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sábado, 15 de março de 2008

COMPANHEIROS DE JESUS (II)

Eis a segunda parte (de três) da entrevista feita aos nossos amigos noviços jesuítas que estão de passagem pela Covilhã. Hoje ficamos com a partilha do Miguel.

Qual te parece ser o contributo e actualidade da Companhia de Jesus para o mundo e para a Igreja?
Que significa, hoje, um jovem entregar-se a Cristo e à sua Igreja?

Tenho a impressão que o mundo, como Reino de Deus em construção, está em constante evolução, como se de uma batalha se tratasse com diversas frentes que vão desde a ciência, à tecnologia, à política, à religião e às diversas culturas. Estou mesmo convencido que todas estas frentes, que têm tanta importância no mundo actual, portam em si traços do Espírito de Santo. Que é que isto que dizer? Quer dizer que o mundo vai de bem para melhor, porque em cada parte do mundo, embora ainda com muitas falhas, tudo se vai encaminhando para o que Jesus nos propõe no Evangelho, através de maior consciência dos direitos humanos, direitos das mulheres, direitos dos trabalhadores… Não como uma politização ou massificação da religião, mas como devolução da dignidade de Filhos do ‘Pai Nosso’, a cada pessoa. No fundo, para que cada pessoa seja mais parecida com Jesus e saiba ver Deus ‘chapado’ nos seus irmãos. Para aí nos encaminhamos aos poucos no o jogo da graça do PAI e da liberdade de cada filho.
Se caminhamos para Cristo precisamos de momentos constantes de viragem, a partir de dentro para fora, para marcar rotas, firmar passos e pontos de referência para o futuro, nos momentos em que temos de voltar a trás com o coração da memória, para irmos mais em frente. Marx dizia que a humanidade evolui com as revoluções que vão surgindo ao longo da história, como que um avanço que surge do confronto. Neste ponto concordo com ele, porém acho que a revolução já aconteceu. A revolução, o momento confronto-avanço, foi a encarnação, morte e ressurreição do Senhor! A vida de Cristo é a revolução que nos mostra a eternidade que está escondida no presente, que só se nos é revelada nos momentos em que damos a vida por alguém nas pequeninas coisas do dia-a-dia.
No fundo o que quero dizer é que a Companhia, como parte deste corpo maternal que é a Igreja, com qualidades e defeitos como qualquer mãe, deverá dar o seu contributo na actualização da única REVOLUÇÃO da história, a vinda de Cristo. Actualiza-la para tornar historicamente presente o eterno. Actualiza-la porque Jesus não está em cima das nuvens, num trono distante e perdido… está cá em baixo a construir o Reino connosco. Actualiza-lo para construir um mundo mais ecológico onde os mais pobres não tenham de padecer de queimaduras por exposição ao sol provocado pela maior abertura do buraco do ozono só porque há algumas pessoas que não sabe o que é o CFC, a isto Jesus diria: “De que te serve ganhar o mundo inteiro (poder económico, beleza, eficácia produtiva) se vieres a perder a tua vida?”; um mundo em que a comunicação social nos faça saber dos problemas dos países longínquos mas que também nos faça ter em conta os problemas que se passam ao nosso lado e do tanto bem silencioso que existe no mundo, a isto Jesus diria: “queres tirar o argueiro da vista do teu irmão (Africa, América Latina) e não vês a trave que tens à frente dos olhos (Europa, Portugal, Covilhã)”; um mundo em que a globalização não marginalize os ‘sem-voz’ que se têm de sujeitar a propostas que pequenos grupos de influência fazem, aos quais Jesus diria: “as propostas foram feitas para o Homem e não o Homem para as propostas”; um mundo onde a fome de comida e de vida “fossem uma coisa do passado” como disse o Bono Vox, em que não se prevalecesse a injustiça actual de 20% da população mundial possuir 80% dos recursos terrestres, a isto Jesus diria: “Dai-lhes vós mesmos de comer”; um mundo em que a Igreja não respondesse aos problemas de hoje com respostas de ontem, mas falasse ao coração como Deus fala, a isto Jesus diria: “aquilo que vos disse ao ouvido proclamem agora sobre os telhados”.
É esta a nossa missão dentro da Igreja. É darmo-nos ao mundo, como Cristo que não deu a vida virado para a cruz mas virado para o mundo. Não entendo uma entrega a Cristo que não seja entrega ao mundo… desde a acção apostólica até ao Carmelo. Acontece que não somos membros de uma corporação de solidariedade, nem ritualistas, ou pelo menos não é o que Deus sonha como a forma de o servirmos. Isto para dizer que sem oração não há apóstolo, não há Igreja! Se não aprendermos a falar de coração com Cristo, se não aprendermos o seu jeito de falar, estar, amar, ‘curar’, abraçar, ouvir, nunca haveremos de servir real e desinteressadamente os outros, como alguém que se vê como “expropriado por utilidade pública” em nome do Senhor Jesus. Há amigos meus que acham que eu perdi a liberdade e que por isto sou um ‘pau mandado’ de uma ideologia cor-de-rosa. Por sua vez eu acho que, ao entregar-me, em Igreja, com Cristo ao mundo, Ele mesmo vai libertando a minha própria liberdade, dia após dia.

