que um dia, olhando para um mapa, pensei que eu podia caminhar, realmente queria fazer algo mais que rezar e convidar a isso.

Assim, após um ano de preparação e depois de falar com o meu bispo e o director da missão onde trabalhava, tomamos a decisão do que eu faria: vendi tudo e comecei a caminhar.
Caminho e rezo, simplesmente. Paro em todas as igrejas que encontro em meu caminho: ortodoxas, pentecostais, protestantes, evangélicas e estendo o convite a rezar pela unidade.”

Começou no Brasil em Dezembro de 2006. Com cerca de 30/50 quilómetros diários já percorreu aproximadamente 18 mil. Samuel Clear caminhou de sul para norte toda a América Latina, até chegar ao Canadá; posteriormente viajou de avião para a Rússia e alcançou a Europa para terminar a sua aventura.


Na América Latina, viu-se perseguido por um puma ou ainda apedrejado por alguns aldeães que estranharam a cor dos seus olhos e do seu cabelo. Mas o que mais o fascina é conviver com os diversos povos que encontrou.
Actualmente, está a concluir a sua longa viagem na Espanha para voltar à Austrália e participar da Jornada Mundial da Juventude, onde partilhará o seu testemunho e compromisso pela unidade dos cristãos. Depois, espera dedicar-se novamente à missão junto dos jovens.

Samuel tem um site, http://www.ymt.com.au/walk4one/, através do qual podes acompanhar o seu percurso e unires-te às suas intenções (está em inglês mas vale uma visita).

terça-feira, 13 de maio de 2008

IRENA SENDLER, o anjo do "Gueto de Varsóvia"


Irena Sendler, conhecida como «o anjo do Gueto de Varsóvia» por ter salvo do Holocausto 2.500 crianças judias, faleceu esta segunda-feira em Varsóvia, aos 98 anos.
Irena era uma assistente social polaca que organizou e dirigiu um grupo de mais de 20 pessoas para salvar da morte as crianças nesse bairro da capital, Varsóvia, sob a ocupação nazi. Como ela explicou depois, pôde realizar este trabalho graças à ajuda de religiosas polacas.
A Fundação Internacional Raoul Wallenberg, uma organização não-governamental educativa internacional, fundada pelo argentino Baruj Tenemba que analisou e documentou numerosos casos de salvadores do Holocausto, qualificou Sendler como «uma das mais heróicas salvadoras católicas do Holocausto».
Porém, a sua opção levou Irena a ser presa pela Gestapo. Suportou a tortura na prisão nazi. Não tendo revelado o nome das crianças e dos seus colaboradores foi sentenciada à morte que, para sua sorte, não foi executada.

Irena Sendler nasceu na Polónia em 1910. Quando a Alemanha invadiu o seu país em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia, sendo responsável pelos refeitórios da cidade.
Aí trabalhou sem descanso a fim de aliviar o sofrimento de milhares de pessoas, tanto judias como católicas. Graças a ela, estes refeitórios não só proporcionavam comida para órfãos e pobres, mas também forneciam roupa, medicamentos e dinheiro.
Para evitar as inspecções, registava as pessoas sob nomes católicos fictícios ou inscrevia-as como pacientes de doenças muito contagiosas, como o tifo e a tuberculose.
Mas em 1942, criou-se uma área fechada para reunir os judeus, conhecida sob o nome de «Gueto de Varsóvia», uma ante-câmera da morte.
Irena uniu-se ao Conselho para a Ajuda de Judeus, organizado pela resistência polaca. Conseguiu obter um passe do Departamento de Controle Epidémico de Varsóvia para poder ingressar no gueto de forma legal. Horrorizada pelas condições de vida impostas aos seus moradores, Irena procurou salvar, pelo memos, os mais jovens. Persuadir os pais a separar-se dos seus filhos era dilacerante para uma jovem mãe como Irena. «Pode assegurar-nos que viverão?», perguntavam os angustiados pais. Mas Irena só podia garantir que morreriam se ficassem. «Em sonhos, ainda posso ouvi-los chorar quando deixavam os pais», dirá ela posteriormente.
Após a guerra, trabalhou para o bem-estar social; ajudou a criar casas para anciãos, orfanatos e um serviço de emergência para crianças.
Em 1965 recebeu o título de Justa entre as Nações pela organização Yad Vashem de Jerusalém e em 1991 foi declarada cidadã honorária de Israel.

"Não se plantam sementes de comida. Plantam-se sementes de bondade, e esta há-de rodear-nos e crescer cada vez mais".
"Ajudar cada dia alguém, tem de ser uma necessidade que saia do coração". Irena Sendler

sexta-feira, 9 de maio de 2008

JIM CAVIEZEL, quando a fé não é ficção...


