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domingo, 30 de maio de 2010


«Um só Deus, um só Senhor,
não na unidade de uma só pessoa,
mas na trindade de uma só natureza»
(Prefácio)


Que bem sei eu a fonte que mana e corre
Mesmo sendo noite!

Aquela eterna fonte está escondida.
Bem eu sei onde tem sua guarida,
Mesmo sendo noite!

Sei que não pode haver coisa tão bela
E sei que os céus e a terra bebem dela,
Mesmo sendo noite!

Sua origem não a sei, pois não a tem,
Mas sei que toda a origem dela vem
Mesmo sendo noite!

O fundo dela, sei, não pode achar-se;
Jamais por ela a vau pode passar-se,
Mesmo sendo noite!

É claridade nunca escurecida
E sei que toda a luz dela é nascida,
Mesmo sendo noite!

Tão caudalosas são as suas correntes
Que céus e infernos regam, mais as gentes,
Mesmo sendo noite!

Nascida de tal fonte, esta corrente
Bem sei que é mui capaz e omnipotente,
Mesmo sendo noite!

Das duas a corrente que procede
Sei que nenhuma delas antecede,
Mesmo sendo noite!

Aquela eterna fonte está escondida
Neste pão vivo para dar-nos vida,
Mesmo sendo noite!

Aqui está chamando as criaturas:
Desta água se saciem, e às escuras,
Porque é de noite!

É esta a viva fonte que desejo
E neste pão de vida é que eu a vejo,
Mesmo sendo noite!

São João da Cruz (1542-1591),
carmelita, Doutor da Igreja
Poema «Cantar da alma que folga em conhecer a Deus por fé»

domingo, 2 de maio de 2010

AMAR COMO JESUS NOS AMA


«Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei.»

cf. Jo 13, 31-35

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Digo sempre que o amor começa em casa. Primeiro está a família, depois a cidade. É fácil fingir amar as pessoas que estão longe; mas é muito menos fácil amar aqueles que vivem connosco ou que estão muito perto de nós. Desconfio dos grandes projectos impessoais, porque o importante são as pessoas. Para se amar alguém, é preciso estar perto dessa pessoa. Toda a gente precisa de amor. Todos nós precisamos de saber que temos importância para os outros e que temos um valor inestimável aos olhos de Deus.

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Cristo disse: «Que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei». E disse também: «Aquilo que fizerdes ao mais pequeno dos Meus irmãos, a Mim o fazeis» (Mt 25, 40). É a Ele que amamos em cada pobre, e todos os seres humanos são pobres de alguma coisa. Disse Ele: «Tive fome e destes-Me de comer, estava nu e vestistes-Me» (Mt 25, 35). Recordo sempre às minhas irmãs e aos nossos irmãos que o nosso dia consiste em passar vinte e quatro horas com Jesus.

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Bem-aventurada Teresa de Calcutá (1910-1997),

fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade,

Um caminho simples

terça-feira, 27 de abril de 2010

O SENHOR É O MEU PASTOR

«As Minhas ovelhas escutam a Minha voz»

cf. Jo 19, 22-30

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Terás dificuldade em rezar se não souberes como. Temos de nos ajudar a rezar: em primeiro lugar, recorrendo ao silêncio, porque não podemos pôr-nos na presença de Deus se não praticarmos o silêncio, tanto interior como exterior. Não é fácil fazer silêncio dentro de nós, mas é um esforço indispensável. Só no silêncio encontraremos novas forças e a verdadeira unidade. A força de Deus tornar-se-á a nossa, para realizarmos todas as coisas como devemos; o mesmo acontecerá com a unidade dos nossos pensamentos aos Seus pensamentos, a unidade das nossas orações às Suas orações, a unidade das nossas acções às Suas acções, da nossa vida à Sua vida. A unidade é o fruto da oração, da humildade, do amor.

É no silêncio do coração que Deus fala; se te colocares perante Deus em silêncio e em oração, Deus falar-te-á. Então saberás que não és nada. Só quando conheceres o teu nada, a tua vacuidade, é que Deus poderá preencher-te Consigo. As almas dos grandes orantes são almas de grande silêncio.