quinta-feira, 13 de março de 2008

COMPANHEIROS DE JESUS

São membros da Companhia de Jesus, uma Ordem Religiosa, mas são também conhecidos por jesuítas.
São três e, mais concretamente, estão ainda em formação, na etapa chamada ‘noviciado’. O noviciado é a fase inicial da formação do jesuíta. Dura dois anos. Ao contrário do resto da formação, é um tempo mais ‘virado para dentro’ para permitir um encontro mais sereno e autêntico com Deus e assim discernir o seu chamamento para esta vida de serviço. A província portuguesa conta, actualmente, com 13 noviços.

São eles o Ricardo Barroso de 21 anos, de Almada, o João de Brito, de 22, vindo de Lisboa e o Miguel Melo, homem do norte (Famalicão) e com 21 anos. Estão de passagem pela Covilhã, onde reside uma comunidade de Jesuítas, para a "prova de inserção" durante toda a quaresma.

O Voc-Acção encontrou-se com eles. Muito gentilmente, partilharam connosco a sua vivência e esperanças. Aqui vo-las deixamos em vários episódios. Aqui vai a primeira parte, a cargo do Ricardo:

Como conheceste a Companhia de Jesus?
R : Conheci a Companhia de Jesus, num contexto muito particular. O da minha própria conversão.
Converti-me relativamente tarde, era proveniente de uma família agnóstica, sem qualquer formação cristã, e nesse caminho de conversão, cruzei-me com os Jesuítas, na Paróquia da Charneca da Caparica em Almada, onde recebi a Primeira Comunhão.


O que mais te fascina em S. Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, e Francisco Xavier, outro grande jesuía?
R : Fascina-me que essas figuras não eram grandes mas muito pequenas, muito simples, muito humildes. Foi essa sua pequenez que permitiu abrirem-se de forma radical a Cristo.
Procuravam incessantemente no seu dia-a-dia, encontrá-Lo, conhecê-Lo e viverem não para a si, mas sempre na esperança de se orientarem para a Maior Glória de Deus. Só esta vivência interior, bem enraizada na pessoa de Jesus, os conduziu á procura no discernimento da Sua vontade, e só na Sua vontade realizaram na sua pequenez a grandeza da missão a que se souberam chamados.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

UM NOVO "COMPANHEIRO DE JESUS" (parte I)

Chama-se Bruno Nobre e é natural da “nossa” Guarda onde permaneceu até ingressar na Universidade. Presentemente, encontra-se em Braga, onde estuda Filosofia. Até aqui nada de especial, dir-me-ão. É verdade. O que o distingue (aliás, o que o aproxima dos outros) é o facto de ser Jesuíta. No passado dia 20 de Outubro, na Sé de Coimbra, o Bruno fez os seus primeiros votos na Companhia de Jesus. Muito amavelmente, quis partilha connosco a sua alegria ao contar-nos um pouco da sua vida e respondendo a algumas perguntas.
Aqui fica a primeira parte do seu testemunho:


Logo desde miúdo experimentei uma proximidade grande com a Igreja. Uma das mais fortes influências no meu percurso cristão foi o testemunho dos meus avós e pais, com quem comecei a ir à missa. Frequentei a catequese na cidade da Guarda, e aos 15 anos já tinha feito o crisma.
Não sei se em miúdo desejava ser padre, mas recordo-me que Jesus foi desde muito cedo Alguém de quem gostava. Lembro-me que quando tinha 7 ou 8 anos, acabava de aprender a ler, o meu livro preferido era uma banda desenhada que alguém me tinha oferecido.
Por volta dos 17 anos, quando no liceu comecei a aprofundar os meus conhecimentos de ciências naturais, apareceu a primeira crise de fé, que levei dois ou três anos a ultrapassar. E já se está a ver porquê: parecia-me, talvez mais por preconceito, que não era possível compatibilizar ciência e fé.
Aos 18 anos fui para Lisboa estudar Engenharia Física Tecnológica, no Instituto Superior Técnico. Durante o tempo do curso morei no Colégio Universitário Pio XII, que pertence aos padres Claretianos. Tive então a oportunidade de conhecer vários amigos com uma vida cristã muito forte e que estavam comprometidos com comunidades cristãs. Recordo-me de passar horas e horas a conversar sobre assuntos relacionados com a fé.
O meu desejo de aprofundar a fé foi crescendo, e acabei por assumir alguns compromissos: comecei a dar catequese, integrei um Agrupamento de Escuteiros do CNE e colaborei com a pastoral universitária do Patriarcado de Lisboa. A pouco e pouco fui-me sentindo parte da Igreja, que aprendei a amar, mesmo apesar de saber que não é perfeita, ao mesmo tempo que sentia um desejo cada vez maior de aprofundar a relação com Jesus.
Quando acabei a licenciatura comecei um doutoramento em Física (Física Teórica de Partículas), que concluí em cerca de 4 anos. À medida que o final do doutoramento se aproximava, e apesar de ter a possibilidade de continuar a fazer investigação, uma vida dedicada à Física fazia cada vez menos sentido e crescia o desejo de entregar a vida toda para servir Deus e a Igreja. Fui tentando ignorar este apelo (afinal que haveriam de pensar os meus familiares e os meus amigos), mas isso só fazia crescer a sensação de desorientação e mal-estar. Embora com medo, acabei por partilhar o que sentia com uma amiga, que sugeriu que fizesse exercícios espirituais de Sto Inácio de Loyola. Esta acabou por ser uma experiência decisiva, que me permitiu conhecer a espiritualidade inaciana.
A intimidade com Jesus ajudou-me a ultrapassar os receios e os preconceitos. Perante a surpresa da maior parte dos amigos e familiares acabei por entrar na Companhia de Jesus no dia 25 de Setembro de 2005”.

Continua…

NOVO COMPANHEIRO DE JESUS (parte II)

O Bruno Nobre, um jovem Jesuíta de 30 anos (nascido a 9 de Junho de 1977), que recentemente se consagrou a Deus, na Companhia de Jesus, respondeu-nos a algumas questões. Desta maneira, quis sentir-se ligado à sua Diocese de origem, a Guarda (os seus avós residem em Amoreira, freguesia do concelho de Almeida). A ele a nossa gratidão so mesmo tempo que pedimos a Deus que abençoe a sua vida ao serviço do seu Reino.

– Já que és "companheiro de Jesus", diz-nos quem é Ele para ti?
Jesus é o Amigo que ama incondicionalmente, que cuida das minhas feridas, que aponta a eternidade e me ensina a tratar Deus por Pai e cada pessoa como irmão.
– De que forma sentiste o apelo de Deus?
Acho que senti o Apelo de Deus como o desejo de gastar a vida em algo que valha a pena, de servir a Igreja e crescer na intimidade com Jesus. Fui sentindo que a consagração me permitia ser mais eu mesmo.
– Porquê a consagração religiosa e, nomeadamente, na Companhia de Jesus?
Ser consagrado é viver com toda a radicalidade o Evangelho, afirmando Deus como absoluto das nossas vidas. Julgo que o nosso mundo tem uma enorme sede de Deus, e espera profetas que O anunciem. A experiência da consagração religiosa, mais de que um acto voluntarista é um chamamento que se descobre na nossa interioridade e na nossa história. É difícil explicar, mas posso dizer que senti que foi Deus quem me convidou. É difícil explicar doutra forma como cheguei a ser jesuíta.
– O que é (que desafios representam), actualmente, ser jesuíta?
Numa das últimas congregações gerais da Companhia de Jesus definia-se o jesuíta como um homem a braços com uma missão. Um jesuíta é um homem disponível para servir a Igreja numa missão concreta confiada pelo Papa e pelos bispos através dos superiores. Actualmente a Missão da Companhia, de que são subsidiárias as missões das comunidades e de cada jesuíta, é o serviço da fé e a promoção da justiça.
Parece-me que um dos grandes desafios da Companhia é ser capaz de encontrar formas criativas de chegar a tantos lugares (alguns bem perto de nós) onde não chega a fé de Jesus. É também um grande desafio fazer frente à enorme injustiça que afecta uma parte tão significativa da população mundial.
– Como explicas a escassez de vocações na Igreja nos dias de hoje?
É uma questão muito complicada. Acho que nos nossos dias as pessoas têm medo dos compromissos definitivos. Vivemos numa cultura mais imediatista em que muitos dos valores cristãos se vão diluindo. Existe também uma resistência às grandes instituições, que são olhadas com desconfiança crescente. Por outro lado. talvez a Igreja tenha alguma dificuldade em falar de modo que o mundo a entenda. Nem sempre é Jesus que a gente nova vê na Igreja...
– Uma mensagem aos jovens.
Descobrir Jesus, aceitar o convite que nos faz para vivermos como seus amigos, para a pouco e pouco ganharmos a sua maneira de olhar o mundo, a sua capacidade de acolher os mais pobres e os marginalizados, para nos apaixonarmos pela vida...