O actor Jim Caviezel, conhecido pelo seu papel no filme “A Paixão de Cristo”, realizado por Mel Gibson, declarou, numa entrevista, que adoptou duas crianças com sérias incapacidades e que o seu matrimónio foi abençoado graças a estes novos filhos. O actor realçou que se decidiu revelar este facto a fim de encorajar outras famílias para a adopção.
Segundo a agência noticiosa LifeSiteNews.com, Caviezel declarou que foi um amigo que o desafio a ser consequente com a posição pró-vida que defense adoptando uma criança com problemas. Se tal acontecesse, esse amigo abraçaria a causa pró-vida.
Caviezel e a esposa viajaram até à China e decidiram adoptar um rapaz de cinco anos, chamado Bo, abandonado desde pequeno num comboio e a quem tinham diagnosticado um tumor no cérebro. Os novos pais acompanharam-no durante a operação e tratamento. Quando Bo recuperou, o casal Caviezel optou por adoptar uma rapariga chinesa, também enferma.
O amigo cumpriu a sua parte, mas o actor assegura que isso não tinha grande importância: “A felicidade que recebemos através de Bo é enorme”.
Caviezel confessa que escolheram o “caminho difícil”. “Mas é disso que trata a fé, para mim, pois a fé é acção. É o samaritano. Não se trata de dizer que se é mas de fazer e fazê-lo sem chamar a atenção sobre si mesmo. Conto-vos isso apenas para encorajar outros a adoptar crianças”.
O actor confessa que no início, tinha muito receio perante a adopção. “Sentimos temor, mas não se imagina as bênçãos que se podem receber se optamos por fé”, indicou.
Interrogado sobre os desafios de ser uma figura católica pública em Hollywood, Caviezel afirmou que “é parte da cruz quando se aceita acreditar em Deus. Todos temos o desejo de ser amados, mas deveríamos pedir a Deus o desejo da humildade”.
“Não recebemos nenhum Óscar pelo filme 'A Paixão de Cristo', mas alguém julga que isso fosse importante para Deus?"
O actor assegura que ainda hoje o reconhecem pelo seu papel de Jesus no filme de Mel Gibson e muita gente lhe diz que esse filme os ajudou a recuperar a fé. “Isso dá-me muita esperança e alegria”.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

ARISTIDES DE SOUSA MENDES, o cônsul injustiçado

Cônsul português em Bordéus, em 1940, Aristides de Sousa Mendes concedeu vistos aos refugiados da II Guerra Mundial que fugiam do ódio de Hitler. Desobedecendo às ordens de Salazar, este “Justo” abriu a porta da liberdade a 30 mil pessoas, entre as quais 10 mil judeus. Segundo Yehuda Bauer, Aristides levou a cabo “a maior acção de salvamento jamais realizado por alguém durante o Holocausto”. Porém, o seu gesto não foi fácil.
Aristides nascera a 19 de Julho de 1885 em Cabanas de Viriato, perto de Viseu, numa família aristocrata, abastada e profundamente católica. É em 1938 que chega a Bordéus, após uma carreira diplomática que o levou de Zanzibar aos Estados Unidos e passando pelo Brasil. De bela aparência e de elegância sóbria, possuía uma esplêndida morada na sua terra e era pai de 14 filhos. Tinha tudo para ser feliz. Ou talvez não!?
Em Maio de 1940, fugindo das forças alemãs, centenas de milhares de refugiados encontram em Bordéus. Muitos deles acorrem às portas do consulado português. Sendo Portugal um país neutral nessa guerra, Lisboa tornou-se a cidade a atingir como saída para a liberdade, embarcando daí para a América. O importante, é conseguir sair de França. Aristides hospeda em sua casa um desconhecido com a sua família: um rabino judeu Jacob Kruger. É uma conversa entre ambos que iluminará a consciência do cônsul português: “Não somente a mim que é preciso ajudar, mas todos os meus irmãos que arriscam a morte”. O peso desta verdade prostrou o diplomata três dias de cama, sem falar.
Ao terceiro dia reergueu-se, cheio de uma nova energia: decidira conceder vistos a quantos lho pedissem. Em poucos dias, assinará milhares deles. Acabados os formulários oficiais, são pedaços de papel que fazem ofício: o que importa é a sua assinatura e o carimbo consular. Assim será das 8 da manhã até às 3 da madrugada.
Todavia, em Lisboa a visão é outra. Aristides de Sousa Mendes é avisado: “qualquer outro erro seu será considerado desobediência ao poder e acarretará um processo disciplinar”. Salazar, que na época acumulava a pasta de Primeiro-ministro e o ministério dos assuntos estrangeiros, fizera saber que não fossem concedidos vistos a pessoas vindas de Leste e judeus. Era preciso impedir a entrada de “pessoas indignas” em território nacional. O cônsul português de Bordéus pensa de outra forma: “Se tenho de desobedecer, que seja à ordem de um homem e não à de Deus”. “Se tantos judeus sofrem nas mãos de um cristão, Hitler, nada há de chocante que um cristão sofra por tantos judeus”.
A 22 de Junho, a França capitula.
A chegada dos nazis resume-se a uma questão de horas. Dois funcionários do governo português são enviados para dar ordem de regresso a Portugal ao cônsul rebelde. Na viagem, pára em Bayonne, sub-consulado. Ao ver uma grande multidão, desce e questiona o vice-cônsul aí responsável que obedece fielmente às ordens de Lisboa. Aristides impõe-se como ainda seu superior e assina ele próprio mais vistos, de pé, em plena rua. Ao chegar à fronteira de Hendaye depara-se com nova multidão que beneficiara dos seus vistos. A fronteira está fechada para eles. Aristides convida-os a seguir o seu carro em marcha lenta. Decide-se por outra rota, através de um posto fronteiriço sem telefone e que, por isso ainda não tinha recebido ordens do governo português. Aristides de Sousa Mendes, qual novo Moisés, seguindo por centenas de refugiados, passa a fronteira, conduzindo-os para a liberdade.
Mas em Lisboa, o castigo não tarda: é-lhe retirada a carteira diplomática, com redução drástica na pensão. Aristides vê-se impossibilitado de cuidar dos seus filhos. Muitos serão enviados para os Estados Unidos, agora ajudado por judeus que ele salvara. É obrigado a vender a maior parte dos seus bens. A sua mulher falece em 1948. Os amigos abandonam-no. Quando morre, a 3 de Abril de 1954, nem sequer tem roupa decente para ser enterrado.
Somente em 1987, quase cinquenta anos depois dos factos, será reabilitado pelo governo português. Mais vale tarde do que nunca.
Em Israel, existe uma floresta de 10 mil árvores, a recordar as vidas por ele salvas. E o exemplo da sua conduta, dirigida pela sua consciência cristã, não desaparecerá jamais.