O silêncio faz-nos ver cada coisa de modo diferente. Necessitamos do silêncio para tocar as almas dos outros. O essencial não é o que dizemos, mas o que Deus diz - aquilo que nos diz, e o que diz através de nós. No silêncio, Ele ouvir-nos-á; no silêncio, falará à nossa alma, e ouviremos a Sua voz.

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Bem-Aventurada Teresa de Calcutá (1910-1997),

fundadora das Irmãs Missionários da Caridade,

in No Greater Love

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in www.evangelhoquotidiano.org

domingo, 18 de abril de 2010

TU AMAS-ME?



«Tu amas-Me?»
cf. Jo 21,1-19


«Tu amas? [...] Tu amas-Me? [...]» Pedro havia de caminhar para sempre, até ao fim da sua vida, acompanhado por esta tripla pergunta: «Tu amas-Me?» E mediu todas as suas actividades de acordo com a resposta que então deu. Quando foi convocado perante o Sinédrio. Quando foi metido na prisão em Jerusalém, prisão donde não devia sair, e da qual contudo saiu. E [...] em Antioquia, e depois ainda mais longe, de Antioquia para Roma. E quando, em Roma, perseverou até ao fim dos seus dias, conheceu a força das palavras segundo as quais um Outro o conduziu para onde ele não queria. E sabia também que, graças à força dessas palavras, a Igreja «era assídua ao ensino dos apóstolos e à união fraterna, à fracção do pão e à oração» e que «o Senhor adicionava diariamente à comunidade os que seriam salvos» (Act 2, 42.48). [...]

Pedro não pode nunca desligar-se desta pergunta: «Tu amas-Me?» Leva-a consigo para onde quer que vá. Leva-a através dos séculos, através das gerações. Para o meio de novos povos e de novas nações. Para o meio de línguas e de raças sempre novas. Leva-a sozinho, e contudo já não está só. Outros a levam com ele. [...] Houve e há muitos homens e mulheres que souberam e que sabem ainda hoje que as suas vidas têm valor e sentido exclusivamente na medida em que são é uma resposta a esta mesma pergunta: «Tu amas? Tu amas-Me?» Eles deram e dão a sua resposta de maneira total e perfeita – uma resposta heróica –, ou então de maneira comum, banal. Mas, em qualquer dos casos, sabem que a sua vida, que a vida humana em geral, tem valor e sentido graças a esta pergunta: «Tu amas?» É somente graças a esta pergunta que vale a pena viver.


João Paulo II,
Papa entre 1978 e 2005,
Homilia em Paris 30/05/80

terça-feira, 13 de abril de 2010

QUEM ÉS?



«Não sabes de onde vem nem para onde vai»
cf. Jo 3,7-15

Quem és, suave luz que me sacias
E que iluminas as trevas do meu coração?
Guias-me como a mão de uma mãe,
e se me soltasses
não mais poderia dar um só passo.
És o espaço
que envolve o meu ser e me protege.
Longe de Ti, naufragaria no abismo do nada
de onde me tiraste para me criar para a luz.
Tu, mais próximo de mim
do que eu própria,
mais intimo do que as profundezas da minha alma,
e contudo incompreensível e inefável,
para além de qualquer nome,
Espírito Santo, Amor Eterno!

Não és Tu o doce maná
que do coração do Filho
transborda para o meu,
o alimento dos anjos e dos bem-aventurados?
Aquele que Se elevou da morte à vida
também me despertou do sono da morte para uma vida nova.
E, dia após dia,
continua a dar-me uma nova vida,
de que um dia a plenitude me inundará por completo,
vida procedente da Tua vida, sim, Tu mesmo,
Espírito Santo, Vida Eterna!

Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942),
carmelita, mártir, co-padroeira da Europa
Poesia Pentecostes 1942

segunda-feira, 5 de abril de 2010

SANTA e FELIZ PÁSCOA!


«Jesus saiu ao seu encontro»

cf. Mt 28,8-15



À Vítima pascal
ofereçam os cristãos sacrifícios de louvor.

O Cordeiro resgatou as ovelhas;
Cristo, o Inocente,
reconciliou com o Pai os pecadores.

A morte e a vida
travaram um admirável combate;
depois de morto,
vive e reina o Autor da vida.