PROFISSÃO RELIGIOSA NO CARMELO (parte 2)

Aqui está a 2ª parte da entrevista com a Ir. Filomena Maria do Coração de Jesus que irá professar no próximo domingo 23, às 14h30 no Carmelo da Guarda. Desta vez, a Ir. Filomena fala-nos sobre a caminhada e significado da vocação carmelita. Presente na Guarda desde 2002, partilha connosco um pedaço importante da sua vida. A ela bem-haja!

A Profissão Solene será mais um passo de uma longa caminhada com Deus. Quais são as etapas principais?
Ir. F. M.: A 1ª etapa é o Postulantado que tem a duração de 6 a 18 meses. É um tempo de conhecimento da vida de carmelita, de adaptação ao horário quotidiano, ao silêncio. É também um contacto mais de perto com a oração e para completar o grau de cultura religiosa.
A 2ª etapa é o Noviciado, com dois anos de duração. Nele, reveste-se o hábito carmelita. Começa verdadeiramente a nossa formação: conhecimento da Ordem do Carmo, da Regra e Constituições, Liturgia, etc…
A 3ª etapa é constituída pelos chamados “Votos Simples”. São três anos renováveis ao fim de cada ano. Nesse tempo continua a nossa formação.
Finalmente, a 4ª etapa: a Profissão Solene, em que se assume a nossa entrega a Deus, perante a Igreja e de uma maneira definitiva

Porque razão escolheu, ou se sentiu escolhida para o Carmelo?
Ir. F. M.: Senti um chamamento a uma vida mais íntima com Deus, sem ter protagonismo, sendo eu mesma.

Qual a actualidade do carisma carmelitano para os dias de hoje e de que forma pode atrair os jovens?
Ir. F. M.: O carisma carmelitano é sempre actual. Encaixa perfeitamente nos dias de hoje. É como o “queijo no pão”: vão sempre bem.
No carisma, os jovens têm duas facetas, contemplativa e activa, onde podem satisfazer a sua sede de Deus sem cair na monotonia.

Que dimensão deseja dar à sua entrega e vida de carmelita de hoje em diante?
Ir. F. M.: Um lema: “Tudo por Amor…”
Uma missão: Rezar para que haja paz; para que o Evangelho chegue a todos. Rezar para que os sacerdotes sejam sacerdotes e não meros profissionais.

Uma mensagem/desafio para os jovens.
Ir. F. M.: Estar na moda é: Ser outro Jesus.
Os jovens não devem ter medo, nem vergonha de se assumir como cristãos; de serem diferentes, de terem opinião própria; de caminhar contra a corrente; de acolher Jesus e Maria no seu coração.
Eles são o sinal + da existência. À Ir. Filomena desejamos as maiores graças e bênçãos de Deus na fidelidade e felicidade neste caminho de seguimento a Cristo.
E se Ele te chamasse!?...

PROFISSÃO SOLENE NO CARMELO (PARTE 1)

No próximo domingo 23 de Setembro a Ir. Filomena Maria irá professar solenemente no
Carmelo da Santíssima Trindade da Guarda. Oriunda de Viana do Castelo, muito gentilmente acedeu a responder a algumas perguntas.
Eis a primeira parte da entrevista:

- Como tudo aconteceu?
Ir. Filomena Maria: Durante a adolescência, veio o desinteresse pela religião acompanhada de uma certa revolta… Embora o tema “Deus” andasse sempre por perto, por mais voltas que desse, as perguntas eram sempre as mesmas: Quem é Deus? Onde está? Longe? Perto?
Até que um dia, a minha irmã mais velha me emprestou as “Confissões” de Santo Agostinho. Foi a derrocada de tantos preconceitos preestabelecidos. Foi a minha rendição total.
Mais dois anos e o movimento do Caminho Neocatecumenal deu início a catequeses em Viana. Com muita história pelo meio, eu lá fui assistir. Mais uma vez, apanhei “por tabela” no meu orgulho e a minha “cegueira” começou a ser curada.
Nasceu a primeira comunidade e eu iniciei então a minha conversão e aprofundamento do que era ser baptizada, conhecer a Deus como Pai, que Ele é Amor e que me aceita tal como sou, rebelde, pecado e nada.
Maravilhoso… claro que tive sofrimento, mas também momentos lindos.

