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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

JEAN-PAUL HYVERNAT, "Teria querido ser santo..."


Jean-Paul Hyvernat era um padre da diocese de Versailles, França.

Ordenado o dia 23 de Novembro de 1983, foi vítima de um acidental mortal durante uma escalada com jovens, nos Alpes, a 28 de Agosto de 1991 (faz hoje dezoito anos). Tinha então 34 anos. Regressava de Czestochowa, o famoso santuário mariano da Polónia, onde rezou e caminhou ao lado dos jovens que ele tanto amava e aos quais se dedicou plenamente.

Em 12 de Janeiro de 1986, tinha deixado escrito o seu testamento espiritual, quando tinha 29 anos. Neste Ano Sacerdotal, vale a pena ler esse texto. Nele percebe-se o significado do sacerdócio para este jovem padre e a grande paixão que nutri por Cristo. Sem esse amor, não é possível ouvir o apelo de Deus e segui-l’O:

“Peço perdão a todos quantos posso ter magoado ou escandalizado durante a minha terrena. Perdão a todos aqueles que terão visto na minha vida sacerdotal um contra-testemunho: o Sacerdócio é uma realidade tão bela que só podemos traí-la.

Teria querido ser um santo… Teria querido que todos fossem abrasados pelo Amor, teria querido ser um padre dado, comido, teria querido que todos fossem apaixonados por Cristo, quereria ter absolvido todos os pecados de todos os pecadores que encontrei, teria querido que Maria reine em todos para que todos sejam de Cristo, teria querido feito amar o Amor, teria querido que a Eucaristia fosse o centro da minha vida, teria querido… que um outro tomasse o meu lugar e subisse ao Altar e fosse um santo!

E rezai pelo pobre pecador que eu sou, eu que tanto traí o meu Deus, eu que não soube fazer penitência, eu que tanto preciso de Misericórdia.

Que os jovens, e entre eles os escuteiros e guias, sejam sedentos de Absoluto, de pureza, de transparência, de alegria e santidade.

Deus é Amor. A Igreja é bela, porque é sua: guiada por Maria, não me arrependo nada de quanto contemplei nela…

Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo. Louvor e Glória à Estrela da minha vida, Maria toda pura.

Jean-Paul Hyvernat, cristão, escuteiro, padre para a Eternidade.”




quarta-feira, 19 de agosto de 2009

RODERICK FLORES, quinze anos plenos


O 18 de Agosto de 1984 era um belo dia. Os escuteiros do Instituto Dom Bosco de Mandaluyong, nas Filipinas, aproveitam as férias da Assunção para passar três dias junto ao mar. Mas, de repente, a tragédia: duas crianças são arrastadas pela corrente marítima. Roderick (Erick, para os amigos) por ser dos mais velhos (tinha 15 anos) atira-se à água por duas vezes. Consegue salvar os dois rapazes mas, esgotado, é vencido por uma onda que o afasta da praia. O seu corpo será reencontrado somente no dia 25.

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Tal acto é qualificado de heróico, porém no seu funeral, muitos falam em santidade. Na homilia, o padre Panfilo, futuro bispo na Papua-Nova-Guiné, declara: “Honestamente, posso dizer que nos oito anos do meu reitorado, ninguém superou a generosidade e bondade de Roderick Flores.”

Ninguém o contradiz, pois o adolescente é estimado de todos.

Já criança, Roderick distingue-se pelo gosto da solidão: ama retirar-se para ler – a sua paixão – ou para pensar, como dizia. Partilha de bom grado tudo quanto tem com as outras crianças, nomeadamente as mais pobres. É um jovem do seu tempo, bem consigo próprio e com os outros. Prossegue os estudos em electrónica; admirado pelos colegas é frequentemente escolhido pelos colegas como seu representante. Aluno aplicado é, também, um desportista apaixonado por diversas modalidades, sendo um exímio nadador.

Se gosta de solidão, isso não o impede de ser muito social. Com os amigos realiza diversas caminhadas; comprometido no escutismo, faz igualmente parte de um grupo de jovens denominado 430 SLC, tal como o modelo de luxo da altura da Mercedes: querem estar sempre no topo em tudo. Isso corresponde plenamente ao seu anseio de excelência.

Como emana uma autoridade natural, uma palavra sua basta para restabelecer a ordem nos grupos de que faz parte, sejam escolares, lúdicos ou desportivos. Todos vêem nele um artesão de paz.

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Essas qualidades bastam para fazer um santo?

Na verdade, toda a existência de Roderick alimenta-se de uma vida sacramental intensa. Comunga diariamente e, com frequência aproxima-se do sacramento da reconciliação: “Quero aperfeiçoar-me entre cada confissão. Ser melhor que na anterior. A confissão não uma lavagem, uma limpeza da alma; é uma escada de perfeição”. Como o jovem santo Domingos Sávio, tinha adquirido uma maturidade espiritual. E como dizia Dom Bosco, o santo fundador da obra salesiana: “Dai-me um rapaz que se confesse e comungue regularmente e farei dele um santo.”

Rezar e agir. Para alem das diversas actividades já referidas, inscreve-se no clube de Acção social, juntamente com a sua amiga Marcisa Suclan. Juntos, visitam as pessoas idosas e os doentes.

Por isso, no dizer do Pe. Panfilo, “o acto heróico de se atirar à água para salvar os seus amigos foi apenas o ponto culminante de uma sucessão de inumeráveis gestos de altruísmo cumpridos quotidianamente. É um herói porque se impôs a disciplina de servir, amar, ser generoso.” E, como conclusão, disse o padre, que também era seu formador e confessor: “Viveu apenas 15 anos, mas viveu plenamente a sua vida. Não foi para Deus com as mãos vazias; aproximou-O com a pureza do seu coração, as mãos transbordantes de amor, a alma agradável ao Senhor. Deus amava-o porque era bom, porque era generoso e puro…”

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O túmulo de Roderick é visitado por numerosos fiéis que recorrem à sua intercessão. Um monumento em sua memória foi erguido no Instituto Dom Bosco.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

KARL LEISNER, o anjo de Dachau

Ao longo deste ano sacerdotal, o Voc Acção dará a conhecer (ou recordar) figuras de sacerdotes que se destacaram na fidelidade da sua missão a Cristo e à Igreja, no serviço dos irmãos e no testemunho da fé. Hoje relembramos Karl Leisner.

"Cristo, tu és minha paixão!"

São palavras escritas num diário de um jovem alemão chamado Karl Leiner, preso num campo de concentração nazi durante a Segunda Guerra Mundial.

É nesse mesmo campo que será ordenado sacerdote por um bispo francês, também ele preso.

Desde a sua juventude, Karl assumiu o testemunho da sua fé como uma missão. Estas suas palavras retratam bem toda a sua vida: “Senhor, com a tua Graça, aceito esta pesada tarefa. Guia-me para a tua Luz, Senhor, Deus todo-poderoso. Prometo-te solenemente, ser teu instrumento. A partir deste dia, toda a minha vida te pertence”.

Em 12 de Agosto de 1945, sela eternamente a sua Aliança de Amor com Deus, ao falecer extenuado. A última anotação no seu diário, "Abençoai, oh Senhor, também os meus inimigos!", diz bem o quanto encarnou o evangelho de Jesus.

Foi beatificado em 23 de Junho de 1996 pelo Papa João Paulo II no estádio Olímpico de Berlim, antigo palco da propaganda nazi. Na cerimónia de beatificação, o papa usou o báculo utilizado na ordenação de Karl e esculpido em madeira por um dos detidos.

Nele está gravada a seguinte inscrição “Victor in vinculis” (Vencedor nas correntes).