Diz-nos, Maria, que viste no caminho?
Vi o sepulcro de Cristo vivo
e a glória do Ressuscitado.
Vi as testemunhas dos Anjos,
vi o sudário e a mortalha.
Ressuscitou Cristo, minha esperança;
precederá os Seus discípulos na Galileia.

Nós sabemos e acreditamos:
Cristo ressuscitou dos mortos.
Ó Rei vitorioso,
tende piedade de nós.

in www.evangelhoquotidiano.org

sábado, 3 de abril de 2010

SÁBADO SANTO


O Sábado Santo é um dia alitúrgico. Podemos dizer até que A Palavra morreu. O Verbo foi crucificado, morto, sepultado. Perante uma sepultura não há mais palavras. O epitáfio nunca exprime a grandeza e a fecundidade de uma vida; entretém os olhos, mas não satisfaz o coração.


O cemitério é lugar de silêncio e de reflexão; mas é no silêncio e na reflexão que é fecundada e germina a palavra. Então, por que não encostarmos a cabeça ao túmulo de Jesus e comungarmos na força do silêncio de Sábado Santo? Logo verificamos que, afinal, a Palavra de Deus não morreu em Cristo; que os homens a receberam e a passaram de mão em mão; que a vida dos homens também é palavra de Deus; que este Deus, aparentemente reduzido à inacção da morte, está reincarnado e actuante em milhares de homens que O conhecem e testemunham a favor d’Ele…


Mas é exactamente aqui que o silêncio se pode transformar em drama: quando ninguém responde; quando do outro lado parece estar mesmo um morto. O concílio já nos advertiu que alguns cristãos “ocultam, em vez de revelarem, o rosto de Deus autêntico” (GS, 19). Ora o nosso Deus é um Deus vivo: nós ocultamo-Lo se formos uns cristãos mortos. Morto é aquele que não fala: não fala pelo gesto, pela acção, pela palavra. Morte é omissão. E quantos cristãos omissos! Com falta de coragem para se comprometerem, para correrem o risco, para tomarem uma posição, para serem consequentes até ao fim, para profetizarem até ao incómodo pessoal, para testemunharem, anunciarem e denunciarem até serem mortos.


Estará Cristo vivo ou morto, entre nós?



Lopes Morgado

in “Lucas, e paz na terra!”

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O GRANDE SILÊNCIO

Tu bebeste o fel por nós,

para que fosse apagada em nós

toda a amargura;

bebeste por nós o vinho amargo,

para aliviar o nosso cansaço;

foste desprezado por nós,

para nos poderes inundar dum orvalho imortal;

deixaste que as varas te ferissem,

para garantir à nossa fraqueza a vida eterna;

foste coroado de espinhos,

para coroar os teus fiéis

com os verdes louros da caridade;

foste envolto num lençol,

para nos poderes revestir com a tua força;

foste deposto no sepulcro,

para nos dares uma nova graça

nos novos séculos.

Suplementum Codicis Apocryphi

quinta-feira, 1 de abril de 2010

AMOU-NOS ATÉ AO FIM



“Depois de ter amado os seus que estavam no mundo,
amou-os até ao extremo.”
Jo 13, 1-15
Amar até ao fim.
Até dar a vida.
Até morrer por este amor.
Foi este o caminho que Jesus escolheu.
Porque Ele foi amado assim pelo Pai.
E agora responde ao amor do Pai, dando-Se do mesmo modo: totalmente.
Ao Pai e à humanidade toda.

Que amor, que caridade, a de Jesus Cristo, em ter escolhido a véspera do dia em que ia ser morto para instituir um sacramento por meio do qual permanecerá entre nós, como Pai, como Consolador, e como toda a nossa felicidade! Mais felizes ainda do que aqueles que O conheceram na Sua vida mortal pois, estando Ele num só lugar, tinham de se deslocar de longe para terem a felicidade de O ver, nós encontramo-Lo em toda a parte, e essa felicidade foi-nos prometida até ao fim do mundo. Ó imenso amor de Deus pelas Suas criaturas!

São João-Maria Vianney (1786-1859)
presbítero, Cura d'Ars
Sermão para a Quinta-Feira Santa


Para rezar:
Senhor, ajuda-me
a não ter medo de amar.
A não perder tempo com desculpas,
planos e adiamentos.
Ajuda-me a amar como Tu.
Sempre.
A todos.
Dando-me totalmente.