terça-feira, 25 de março de 2008

D. ÓSCAR ROMERO, a voz dos sem voz


A celebração começou pontualmente às 18 horas na capela do Hospital da Divina Providência.
A homilia demorou apenas dez minutos. O bispo falou da necessidade de sacrificar vida por amor de Cristo e dos irmãos.
No momento do ofertório em que, de mãos erguidas, oferecia o pão e o vinho para o sacrifício, ouviu-se um disparo.
D. Romero caiu ferido de morte atrás do altar. Era o dia 24 de Março de 1980, em El Salvador.

Oscar Arnulfo Romero Galdámez, de seu nome completo, nasceu em S. Salvador, capital do país, na América Central, no dia 15 de Agosto de 1917. Foi ordenado sacerdote a 4 de Abril de 1942 e nomeado bispo auxiliar de S. Salvador em 1970. Sete anos mais tarde, é nomeado arcebispo da mesma diocese.
O início desta sua nova, e última missão, coincidiu com a morte de um sacerdote amigo, Pe. Rutílio Grande, assassinado por estar demasiado com os pobres. Três dias depois, são os militares que invadem a paróquia de Aguilares, matando, prendendo, expulsando três padres e profanando a Igreja e seu sacrário.
A partir daí, D. Romero decidiu viver apenas para defender a vida dos pobres e perseguidos do seu povo. Foi um caminho breve – três anos, como os de Jesus – mas suficientes para fazerem dele um dos maiores profetas dos tempos actuais.
Nas suas palavras, nunca havia ressentimentos ou ódio: mas havia sempre a denúncia das injustiças e a defesa dos pobres, a voz dos sem voz. Mesmo assim, despertou o ódio dos poderosos que se sentiam visados pela sua frontalidade. Foi pressionado, incompreendido por outros bispos e, inclusive, ameaçado de morte. Ao medo de morrer, Romero respondia, poucos dias antes de ser assassinado: “Como pastor, estou obrigado por mandato divino, a dar a vida por aqueles que amo”.
Mas a sua frase mais célebre tornou-se profecia: “Se me matarem, ressuscitarei no meu povo”.
O seu exemplo é um convite e um desafio a todo o cristão para que assuma a realidade profética da sua vocação.

sexta-feira, 14 de março de 2008

CHIARA LUBICH, Testemunha da Unidade

Chiara Lubich, com 88 anos, concluiu a sua viagem terrena esta noite, 14 de Março de 2008, às 2 da manhã, na sua morada em Roma, aonde tinha regressado, após um internamento hospitalar.
É no meio da Segunda Guerra mundial, num clima de ódio e violência e por ocasião do bombardeamento de Trento, que a jovem Chiara, na altura com 20 anos, faz a descoberta da sua vida: Deus Amor. Essa experiência dará um rumo novo e decisivo na sua vida. Uma descoberta que ela define como “fulgurante”, “mais forte do que as bombas que atingiam Trento”, e que foi imediatamente comunicada e compartilhada por suas primeiras companheiras. Juntas passam a construir e realizar o desejo que Jesus expressou no seu Evangelho: “que todos sejam um", ou seja, o seu projecto de unidade para a família humana.
O seu nome de batismo é Silvia. Assume o nome de Chiara, fascinada pelo radicalismo evangélico de Santa Clara de Assis, dando também ela o seu sim a Deus Esta escolha radical marca a primeira etapa de um caminho na busca apaixonada da Verdade, de um conhecimento mais profundo de Deus.
A primeira experiência acontece nos anos 40, quando Chiara e suas primeiras companheiras partilham seus poucos bens com os pobres dos bairros mais necessitados de Trento. É então que as promessas evangélicas se realizam: “Dai e vos será dado”; “Pedi e recebereis”. Em plena guerra chegam, com uma abundância inesperada, alimentos, roupas e medicamentos para que fossem atendidas muitas necessidades.
É assim que nascerá o Movimento dos Focolares sob a Espiritualidade da Unidade, centralizada no Amor e na Unidade.
Um número cada vez maior de homens e mulheres, das mais diversas categorias sociais, idades, raças e culturas vão encontrar um rumo para as suas vidas nesta nova espiritualidade que nasce na Igreja. Depois de alguns anos, unem-se aos católicos cristãos de outras Igrejas, judeus e seguidores de outras religiões, além de pessoas sem uma convicção religiosa, de 182 países.