Para conheceres melhor a sua história, visita o nosso arquivo clicando abaixo:

http://sdpv.blogspot.com/2008/08/carl-leisner-um-anjo-em-dachau.html

terça-feira, 28 de julho de 2009

Stª ALPHONSA MUTTATHUPADATHU, o lótus púrpura da Índia


Alphonsa é a primeira santa canonizada da Índia. Anna Muttathupandathu, assim se chamava, nasceu na região de Kerala em 1910.

O seu nascimento ocorreu em circunstâncias dramáticas. Sua mãe, quase em final de gravidez, foi atacada por uma serpente. Tal acontecimento provocou o nascimento prematuro de Anna e o falecimento da progenitora. A órfã foi confiada a uma tia, que a educou severamente. Já adolescente, pretendem comprometê-la em casamento. Porém, Anna tem outras pretensões. Lendo a “História de uma alma” de Santa Teresa de Lisieux, decide imitá-la e consagrar-se a Deus: “Amava Deus mais intensamente, procurando evitar a mais pequena falta e rezando com fervor acrescido.”

A muito custo consegue demover a tia das suas intenções casamenteiras.

Vida religiosa

É, finalmente, admitida entre as clarissas iniciando o noviciado em Agosto de 1928, recebendo o nome do santo do dia, Afonso de Ligório: chamar-se-á Alphonsa da Imaculada Conceição.

Toda a sua vida religiosa vai ser marcada por diversas doenças que perturbarão a sua formação mas não impedirão um fulgurante crescimento espiritual.

Fisicamente diminuída, será desprezada por muitas das suas irmãs que a acusam de simular as suas enfermidades; outras criticam a sua piedade simples, suspeitando-a de querer agradar as suas superioras. Caluniam-na perante as outras pessoas. A jovem irmã cala-se mas reconhece quanto lhe custou assumir o preceito do amor aos inimigos: “Era-me difícil, no início, amar aquelas que me causavam males, desejando não voltar a vê-las. Mas graças à oração e a um esforço constante, tornou-se fácil.”

Teologia da cruz

É no auge dos seus sofrimentos que a sua comunidade religiosa descobre toda a riqueza da sua espiritualidade através da universalidade da sua oração, a sua humildade e o seu total abandono a Deus: “Se sou humilhada e desprezada, refugio-me no Coração de meu bom Mestre e dou graças a Deus… Ó meu Senhor, esconde-me na chaga do teu Sagrado Coração!”

Alphonsa não vive no dolorismo, mas percebe o significado do seu sofrimento: “Ofereço-me como uma humilde hóstia pela salvação do mundo que corre para a sua ruína e pelos padres, religiosos e religiosas poucos fervorosos…”

Em Julho de 1945, sobrevém a última doença, tão aflitiva que nem as enfermeiras suportam ficar ao seu lado, nem os médicos conseguem explicar. Até porque parece assumir as doenças dos outros, como aconteceu com o seu bispo, atingido pela malária. No mesmo instante em que este ficou misteriosamente curado, Alphonsa ficou a arder em febre. A cruz é para ela um meio de se unir cada vez mais ao seu Salvador. Vendo-a tão sorridente, atenta aos outros, ninguém imagina a agonia interior que suporta: “Só o meu Senhor Jesus conhece a intensidade e a diversidade dos meus sofrimentos (…) Compreendo agora que, no plano de Deus, a minha vida deve ser uma oblação, um sacrifício de sofrimentos, senão teria morrido há muito…”

O dia 28 de Julho de 1946, com 35 anos, a Irmã Alphonsa falece. Imediatamente, os fiéis acorrem em massa e recolhem-se junto ao seu túmulo. Não apenas cristãos, mas também muçulmanos e hindus… Numerosas graças e milagres lhes são atribuídos. Referem-se a ela com o nome “Lótus púrpura da Índia”, flor que simboliza a emancipação na oferenda.

No passado dia 12 de Outubro de 2008, foi canonizada por Bento XVI. Dela, afirmou João Paulo II: “Ela soube encontrar a sua felicidade nas coisas simples e quotidianas (…) Não cessou de dar graças a Deus pela alegria e o privilégio da sua vocação religiosa… Ela amou o sofrimento porque amou Cristo sofredor e a Cruz através do seu amor por Cristo crucificado.”

domingo, 19 de julho de 2009

ANICKA ZELIKOVA, viver e morrer de amor


Anicka, nascida nesta data de 19 de Julho no ano 1924 na Morávia (região oriental da actual República Checa), é a filha mais velha de um casal de modestos camponeses. A família é solidamente católica, fiel à oração e à prática religiosa.

Anicka, como criança, é sorridente, teimosa e ciumenta da afeição dos pais. Nada de muita santidade nesses primeiros anos. Os estudos realizam-se no convento próximo, da Irmãs da Santa Cruz. Aí, sob a orientação da Ir. Ludmilla, o carácter de Anicka suaviza-se. A jovem gosta do estudo, do desenho, do canto; a instrução religiosa abre-lhe novos horizontes que a maravilham. Ao saber que, na eucaristia, Jesus se torna realmente presente, Anicka só aspira a fazer a primeira comunhão. Esta marcará a sua vida de uma forma decisiva.

Durante um retiro, escreve: “Eu começava lentamente a compreender que há uma outra vida para além daquela que vemos à nossa volta. Uma vida que é grande, pura e santa. Até aqui, eu amava Jesus, mas agora cresce o meu desejo de fazer algo, de me sacrificar por Ele.”

Pela leitura de “História de uma alma” de Stª Teresa de Lisieux, Anicka descobre o Carmelo.

O seu comportamento transforma-se; com esforço, torna-se terna e paciente; solidariza-se com as companheiras com maiores dificuldades, encorajando e ajudando-as. Acima de tudo, é uma alegria interior que a ilumina e transparece nas suas atitudes. Todos desejam a sua amizade, revelando uma maturidade invulgar para a sua idade.

No dia 11 de Julho de 1937, assiste à missa solene de um jovem sacerdote da paróquia, o padre Joseph Zavidel. A celebração sensibiliza-a profundamente. Toma a decisão de rezar diariamente pelos sacerdotes e, à semelhança de Santa Teresa de Lisieux, oferece-se a Cristo especialmente por eles.


Tempo de ofercer…

Chega a provação da doença. Primeiro, uma tosse insistente e, depois, o diagnóstico final: tuberculose fulminante. O médico dá-lhe 3 meses de vida.

Porém, contra toda a esperança, a sua saúde melhora.

Isso permite-lhe prosseguir os estudos e de ajudar os pais na lavoura. De tal maneira se aplica em tudo que ninguém desconfia o quanto continua a sofrer fisicamente.

Mas no início de 1939, as hemoptises multiplicam-se de forma alarmante. Acabaram-se a escola, a eucaristia quotidiana, os gestos de caridade e sacrifícios por amor a Deus. “Agora só posso revelar uma manifestação do meu amor: querer somente o que Ele quer!”

A oração e a fé tornam-se mais áridas, tal como o experimentaram alguns grandes místicos. Contudo, Anicka ultrapassa tudo com convicção: “Uma paz muito grande e pura enche o fundo do meu coração.”

Na última fase da sua curta vida, reza medita e, sobretudo, escreve. É um autêntico apostolado epistolar: cada uma das usas cartas são preciosidades espirituais que consolam, exortam, pacificam, traduzindo o seu profundo amor por Deus e seus irmãos.


A 7 de Fevereiro de 1941, recebe o Escapulário do Carmelo e a consolação de pronunciar os seus votos na Terceira Ordem Carmelita, com a dispensa de idade, pois ainda não tem dezoito anos.

A agonia continua. Mas o amor é mais forte: “Tudo quanto posso dar a Deus, agora, são os batimentos do meu coração e o meu sorriso. Somente me restam o amor e a confiança.”