Fontes: Evangelhoquotidiano.org
“Rezar na Quaresma”, Ed. Salesianas

segunda-feira, 29 de março de 2010

BUSCANDO MISERICÓRDIA



«A casa encheu-se com a fragrância do perfume»

Cf. Jo 12,1-11


Desde a minha infância, não parei de pecar, e Tu não cessaste de me fazer bem. [...] Contudo, Senhor, que o Teu julgamento se transforme em misericórdia. Toma a ocasião do pecado para condenar o pecado. [...] Que o meu coração seja digno do fogo do Teu perfeito amor, que o Seu calor intenso faça sair de mim e consuma todo o veneno do pecado! Que ponha a nu e afogue nas lágrimas dos meus olhos toda a infecção da minha consciência. Que a Tua cruz crucifique tudo o que a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e o orgulho da vida corromperam devido à minha longa negligência.


Senhor, quem o desejar pode ouvir-me e desprezar a minha confissão: que me olhe prostrado como a pecadora aos pés da Tua misericórdia, banhando-os com as lágrimas do meu coração, vertendo sobre eles o perfume de uma terna devoção (Lc 7, 38). Que todos os meus recursos, por mais pobres que sejam, de corpo e alma, sejam usados para comprar este perfume que Te agrada. Espalhá-lo-ei sobre a Tua cabeça, sobre Ti cuja cabeça é Deus; e sobre os Teus pés, sobre Ti cuja ponta é a nossa natureza fraca. Ainda que o fariseu murmure, Tu, meu Deus, tem piedade de mim! Ainda que o ladrão aperte os cordões da bolsa rangendo os dentes, desde que eu Te agrade, pouco me importa incomodar seja quem for.


Ó amor do meu coração, que em cada dia eu verta sem parar este perfume, porque espalhando-o sobre Ti, espalho-o também sobre mim. [...] Concede-me o dom de Te entregar lealmente tudo o que tenho, tudo o que sei, tudo o que sou, tudo o que posso! Que fique sem nada! Estou aos pés da Tua misericórdia, aonde permanecerei, aonde chorarei, até que me faças escutar a Tua suave voz, o julgamento da Tua boca, a sentença da Tua e da minha justiça: «São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou» (Lc 7, 47).




Guilherme Saint-Thierry (c. 1085-1148),

monge cisterciense,

Orações para meditar, n°5

http://www.evangelhoquotidiano.org/


sexta-feira, 19 de março de 2010

UM PASSADOR, UM PAI



Um “passador” é muitas vezes uma pessoa anónima, o seu nome é ignorado, o seu rosto mal se conhece.
Um “passador” é uma pessoa que está na sombra, um humilde.
Faz “passar”, abre a passagem, prepara o caminho.
Depois apaga-se.
Para os outros as honras, a glória, as medalhas.
Ele está onde é preciso, quando é preciso.
Em seguida, eclipsa-se, desaparece.
Há paternidades segundo o espírito que ultrapassam as da carne.
Os pais são muitas vezes silenciosos mas activos.
José era um deles.

in Caminhos da Páscoa 1993

sexta-feira, 12 de março de 2010

AMAR A DEUS… AMAR O PRÓXIMO



“Não estás longe do reino de Deus!”

Cf. Mc 12, 28-34


O escriba sabe o que é importante: amar a Deus e os irmãos é o caminho seguro para uma vida feliz.

Mas, mesmo assim, ainda não está dentro do Reino. Porquê?

Porque ainda não conhece Jesus a sério. Ainda não percebeu que só Jesus é o rosto perfeito de Deus. que só Jesus nos pode mostrar o que é amar a Deus e aos irmãos.

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Amar a Deus e amr o próximo

A história do amor entre Deus e o homem consiste precisamente no facto de esta comunhão de vontade crescer em comunhão de pensamento e de sentimento, de maneira que o nosso querer e a vontade de Deus coincidem cada vez mais: a vontade de Deus deixa de ser para mim uma vontade estranha, que os mandamentos me impõem de fora, mas é a minha própria vontade, baseada na experiência de que realmente Deus é mais íntimo a mim mesmo do que eu próprio (Santo Agostinho) Cresce então o abandono em Deus, e Deus torna-Se a nossa alegria (cf. Sl 73/72, 23-28).