quinta-feira, 6 de março de 2008

MARTA RODIN, O PEQUENO GRÃO DE TRIGO

Ó Maria, doce Mãe
"Ó Maria, ó minha tão doce Mãezinha, obtende-me, do céu, neste belo dia, o abandono completo, o abandono perfeito, o abandono cheio de amor para com o Amor. Que por vosso intermédio, convosco e em vós, eu expie, reze e sofra de amor, sempre mais e mais. Que a minha vida seja exclusivamente um "sim" de amor. (...) Que eu não seja nada além de uma alma inteiramente consagrada (...) a Jesus".
Marta Robin Jornal íntimo, em 6 de março de 1930

Marthe Rodin nasceu a 13 de Março de 1902 numa pequena povoação francesa, no seio de uma família de camponeses.
Ficou conhecida por ser uma grande mística do séc. XX, estigmatizada, e que, acamada durante cinquenta anos, sobreviveu alimentada apenas com a hóstia consagrada que comungava duas vezes por semana. Contudo, Marta não nasceu mística e santa. E essa é a sua grande lição e o que de mais importante podemos colher da sua vida.
Em 1918, então com 16 anos, é vítima de uma encefalia letárgica. Durante dez anos lutará contra a doença na esperança da cura. Tem as suas primeiras experiências místicas, descobrindo-se para si uma vocação no sofrimento. Assim, em 1925, Marthe consagra toda a sua vida a Deus por um “acto de abandono ao amor e a Vontade de Deus”: “Senhor meu Deus, pediste tudo a vossa pequena serva; tomai então e recebei tudo. Neste dia, eu me consagro a vós sem reservas e sem retorno”.
Porém, o seu estado piora ficando definitivamente paralizada, primeiro das pernas, depois dos braços. Tem um breve período de revolta, mas sem nunca perder a fé. Essa nova prova vai prepará-la para uma comunhão íntima com Deus. Impedida de engolir seja o que for, a não ser a hóstia consagrada. Pela mesma altura, recebe os estigamas – as chagas de Cristo crucificado – revivendo todas as sextas feiras a paixão de Cristo. Em 1940 perde a visão. Num quarto escuro, sem comer nem dormir viverá até 1981, ano da sua morte, carregando as fortes dores da sua doença. No seu funeral estarão presentes 6 bispos e mais de 7000 pessoas.
Ainda assim, não foi dito tudo sobre ela.
Escondida na penumbra do seu quarto é da intimidade com Jesus que ela colhe as forças sobrenaturais necessárias para carregar a sua cruz. Mais, o segredo da sua vocação está em OFERECER. Decidiu oferecer a sua vida e o seu sofrimento por amor a Jesus, como se fosse um pequeno grão de trigo, entregue e enterrado a fim de dar fruto para a glória de Deus e serviço dos irmãos. São milhares as pessoas que a visitam e recebem dela um forte testemunho de alegria e serenidade, sempre com palavras oportunas e cheias de luz. Por intuição, e através do Pe. Finet que se tornou seu colaborador, funda os “Foyers de Charité” (Lares de Caridade) com a finalidade de despertar e fortalecer a fé no mundo. São, actualmente, 75 em todo o mundo, pequenas comunidades de sacerdotes e leigos dedicados à obra evangelizadora, especialmente através da pregação de retiros.

“Eu quero semear o Amor, semear a Caridade!
Amar! Ser possuída de bondade, ternura e justiça.
Ser ardente e amando no inteiro sacrifício
Sim, sê-lo por tudo, sê-lo de todo o coração(…)
Quero, esquecendo-me de mim, levar às almas a amar Deus
Dando-me por todos, sem cessar e sem contar,
Oferecer, sempre oferecer, sem querer colher!”

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

NICK VUJICIC, uma vida sem barreiras

Não há vida sem obstáculos. É verdade. Mas, da mesma forma, não é menos verdade que não há ostáculo sem solução. Toda a dificuldade pode ser vencida. Exige-se confiança e vontade.
O jovem Nick prova-nos esta verdade. Se lhe juntarmos fé n'Aquele que tudo vence, Jesus Cristo, então nada nos é impossível, até o humanamente improvável.
Se Ele está comigo... que temerei?
VÊ ESTE VÍDEO, LÊ E REFLECTE.
COM CRISTO TORNAR-TE-ÁS CAPAZ DE TUDO, ATÉ DE O TESTEMUNHAR COM A TUA VIDA.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

PEDRO ARRUPE, Centenário do seu nascimento


Pedro Arrupe nasceu em Bilbau a 14 de Novembro de 1907, ou seja, há precisamente cem anos. Em 1923 partiu para Madrid onde estudou Medicina. Em Janeiro de 1927 entrou no Noviciado da Companhia de Jesus em Loyola, terra natal do fundador desta ordem religiosa, Sto. Inácio. Depois de alguns anos de formação em filosofia e teologia na Bélgica, Holanda e Estados Unidos, foi destinado à missão do Japão, para onde partiu em 1938. Durante 27 anos trabalhou neste país do Oriente. Aqui desempenhou vários cargos desde pároco, a mestre de noviços até provincial. Durante 33 dias foi preso sob suspeita de espionagem, viveu a primeira bomba atómica da história da humanidade, percorreu o mundo a contar a sua experiência e em 1965 foi eleito 28º Superior Geral da Companhia de Jesus, cargo que exerceu até as forças o traí­rem no Verão de 1981. Viveu uma década de limitações e doenças até à sua morte em Roma no dia 5 de Fevereiro de 1991.
Não é certamente pelos seus 18 anos como Geral que aqui o recordamos, nem certamente pelo trabalho infatigável no Japão, nem ainda pelo seu desejo profundo de acabar com as injustiças no mundo. Arrupe foi muito mais. Evocamos o homem optimista, agarrado a uma esperança tão firme que nem a maior bomba da humanidade pôde afectar. O seu sorriso, que brotava atrevidamente nas adversidades, é o maior testemunho do seu jeito de caminhar. O seu segredo, esse não oferece dúvidas, “Jesus foi o meu ideal desde que entrei na Companhia, foi e continua a ser o meu caminho, foi e será sempre a minha força. Tirem Cristo da minha vida e tudo desabará como um corpo a que se retirasse o esqueleto, o coração e a cabeça.”
Todavia não é Arrupe o protagonista desta história: é Jesus!
Para saberes mais sobre ele consulta o seguinte blog de onde foi copiado este post:

terça-feira, 13 de novembro de 2007

EDUARDO VERÁSTEGUI - TODOS CHAMADOS A SER SANTOS

É mexicano e tem 33 anos.
Embora não muito conhecido na Europa, Eduardo Verástegui saboreou a fama desde muito cedo, alcançando um lugar entre as estrelas de Hollywood. O actor confessa que por muito tempo procurou a felicidade na fama e no êxito. Porém, depois de tanto tempo perseguir esse sonho apercebeu-se que estava “vazio”.
Diz ele: «Na minha busca por saber o que existiria para além desse vazio, comecei a questionar-me sobre as perguntas que a todos afectam: Que faço eu neste mundo? De onde venho? E para onde vou? Que sentido tem tudo isso? Nessa descoberta comecei a frequentar outro tipo de pessoas, outro tipo de ambiente.”
“Dei-me conta que tinha sido um egoísta até aí. Que as coisas que me tinham feito correr como um cego eram a vaidade e o orgulho. Vivia numa contradição constante: queria fazer coisas boas e acabava por não as fazer.»
Hoje assegura que não voltaria a fazer nada que contradissesse os seus princípios morais.
O actor recorda que os seus pais ficaram muito desgostosos com deixou de se dedicar à representação para levar uma vida leviana. Cansada de não ser ouvida, a sua mãe dedicou-se a rezar por ele. «Creio que as orações da minha mãe têm muito a ver com isto. Como se costuma a dizer, “não há mais poderoso do que as orações de uma mãe pelos seus filhos”. Olhando para o meu caso, estou convencido disso. Toda esta mudança na minha vida, as novas pessoas que me aproximaram durante a minha crise, não tenho dúvida que foram fruto das orações da minha mãe», revela Eduardo.
Agora diz que está disposto a “vender tacos” na sua terra natal contanto que seja fiel aos seus princípios. «Se eu vou levar uma vida íntegra, vou ser radical”. Não gosto de “meias tintas”». À pergunta - Que foi que melhor aprendeu dos seus pais, - não duvida em responder: «Minha fé. É um presente que Deus me deu através deles».
Numa entrevista concedida a um canal de televisão afirmou: «Eu não fui chamado ou nasci para ser um actor, não fui criado para ser famoso, nem rico, nem um engenheiro, um médico, um sucesso. Eu fui chamado a ser santo, para conhecer, amar e servir a Jesus Cristo».
Eduardo Verástegui aposta agora em produzir filmes que transmitam valores cristãos. Acaba de estrear nos Estados Unidos um filme aclamado pela crítica “Bella”. Esperamos que em breve chegue à Europa.

"Bella" narra à história de uma mulher que é despedida de seu trabalho quando descobre que está grávida. Numa desumana Nova Iorque, é salva pela amizade de um jogador de futebol cansado de sua vida. Através desta amizade, a redenção de ambas personagens vai-se elevando com intensa emotividade, no marco de uma família acolhedora e de circunstâncias que vão mostrando a formosura da vida quando se vive com esperança.

JOÃO PAULO II

Hà já dois anos...
O PEREGRINO DE DEUS
João Paulo II foi um homem profundamente marcado pelos dramas do século XX.
Karol Wojtyla, seu verdadeiro nome, nasceu em Wadowice no dia 18 de Maio de 1920, dois anos após a Polónia recuperar a sua independência. Ainda jovem, perde a sua mãe (tinha ele 9 anos) e seu único irmão. Em 1941 é a vez de seu pai. Aos 21 anos fica só, num país ocupado pelas tropas nazis com todas as atrocidades próprias da II Guerra Mundial. Obrigado a abandonar os estudos, é forçado ao duro trabalho numa pedreira. Após a derrota da Alemanha, a Polónia é sujeita ao totalitarismo comunista imposto pela URSS até 1989. É neste contexto histórico e político adverso à Igreja que o jovem Karol vai descobrindo aos poucos que só o amor pode vencer a força do mal e assim dar sentido à existência humana, tantas vezes sujeita ao sofrimento e à injustiça. Karol decide optar pelo sacerdócio e ser, assim, um instrumento do amor de Deus para os seus contemporâneos.
Como sacerdote, acompanhou durante muitos anos os jovens, em paróquias, movimentos e na universidade onde dava aulas. Dotado de qualidades artísticas e físicas porá tudo a render pelo Reino de Deus. Mais tarde, é nomeado e ordenado bispo auxiliar de Cracóvia, diocese que assumirá pouco tempo depois. Como todos os bispos participa no grande acontecimento eclesial do século XX: o Concílio Ecuménico Vaticano II.
No dia 16 de Outubro de 1978 é eleito papa. Desde o início do seu pontificado até aos seus últimos dias, ecoará pela sua voz e pela sua vida um grito e um apelo a todos: “Não tenham medo… escancarai as portas a Cristo”. Anunciou Cristo e a Boa Nova do seu Evangelho aos quatro cantos do mundo.
Mesmo debilitado pela idade e pelas diversas operações cirúrgicas (para além do atentado de que foi alvo no dia 13 de Maio de 1981) não se poupou nunca a defender as causas justas da Igreja denunciando as injustiças e guerras, promovendo a paz e o amor. Na noite de 2 de Abril de 2005 “o peregrino de Deus” alcançou a meta: o regaço do Pai.