Na manhã de 11 de Setembro de 1941, dia da sua morte, murmura: “Como é belo… não trocaria o meu lugar com ninguém… O meu coração bate… para Jesus… amo-O tanto!... Tenho confiança.”

Nem o regime comunista que assolou o território conseguiu atenuar a reputação desta jovem cuja fama de santidade ultrapassou as fronteiras. Assim, em 1991, a causa da sua beatificação foi introduzida.

sábado, 6 de junho de 2009

SÃOZINHA, uma vida doada pelo pai


Maria Conceição Frões Gil Ferrão de Pimentel Teixeira, de seu nome completo, nasce no dia 1 de Fevereiro de 1923, em Coimbra, onde o seu pai finaliza os estudos em medicina. Findo o curso, o pai estabelece-se em Abrigada, próximo de Lisboa. Poderia ter escolhido melhor, diz-se, mas preferiu optar por estar o mais próximo possível dos seus pacientes, fugindo ao anonimato das grandes cidades. A família não passa mal, pois são descendentes da velha aristocracia, tendo inclusive como antepassado o novo santo português, Nuno de Álvares Pereira.
O pai é idealista e generoso, a mãe é terna e piedosa, um lar perfeito para a jovem Maria Conceição - Sãozinha como passa a ser chamada.
Na escola, ela revela-se precoce e excelente, não apenas nos estudos como também na dedicação e ajuda discreta que dispensa às suas companheiras.
Da sua mãe, recebe a devoção especial a Santa Teresa do Menino Jesus (Santa Teresinha) que acabara de ser canonizada em 1925.
De 1935 a 37, Maria Conceição, completa a sua formação no colégio das Doroteias, em Lisboa. De uma piedade rara, comunga diariamente ao mesmo tempo que se investe na catequese e na visita aos doentes e moribundos.

A vida como missão
Sãozinha multiplica orações e sacrifícios sobretudo depois de descobrir que o seu pai não vive nem pratica a sua fé. As desculpas da falta de tempo ou influências da mentalidade positivista da faculdade de Coimbra não a satisfazem. Escreve a uma amiga: “Se Deus me enviasse uma grande provação, fosse até o dom da minha própria vida, pela conversão de meu querido pai, eu a acolheria sem hesitar”.
A jovem esconde a sua tristeza atrás da alegria que irradia para todos. O pai, por sua vez, considera um capricho da filha as suas tentavas de reconduzi-lo à fé. Ama-o, no entanto profundamente.
Abril 1940. Maria Conceição é atingida pela febre tifóide. Hospitalizada em Lisboa tudo se tenta para salvá-la. Ela, sabe que Deus escutou a sua prece. Durante dois meses, luta contra a doença, oferecendo a Deus todo o sofrimento pela conversão do pai.
Falece serenamente o dia 6 de Junho de 1940, com apenas dezassete anos.
O pai converte-se, finalmente. Um mês após a morte da filha, confessa-se. Depois, regressa à prática sacramental frequente. Até à sua morte, trinta anos mais tarde, edificará toda a gente com a sua piedade, zelo apostólico e humildes tarefas que desempenhará com todo o coração no santuário de Fátima ao serviço dos doentes e onde participará todos os anos nos retiros dos médicos católicos.

O povo, esse, não se fará rogado na hora de considerar a santidade da jovem Maria Conceição, que todos tratam por Sãozinha. Em 1949, independentemente da influência da família, será erecta uma capela para acolher a sepultura da “Florzinha” de Abrigada, cuja causa de beatificação foi introduzida em 1990.

sábado, 30 de maio de 2009

MARIE CELINE de la PRÉSENTATION, com Cristo como rocha


Tempestades não faltaram durante a existência de Maria Celina. Confrontada com a situação de pobreza da sua família, é forçada a deixar a sua aldeia natal e tudo quanto amava, desembarcando na grande cidade de Bordéus sem quaisquer referências; depois, é o falecimento da sua mãe que a obriga a deixar o colégio para se dedicar aos seus irmãos, seguindo-se a morte de alguns deles, para finalmente ficar sozinha após a adopção das usas pequenas irmãs. Não esqueçamos, igualmente, as provações físicas da doença que sofreu e suportou corajosamente. Aparentemente frágil, nada a derrubou. Tal como ela dizia, “encontrei o meu centro”. Em vez de se deixar abater ou fechar-se no seu próprio sofrimento, soube procurar e escolher Jesus como sua rocha.

Caminho de santidade
Nascida em 1878, em França, sob o nome Jeanne-Germaine Castang, esta jovem será apelidada pela sua irmã Lucie como “o anjo consolador da família”. Pôr-se ao serviço dos outros parece ter sido o seu lema de vida.
Desde cedo revela uma piedade fora do comum para a sua idade. Já em Bordéus, ingressa no convento das Clarissas no dia 12 de Junho de 1896. Em apenas poucos meses de vida religiosa atinge uma perfeição de santidade que outras só alcançam em vários anos. Piedade, humildade, paciência e caridade são as suas principais qualidades.
A tuberculose já mina a sua frágil saúde, mas Maria Celina da Apresentação, nome religioso que assumiu, esforça-se por escondê-la para não entristecer nem dar trabalhos dobrados a quem a rodeia. Nem uma lágrima, nem um gemido na hora dos tratamentos dolorosos. A força e a coragem necessárias para essa luta colhia-as da eucaristia que vivia com um profundo recolhimento. A comunhão transfigurava o seu rosto, no dizer das suas irmãs religiosas. Na verdade, “só vivia para Deus, aspirando continuamente a Ele”.

Pronuncia os seus votos religiosos dois meses antes de falecer: “Desejo somente o Céu, pois estou pronta, mais vale que parta o mais cedo possível. O Céu! O Céu, tanto me tarda de lá chegar!” É nessa que se manifestam alguns fenómenos espantosos. Um dia em que se julgava ter chegado a sua morte, o seu rosto transfigurou-se e espalhou-se por toda a infirmaria um intenso odor a rosas quando, afinal, não existia nenhuma flor no local. Tal se repetiu quando morre com apenas 19 anos, no dia 30 de Maio de 1897. A sua cela e diversos objectos continuaram a emanar perfume muito tempo após o seu desaparecimento.

Escolhendo o caminho da caridade, Celina realizou-se plenamente, tornando-se para nós como que um profeta, uma testemunha actual que comprova que o amor simples e humilde para com os outros e para com Deus é caminho de santidade segundo o desejo de Deus.
No dia da sua beatificação, no passado ano, o Cardeal Ricard, bispo de Bordéus, dizia dela: “É a sua vida quotidiana que foi o lugar de resposta a Deus". Outro bispo referiu que ela testemunhou “ a alegria do coração daqueles que buscam Deus”.


Por fim, Maria Celina comprova as palavras que Bento XVI pronunciou em Setembro de 2007 diante de milhares jovens, reunidos em Loreto: “Estai certos que uma vida consagrada a Deus nunca é inútil”.

sábado, 23 de maio de 2009

EMIL JOSEPH KAPAUN, padre e herói de guerra amando…


É ao seu pároco que Emil Joseph Kapaun deve a oportunidade de ter sido ordenado padre, tal como sempre desejara. Os seus pais, modestos camponeses de origem checa estabelecidos no Kansas - Estados Unidos, não tinham meios para financiar os seus estudos. Todavia, o jovem Emil recebeu deles uma fé profunda.
Ainda criança, Emil “brincava” à missa, imitando o Pe. Sklenar. Este, não duvidando da vocação do jovem rapaz, compromete-se junto dos pais em subsidiar-lhe os estudos. O adolescente, de forte carácter, generoso e atento aos outros, alcança a admiração unânime de todos, professores e companheiros, não apenas pelos seus excelentes resultados como também pela sua rectidão, exemplaridade e alegria espontânea. O Pe. Sklenar convence o bispo a acolhê-lo no Seminário de Teologia.
Emil é ordenado sacerdote em Junho de 1940, com 24 anos. Nomeado vigário do seu próprio pároco, recebe também a capelania militar da base aérea de Herington. Em 1944, o Pe. Kapaun é transferido para outra base militar onde assiste 19 mil soldados, homens e mulheres, numa altura particularmente delicada: os Estados Unidos estão na fase mais probante da guerra.