Revela-se assim como possível o amor ao próximo no sentido enunciado por Jesus na Bíblia. Amor que consiste precisamente no facto de que eu amo, em Deus e com Deus, a pessoa que não me agrada ou que nem sequer conheço. Isto só é possível a partir do encontro íntimo com Deus, um encontro que se tornou comunhão de vontade, chegando mesmo a tocar o sentimento. Então aprendo a ver aquela pessoa, já não somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo. O Seu amigo é meu amigo. [...] Vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro muito mais do que as coisas externamente necessárias: posso dar-lhe o olhar de amor de que ele precisa.


Papa Bento XVI,

Encíclica «Deus Caritas est»,

§§ 17-18


Para rezar:

Perdoa-me Jesus,

por todas as vezes

em que me afastei do Reino de Deus.

Perdoa-me por construir um reino só meu,

feito de castelos de areia.

Perdoa-me por ter medo de amar como Tu.

O teu perdão me ensinará a amar-Te

e a desejar o teu Reino.


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Fontes: Rezar na Quaresma, ed. Salesianas

Evangelhoquotidiano.org

sábado, 20 de fevereiro de 2010

CHAMADOS A SER SANTOS


Qual é a vontade perfeita de Deus a nosso respeito ? Deves tornar-te santo. A santidade é a maior dádiva que Deus nos pode fazer, porque Ele criou-nos para esse fim. Para aquele ou aquela que ama, submeter-se é mais do que um dever, é o próprio segredo da santidade.

Como dizia São Francisco, todos nós somos quem somos aos olhos de Deus – nada mais, nada menos. Todos somos chamados a ser santos. Não há nada de extraordinário nessa chamada. Todos fomos criados à imagem de Deus, a fim de amarmos e sermos amados. Jesus deseja a nossa perfeição com um ardor indizível. «Eis a vontade de Deus: a vossa santificação» (1Tess 4, 3). O Seu Sagrado Coração transborda de uma vontade insaciável de nos ver caminhar em direcção à santidade.

Devemos renovar todos os dias a nossa decisão de nos elevarmos com mais fervor, como se se tratasse do primeiro dia da nossa conversão, dizendo: «Ajuda-me, Senhor meu Deus, nas minhas boas resoluções ao Teu santo serviço e dá-me hoje mesmo a graça de começar verdadeiramente, pois tudo o que fiz até agora não é nada.» Só podemos ser renovados se tivermos a humildade de reconhecer aquilo que em nós tem necessidade de o ser.



Bem-aventurada Teresa de Calcutá (1910-1997),

fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade,

No Greater Love

http://www.evangelhoquotidiano.org/


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

CONCEDE-ME, SENHOR...


«Este povo honra-Me com os lábios,

mas o seu coração está longe de Mim»

cf. Mc 7,1-13



Que eu não deseje nada fora de Ti. [...]

Concede-me frequentemente que eleve o meu coração até Ti

e, quando fraquejar, que me arrependa da minha falta com pesar,

com o firme propósito de me corrigir.

Concede-me, Senhor Deus, um coração vigilante

que nenhum pensamento estranho afaste para longe de Ti;

um coração nobre que nenhuma afeição indigna abata;

um coração recto que nenhuma intenção equivoca desvie;

um coração firme que nenhuma adversidade quebre;

um coração livre que nenhuma paixão violenta domine.


Confere-me, Senhor meu Deus, uma inteligência que Te conheça,

um ardor que Te procure, uma sabedoria que Te encontre,

uma vida que Te agrade, uma perseverança que Te espere com confiança

e uma confiança que por fim Te possua.

Confere-me pela penitência ser atribulado com aquilo que Tu suportaste,

usar no caminho da Tua protecção pela graça,

gozar das Tuas alegrias, sobretudo na pátria pela glória.

Ó Tu que, sendo Deus, vives e reinas

por todos os séculos. Ámen.