Abbé Pierre (parte II)

O Abbé Pierre, foi o fundador do movimento internacional Emaús. Heni Grouès, o “Abbé Pierre”, é o quinto filho de uma família de cinco rapazes. Nasceu no dia 5 de Agosto de 1912 em Lyon, França. Quando tinha 15 anos, no decurso de um congresso de jovens cristãos em Assis, sentiu “a emoção indescritível” da revelação. Ingressa no convento dos Capuchinhos, onde passou a chamar-se "Padre Filipe", tendo renunciado à herança do património familiar e distribuído o que possuía a diversas instituições de caridade. Foi ordenado em 1938. É nomeado vigário na cidade de Grenoble, antes de se empenhar na Resistência durante a II Guerra Mundial – período em que ajudou muitas pessoas a fugir para a Suíça, sendo conhecido, na resistência, como "Abbé Pierre". Em Novembro de 1949 fundou a associação Emaús, uma comunidade que se consagra à construção de casas provisórias para sem-abrigo, financiada pela revenda de objectos de recuperação. O Movimento de Emaús abarca hoje perto de cem comunidades em que vivem e trabalham mais de quatro mil pessoas, em trinta países dos cinco continentes.
Em 1954 dá-se o que ficou conhecido como o “apelo de Inverno 1954”, particularmente frio e tendo vitimado pessoas “sem abrigo”. Através da Rádio, o Abbé Pierre apela à “insurreição da bondade” sensibilizando a população em geral e o poder político. Até ao final da sua vida não se calará perante todas as formas de injustiça social, percorrendo os cinco continentes, tornando-se uma consciência crítica da vida política e religiosa. Ele será a Voz dos sem voz. Repetia vezes sem fim: “Não esperem de mim que fique tranquilo! Se sofres, dói-me. Então, há momentos em que grito em mim, porque o mal dos outros, verdadeiramente, torna-se meu.” Para ele, era inconcebível ser-se cristão sem assumir uma fé credível pela prática da caridade: "A verdadeira caridade não consiste em chorar ou simplesmente em dar, mas em agir contra a injustiça".

Era, sem dúvida alguma, o francês mais amados dos franceses, algo notório para um país declaradamente laico.
Vários são os livros traduzidos e publicados em Portugal. Recomenda-se, por exemplo: “Testamento”, “Obrigado Senhor”, “As quatro verdades”…
Entre as suas afirmações, desafia-nos muito a seguinte: “Não somos livres de amar ou não amar. Somos livres para amar”. Resta-nos continuar, cada um a seu jeito, a verdade que ele deixa: o Evangelho continua a ser possível.

“Quando sofreres, ama com mais força
Ama os que choram mais lágrimas do que tu
Têm mais frio, mais fome, e estão mais sozinhos
Quase inexistentes, mais ausentes em si mesmos
Não há para ti outra alegria profunda possível
Ama-os muito…”

ABBÉ PIERRE


A lucidez do Abbé Pierre.
Aqui ficam algunas das suas palavras que revelam a sua capacidade de ver o mundo e a vida do homem.
"Amar consiste em, quando o outro é feliz, eu sou feliz também. E quando o outro está em desgraça ou sofre, então eu passo mal também. É tão simples como isso. Então digo: a vida é um pouco de tempo oferecido com liberdade para se quiseres, aprenderes a amar, com a certeza de que há que lutar contra o mal.
Sentido da criação: que o amor responda ao amor. Se não existisse esse ponto culminante em que duas liberdades podem consagrar-se e amar-se, toda a criação seria absurda. (...) Naturalmente, todos os humanos vão à procura da felicidade. Mas viver uma vida cristã autêntica não é procurar a felicidade a todo o custo. É procurar amar, a qualquer preço.
Ao dizer isto sou muito consciente duma derivação que há que evitar e na que caem muitos cristãos: a do "dolorismo". Contra o que sempre nos ensinaram, o mérito não guarda nenhuma relação com a dificuldade. O mérito mede-se pelo amor com que se realiza um acto e não pelo que custa (dolorismo).
O dolorismo é uma abominação e uma caricatura da vida cristã que consiste em buscar o sofrimento, ou em comprazer-se com ele, com o pretexto de que Jesus sofreu. Não. Simplesmente há que aceitar a vida tal como ela se apresenta, e se não se pode evitar o sofrimento, então mais vale aceitá-lo com amor do que fugir fechando-se nele mesmo".