Em guerra
Em Abril de 1945, o Pe.Kapaun é enviado para a frente de combate no pacífico, onde as tropas americanas enfrentam os últimos confrontos contra o Japão. De jeep ou de avião, percorre mais de dois mil quilómetros sob tiro inimigo para assegurar a celebração da eucaristia junto dos soldados mobilizados nas diversas frentes. Tem, no entanto, a alegria de contactar os missionários presentes naquela região, admirando a sua abnegação e fé. Junto deles aprofunda a sua intimidade com Deus. Kapaun decide ajudá-los no serviço aos pobres, partilhando com eles o seu soldo, e associando os seus homens na construção de uma igreja e de uma escola.
Desmobilizado em Maio de 1946, regressa ao Kansas. Após uma breve estadia na universidade católica de Washington para formação de ensino é, novamente, chamado pelo exército. A situação na Ásia tornou-se instável. Assim, em 1950, Kapaun é afectado à 1ª divisão do 8º regimento de cavalaria estacionada na Coreia do Sul para resistir à ameaça do vizinho do norte. Durante cinco meses encontra-se em plena frente de combate, distinguindo-se pela sua bravura e incansável apoio aos seus homens. Consola e reconforta os feridos, assiste os moribundos. A todos leva a eucaristia, a reconciliação e, por vezes, o baptismo. Desprezando o perigo, arrisca frequentemente a vida para resgatar soldados imobilizados pelas feridas. A sua heróica coragem permite-lhe ser condecorado com a Estrela de bronze.
Mas em Novembro, ao tentar salvar o sargento Miller é preso pelo inimigo. Os prisioneiros são então obrigados a caminhar até ao campo de Pyotkong, em plena Coreia do Norte. Este será o seu último campo de apostolado.

“Irmão Dimas”
Pyotkong reúne mais de 4 mil prisioneiros de guerra, vivendo em condições deploráveis: subalimentados, despojados de tudo, sujeitos às humilhações dos seus algozes, os homens perdem todas as referências humanas e morais.
No meio deste inferno, Emil Kapaun assume como prioridade devolver alguma dignidade aos seus companheiros de infortúnio. Começa por partilhar parte da sua magra ração com os mais fracos. Não hesita em passar por baixo da vedação de arame farpado para roubar algumas batatas nos campos vizinhos ou sacos de arroz. Primeiro surpresos e impressionados pela sua coragem, os prisioneiros passam a admirar o seu colega sacerdote. Chamam-no de “Irmão Dimas”, nome dado ao bom ladrão crucificado com Jesus. Em algumas semanas, consegue resolver o problema da alimentação. Passa a lavar a sua própria roupa incentivando os companheiros a fazer o mesmo, cuidando da sua aparência e dignidade. O Pe. Kapaun torna-se depressa muito popular. Era o seu herói e muitos soldados, pelo seu exemplo tornaram-se bons católicos.
Mas Kapaun não esquece que é padre. No início da detenção reunia alguns crentes, rezando e cantando com eles. Confessa os que o desejam. Depois, junto a um crucifixo que ele esculpiu, celebra umas discretas paraliturgias (contra a proibição decretada), rezando o rosário ou a Via Sacra. Pouco a pouco, a vida espiritual renasce no campo. As rixas rareiam. Todos os respeitam por terem a sensação de estar perante um homem excepcional. Ninguém, porém suspeita que Emil se encontra exausto, permanecendo de pé a grande custo. A marcha forçada até ao campo e as noites sem dormir minaram irremediavelmente a sua saúde.
Na Páscoa de 1951, o Pe. Kapaun organiza uma liturgia festiva num canto discreto do campo. Todos ficam perturbados com o seu esforço e coragem. No domingo seguinte já não consegue falar, arrasta-se… e cai desfalecido. Morre serenamente no dia 23 de Maio de 1951, com 35 anos de idade. O seu organismo desfeito sucumbiu a uma pneumonia.

Após a guerra, um dos companheiros rendeu-lhe a seguinte homenagem: “Em certo sentido, todos somos beneficiário da vida do padre Kapaun. Ele deixou-nos um perturbador exemplo de dedicação, conforme ao nosso dever. Transmitiu-nos um espírito de tolerância e compreensão. Partilhou connosco a sua intrépida bravura, mistura de coragem física e grandeza de alma… Mostrou-nos que o maior inimigo da nossa pátria é a indiferença para com Deus e a nossa impiedade…”
Numerosos testemunhos atestarão a sua profunda humildade, a sua oração contínua e a sua abnegação. Em 2001, na sua cidade natal, um monumento foi erigido em sua honra, um dos mais heróicos e condecorados capelães militares americanos. A causa da sua beatificação foi introduzida recentemente.

terça-feira, 19 de maio de 2009

GIUSEPPINA SURIANO, vocação contrariada mas não vencida


Giuseppina Suriano nasceu em 1915, em Itália, no seio de uma família modesta.
Atenta, entusiasta, Pina (diminutivo pelo qual era conhecida) conquistava todos pela sua bondade e alegria. Porém, desde cedo, só tem uma ideia na cabeça: agradar a Jesus. Para isso, todos os meios eram bons: ajudar a mãe, ocupar-se dos irmãozinhos, ser prestável com as companheiras de escola, obediente com as religiosas do seu colégio, ser amável com as raparigas mais pobres que ela… e rezar. Ela adora rezar e fazer rezar. É como se fizesse parte dela.
Com apenas dez anos, Pina ingressa no grupo da Acção Católica da sua paróquia. Orientada pela dirigente do grupo, Maria Addamo, a jovem adolescente vai progredir na oração e na meditação. Juntamente com outras jovens, vão fundar um projecto de Instituto secular, consagrado ao Sagrado Coração de Jesus, cujos membros se comprometerão a propagar a mensagem do Evangelho no seu quotidiano segundo a sua condição de vida. É o Cenáculo.
Fortalecida pela oração, Pina segue o programa do grupo visitando os pobres, os idosos e auxiliam na catequese e diversos serviços paroquiais. “Quantos mais dias passam, mais me sinto unida ao meu Jesus e à Companhia do seu Sagrado Coração. Sinto arder em mim, cada vez mais intensamente, a chama do amor e do apostolado”.
A leitura de “História de uma alma”, de Santa Teresa do Menino Jesus, entusiasma-a no amor no coração da Igreja: “Ressinto uma necessidade extrema de perfeição… Mas como estou longe, e como sofro por me sentir a última de todas! Sofro e este sofrimento é um suplício de amor, pois quereria amar loucamente Jesus e sentir em mim todos os batimentos do seu coração, abandonando-me totalmente a Ele…” Aos quinze anos, esta adolescente está apaixonado pelo Absoluto.