São Tomás de Aquino (1225-1274),

teólogo dominicano, Doutor da Igreja


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

TORNAR VISÍVEL O AMOR


«Com a medida que empregardes para medir é que sereis medidos»
cf. Mc 4,21-25


Estando Cristo invisível, não Lhe podemos mostrar o nosso amor; mas os nossos vizinhos estão sempre visíveis, e podemos fazer por eles aquilo que, se Cristo fosse visível, gostaríamos de fazer a Ele.
Hoje, é o mesmo Cristo que está presente naqueles de que ninguém precisa, que ninguém emprega, de que ninguém cuida, que têm fome, que estão nus, que não têm lar. Esses parecem inúteis ao Estado e à sociedade; ninguém tem tempo para lhes dar. Compete-nos a nós, cristãos, a vós e a mim, dignos do amor Cristo se o nosso é verdadeiro, compete-nos a nós procurá-los, ajudá-los; eles estão lá para que os encontremos.
Trabalhar por trabalhar, tal é o perigo que nos ameaça permanentemente. É aí que o respeito, o amor e a devoção intervêm, para que dirijamos o nosso trabalho a Deus, a Cristo. Eis o motivo porque tentamos fazê-lo da maneira mais bonita possível.

Bem-aventurada Teresa de Calcutá (1910-1997),
fundadora das Irmãs Missionários da Caridade,
in “Algo belo para Deus”

sábado, 16 de janeiro de 2010

SEGUE-ME!




«Segue-Me»

Cf. Mc 2,13-17


Cada vocação é um acontecimento pessoal e original, mas é também um facto comunitário e eclesial. Ninguém é chamado a caminhar sozinho. Cada vocação é suscitada pelo Senhor como um dom para a comunidade cristã, que dele deve poder tirar benefício [...].

É sobretudo a vós, os jovens, que eu gostaria de me dirigir : Cristo precisa de vós para realizar o Seu projecto de salvação! Cristo precisa da vossa juventude e do vosso entusiasmo generoso para anunciar o Evangelho! Respondei a este chamado com a dádiva da vossa vida a Deus e a vossos irmãos. Tende confiança em Cristo. Ele não vos desiludirá nos vossos desejos e projectos, mas enchê-los-á de sentido e de alegria. Ele disse: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14, 6).

Abri com confiança o coração a Cristo! Deixai a Sua presença fortalecer-se em vós pela escuta quotidiana e cheia de adoração das Santas Escrituras, que constituem o livro da vida e das vocações cumpridas.


João Paulo II

Fonte: http://www.evangelhoquotidiano.org/



sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

SENHOR, SE QUISERES, PODES CURAR-ME


“Jesus estendeu a mão e tocou-lhe,

dizendo: «Quero, fica purificado.»”

Cf. Lucas 5,12-16

+

Jesus não disse simplesmente: «Quero, fica purificado.» Fez mais e melhor: «Estendeu a mão e tocou-lhe.» Este é um facto digno de atenção. Dado que podia curá-lo por um acto da Sua vontade e pela palavra, porque lhe tocou com a mão? Pela única razão de mostrar, quero crer, que não era inferior mas superior à Lei; e também para mostrar que, dali em diante, nada é impuro para quem é puro [...]. A mão de Jesus não ficou impura no contacto com o leproso; ao invés, o corpo do leproso ficou purificado pela santidade dEssa mão. Cristo veio não apenas para curar os corpos, mas para elevar as almas à santidade; Ele ensina-nos aqui a cuidarmos da nossa alma, a purificá-la, sem nos preocuparmos com abluções exteriores. A única lepra a temer é a da alma, isto é, o pecado [...].

Quanto a nós, devemos dar continuamente a Deus acções de graças. Agradeçamos-Lhe não apenas pelos bens que nos concedeu, mas ainda pelos que concedeu aos outros: poderemos assim destruir a inveja, manter e fazer crescer o nosso amor ao próximo [...].