- Qual o significado da vocação?
Ir. F. M.: Sempre me questionei saber o porquê da minha existência e para quê. Tinha que descobrir e fazer algo mais.
Participei de alguns encontros vocacionais, onde descartei a vida activa, missões, etc…
Queria algo mais íntimo, que me aproximasse do conhecimento pessoal de Deus. Como eu já conhecia a igreja dos padres carmelitas de Viana e era apaixonada pela nossa Mãe Santíssima do Carmo, pensei nas contemplativas. Como não há Cartuxa feminina em Portugal e o mais aproximado é o Carmelo, comecei então a pensar seriamente no assunto. Mas tinha, ou melhor, colocava resistências: muitos “ses” e “mas”…
Até que falei ao meu catequista expondo-lhe o que se passava e mandou-me esperar um pouco. Como persistia a ideia, lá me orientou para o Carmelo da Guarda que ele já visitara.
E cá estou, há cinco anos.

- Que dificuldades implicaram tal decisão?
Ir. F. M.: É claro que custou deixar a família, o emprego, a minha liberdade, o mar…, mas sentia-me atraída por Jesus e sei-me chamada a esta vida “escondida” e “só”. Tem momentos difíceis mas, com calma, tudo se supera. Com confiança, paciência e muito Amor.
Ser de Jesus, ser seu instrumento é tudo quanto desejo.

ORDENAÇÃO SACERDOTAL

Este domingo 1 de Julho, vai ser ordenado sacerdote o jovem Rui Miguel Manique Nogueira, natural de Aldeia de Joanes, Fundão, e que trabalha pastoralmente no arciprestado de Pinhel, coadjudando o Pe. Henrique. Para todos, ele quis deixar uma mensagem sobre o significado deste passo que vai mudar a sua vida e enriquecer a daqueles que benficiarem da sua entrega a Cristo:
Ser Padre…
Vou ser padre porque Deus me escolheu.
Porque Deus serviu-se da minha simplicidade, das minhas mãos vazias para me dizer “Preciso de ti… preciso do teu SIM”. Precisa das minhas mãos, dos meus pés, da minha boca para continuar a sua grande missão: amar sem medida.
É uma grande aventura. Um enorme desafio. Sei que vou transportar um grande tesouro em vasos de barro. Não tenho medo, sei que o Espírito Santo me sustentará e a luz de Deus será o meu farol no meio da tempestade… o abraço no meio da solidão…“O Senhor é a minha rocha, fortaleza e protecção”.
No próximo domingo vou voltar a dizer a Deus “Senhor, te ofereço o meu Amor… te ofereço o meu sim”, e quero fazê-lo todos os dias da minha vida. Não é que Deus precise… mas Deus merece.

Rui Manique

Será, na mesma celebração, ordenado diácono o Giberto Antunes, natural de Rochas de baixo, Almaceda, e que tem colaborado nas paróquias confiadas à comunidade pastoral de Celorico.
A ambos, desejamos as maiores bênçãos de Deus e felicidades no desempenho das suas novas missões.

NOVO ACÓLITO

Por coincidência, ou não, vai dar-se a minha instituição de Acólito na altura em que termino o Curso de Teologia e consequentemente a etapa da vida em Seminário.É um misto de sensações que me invade... alegria, pela caminhada já realizada; entusiasmo, por dentro em breve ser enviado de forma mais permanente a alguma(s) comunidade(s) da diocese, para junto delas poder trabalhar de forma mais intensa; receio, de não estar a altura da missão que me será confiada... receio de não corresponder às expectativas que poderão recair sobre mim; esperança no futuro e um grande sentimento de dedicação à Igreja.No entanto, e apesar de todos os receios, uma certeza me anima: a proximidade e o amor de Jesus Cristo, que quero seguir com toda fé, com toda a esperança e com toda a caridade.A instituição de Acólito, aproxima-nos de forma especial com a Eucaristia, fonte e alimento de toda a vida cristã, alimento esse que nos dá a força espiritual para enfrentar as dificuldades no dia-a-dia. É nessa fonte que eu quero beber todos os dias e encontrar a Luz que ilumina verdadeiramente para que todo o meu agir possa ser "por Cristo, com Cristo e em Cristo".