Vocação contrariada
Os pais de Pina, no início consolados de a verem caminhar rectamente, começam a preocupar-se com a seriedade do seu empenhamento. Sendo filha única, para eles está fora de questão qualquer possibilidade de vida religiosa para a filha.
No entanto, a 29 de Abril de 1932 durante um retiro promovido pelo Cenáculo, Pina consagra-se, de forma privada, a Deus. Só o pároco está ao corrente. Aos 17 anos, a jovem opta por viver a virgindade e total abandono à vontade de Deus: “Jesus ama-me, tenho a certeza. Também eu O amo, acima de tudo, e o meu maior prazer será fazer em tudo a sua vontade e alegrando-me com o que Deus quiser.
Todavia, os pais de Pina opõem-se a essa escolha. Proíbem-na de participar nas reuniões da Acção Católica e de todas as actividades da paróquia, com a desculpa que precisam dela. Sempre obediente, Pina acata.
Simultaneamente, os rapazes vão aparecendo, seduzidos pela sua beleza física e interior. Vários deles testemunharão, posteriormente, o quanto o exemplo de fé e integridade da jovem rapariga exerceu neles uma sã influência e motivação para, também eles, se aperfeiçoarem na vida cristã e espiritual. Todos perceberam que não eram dignos dela, afastando-se e, por vezes mesmo, recriminando a atitude dos pais .
Mas Pina, apesar de sofrer interiormente com a incompreensão dos pais, perdoa-os.

Vida apostólica
Finalmente, a vigilância dos pais cede um pouco. Ao participar noutro retiro, Pina aceita do desafio de colaborar numa nova paróquia criada na sua povoação.
Durante doze anos, a jovem vai dedicar-se inteiramente a essa nova missão. Torna-se a alma da nova comunidade, encaminhando, reconfortando, exortando e encorajando. A todos se revelou a força da sua vida interior.
Porém, intimamente, Pina sonhava com uma vida diferente: desejava ter-se consagrado a Deus. A resistência dos pais e a sua condição económica não o permitiram. No dia 30 de Março de 1948, faz um acto de oferta de si mesma a Deus, em favor dos sacerdotes: “O objecto constante dos meus esforços será a santificação dos sacerdotes (…), de modo especial por aqueles que caíram e aqueles que se encontram em perigo (…) para que sejam santos e santifiquem o Teu povo…”
Assim viverá Pina os últimos dois anos da sua vida até falecer na manhã do dia 19 de Maio de 1950, com 35 anos, com um ataque cardíaco, levando os habitantes de Partinico a considerar terem perdido a “sua santa”.
Giuseppina Suriano foi beatificada a 5 de Setembro de 2004, sendo uma das figuras mais luminosas da Acção Católica Italiana.

terça-feira, 12 de maio de 2009

TERESA de JESUS FERNANDEZ SOLAR, a santa com coração de fogo


Teresa dos Andes, tal como ficou conhecida, é a primeira santa que viveu no século XX a ser canonizada. Nascida em 1900, morre antes de completar os 20 anos, com apenas onze meses de vida religiosa.
Por ocasião da sua canonização, a 21 de Março de 1993, João Paulo II declarou: “A uma sociedade secularizada que vive de costas voltadas para Deus, apresento com viva alegria como modelo de eterna juventude da Igreja esta carmelita chilena. Ela dá-nos o testemunho límpido de uma existência que proclama aos homens e às mulheres de hoje que é no amor, na adoração e serviço a Deus que reside a grandeza e a alegria, a liberdade e plena realização da criatura humana.”

Um amor chamado Jesus
Juana Fernandez Solar, assim era o seu nome de baptismo, nasce no dia 13 de Julho de 1900 em Santiago do Chile, no seio de uma família de tradição católica, uma das mais ricas do país, tendo beneficiado de uma infância privilegiada. Tímida e engraçada, é acarinhada por todos. Mas os mimos estragam e torna-se caprichosa. Preguiçosa, rebelde e de carácter orgulhoso, custa-lhe obedecer. Mas nem tudo são defeitos: esforça-se por melhorar o seu feitio enquanto a sua sensibilidade e generosidade aproximam-na dos pobres.
Partilha com os seus irmãos os tempos livres mas não se coíbe de apreciar e procurar a solidão e o silêncio. Na verdade, Juana, após cada comunhão, entretém-se longamente com Jesus, que ela descobre presente no seu íntimo, ao ponto de exasperar os familiares que aguardam por ela. Mas é com Ele que ela se sente bem. Jesus responde às suas questões, guia-a, ilumina-a. De tudo isso, ela tem a certeza. Jesus é o seu noivo, muito rico e muito belo, pois Ele é o Senhor do universo. Passa horas junto ao sacrário, em oração. É o seu primeiro e único amor da sua vida. Jesus fá-la perceber que a quer como carmelita.
Juana cresce. Jovem adolescente, a sua formosura e posição social atrai a atenção de muitos jovens pretendentes. Mas ela apenas se preocupa em assistir os mais necessitados e amparar os da sua casa. É que a sua família, por má gestão, arruína-se. Os pais separam-se, o irmão mais velho, Lucho, seduzido pela modernidade afasta-se de Deus enquanto outro irmão, Miguel, poeta dotado, cai na dependência do álcool. A todos, Juana tenta ajudar, aconselhando uns e procurando curar os ressentimentos de outros. É um ano difícil, gasto em favor dos outros, separada da sua amiga e confidente Rebeca, é na oração que ela encontra força. Confrontada às diversas solicitações que o mundo propõe, abandona-se à vontade de Deus. Já nada a pode separar de Deus. É hora de se consagrar definitivamente a Ele, no carmelo.
Tendo obtido o consentimento do seu pai, transpõe a porta do pequeno convento “Los Andes” no dia 7 de Maio de 1919. Tem dezanove anos.

Uma vida doada
A separação da família foi, naturalmente, difícil para Juana e os seus. Porém, a nova postulante – agora chamada Teresa de Jesus – não olha para trás. Está à escuta daquilo que Deus espera dela, numa oferta incondicional pela salvação da humanidade.
“Por eles totalmente me entrego, para que também eles fiquem a ser teus inteiramente, por meio da Verdade” (Jo 17, 19). Teresa faz suas estas palavras de Jesus. Nunca, como agora, ela se sentiu tão próxima da sua família, dos seus amigos, de todos. Torna-se a sua advogada junto de Deus, colhendo os frutos da sua doação: a mãe serena, perdoando ao marido, associando-se à Ordem Terceitra Carmelita; Lucho recupera a paz e Rebeca far-se-á, também ela, carmelita.
Teresa é uma autêntica torrente de fogo, impetuosidade e fervor no amor que tem por Deus. As religiosas apercebem-se que a jovem caminha a passos largos, adaptando-se à vida da comunidade, aos trabalhos e costumes da Ordem, aceitando tudo com alegria e serenidade, por amor a Jesus: Procuro renunciar a tudo para possuir Aquele que é Tudo”.
A sua solicitude por todos não conhece limites, não fazendo acepção de pessoas, nem olhando a sacrifícios: Sobre a Cruz está o amor, e amando somos felizes.”

Na Sexta feira Santa de 1920, Teresa consume-se em febre. Os médicos não dão qualquer esperança. Adormece amorosamente em Deus no dia 12 de Abril do mesmo ano.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

GUY DE LARIGAUDIE, o aventureiro de Deus


Guilherme Boulle de Larigaudie, conhecido por Guy, nasceu em Paris no dia 18 de Janeiro de 1908, tendo falecido no campo de batalha durante os confrontos da Segunda Guerra Mundial, a 11 de Maio de 1940, com 32 anos.
Dele podemos dizer que foi escuteiro, escritor, explorador aventureiro e jornalista.
Profundamente amante da vida e da natureza, bem cedo procurou um sentido para a sua vida, questionando-se sobre a sua vocação. Missionário? Entrou no seminário, mas a falta dos “grandes espaços” obrigou-o a sair e recompor a sua saúde frágil na montanha. O escutismo e o contacto com a natureza farão dele um homem novo. Já como jornalista, começa a viajar pelo mundo, publicando reportagens e romances. É um apaixonado pela escrita. Tudo é, para ele, motivo de encanto, admiração e, sobretudo, de contemplação. Esta confiança maravilhada encontra a sua fonte na confiança em Deus. O que ele vê, ouve e vive contribui a, no seu dizer, “fazer da sua vida uma conversação com Deus”: “É terrível ter tantos sonhos na cabeça e sentir, em suma, nas suas mãos a capacidade de os realizar e, ao mesmo tempo, ter o desejo de me apagar, de doar-me a Deus, o que não consigo precisar mas que, pelo menos, sei que Ele me guarda na existência que levo… Que a vontade de Deus se realize em mim e que Ele me dê a luz!”