GABY SOÑER - VOCAÇÃO: ROCK & ROLL

VOCAÇÃO: ROCK
Alguém, um dia, disse que mudaria o mundo com uma viola eléctrica e umas canções. Assim nasceu a música Rock & Roll, ícone de uma juventude insatisfeita e inconformista. Os anos e as gerações passaram. O mundo pouco mudou mas o Rock, teimoso, continua. Talvez não seja um instrumento tão eficaz como alguns gostariam, mas serve ainda para mover algumas consciências. Os mega-concertos Live Aid, em 1985 e, mais recentemente, o Live 8 servem de amostra. A pobreza ainda não passou à história, como pretendiam Bob Geldof, Bono e companhia, mas é bom saber que muitos ainda não passaram à indiferença.
Mas o Rock serve também a outras causas. E, que tal, servir para cantar… a fé! Porque não? É o que Gaby Soñer, um cantor de rock espanhol faz. Antigo membro da banda Capitan Flynn, Gaby, já “trintão” faz a descoberta da sua vida: Jesus Cristo. Uma bela manhã, lê um texto de Sta. Teresa de Ávila. É o despertar para algo novo, repensando o sentido da vida e tudo quanto o rodeia. Com a ajuda dos frades franciscanos Capuchinhos conhece duas novas paixões: Jesus Cristo e Francisco de Assis.
Reaprendeu o amor e a felicidade. Decidiu comprometer-se com a sua fé inserindo-se numa comunidade de leigos franciscanos que vivem em conjunto e na prática da caridade através da Caritas da sua paróquia. Mas faltava ainda algo.
Percebeu que poderia cantar os seus novos sentimentos e sensações. Pegou na viola e ei-lo de novo nos palcos, agora para cantar, melhor, para rezar cantando a sua fé e o seu amor a Deus. É difícil permanecer indiferente à alegria e felicidade que transpira quando canta e as suas canções são autênticos actos de fé à misericórdia de Deus que ele experimentou na primeira pessoa. Quem esteve presente no Dia Diocesano da Juventude (até ao fim) testemunhou o que acabo de dizer.
Será a nossa relação com Deus uma coisa tão privada que não seja capaz de o declarar publicamente? Se não tenho vergonha de revelar a cor do meu clube e da minha preferência política, se sou capaz de ter opinião sobre tudo e mais alguma coisa, porque não dizer que acredito num Deus que me ama?
Se tiveres dúvidas sobre isto vai assistir a um concerto de Gaby. Eu, já vou no segundo, e aguardo, ansiosamente, pela terceira oportunidade.

BENTO XVI
1º ANIVERSÁRIO DE PONTIFICADO


19 de Abril de 2005.
Às 16h50 sai fumo branco da chaminé da Capela Sistina em Roma. 15 minutos depois, tocam os sinos e, às 17h45, o anúncio esperado: “Habemus papam!” Joseph Ratzinger, aos 78 anos, torna-se o papa Bento XVI.

UM SONHO
TORNADO REALIDADE

É alemão, mas fala correctamente outras línguas. É um apaixonado pelo piano. Em criança, quis ser pintor, mas depressa deseja outro caminho: ser cardeal. Um sonho que, aos 24 anos, começa a concretizar-se com a sua ordenação sacerdotal - juntamente com Georg, seu irmão mais velho - sendo nomeado cardeal aos 50, antes de se tornar o sucessor de João Paulo II.

Mas quem é este homem escolhido para dar rumo à Igreja Católica?
Joseph Ratzinger nasceu a 16 de Abril de 1927 na Baviera, região do sul da Alemanha, na cidade de Marktl am Inn. É filho de uma dona de casa e de um polícia que acabará por abandonar as suas funções em razão das suas ideias antinazis. Joseph cresceu junto dos seus dois irmãos, Maria e Georg no seio de uma família profundamente crente.
Aos 12 anos, decide entrar para o seminário, precisamente no ano em que começou a II Guerra Mundial, 1939.

OS ANOS DA GUERRA

O sistema de ensino, então vigente, obriga-o a integrar a Juventude Hitleriana.
Tal como toda a sua geração, o jovem Ratzinger sofre as consequências da guerra. Aos 16 anos é chamado a servir o destacamento antiaéreo Flak e, mais tarde, a infantaria alemã, de onde desertará na Primavera de 1945. Joseph acaba por ser capturado e detido num campo de prisioneiros de guerra, durante alguns meses.
Finalmente livre, prossegue os estudos, dedicando-se à Filosofia e Teologia, disciplinas das quais se tornará professor anos mais tarde. É inteligente, culto e com uma personalidade forte. Bem depressa as suas capacidades são reconhecidas, levando-o ao Vaticano.

DEUS É AMOR

Bento XVI, na sua primeira encíclica, optou por centrar-se na mensagem central do Evangelho, recordando-nos assim que o cristianismo é a religião da caridade. Recorda-nos o exemplo de Cristo que, ao entrar na nossa história nos amou, entregando-se por nós.
Segundo ele, “o amor não é só um sentimento”. É resposta que exige a nossa inteligência e vontade.
Por outras palavras, o amor deve ser o programa de todo o cristão.

“Estou disponível para as tarefas que o Senhor quiser pôr sobre os meus ombros”.

“Com a alegria de Cristo ressuscitado, confio no Seu apoio constante”.