Valter Duarte

NOVOS LEITORES

No próximo domingo, dia 1 de Julho na Sé Catedral da Guarda, serão ordenados um novo sacerdote e um diácono. Juntamente com eles receberão a instituição de leitor e de acólito três jovens. Propomos-te conhecê-los nestes dias que antecede a grande festa de toda a Igreja diocesana.


Muitas são as etapas de uma caminhada. No caminho ao sacerdócio o leitorado é uma delas. Num mundo, em que a palavra é tantas vezes polissémica, importa anunciar aquele que é PALAVRA.Que Deus me ilumine e que escutando, meditando e rezando a Palavra seja semente Desta no mundo.


Hugo


Receber o ministério de leitor é o reassumir de um compromisso…

É a renovação de um sim dado a Jesus Cristo numa responsabilidade de ler, meditar e transmitir aos outros essa Palavra de alegra, a mesma que sinto por assumir este ministério na Igreja a que quero pertencer de modo mais comprometido.

Luis Freire

ORDENAÇÕES SACERDOTAIS


Chamam-se Ângelo, João e Ricardo. Têm, respectivamente 25, 28 e 25 anos. São bons rapazes e… celibatários. Mas, na verdade, já estão comprometidos. No passado dia 2 de Julho, perante o seu bispo e a comunidade cristã, reunida na Sé Catedral, prometeram entregar-se, livre e exclusivamente, ao serviço do Reino como sacerdotes diocesanos. Todos já desenvolveram trabalho pastoral por diversos lugares da diocese mas, agora, como padres abençoam com a sua presença e doação diversas comunidades: Arciprestado de Rochoso, no caso do Ângelo, Silvares e “arredores” para o João. O Ricardo, esse, integra a actual Equipa Formadora do Seminário Maior. Convosco, quiseram partilhar o seu testemunho. A todos eles, desejamos um bom trabalho pastoral.

O que significa ser padre? Para quê? Porquê? Terá sentido, na actualidade, um jovem “apostar” neste projecto de vida?
Estas e outras perguntas surgem perante a ordenação de novos sacerdotes. E, quem melhor do que eles, para lhes responder. Aqui ficam as suas palavras.

UMA LONGA CAMINHADA
Tudo começa pela descoberta, lenta e progressiva daquilo que Deus quer. Esse processo desenvolve-se num tempo e espaço chamado seminário. Sobre isso refere o Ricardo: «Tenho de dizer que não foi algo, da minha parte, de muito extraordinário, o extraordinário foi e é a acção de Deus em mim. Aqui está o início e a meta da minha vocação. Enquanto fui crescendo como seminarista tive momentos muito belos e também alguns menos bons, porém, com a ajuda dos superiores, dos colegas e sobretudo com a sempre presença de Deus, soube ultrapassar as dificuldades com que me deparei.
É maravilhoso querer descobrir qual a vontade de Deus para nós; Deus deixa-nos pistas e nós lutamos por segui-las.»

UMA NOVA ETAPA
De tanto seguir, acabamos por encontrar. A ordenação não é uma meta, mas antes um ponto de partida, um novo desafio para novas metas. Então o que significa ser sacerdote? Responde o Ângelo: «Ser sacerdote é sê-lo em relação de comunhão com todos os que me rodeiam e por isso ser transmissor do Amor de Deus; ser elo de ligação entre a terra e os Céus; ser orientador de muitos na simples humildade das palavras e das atitudes; ser verdadeiro com o bem e com o mal; ser defensor da justiça; ser sinal de fé; ser modelo de vida!
Esta é uma missão difícil que assumo com a ajuda de Deus, com a sua mão carinhosa que me ampara, com a Sua Palavra de cada dia, com o Seu Amor. Sem Deus nada sou, nada quero ser e nada posso ser! Ser sacerdote é uma consagração da vida, para a vida e na vida!»

E o que diz o Ricardo?
«Desde a minha ordenação sacerdotal, tenho consciência que concretizei e finalizei o que atrás foi dito, contudo, comecei uma nova etapa sem que a meta fosse alterada. Como padre têm-me perguntado se me sinto o maior, e tenho de responder que me sinto o mais pequenino de todos os seres, pois eu interrogo-me a mim mesmo como é possível e tão imenso o Poder de Deus – por meras criaturas Ele Se torna presente no meio dos homens e se Deus o faz, utilizando-me, é sinal que o que conta não sou eu, mas a Acção de Deus em mim e quando nós agimos de acordo com a vontade de Alguém, significa que somos servos e não senhores. Daí a vontade expressa por Maria: “fazei tudo o que Ele vos disser” no que se refere ao cumprimento da Vontade de Deus e as palavras de S. Paulo: “já não sou eu que vivo é Cristo que vive em mim” ao nosso modo de existirmos em função de Deus.»