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São João Crisóstomo (c. 345-407),

Bispo de Constantinopla e Doutor da Igreja

Homilias sobre São Mateus, n.º 25, 1-3

Fonte: http://www.evangelhoquotidiano.org/

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

CONDUZIDOS PELO ESPÍRITO



«Deixarás ir em paz o Teu servo»
cf. Lc 2,22-35

Simeão sabia que o único que pode libertar-nos da prisão do corpo, com a esperança da vida futura, é Aquele que ele tinha nos braços. Foi por isso que disse: «Agora, Senhor, segundo a tua palavra, deixarás ir em paz o teu servo, porque enquanto não tive Cristo nos meus braços era como que prisioneiro, estava incapaz de me libertar das cadeias.» E note-se que isto não se aplica somente a Simeão, mas a todos os homens. Se alguém abandona este mundo e quer alcançar o Reino, tome Jesus nos braços, aperte-O ao peito, e poderá chegar com grande alegria aonde deseja ir. [...]
«Todos aqueles que são movidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus» (Rom 8, 14). Assim pois, foi o Espírito Santo que levou Simeão ao Templo. E tu, se desejas ter Jesus nos braços e tornar-te digno de sair dessa prisão, esforça-te por te deixares conduzir pelo Espírito, para chegares ao templo de Deus. Desde já te encontras no templo do Senhor Jesus, ou seja, na Sua Igreja, neste templo de pedras vivas (1P 2, 5). [...]
Assim pois, se vieres ao Templo conduzido pelo Espírito, encontrarás o Menino Jesus, toma-Lo-ás nos teus braços e dirás: «Agora, Senhor, segundo a Tua palavra, deixarás ir em paz o Teu servo». Esta libertação e esta partida têm lugar na paz. [...] Quem morre em paz, senão aquele que tem a paz de Deus, que sobrepuja todo o entendimento e guarda os corações e os pensamentos em Cristo (Fil 4, 7)? Quem se retira em paz deste mundo, senão aquele que compreende que Deus veio, em Cristo, reconciliar-Se com o mundo?

Orígenes (c. 185-253),
presbítero e teólogo,
Homilia 15 sobre São Lucas

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

QUANDO A ALEGRIA NOS FAZ CAMINHAR



«Maria pôs-se a caminho»

cf. Lc 1,39-45

A vivacidade e a alegria eram a força de Nossa Senhora. Foi isso que fez dela a serva apressada de Deus, Seu filho, porque assim que Ele veio até ela, «pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha». Apenas a alegria podia dar-lhe força para partir rapidamente para as montanhas da Judeia, a fim de se tornar serva de sua prima. Acontece o mesmo connosco; tal como ela, devemos ser verdadeiras servas do Senhor e todos os dias, após a sagrada comunhão, apressar-nos a subir as montanhas de dificuldades com que deparamos ao oferecer com todo o coração o nosso serviço aos pobres. Dai Jesus aos pobres enquanto servas do Senhor.


A alegria é a oração, a alegria é a força, a alegria é o amor, é um fio de amor graças ao qual podereis captar as almas. «Deus ama aquele que dá com alegria» (2Cor 9, 7). Aquele que dá com alegria dá mais. Se encontrarmos dificuldades no trabalho e as aceitarmos com alegria, com um grande sorriso, nisto como em muitas outras coisas constatar-se-á que as nossas obras são boas e o Pai será glorificado. A melhor maneira de mostrardes a vossa gratidão a Deus e aos homens é aceitar tudo com alegria. Um coração alegre provém de um coração que arde de amor.



Bem-aventurada Teresa de Calcutá (1910-1997),

fundadora das Missionárias da Caridade,

Jesus, the Word to Be Spoken, cap. 12


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A ROCHA FIRME


"Quem escuta as minhas palavras e as põe em prática
é como um homem sábio que construiu a sua casa sobre a rocha."
cf. Mt 7, 21.24-27

O Advento é como uma obra de engenharia.
É um tempo para avaliar a qualidade do terreno sobre o qual construimos a nossa casa, a nossa vida.
Tens a coragem de escavar mais fundo, à procura da rocha verdadeira que é Cristo?
Ou contentas-te com terrenos frágeis, sempre instáveis e movediços, incapazes de dar solidez e dignidade ao teu futuro?
Escavar em profundidade não é só escutar a Palavra de Deus: é pô-la em prática! Transformá-la em gestos concretos.

Para rezar:
Senhor, bem sei que não te agrada
quem vive de aparências e fingimentos;
sei que preferes quem aceita o teu chamamento.
Tu amas quem é capaz de construir
a vida num fundamento sólido.
Ajuda-me a entender que só poderei encontrar a felicidade
escutando e pondo em prática a tua Palavra

in Rezar o Advento, Ed. Salesianas