Deus por companheiro
Na verdade, não podemos evocar a vida de Guy de Larigaudie sem falar da sua relação com Deus em todas as circunstâncias da sua vida. A sua correspondência assim o testemunha, tal como esta carta escrita a uma amiga, em Dezembro de 1938: “Creio que Deus me conduz pela mão pelos caminhos que são os seus e que me levarão para onde Ele quer. Somente duas coisas contam: amar Deus do fundo do coração, com um amor de criança, um amor infantil e total e procurar apenas a sua vontade e nada mais. Com isto, Deus não espera; conduz.”
Porém, a sua vida não é apenas feita de encantos. Existe também luta. Na sua reflexão e busca vocacional, conciliar vontade de Deus e impulso humano nem sempre é fácil, nomeadamente na questão da castidade: “Parece-me difícil passar toda uma vida sem ter perto de si a ternura de uma presença feminina. Só o conseguiremos procurando substituir a necessidade de amor humano por um profundo amor de Deus, fazendo verdadeiramente de Deus o companheiro de cada hora.”
“A castidade é um desafio impossível e ridículo se apenas tiver como argumento preceitos negativos. Torna-se possível, bela e enriquecedora se ela se apoiar numa base positiva: o amor de Deus, vivo, total, único capaz de contentar a imensa necessidade de amor que enche o nosso coração humano.”


Herança espiritual
Muito mais que a sua obra romanesca e jornalística, é essencialmente a mensagem espiritual que Guy deixou aos seus contemporâneos e às gerações seguintes que marca, como podemos ver através de algumas citações: “Sempre tive, no fundo de mim mesmo, saudades do céu, mais ainda agora que conheço melhor a beleza do mundo. O Céu será o cúmulo de toda essa beleza, a vida para aí nos conduz através de um caminho cujo cumprimento ignoramos, mas para quê entristecer-me de antemão sobre esta estrada se a luz se encontra no seu fim?”
“Toda a minha vida foi uma busca de Deus. Em todo o lugar e a toda a hora, procurei o seu rasto ou a sua presença.”
“Tudo se vive na plenitude do amor de Deus. Pouco importa que sejamos monge ou casado, aventureiro ou pasteleiro, só o amor de Deus conta!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

MIRIAM TERESA DEMJANOVICH, o testemunho vivido no silêncio


Teresa nasce a 26 de Março de 1901 em New Jersey, nos Estados Unidos da América. Filha de pais emigrantes eslovacos, chegados 7 anos antes, a família enfrenta grandes dificuldades económicas. Católicos de rito bizantino, são ostracizados pela maioria católica romana irlandesa que controla a vida social, cristã e educativa. Nacionalismos, racismo e preconceitos gangrenam a cristandade americana e Teresa Demjanovich comprová-lo-á toda a sua vida.
Inteligente e apaixonada pela leitura e desporto, Teresa vive a sua escolaridade constantemente humilhada pelas suas companheiras, contando apenas com a amizade de raparigas oriundas de outras minorias étnicas, italiana, alemã ou polaca. Teresa, apesar do seu carácter impetuoso, decidido, voluntário e independente, não responde às provocações. Quem a conhece aprecia a sua prontidão em servir, a sua discrição, boa disposição e humor.
Como contraponto ao ambiente pesado da escola, Teresa felizmente conta com o apoio e amizade do seu irmão Carlos com quem partilha uma cumplicidade espiritual. Carlos decide ser sacerdote, Teresa sonha com o Carmelo. Mas ela tem de permanecer em casa e amparar a mãe até à morte desta, em 1918. Posteriormente, o pai opõe-se à sua vocação carmelita.
Teresa vê-se obrigada a optar por outra via, a do ensino respondendo a uma proposta formulada pelas Irmãs da Caridade. Mas esta experiência não deixa grandes recordações. O seu método de ensino é demasiado inovador, opondo-se ao regime de uniformidade aplicado em detrimento do acompanhamento personalizado defendido por ela: “Afirmai a vossa individualidade. Não procurai imitar os outros. Sede verdadeiramente vós mesmas.”

Uma vocação atribulada mas perseverante
A 11 de Fevereiro de 1925, depois da morte do pai, Teresa entra como postulante para as Irmãs da Caridade, oferecendo a Deus o sacrifício do seu sonho carmelita. De imediato, ganha a hostilidade da sua mestra de noviças que não compreende a sua “veia” mística. Nessa época, as congregações religiosas na América não entendiam a necessidade de conciliar acção e contemplação. O próprio capelão, padre Bradley, amigo e conselheiro de Teresa, luta em vão contra essa estreiteza de espírito.
Apesar das incompreensões e vexações que sofre, Teresa, agora Irmã Miriam Teresa, revela-se uma noviça exemplar, humilde, discreta. Adapta-se a tudo, apoiada pelo seu director espiritual e pela convicção que Deus a quer naquele lugar. Enriquecida espiritualmente por Deus, é ela que prepara e escreve as reflexões e retiros pregados pelo padre Bradley à comunidade, a pedido do próprio. Só após a morte da jovem religiosa se saberá desta verdade, pois é considerada por todas como insignificante. Miriam Teresa aceita o anonimato e o desprezo das suas irmãs como uma missão: “Nosso Senhor pediu-me para sacrificar a minha vida pela conversão da comunidade.”
A vida da Ir. Miriam Teresa prova-nos que a união da alma a Deus na contemplação é a fonte de todo o apostolado autêntico, que a oração não está reservada a pessoas de elite mas é uma necessidade de todo o cristão na fidelidade ao seu baptismo.

No final de 1926, Miriam Teresa é hospitalizada, esgotada e com diversas complicações de saúde. Durante seis meses, sofre em silêncio, confortada pelas visitas do seu irmão Carlos, já sacerdote e pelo Pe. Bradley. Falece no dia 8 de Maio de 1927, com 26 anos e apenas 2 de vida religiosa. A causa de beatificação foi introduzida em 1980.

terça-feira, 28 de abril de 2009

CESARE BISOGNIN, o mais jovem padre do mundo


Sexta feira 9 de Abril de 1976, milhares de italianos aguardam diante da televisão um acontecimento invulgar: a primeira - e última – homilia do mais jovem sacerdote do mundo, gravada dois dias antes. Cesare Bisognin, ordenado há poucos dias, tem 19 anos apenas. Está a morrer e a emissão foi gravada no seu quarto de hospital.
“Tive de deixar o seminário, mas o desejo de ser padre nunca me abandonou… O primeiro acto do meu ministério sacerdotal foi dar a eucaristia aos meus pais, agradecendo-os por me terem dado a vida…
Aceitei esta entrevista talvez porque o meu dever – o dever de todo o sacerdote – consiste em dar coragem, em amparar a esperança… Quando soube que estava doente, tive um momento de desânimo, mas recompus-me pensando nos outros e em Cristo… E a minha primeira reacção foi a esperança: esperança e confiança… Não nos podemos deixar abater… A esperança consiste em abandonar-me a Deus, mas não de uma forma egoísta pedindo-Lhe a cura, mas para ser de todos. O padre é um homem totalmente dado aos outros porque totalmente dado a Deus…”

Este rosto tão jovem e já no termo da vida, mas sobretudo as suas palavras comovem e interpelam a todos. Chegam numerosas cartas de encorajamento, com promessas de oração mas, essencialmente, de testemunhos incríveis de doentes, pessoas sofredoras, abandonadas a agradecerem a coragem e confiança que recuperaram através do jovem sacerdote e das suas palavras reconfortantes, pacificadoras. Uma das missivas mais comovente era enviada da penitenciária de Turim, cujos detidos convidavam Cesare a celebrar uma eucaristia com eles, ficando a cargo deles todas as despesas inerentes ao transporte e equipamento médicos. A saúde não lhe permitindo tal iniciativa, o jovem padre gravar-lhes-á uma mensagem agradecida e de encorajamento.