Para saber +:
http://www.vatican.va/
MENSAGEM DE BENTO XVI PARA O 43º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
"A VOCAÇÃO NO MISTÉRIO DA IGREJA"

“Ele nos escolheu em Cristo antes de criar o mundo” (cf. Ef 1, 3-5). Filhos queridos por Deus, somos, por Ele, chamados a transformar a humanidade como o fermento leveda a massa. Para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações (7 de Maio), Bento XVI recorda-nos a missão que todos temos de descobrir, assumir e viver a nossa vocação, em Igreja e para a Igreja.
Eis algumas passagens dessa mensagem...


Para responder ao chamamento de Deus e pôr-se a caminho, não é necessário que sejamos já perfeitos. Sabemos que o reconhecimento do próprio pecado fez com que o filho pródigo retornasse e experimentasse a alegria da reconciliação com o Pai. A fragilidade e os limites humanos não são um obstáculo, mas contribuem para reconhecermos a necessidade da graça redentora de Cristo. Essa é a experiência de São Paulo que confessava: “Prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que pouse sobre mim a força de Cristo” (2 Cor. 12: 9). No mistério da Igreja, Corpo Místico de Cristo, o poder divino do amor muda o coração do homem, dando-lhe a capacidade de comunicar o amor de Deus aos irmãos. Durante tantos séculos, muitos homens e mulheres, transformados pelo amor divino, consagraram a sua existência à causa do Reino. Nas margens do mar da Galileia, muitos deixaram-se conquistar por Jesus: procuravam à cura do corpo ou do espírito e foram tocados pelo poder de sua graça. Outros foram escolhidos pessoalmente por Ele mesmo e tornaram-se seus apóstolos. Encontramos também outras pessoas, como Maria Madalena e outras mulheres, que O seguiram de livre e espontânea vontade, simplesmente por amor e, do mesmo modo que o discípulo João, tiveram um lugar especial em seu coração. Esses homens e essas mulheres, que conheceram o mistério do amor do Pai através de Cristo, representam à multiplicidade das vocações que sempre existiram na Igreja. Maria, Mãe de Jesus, directamente associada, na sua peregrinação de fé, ao mistério da encarnação e da redenção, é o modelo daqueles que são chamados a testemunhar, de modo particular, o amor de Deus. (…).
A Igreja é santa mesmo se os seus membros necessitem de purificação para que a santidade, dom de Deus, possa resplandecer neles até ao seu pleno fulgor. (...). No quadro deste chamamento universal, Cristo, Sumo Sacerdote, na sua solicitude pela Igreja, chama, portanto, em cada geração, diversas pessoas para cuidar do seu povo. Em particular, chama ao ministério sacerdotal homens que exerçam uma função paterna, cuja fonte reside na mesma paternidade de Deus (cfr Ef 3,14). A missão do sacerdote na Igreja é insubstituível. Portanto, mesmo se, em certos lugares, há escassez de sacerdotes, não se deve ter menos certeza de que Cristo ainda continue a chamar homens, que como os Apóstolos, abandonando todas as outras tarefas, se dediquem totalmente à celebração dos santos mistérios, à pregação do Evangelho e ao ministério pastoral. (…)
Outra vocação especial que ocupa um lugar de honra na Igreja é o chamamento à vida consagrada. Sob o exemplo de Maria de Betânia que “ficou sentada aos pés de Jesus, escutando-lhe a sua palavra” (Luc 10, 39), muitos homens e muitas mulheres consagram-se a um seguimento total e exclusivo de Cristo. Embora estas pessoas desenvolvam vários serviços no campo da formação humana e no cuidado dos pobres, no ensino ou na assistência aos doentes, não julgam tais acções como o objectivo principal de sua vida. De fato, o Código do Direito Canónico sublinha que “a contemplação das coisas divinas e a união assídua com Deus na oração seja o primeiro e o principal dever de todos os religiosos”.
Relembrados da recomendação de Jesus: “A messe é grande, mas poucos são os operários! Orai para que o dono da messe mande operários à sua messe!”(Mt 9,37), advertimos vivamente para a necessidade de rezar pelas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada...

Ó Pai, fazei com que surjam, entre os cristãos,
numerosas e santas vocações ao sacerdócio,
que mantenham viva a fé
e conservem a grata memória
do vosso Filho Jesus
pela pregação da sua palavra e pela administração dos sacramentos com os quais renovais continuamente os vossos fiéis.
Dai-nos santos ministros
do vosso altar,
que sejam atentos e fervorosos guardiães da Eucaristia,
o sacramento
do supremo dom de Cristo
para a redenção do mundo.
Chamai ministros
da vossa misericórdia,
os quais, através do
sacramento da Reconciliação,
difundam a alegria
do vosso perdão.
Fazei, ó Pai, que a Igreja
acolha com alegria
as numerosas inspirações do Espírito do vosso Filho e, dóceis aos seus ensinamentos,
cuide das vocações
ao ministério sacerdotal
e à vida consagrada.
Ajudai os Bispos,
os sacerdotes, os diáconos,
as pessoas consagradas e todos os baptizados em Cristo para que cumpram fielmente
a sua missão
no serviço do Evangelho.
Nós Vos pedimos por Cristo, nosso Senhor.
Ámen.
Maria, Rainha dos Apóstolos, rogai por nós.


Vaticano, 5 de Março de 2006
Bento XVI