O João, por sua vez, acrescenta: «O meio de viver este ministério na fidelidade é ser padre à maneira de Jesus Cristo. Uma das passagens bíblicas que mais me inspiram, neste momento, é o capítulo 34 de Ezequiel, no qual é lembrado que o sacerdote é pastor do rebanho do Senhor e não de si mesmo.»

UMA ORAÇÃO
Tudo isso é, na verdade, obra de Deus. Para Ele são, pois, estas palavras do Ângelo: «O Reino de Deus é tão grande e imensamente belo, que o quero partilhar no cuidado pastoral com os outros sacerdotes. E todos aqueles que são Teus, meu Senhor, também passarão a ser meus, porque agora seremos um só: Tu és a minha cabeça e eu serei os Teus membros para chegar onde Tu precisares de mim. Tudo quanto tenho vem de Ti e ao Teu serviço eu me ponho.
Com todo o povo vou rezar, por ele vou orar e a Ti me entregar.
Só Te peço duas simples coisas meu Senhor: que eu saiba sempre discernir o bem do mal, que saiba ter esperança em ti, acreditando sempre que Tu não me faltarás.»

CONSAGRAÇÃO RELIGIOSA

Monte Real, Leiria.
8 de Setembro de 2006.
No Mosteiro de Santa Clara, a Maria de Lurdes, uma jovem de S. Miguel da Guarda, professava solenemente na Ordem de Santa Clara. Esse dia, é o fruto de uma longa caminhada da descoberta de Deus e do chamamento que lhe dirigiu. Aqui fica o seu testemunho que é, simultaneamente, um desafio:

V.A.- Como explicas a Vocação?
Maria de Lurdes: A história da vocação é sempre inexplicável. As palavras humanas são insuficientes. É um mistério de amor que tem origem em Deus, é Ele quem toma sempre a iniciativa. Ele diz: “Estou à porta e chamo; se Me abrires a porta, entrarei em tua casa e cearei contigo” (Ap 3, 20)
Impelida pela força do Espírito Santo a seguir as pegadas de Jesus pobre, obediente, casto e “enclausurado” no sacrário, Aquele que totalmente se entregou ao Pai, cumprindo plenamente os Seus desígnios, aceitei o desafio à radicalidade de uma entrega total.

- Terá sido fácil para ti, tal “radicalidade”?
Apesar de eu dizer: tudo, menos a Vida Religiosa! E… clausura nunca! Após inúmeras resistências e oposições à Sua vontade, ao perceber o Seu projecto de amor para mim, tive de me render, porque Ele é mais forte. E, ao meu coração, Ele segredou numa voz perceptível: “Vem e segue-Me!”
Quem poderá furtar-se à força do Seu amor? Ele tudo abrange…

- Recordas alguns factos ou datas marcantes da tua caminhada vocacional?
No crepúsculo daquele dia 16 de Junho de 1997, o Amor omnipotente arrancou ao meu coração um sim consciente, que eu quero pleno e disponível aos seus desígnios. Agora, era preciso descobrir onde e quando o coração de Deus tinha marcado o meu lugar, qual a hora.
A Virgem Imaculada não tardou em vir conduzir-me, pela mão, a Monte Real.
No dia 27 de Agosto de 1998, ao conhecer as Irmãs Clarissas deste Mosteiro, mesmo sem querer, fui apanhada e fiquei presa à porta do sacrário, quando diante do Senhor me prostrei, de alma ajoelhada. No Coração de Deus coloquei toda a minha existência, a minha vocação, pois, num certo dia 17 de Maio de 1997, o Espírito Santo havia-me feito sentir e compreender que só na radicalidade se consome o verdadeiro amor. Descobri que só Cristo é o caminho para o Pai, a Verdade única e imutável, a Vida que não morre, a Fonte pura de felicidade.
No mais íntimo de mim mesma ressoou: “Amei-te com amor eterno”. “A Deus nada é impossível!” (Lc 1, 37).