Na manhã de 28 de Abril cai a notícia: o jovem Cesare partiu para o Pai. Foi sacerdote por uns escassos 24 dias. Mais de 5 mil pessoas assistirão ao seu funeral depois de 25 mil terem prestado homenagem aos seus restos mortais durante dois dias.

O Card. Pellegrino, arcebispo de Turim questionou-se bastante acerca da oportunidade da ordenação do seu jovem seminarista cujos estudos de teologia foram interrompidos por um cancro dos ossos. A mobilização dos companheiros, professores, formadores e amigos de Cesare, juntamente com o testemunho de vida deste último, convenceram o prelado a tomar tal decisão. Ao Cesare, antes da ordenação, D. Pellegrino confiou a seguinte missão: “Vais conhecer o valor do silêncio e da solidão. Desde o teu leito de dor, anunciarás Cristo, no sofrimento exercerás o teu sacerdócio… Estamos seguros que o teu sofrimento dará muito fruto e servirá a muitos, exactamente como o grão de trigo semeado que morre.”
Aos cépticos, o arcebispo de Turim respondeu: “Ele pode viver o ministério segundo um modo mais profundo, o da imolação com e em Cristo Sacerdote e Hóstia, pela Igreja.”

MARIA FELICIA ECHEVARRIA, "Tudo Te ofereço, Senhor!"


Maria Felicia Guggiari Echevarria, também conhecida sob o nome“Chiquitunga” nasce no Paraguai em 1925. Vive a sua infância e juventude perturbadas pelos conflitos bélicos, primeiramente com a vizinha Bolívia e, mais tarde, com uma guerra civil. Seu pai, politicamente implicado vê-se obrigado a exilar-se várias vezes deixando esposa e seus sete filhos. Daí que a formação intelectual e religiosa de Maria Felícia fiquem para segundo plano.
É já adolescente que trava conhecimento com a Acção Católica, recentemente instituída no país. Pela oração e retiros promovidos pelo movimento, ela encontra-se com a pessoa de Jesus que se torna o ideal da sua vida. Contrária às “meias-medidas”, decide consagrar-se-Lhe através de um voto privado de virgindade. Em sinal disso, passa a vestir de branco e de forma simples. Essa aparência facilitar-lhe-á aproximar-se dos pobres a quem ela passa a visitar assim como os doentes. É com generosidade que se dedica ao apostolado junto das crianças que ela prepara para os sacramentos. Ela própria é um exemplo, comungando diariamente.
Já em Asuncion, a capital, Maria Felícia prossegue o seu programa de catequese e solidariedade junto de todos, independentemente da sensibilidade religiosa ou política. Todos são seus irmãos a quem deve servir. No seio da sua família tem a preocupação de fomentar um espírito de paz e alegria através do sorriso permanente, amabilidade e disponibilidade. Todas essas virtudes atribui-as à fé, esperança caridade que ela estima como dons gratuitos de Deus.

Amar sempre mais
É pela Acção Católica que conhece Sauá, um jovem estudante de medicina. Uma simpatia recíproca nasce entre eles, partilhando os mesmos ideais, as mesmas aspirações à santidade. Juntos visitam os pobres dos bairros problemáticos da periferia onde se encontram os maiores abandonos e misérias. Ao longo dos meses, a amizade dos dois jovens evolui em sentimentos mais fortes. Serenamente, questionam-se: O que quererá Deus de cada um de nós? após um sério discernimento, Sauá sente-se chamado ao sacerdócio. Maria percebe que tem de se afastar. Juntos, diante do Coração Imaculado de Maria, pedem à Virgem que apresente a Deus o seu “pequeno sacrifício”. Maria decide então, também ela, consagrar-se totalmente a Deus, a fim de apoiar pela oração e pela sua doação a vocação de Sauá: “Estou apaixonada por Sauá, mas é Jesus que eu amo… Obtive de Deus tudo quanto sonhei: conhecer o amor, para fazer dele uma oferta a Jesus.”

Carmelita
Durante um retiro, em Janeiro de 1954, Maria compreende que é chamada para o Carmelo. É no dia 2 de Fevereiro que ingressa no convento da capital. É recebida com muito carinho e as suas primeiras semanas são vividas em plena alegria. Porém, após algum tempo, enfrenta a noite, a tempestade das dúvidas. A oração não a sossega nem lhe traz sabor. É a crise, a provação do espírito. Como Jesus, no Getsémani, entrega-se: “A tua vontade e não a minha!” Sabe que pode desistir – ainda é simplesmente postulante – mas decide permanecer, pelos sacerdotes por quem quer rezar e, sobretudo, por Jesus. Mais do que nunca, e de forma exclusiva, entrega-se a Jesus, a quem escreve num diário e pelo qual revela a sua maturidade interior, o seu progresso na via da santidade.
“Sim, tudo Te ofereço Senhor,
tudo quanto há em mim:
as alegrias da minha alma,
as agonias sem fim.
Tudo Te ofereço, Senhor:
meus trabalhos, meus pesares,
as notas dos meus canteres
que continuo a elevar para Ti.
Tudo quanto há em mim,
tudo Te ofereço Senhor,
para eu seja o que Tu quiseres, meu Deus.
Toda inteira e sem reserva,
faz-me subir para que esteja sempre contigo,
ainda que me custe «morrer».”

Alguns dias antes da sua tomada de hábito, a paz regressa, definitiva, plena. O dia 14 de Agosto de 1955, é a grande festa, assumindo o nome religioso de Maria Felícia de Jesus Sacramentado. Escolhe por lema de vida “Alegria – Caridade – Serviço”. O seu quotidiano desenrola-se, doravante, na simplicidade, aspirando unicamente amar, na oração e na oferta de si mesma. Dedica-se às suas irmãs com delicadeza, os pobres a quem dedica o seu trabalho manual, os sacerdotes por quem oferece sacrifícios. Não esquece Sauá a quem assiste pela oração e entrega silenciosa. Maria irradia de forma luminosa e transparente o amor.

Em Janeiro de 1959, no quinto aniversário da sua vocação, Maria cai gravemente doente, atingida por uma hepatite fulgurante. Hospitalizada, sabe-se perdida mas acolhe essa fatalidade na serenidade. Obtém licença para regressar ao Carmelo, esforçando-se por participar na vida da comunidade.
Exausta, falece na madrugada do dia 28 de Abril de 1959. Faz hoje 50 anos.
A causa da sua beatificação foi introduzida em 1997.

domingo, 26 de abril de 2009

PATRICK GIRAUD, a Páscoa com Jesus


Nascido a 2 de Setembro de 1953 em Rouen (norte de França) Patrick Giraud é um jovem afectivo, calmo, obediente, extremamente respeitador e tem horror à mentira. Quem o conheceu não esquece o seu riso franco. Participa em acampamentos da JEC (Juventude Estudantil Católica) do qual se tornará animador, e juntamente com outros amigos funda um grupo de animação paroquial, “Os Aleluias”.
Depois do bacharelato, integra um grupo de preparação para o sacerdócio. Desde pequeno manifestara esse desejo. Por isso, pretendia desenvolver estudos superiores para melhor compreender e ajudar os outros assim como adquirir mais experiência de vida a fim de se tornar um padre com maior vivência.

A cruz da doença
Porém, em 1975 a sua saúde altera-se bruscamente. Hospitalizado descobre-se um tumor maligno no cérebro. Operado, acorda paralisado do lado esquerdo.
Inicia-se uma longa recuperação feita de muita perseverança e esperança suportadas por uma fé que nunca deixou de ter: “Que a primeira coisa a fazer hoje, primeiro dia em que me sento após um longo período acamado, que a primeira coisa a fazer hoje, dia em que voltei a escrever, seja escrever um enorme OBRIGADO!
Um enorme Obrigado a Jesus Cristo por recomeçar a dizer a mim próprio: não te esqueças que a tua missão é procurar-Me em cada dia e fazer descobrir ao mundo no qual vives que Eu o amo e que é por isso que ele existe; que cada homem está dotado de vida e tem a promessa de salvação; envio-te ao mundo para fazeres nele um trabalho de apóstolo.
(Que eu também saiba não esquecer que a maior felicidade do cristão é saber que já entrou na vida eterna desde hoje e que tudo se passa segundo a vontade do Pai, que tudo tem um sentido e uma utilidade!)
Segue-se uma reeducação intensiva. Esta longa provação ajuda-o a reflectir sobre o verdadeiro valor da vida humana: “Querer demasiado ser válido junto de todos é raciocinar em termos de meios – sou forte ou fraco? – e pecar por orgulho, pois não devemos falar em termos de capacidades; Jesus Cristo concede-nos o que decidiu dar-nos para seguir o seu Evangelho… Cada um de nós está vocacionado para qualquer coisa; que Jesus Cristo nos ilumine, para percebermos aquilo a que estamos destinados.”
Tal coragem advem-lhe da firme certeza de não estar só e da sua relação com Deus: “A fé não deve ser uma afirmação dita, mesmo com convicção, mas uma afirmação vivida.”

A Páscoa com Jesus
Após alguns sinais de melhoras, recaí brutalmente. Parte para Deus no dia 26 de Abril de 1976 com 22 anos. Quatro dias antes, desperta pela última vez , maravilhosamente lúcido, para deixar à mãe, num sopro de amor, com o mais belo dos sorrisos, a sua última mensagem:
“Hoje é Páscoa.
Quero passar a Páscoa com Jesus Cristo e com todos os meus «amigalhaços».
Estou contente por viver esta hora de Páscoa contigo!
Que bom é a Páscoa!
A Alegria está a chegar!
Eu bem sabia que me ia acontecer algo na Páscoa.
E aconteceu!
A minha ressurreição está a começar!
…Tu não a viés como eu…
Oh, mãe, como é fantástico! Fantástico!
Fantástico!”

Robert, um amigo, escreverá o seguinte: “… Patrick, a tua morte conta-nos a vida, presente e futura…”

sábado, 25 de abril de 2009

EGÍDIO BULLESI, a pureza como caminho de felicidade


Quando vem ao mundo a 24 de Agosto de 1905, Egídio Bullesi nasce croata. Mas a Primeira Grande Guerra e consequentes alterações geográficas vão torná-lo italiano. É o terceiro de oito irmãos de uma família modesta que sobrevive à custa do trabalho do pai.
Com o rebentar do conflito bélico, toda a família se vê obrigada a refugiar-se primeiro na Hungria e depois na Áustria. Durante esses anos de exílio, Maria partilha com o seu irmão Egídio o seu fervor pela eucaristia e a sua devoção a Maria.
Quando, por fim, a guerra acaba Egídio regressa à terra natal, Pola, onde labora com o pai na indústria naval como metalúrgico. Tem apenas catorze anos. Nos intervalos desse trabalho árduo, o jovem rapaz concentra-se no estudo pois quer progredir e contribuir para o sustento da família.

Crise e compromisso

Todas as provações e dificuldades pela qual passou a família afectaram Egídio, relaxando-se durante um tempo na sua vivência cristã e religiosa. Mais uma vez, a influência benéfica da sua irmã Maria ser-lhe-á de grande ajuda.
Nesse período, os comunistas começam a infiltrar-se entre os operários. Egídio, adolescente de quinze anos percebe que existem outros métodos susceptíveis de elevar o ser humano para além das ideias marxistas. Descobre assim a sua vocação: testemunhar o poder salvífico de Cristo no meio profissional. O mundo do trabalho torna-se então o seu campo de apostolado. Capaz de atrair e cativar o espírito e o coração, Egídio é respeitado. Sem vaidade, atribui a eficácia e simplicidade da sua acção a Deus: “A minha amabilidade, a caridade, a docilidade não são mais que a amabilidade, a caridade e a docilidade de Jesus Cristo. É Jesus que transparece em todas as minhas acções, em todas as manifestações do meu coração que, sem esforço, agrada a todos. É somente Ele que me torna amável, bom e dedicado.”
Dele dirão algumas testemunhas que nunca teve vergonha de fazer o sinal da cruz diante de quem quer que fosse, e que todas as manhãs, rezando pelo caminho, participava e comungava na eucaristia celebrada na catedral. Distribuía jornais, livros, revistas que pudessem ajudar os companheiros e aproveitava todas as conversas para aconselhar e encorajar outros a seguirem os caminhos de Deus.

O ideal de pureza
Egídio quer ser santo. Quer imitar o exemplo da sua irmã Maria a quem se confia e pede orações.
Pensa no seminário mas deseja fundar uma família. Após um breve namoro sério, sente que Deus espera dele outra coisa: “Que alegria deriva da pureza! Que serenidade! Que tranquilidade de espírito! Que doçura e suavidade de coração! Oh, como nos sentimos amando Deus!”
A pureza e a castidade não têm para ele nada de negativo. Não é privação, mas conquista, doação total ao Amor para atrair outros para o Amor: “Para fazer bem às pessoas, é preciso uma grande riqueza, um tesouro acumulado graças a uma vida interior emancipada na intimidade de Jesus Cristo. É necessário que estejamos repletos e transbordantes da graça de Deus, que tenhamos uma fé firme e confiante, uma caridade e um amor ardentes.”
Tudo isso exige luta e esforço. Mas Egídio é um lutador na alma. Escreve ao seu director espiritual: "Estou contente porque tenho a alma em paz, a consciência limpa e pura porque amo Deus.”

Tem dezanove anos quando é chamado a cumprir o serviço militar na marinha. Ao longo de dois anos Egídio vai crescer na vivência e testemunho da sua fé. Sente uma verdadeira fome eucarística que compensa pela oração e recolhimento. Esse aprofundamento da vida interior não o impede de partilhar o quotidiano dos companheiros, no alto mar ou nas escalas, contanto que evite ocasiões de pecar. A sua pureza, num primeiro tempo alvo de troça, torna-se a admiração e respeito de todos. Gozava de uma grande consideração entre todos, oficiais ou simples marinheiros. Estimado nunca quis aproveitar-se de privilégios. Antes desejava converter todos. E assim conseguiu com muitos.

Morte na paz e alegria
Na primavera de 1927, quando regressa ao porto de Pola, Egídio vive já em plena maturidade espiritual.
Todavia, poucas semanas depois de retomar o trabalho um médico dessela nele cansaço e febre com crises de tosse. É a tuberculose, fulminante. Tudo báscula. Mas Egídio brinca: “Então, estou plenamente disposto a viver, se o Senhor o quer, tal como estou disposto a morrer…” Permanece sereno, alegre, reconforta e encoraja os seus. Reza, por vezes em voz alta: “Nada fora de Ti, ó meu Deus! Dou-me todo a Ti… Tantas graças recebi de Ti! Como estou feliz, como estou contente neste momento, de ter tido uma vida boa e pura!”

Apaga-se serenamente no dia 25 de Abril de 1929. Não tem ainda vinte e quatro anos.
A causa de beatificação foi introduzida em 1973 e Egídio foi declarado venerável em 1997.
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