- Não tens receio, perante o grande desafio que aceitaste, de vacilar… de te arrependeres?
Pelo amor, Jesus far-me-á chegar ao cume do Tabor, onde se revelará em plenitude e nenhum obstáculo conseguirá deter-me, se eu for firme e resoluta na minha decisão. Ele fez-me, então, descobrir que o coração humano não pode encontrar a saciedade plena na criatura, pois só o infinito corresponde às suas profundas aspirações: “ao deserto te conduzirei para aí te falar ao coração” (Os 2, 16). Só Deus lhe pode dar a plenitude.
Escolhi, por isso, um Esposo Eterno, que a própria morte jamais conseguirá roubar-me. Descobri a minha vocação: ela é precisamente essa aliança de amor que Deus quis fazer comigo e que agora é selada pela Profissão Solene. Esta engloba quatro votos: Pobreza, Obediência, Castidade e Clausura.

- Fala-nos, um pouco, sobre esses votos ou compromissos.
A pobreza significa deixar para trás tudo o que escraviza, e encontrar o caminho livre que conduz só a Deus, à plenitude. A Pobreza atinge a sua expressão plena e desconcertante precisamente na clausura.
A obediência leva-nos a cumprir unicamente a vontade de Deus. Longe de nos atrofiar ou limitar, conduz-nos à autêntica liberdade dos filhos de Deus que, destemidamente, com Ele se comprometem. O homem só é livre quando se coloca inteiramente nas mãos de Deus!
A castidade consiste em deixar-se possuir absolutamente por Deus e conservar um coração puro e indiviso, que não se afasta do Criador. Mediante a castidade, a Irmã Clarissa realiza a sua plena consagração, aderindo Àquele que é o único necessário e imutável.
Pela clausura, o amor da Irmã clarissa não tem fronteiras nem limites. Em Cristo, ela abraça o Universo. A sua vocação é o amor que a torna missionária a tempo inteiro.

- A clausura parece, visto de fora, o mais difícil. Qual é o segredo?
Só a força deste amor seduz uma jovem à clausura. E, sem ele, como seria possível a opção pela clausura? A Irmã Clarissa retira-se a sós com o Mestre e recebe o que só Ele pode e sabe dar àqueles que O seguem. Qual outro Moisés, permanece em oração sobre o monte, torna-se sentinela vigilante na casa de Deus e a ponta do diamante. Sentinela que vigia sem cessar, à espera da aurora, diamante que corta, pela raiz, toda a ambição fora de Deus!

- A vida da Irmã Clarissa é, essencialmente, contemplativa. O que significa isso?
A vida contemplativa é uma busca incessante de Deus e o eterno desejo de contemplar o mais belo dos filhos dos homens, até poder dizer como S. Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim!” A luz de Deus fez-me ver que “as águas torrenciais não conseguem apagar o amor, nem os rios o podem submergir” (Cant 8, 7), mesmo quando este se encontra “oculto” na clausura!
As vidas “escondidas” na clausura, são o “Coração da Igreja”, como disse o papa João Paulo II. Assim, a vida de uma Clarissa, é uma vida para Deus, a Ele plenamente entregue, consagrada e dedicada em cada instante. Ainda que separada do mundo, jamais poderá ignorar e esquecer vicissitudes, sofrimentos, necessidades e as ansiedades que a humanidade inteira carrega sobre si mesma.
Segundo Santa Clara, a Clarissa, deste modo, torna-se “colaboradora do próprio Deus e suporte dos membros mais débeis do “Corpo Místico de Cristo”.

- É esta, portanto, a vida que escolheste para ti?
O olhar divino que seduziu Santa Clara foi o que me seduziu e marcou a mim. Chamou-me a um lugar apartado para me guiar rumo ao infinito: “Ao deserto te conduzirei para te falar ao coração”. Esse lugar, no meu caso, é a clausura.
Se a clausura, antes, estava excluída dos meus horizontes e opções, agora traduz a radicalidade de uma opção, de uma entrega a Deus, o anseio da plenitude, que me impele para Aquele que me fascina.

- Hoje terá ainda sentido a vida de clausura?
Na clausura, faz-se ecoar o grito duma fé inabalável como a de Santa Clara: “A alma fiel torna-se mais digna de todas as criaturas, mesmo maior do que o Céu. A alma crente transforma-se em mansão e trono de Deus”. E, assim, Clara bastou para dizer que a vida é bela quando Deus a preenche.
Talvez hoje, como nunca, a radicalidade seja a palavra que mais seduz os jovens. Para mim, a clausura é parte do amor que quero retribuir ao Senhor com radicalidade, pois Ele deu a Sua vida por mim. Nesta sociedade tão voltada para lucros fáceis, para o imediato, escutemos o convite do Mestre junto ao lago: “Faz-te ao largo!”
Tu, se és jovem como eu, não hesites, não temas, diz um Sim radical a Deus.